domingo, 22 de outubro de 2017

O Roubo do Gado de Regamna

Táin Bó Regamna
O Roubo do Gado de Regamna[1]

            Quando Cuchulain dormia em Dun Imrid[2], ele ouviu um grito que veio do norte, vindo diretamente em sua direção; o grito era terrível e o mais aterrorizante para ele. Ele acordou do meio de seu sono e caiu, com a queda de uma carga pesada, de sua cama[3] no chão do lado oriental de sua casa. Ele então foi para fora com suas armas e ficou no gramado diante da sua casa, mas sua esposa trouxe suas armas e roupas quando o seguiu. Ele viu Laeg em sua biga atrelada, vindo de Ferta Laig[4], do norte, e disse “O que te traz aqui?” “Um grito,” disse Laeg, “que escutei nas planícies.” “De que lado ele veio?” disse Cuchulain. “Pareceu que veio do noroeste,” disse Laeg, “que é, ao longo da grande estrada de Caill Cuan[5].” “Vamos então seguir o som para sabermos o que é,” disse Cuchulain.

domingo, 15 de outubro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Dumae Selga

71. Dumae Selga

            Ard Cain foi o seu primeiro nome, até a caça dos seis suínos de Derbrenn, a filha de Eochaid Fedlech. Ela foi o primeiro amor de Oengus Mac Ind Óc e os suínos eram seus filhos adotivos quando eram humanos, até a mãe deles, Dalb a Rude, colocar neles e em suas esposas um feitiço difundido em um encontro das nozes[1] de Caill Achaid. O nome dos homens eram Conn, Find e Fland, e o nome das mulheres eram Mel, Tregh e Tréis. Os javalis (os homens que foram transformados) eram chamados de Froechán, Banbán e Brogarban, e as porcas (as mulheres que foram transformadas) eram chamadas de Cráinchrín, Coelchéis e Treilech.

domingo, 8 de outubro de 2017

A caverna encantada de Keshcorran

Bruidhean Chéise Corainn
A caverna encantada de Keshcorran

1. Foi uma grande e usual competição de caça que Finn, filho de Cumall, filho de Art, filho de Trenmor, neto de Baeiscne, convocou com os corajosos e graciosos Fianna[1] dos gaélicos pelas nobres bordas de Corran[2], entre a bela tuatha[3] de Leyny[4], dentro dos confins de Brefny[5], no refúgio sem trilhas de Glendallan[6], nas regiões abundantes em noz e mastros[7] de Carbury[8], nos fortes abrigos dos bosques de Kyleconor[9] e sobre a vasta expansão plana de Moyconall[10].

2. Finn então sentou-se no monte de caça no topo da alta Keshcorran, e naquele instante, ficaram lá com ele ninguém menos que seus dois cães-lobos[11], Bran e Sceolaing, e Conan Mael mac Morna. Era doce para Finn olhá-los, escutar a música dos cães de caça, às claras torcidas alegres dos jovens, as falas de guerreiros atléticos e as profundas vozes de homens poderosos, aos vários assobios dos Fianna, em todas as selvagens e desertas florestas da terra, pois mesmo nas fronteiras das regiões estes gritos de caça que eles emitiam eram ouvidos livremente. Estes gritos eram tão altos que os veados levantavam de seus lugares, os texugos saíam de seus buracos, os pássaros levantavam vôo, e nesse ponto, cada colérico, ágil e feroz cão-lobo saía de sua coleira para correr pela tulach.[12]

domingo, 1 de outubro de 2017

Os métricos Dindshenchas: Mag Muirthemne

Poema/história 99
Mag Muirthemne

            Mag Muirthemne, de onde surgiu este nome? Não é difícil dizer. O mar a cobriu por trinta anos após o Dilúvio e por isso ela foi chamada de Muirthemne, que é, ‘escuridão do mar’ ou ‘está abaixo do teto do mar’. Ou, existia um mar mágico sobre ela, dentro do qual tinha um polvo com o poder de sucção. Ele podia sugar um homem com armadura, o deixando no fundo de seu saco de tesouro[1]. O Dagda veio com sua ‘clava da fúria’ em sua mão e a enterrou no polvo, cantando estas palavras: “Vira tua cabeça oca! Vira teu corpo voraz! Vira tua fronte engolidora! Sai! Vai embora!” O mar mágico então se retirou com o polvo, e pode ser por isso que o lugar foi chamado de Mag Muirthemne[2]

domingo, 24 de setembro de 2017

O importuno Athirne e Midir de Brí Léith

Athirne Áilgessach ocus Mider Brí Léith
O importuno Athirne e Midir de Brí Léith[1]

            O homem mais inospitaleiro que já viveu na Irlanda foi Athirne, o Importuno, filho de Ferchertne. Ele foi até Midir de Brí Léith e roubou seus três grous da exclusão e inospitalidade, levando para sua casa por conta de sua mesquinhez e inospitalidade, para que nenhum homem da Irlanda visitasse sua casa esperando celebração ou entretenimento.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono


Introdução e informações preliminares

            Como já foi grandemente discutido por mim em outros textos aqui no blog, não há evidências firmes que afirmam que os antigos gaélicos tenham celebrado os solstícios e equinócios, pela pura falta de menção à esses nos mitos e por terem uma certa influência (supostamente...) estrangeira, normalmente anglo-saxônica, como é o caso do equinócio de outono que veremos mais para frente. Contudo, a presença de monumentos pré-históricos da Irlanda e Escócia que são alinhados com as datas dos solstícios e equinócios, como no caso do Loughcrew, na Irlanda, cujo interior é alinhado para ser iluminado com a luz do sol na manhã do equinócio de outono e de primavera, nos mostra que, ainda que não tenham sido de fato celebrados, os antigos gaélicos viam essas datas de grande importância astronômica, e possivelmente, religiosa.


domingo, 17 de setembro de 2017

A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall

Echtra Laegaire meic Crimthain
A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall[1]

Em uma época, Crimthann Cas era o rei de Connacht, a província que estava em uma assembleia próxima de Énloch, ou “O Lago do Pássaro”, em Magh nAei[2], ou “Planície de Aei.” Na noite em questão, o povo permaneceu reunido lá e quando eles se levantaram cedo pela manhã, viram um homem que vinha através da névoa em direção a eles: ele vestia um manto de cinco pregas, em sua mão estavam dois dardos com cinco extremidades, um escudo de aro dourado estava pendurado nele, em seu cinto estava uma espada de punho dourado e ele tinha um cabelo loiro atrás de si.

domingo, 10 de setembro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Hirasus

117. Hirasus

            Os quatro pássaros de Baile vieram assombrando Cairpre Lifechair até Ráith Cairpri. “Venha, venha!” diziam dois deles. “Eu vou, eu vou,” diziam os outros dois. Por sete vezes cinquenta noites os pássaros ficaram ridicularizando (?) ele, e não importava qual casa na Irlanda em que Cairpre estava, eles iam até ele. Estes pássaros eram os quatro beijos do Mac Óc[1]. Ele os transformou em quatro pássaros para que eles ficassem zombando dos nobres da Irlanda.

domingo, 3 de setembro de 2017

A causa da batalha de Cnucha

Fotha catha Cnucha inso
A causa da batalha de Cnucha

Quando Cathar Mor, filho de Fedlimid Fir Urglais, filho de Cormac Gelta-Gaith, estava no reinado de Tara e Conn das Cem Batalhas, em Kells, na terra do rigdonna[1], Cathar tinha um célebre druida chamado Nuada, filho de Achi, filho de Dathi, filho de Brocan, filho de Fintan, da Tuath Dathi em Breg. O druida pediu para Cathar lhe conceder uma terra em Leinster, pois ele sabia que seu patrimônio estaria lá. Cathar lhe deu a escolha da terra e a escolhida pelo druida foi Almu[2], em Leinster. A esposa de Nuada era Almu, filha de Becan.

domingo, 27 de agosto de 2017

O cortejo de Cruinne e Macha

Tochmarc Cruinn ocus Macha
O cortejo de Cruinne e Macha

            Cruinne, filho de Agnomain, filho de Fer Ulad (isto é, Muredach do Pescoço Vermelho – Muiredach Muinderg), os Ulads[1] de Dal Fiatach[2] foram nomeados com seu nome, filho de Fiatach, filho de Fir Urmi, filho de Dare, filho de Dlutag, filho de Dedsin, filho de Echdach. Ele saiu de seu castelo em direção ao noroeste e viu uma mulher vindo em sua direção. Ele nunca tinha visto uma mulher tão bela quanto esta que ele encontrou. Eles se cumprimentaram. “Quem é a sua família, qual é teu país e qual é o teu nome, menina?” Cruinne disse. “Não lhe negarei isto,” disse ela. “Eu sou Macha, filha de Bruide, filho de Ceite, filho de Cruinniuc (ou ‘Cruinnchu’), filho de Delbaeth, filho de Nechtan, filho de Echach Garb, filho de Duach Temen, filho de Bres, filho de Elathan, filho de Delbaeth, filho de Neid, filho de Indeth, filho de Allach, filho de Tad, filho de Tabarn,” disse a menina. “Eu sou uma druidesa e dotada com poderes,” disse a menina. “Tu vives com um homem, menina?” Cruinne perguntou. “Não,” respondeu ela. “Tu dormirás comigo?” Cruinne perguntou. “Se os poderes mágicos de minha tribo forem permitidos,” respondeu Macha, filha de Bruide. “Certamente os permitirei,” disse Cruinne. Cruinne levou a menina consigo para sua casa e ela dormiu essa noite em sua cama.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A deusa Tailtiu

TAILTIU
Deusa da terra e da agricultura



“Grande foi a façanha feita por Tailtiu com a ajuda do machado, a reivindicação da terra de cultivo do até então bosque, por Tailtiu, a filha de Magmor.”

Introdução

                Dando continuidade aos textos dos deuses gaélicos, escrevo um agora sobre uma divindade diferente, saindo um pouco da esfera dos Tuatha Dé Danann[1], ainda que seja uma deusa grandemente ligada à esta tribo. Como é um texto diferente daqueles já escritos com esta mesma temática, sua estrutura também será diferente – as partes “Nomes e títulos”, “Família” e “Mitos” compreendem um apanhado de informações mitológicas e históricas que encontramos em alguns dos principais textos mitológicos da Irlanda, enquanto que a segunda parte, ainda que tenha as informações citadas anteriormente e menções aos trabalhos de acadêmicos, será composto de especulações e associações intuitivas, que é o que normalmente chamamos de “gnoses”.

                Tailtiu, conhecida no mito irlandês como a rainha dos Fír Bolg[2] e mãe adotiva de Lug, é uma divindade com características bastante ctônicas e está provavelmente associada com a agricultura. Embora tenha uma mitologia relativamente curta, sua relação com um antigo festival irlandês, o Lugnasad, e com um deus bastante conhecido e cultuado dentro do politeísmo gaélico (Lug), fazem dela uma divindade que requer uma atenção especial. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Feliz Lugnasad!



Desejo a todos um feliz Lugnasad! O festival é celebrado tradicionalmente no dia primeiro de agosto, e ele representa o início da colheita de grãos, frutas e legumes e o início do outono. Anualmente, uma feira era dada pelo rei da Irlanda para todos o seu povo, a fim de celebrar os bens da colheita e para dar uma oportunidade do povo vender suas mercadorias, pagar dívidas, comer, beber e dançar... O Lugnasad foi criado pelo deus Lugh em honra à sua mãe adotiva, Tailtiu, a deusa da terra, para homenageá-la após ter morrido de exaustão limpando uma planície da Irlanda para tornar propícia às práticas agrícolas. Hoje, celebramos Lugh, o doador das colheitas, e Tailtiu, a  generosa que nos abençoa com seus bens abundantes. Separei alguns materiais para vocês celebrarem e conhecer mais sobre o festival e algumas receitas perfeitas para o clima de colheita, e mais uma vez, que todos tenham uma incrível celebração e que Tailtiu possa abençoar tanto nossas colheitas materiais como emocionais!

História e mitologia 
Lùnastal, de Annie Loughlin 
Celebrando o Lùnastal, de Annie Loughlin (em inglês)
Os dindshenchas de Tailtiu 
Os dindshenchas em prosa de Tailtiu
Os dindshenchas de Carmun 

Os deuses
Receita de pão de trigo
Receita de cally irlandês

Pão de trigo para o Lugnasad

Lugnasad sem pão, não é Lugnasad! Seja para servir de alimento ou ser ofertado, o pão é uma peça fundamental nas celebrações do Lugnasad. Como um festival da primeira colheita – que obviamente inclui a colheita de grãos – o pão era o sinal da fartura de grãos colhidos para os gaélicos, seja o trigo, o centeio, a cevada ou aveia, onde todos eles podem ser transformados magicamente em pães, ou outras variações, como os famosos bannocks. A receita que vou ensinar hoje é o do pão de trigo, feito com ingredientes que qualquer um deve ter em casa.
  
Pão de trigo do Lugnasad


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Oração para Tailtiu

Para Tailtiu

“Tailtiu do bom coração, filha de reis distantes,
Esposa amada de Eochaid, o estável
Que viveu pela perda, que resistiu à tempestade da guerra
E permaneceu firme apesar da tristeza e do sofrimento.
Tailtiu, mãe adotiva do esperto e astucioso Lugh,
Gentil que cuidou bem d’Ele que tem a mão longa,
Como se fosse seu próprio filho; em agradecimento
Pelo seu amor e cuidado, em honra de sua bondade
E de seu fervor, ele decretou que os jogos devem ser realizados,
Que todos devem festejar e se divertir em seu nome,
Recordando sua virtude e o seu valor. Ó Deusa,
Tailtiu do campo e da fazenda, eu te louvo e te honro.”


Fonte: Blog “Field of Stones: Prayer to Tailtiu”. Disponível em: < http:// http://fieldsofstone.tumblr.com/post/27814957689/to-tailtiu>. 

sábado, 22 de julho de 2017

A saga de Fionn

Fonte: MACCULLOCH, J.A. “The Religion of the Ancient Celts”. 1911. Disponível em: <http://sacred-texts.com/neu/celt/rac/index.htm>.

CAPÍTULO VIII.
A saga de Fionn

                Os personagens mais proeminentes da saga de Fionn, depois da morte de Cumal, o pai de Fionn, são Fionn, seu filho Oisin, seu neto Oscar, seu sobrinho Diarmaid com seu ball-seirc, ou “ponto da beleza”, o qual nenhuma mulher poderia resistir; Fergus, famoso por sua sabedoria e eloquência; Caoilte mac Ronan, o veloz; Conan, o personagem cômico da saga; Goll mac Morna, o assassino de Cumal, mas depois o devoto amigo de Fionn, além de outros diversos personagens menos importantes. Suas atividades, como as dos heróis de outras sagas e epopeias, são principalmente a caça, a luta e o sexo. Eles personificam bastante as características célticas – vivacidade, bravura, bondade e sensibilidade, tal como a vanglória e o temperamento impetuoso. Embora seja datada de tempos pagãos, a saga mostra pouco sobre as crenças pagãs, mas revela muita coisa em relação aos hábitos daquele período. Aqui, como sempre foi no início do celtismo, a mulher é mais que uma posse e ocupa um lugar relativamente importante. As diversas partes da saga, como aquelas do Kalevala finlandês, sempre existiram separadamente, nunca como uma epopeia completa, embora sempre tiveram uma certa relação umas com as outras. Lonnrot, na Finlândia, foi capaz, adicionando alguns vínculos próprios, de dar uma unicidade ao Kalevala, e se MacPherson se contentasse em fazer isso pela saga de Fionn, ao invés de inventar, transformar e servir o todo à maneira do sentimental século XVIII, ele teria trazido um benefício para a literatura céltica. As várias partes da saga pertencem à séculos diferentes e vem de autores diferentes, todas, no entanto, imbuídas com o espírito da tradição de Fionn. Não pode ser dada uma data para os inícios da saga, e adições foram feitas até o final do século XVIII, com o poema de Michael Comyn de Oisin em Tír na n-Og sendo uma parte genuína dela como qualquer uma das partes mais antigas. Seus conteúdos são, em parte, escritos, mas a maior parte é oral. Grande parte da saga está em prosa, e há bastante literatura poética do tipo “balada”, tal como o Märchen [NT: palavra alemã para “contos de fadas”] da criada linha universal puramente céltica com Fionn e o resto do bando heróico como os protagonistas. A saga personifica os ideais e as esperanças celticas; ela foi a literatura do povo céltico na qual se passava todas as riquezas da imaginação céltica; um mundo de sonho e fantasia na qual eles poderiam entrar em qualquer hora e se divertirem. Contudo, a respeito de sua imensa variedade, a saga preserva uma certa unidade e é provida de uma estrutura definida, recontando a origem dos heróis, os grandes eventos nos quais eles se envolvem, suas mortes ou aparições finais e o término do bando de Fionn.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas: Carn Máil

Notas preliminares: Este dindshenchas (histórias que contam a origem dos lugares na Irlanda), relata a história de Lugaid Mal, um dos filhos do rei Daire, que foi exilado da Irlanda e posteriormente morreu em uma planície em Ulster, em um lugar que ficou conhecido como Carn Máil (Cairn de Mal), em sua homenagem. No entanto, o poema conta principalmente a história de quatro dos sete filhos do rei Daire, todos com o primeiro nome 'Lugaid', que caçaram um gamo encantado que seu pai possuía. Após a caçada do gamo, eles vão até uma casa, onde aparece uma gigante horrível que pede para se deitar com um deles, caso contrário, ela devoraria todos. Um deles, Lugaid Loeg, aceita dormir com ela, e então, a mulher horrível se transforma em uma linda donzela. A mulher em questão tem algumas semelhanças com Cailleach e com a Soberania - que a princípio parece horrível, mas depois se revela maravilhosa para aqueles que a merecem. Uma outra versão desta história está registrada no Cóir Anmnan.      

Poema/história 29
Carn Máil

1. Agradável é o tema que cai aos meus cuidados, o conhecimento não de um único lugar apenas, enquanto meu espírito lança luz para o leste, aos lugares secretos do mundo.

2. Como é que nenhum de vocês exigem, se ele busca tecer a teia do conhecimento, de onde, em qualquer época, veio o nome de Carn Mail na oriental Planície de Ulaid?

3. Lugaid Mal, ele forjou uma grande ruína, foi exilado de Erin: com sete cargas de navios, o príncipe viajou de Erin até a terra de Alba.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas: Carmun

Poema/história 1
Carmun

1. Escutai, homens de Leinster dos túmulos,
Ó tropa que governa Raigne dos direitos santificados,
Até que vós obtenhais de mim, reunida em todas as mãos,
A nobre lenda de Carmun, alta em fama!

2. Carmun, local de encontro de uma feira hospitaleira,
Com relvados planos para corridas:
As tropas que costumavam vir para sua celebração
Conquistaram em suas brilhantes corridas.

3. Uma sepultura de reis é seu nobre cemitério,
Especialmente querido para as tropas de alta categoria;
Sob os montes das assembleias estão muitos
De sua tropa de uma linhagem sempre honrada.

sábado, 15 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas, vol. 1

Boa noite! Vocês agora podem acessar o arquivo "Os métricos Dindshenchas, vol. 1", traduzido do irlandês médio por Edward Gwynn, e do inglês, por mim, na seção "Mitologia" aqui do blog, ou clicando na imagem abaixo. 

O primeiro volume compreende 6 poemas/histórias, com os 5 primeiros focando na história de Temair (Tara), e o último, em Achall (uma colina perto de Tara).

Espero que seja útil e que Brigit e Ogma abençoem a todos!

 Os métricos Dindshenchas, vol. 1
Os métricos Dindshenchas, vol. 1
    

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A loucura de Suibhne

A loucura de Suibhne
Buile Suibhne

                Quanto à Suibhne, filho de Colman Cuar, rei de Dal Araidhe, nós já contamos como ele ficou vagando e fugindo das batalhas. Aqui está a causa e a ocasião através dos quais estes sintomas e crises de loucura e êxtase se apoderaram dele além de todos os outros, do mesmo modo, o que aconteceu com ele posteriormente.

                Existia um certo nobre e distinto santo patrono na Irlanda: Ronan Finn, filho de Bearach, filho de Criodhan, filho de Earclugh, filho de Ernainne, filho de Urene, filho de Seachnusach, filho de Colum Cuile, filho de Mureadhach, filho de Laoghaire, filho de Niall. Ele era uma homem que cumpria o comando de Deus e carregava o jugo da piedade, e sofria perseguições pelo amor de Deus. Ele era o próprio servo digno de Deus, pois era seu costume crucificar seu corpo pelo amor de Deus e conquistar uma recompensa para sua alma. Um escudo acolhedor contra os ataques malignos do diabo e contra vícios era o gentil, amigável e vigoroso homem.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Feliz Grianstad an tSamhraidh!

Oferendas para Áine Chliar na minha celebração.

          Feliz Grianstad an tSamhraidh! No hemisfério norte, é comemorado o solstício de verão por volta dos dias 21-22 de junho. Apesar de não ser certo que o solstício de verão tenha sido cultuado como um festival pelos gaélicos pré-cristãos (por ter uma suposta influência nórdica e pela ausência do festival nos manuscritos irlandeses), hoje o celebramos como tal, visto que se tornou parte da tradição pela variedade de costumes associados com o dia em todos os países gaélicos. Tradicionalmente, ritos para Áine, com procissões de tochas, eram feitos em Munster, na colina de Knockaine, e na Ilha de Man, os ilhéus pagavam o “aluguel” da ilha para seu dono, Manannán mac Lir, também como agradecimento pela proteção e por suas bênçãos. Fogueiras eram acesas representando o poderio solar dessa época do ano, ervas eram colhidas na meia-noite, pois se acreditava que elas tinham poderes mágicos na noite mais curta do ano e haviam procissões para colinas e lagos, onde as festividades aconteciam – regadas com muita comida, bebida, danças, competições e narrativas, sempre ao redor da fogueira principal do festival ou de um mastro de madeira conhecido como craebh.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Celebrando o Solstício de Verão

Fonte: Site “Tairis: Celebrating Midsummer”, por Annie Loughlinn. Disponível em: < http://www.tairis.co.uk/celebrations/celebrating-midsummer/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Celebrando o Solstício de Verão  

Manannán é um deus encontrado tanto nas tradições irlandesas como nas escocesas (e, é claro, nas manesas), e é uma divindade bastante popular no politeísmo moderno, onde é visto como um rei sobrenatural e um guardião de portais, um deus do mar e de lugares aquáticos, um deus que testa e desafia. Para muitos politeístas gaélicos, ele é o deus mais naturalmente associado com as celebrações do solstício de verão, com festas e ritos sendo realizados em sua honra. Áine também reivindica o dia e tem tradicionalmente sua fortaleza em Cnoc Áine, no Condado de Limerick, onde ritos fúnebres são realizados em sua honra na véspera do Solstício de Verão.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Palestra - O Dagda: uma visão geral de seus atributos, mitos e características

Atendendo a pedidos, compartilho com vocês a palestra que dei no 8º Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, sobre o Dagda. Para acessar o arquivo, basta clicar na imagem. Espero que possa ser útil! :)


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Feliz Beltain!

Foto da minha celebração.

               Oíche mhaith! Sei que já passou bastante um pouquinho da data, mas venho desejar um feliz Beltain para todos!  O festival, que é celebrado tradicionalmente no dia 1° de maio (ou 1° de novembro, no hemisfério sul), anuncia a chegada do verão e é a época em que o Povo dos Sídhe está bastante ativo, pronto para causar confusão. O nome “Beltain”, que também é conhecido como Cetsamain, significa “fogueira brilhante”, e como essa tradução sugere, fogueiras eram acesas para simbolizar o poderio solar mais forte nessa época do ano (já que no hemisfério norte é verão...) e para purificar o gado e as pessoas que passassem pelas suas brasas ou que pulassem suas chamas. Tradicionalmente, a chama da lareira era apagada somente nessa época do ano, e era acesa com a chama trazida dessas grandes fogueiras comunitárias, ao redor das quais as divertidas celebrações aconteciam.

                Para os antigos gaélicos, a chegada do verão era uma época de muita alegria, prazer e festejos. Até os dias de hoje em algumas áreas rurais da Irlanda, são feitos os chamados “Arbustos de Maio” – pequenos arbustos decorados com fitas coloridas, serpentinas, ovos pintados, etc., e os “Galhos de Maio”, que apesar do que se poderia esperar, são versões maiores dos Arbustos, sendo usadas árvores ou partes grandes de árvores para o mesmo propósito. Apesar de toda a diversão e alegria, no entanto, medidas eram tomadas para se proteger do Povo do Sídhe, e para tal, as pessoas penduravam flores (normalmente amarelas, como o malmequer-dos-brejos e o ranúnculo) na entrada de suas casas ou nas janelas, impedindo que as “fadas” entrassem, ou eram colocadas nos animais da fazenda para protegê-los do “olho gordo” das pessoas que eram capazes de roubar a produção de leite das vacas, por exemplo.


Caudle para o Beltain

O caudle é uma receita escocesa tradicional, feita normalmente com ovos, aveia e alguma bebida alcoólica, normalmente vinho branco ou cerveja inglesa. O caudle feito para o Beltain, que é a receita abaixo, adiciona leite na composição, mas apesar de ser para o Beltain, pode ser usado em qualquer outro festival ou ocasião, como oferenda, uma bebida ou acompanhamento para alguma sobremesa, como bannocks, por exemplo. Apesar de ser um dos ingredientes principais, eu optei por fazer sem álcool, assim como os temperos também são opcionais.    

Caudle para o Beltain

Caudle usado como oferenda, junto com bannocks.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Superstições do 1º de maio

Fonte: WILDE, Lady Francesca Speranza. “Ancient Legends, Mystic Charms and Superstitions of Ireland.” 1887. Disponível em: <http://www.sacred-texts.com/neu/celt/ali/ali054.htm>. Acesso em: 01 de maio de 2017.

Superstições do 1º de maio

O malmequer-dos-brejos (Caltha palustris) é de grande uso na adivinhação e é chamado de “o arbusto de Beltaine.” Guirlandas para o gado e para os batentes das portas são feitas com essa flor para espantar o poder das fadas. Leite também é derramado na soleira das portas, apesar de ninguém dar leite para outra pessoa, assim como o fogo e o sal – essas três coisas eram sagradas. Existiam muitas superstições associadas com o 1º de maio. Não é seguro ir até corpos hídricos na primeira segunda-feira de maio. Acreditava-se que as lebres encontradas em maio eram bruxas e que deveriam ser apedrejadas.

Imagem relacionada
O malmequer-dos-brejos. (A imagem não faz parte do texto original)

domingo, 30 de abril de 2017

Costumes tradicionais do dia 1º de maio na Irlanda

Fonte: “Traditional May Day Customs in Ireland”, por Clodagh Doyle, no site “Our Irish Heritage”. Disponível em: <http://www.ouririshheritage.org/page_id__131.aspx>. Acesso em: 30 de abril de 2017.

Costumes tradicionais do dia 1º de maio na Irlanda
Por Clodagh Doyle, Curador da Irish Folklife Division

                O 1º de maio, primeiro dia do mês, é um dos dias trimestrais do calendário irlandês tradicional. Cada um desses dias trimestrais indica o início de uma nova estação. A primavera é assinalada no dia 1º de fevereiro (o dia de St. Brigid), o outono no dia 1º de agosto (Lúnasa) e o inverno no dia 1º de novembro (Samhain). Existiam também costumes folclóricos associados com as vésperas desses festivais, marcando a transição sazonal.

sábado, 15 de abril de 2017

Finn e o Homem na Árvore

Finn e o Homem na Árvore
Di Chetharslicht Athgabála
Senchas Mór

                Quanto a Finn Ua Baiscne, quando os fian estavam em Badamair nas margens do Suir, Cúldub, o filho de Ua Birgge, saiu do monte encantado na planície de Femen (os escoceses dizem) e levou embora a comida deles. Ele fez isso com eles por três noites. Na terceira vez, no entanto, Finn soube[1] e ficou diante dele no monte encantado em Femen. Finn o segurou quando ele entrava no monte de forma que ele caiu lá.[2] Quando ele tirou sua mão, uma mulher o encontrou[3] quando saía do monte com um recipiente gotejando em sua mão, tendo acabado de distribuir bebidas, e emperrou a porta contra o monte, fazendo com que Finn apertasse seu dedo entre a porta e a guarnição. Ele então colocou seu dedo na boca. Quando tirou, ele começou a cantar, o imbas o iluminou e disse [Segue agora uma ‘retórica’ intraduzível].

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Tailtiu

94. Tailtiu

                Tailtiu, a filha de Magmór, foi a esposa de Eochu o Duro, filho de Dua o Negro. A Fortaleza dos Reféns em Tara foi construída por ele, e Tailtiu era a mãe adotiva de Lug, o filho do Campeão Mudo. Foi ela que pediu para seu marido desobstruir1 para ela o Bosque de Cúan, para que pudesse haver uma assembléia em volta de seu túmulo. Depois disso, ela morreu nas calendas de agosto e sua lamentação e jogos fúnebres foram realizados por Lugaid. Por esse motivo dizemos Lug-nasad, “Jogos de Lugh”, Lammas.

                Isso foi há mil e quinhentos anos antes do nascimento de Cristo, e antes da chegada de Patrício, a feira era realizada por todo rei que reinava na Irlanda, tendo existido quinhentas feiras em Tailtiu da época de Patrício até a Dub-oenach “Assembléia Negra” de Donchad, o filho de Fland, filho de Maelsechlainn.

domingo, 2 de abril de 2017

Ideia para um conjunto de Ogham

Go mbeannaí Ogma daoibh! Quis compartilhar essa pequena e simples ideia com vocês para a criação de um conjunto de ogham, de uma maneira simples, rápida e econômica, para aqueles de nós que não podem fazer um conjunto pirografado ou entalhado em madeira, ou que não podem comprar um conjunto pronto. Com apenas dois materiais, é possível fazer um conjunto de ogham de forma bastante simples e que pode ser tão eficaz quanto outro qualquer conjunto disponível no mercado. Para aqueles que não sabem o que é o ogham ou estão pouco familiarizados com o termo, sugiro dar uma olhada na “Leitura recomendada” disponível no final do texto.

terça-feira, 28 de março de 2017

Os métricos Dindshenchas: Eo Rossa, Eo Mugna, etc.

Poema 24
Eo Rossa, Eo Mugna, etc.

1. Como caiu o Ramo de Da Thí?
Ele abrigava a força de muitos mercenários gentis:
Um freixo, a árvore das tropas ligeiras,
Sua copa não suportava uma produção permanente.

2. O Freixo em Tortu – tomem nota disso!
O Freixo da populosa Usnech.
Seus galhos caíram – isto não está errado –
Na época dos filhos de Aed Slane.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Os métricos Dindshenchas: Eo Mugna

Poema 23
Eo Mugna

1. Eo Mugna, grande era a nobre árvore,
Alta era sua copa, acima do restante das copas;
Trinta cúbitos – isto não é um gracejo –
Era a medida de sua circunferência.

2. Três centenas de cúbitos era a altura da inocente árvore,
Sua sombra se estendia por mil cúbitos:
Em segredo ela permaneceu no norte e no leste
Até a época de Conn das Cem Batalhas.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Os métricos Dindshenchas: Mag Mugna

Poema 22
Mag Mugna

1. Mugna, o filho da minha irmã, da gloriosa árvore,
Deus a criou há muito tempo,
Uma árvore abençoada com várias virtudes,
Com três opções de frutas.

2. A bolota do carvalho, a estreita e negra noz,
E a maçã – era uma grande macieira brava –
O Rei enviava por regra
Para a árvore, três vezes ao ano.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Feliz Latha na Cailleach!



Feliz Latha na Cailleach! Por volta do dia 25 de março é celebrado o Là na Caillich (ou Latha na Cailleach, “o Dia de Cailleach”) na Escócia. Apesar de termos pouquíssimas evidências para o festival sobre como ele era celebrado e outras características, este é o dia em que, tradicionalmente, Cailleach abaixa seu martelo, desistindo finalmente de tentar prolongar o seu reinado, dando espaço para a chegada da primavera. Enfraquecida e incapaz de prolongar o inverno, ela coloca seu martelo debaixo de uma árvore de azevinho e é transformada em pedra como punição pelas terríveis tempestades criadas para extender seu reinado, ou em outras tradições, ela viaja até a Ilha Verde no mar ocidental e bebe da Fonte da Juventude, voltando a ficar jovem novamente, envelhecendo até o outono, onde todo o ciclo recomeçaria.

                A conexão com o equinócio de primavera é quase certa, já que também nessa época as condições climáticas para a semeadura são um pouco mais propícias. Além disso, vale a pena lembrar também que o Loughcrew, na Irlanda, um importante lugar conectado com Cailleach, foi construído de forma que a luz solar da manhã do equinócio de primavera (e do outono também) penetrasse em seu interior, sugerindo novamente uma conexão entre a Cailleach, a primavera e esse dia astronômico importante. Enquanto não há nenhuma evidência firme que comprove que os gaélicos tenham celebrado os solstícios e equinócios (não há menção desses festivais na mitologia, por exemplo), evidências como esta nos mostra que, sem dúvidas, eles davam grande importância a esses dias.

domingo, 19 de março de 2017

Alguns locais conectados com Cailleach

Agradeço à Annie Loughlinn, do blog Tairis Tales, que teve a gentileza de compartilhar esse texto conosco de parte do livro de K. W. Grant, citado na fonte abaixo.

Fonte: GRANT, K. W. “Myth, Tradition and Story from Western Argyll”, 1925, p7-8. Disponível em: <https://heelancoo.wordpress.com/2012/01/29/some-scottish-places-associated-with-the-cailleach/>. Acesso em: 12 de fevereiro de 2017.

Alguns locais conectados com Cailleach

                Suas moradas são muitas. No lado ocidental da Ilha de Shuna, em Loch Linnhe, a escadaria de Cailleach Bheur pode ser vista entre as rochas negras. Os degraus são de rocha negra, com uma estreita faixa de quartzo branco nas bordas de cada lado dos degraus. O final oposto da escadaria está em Kingairloch. A Cailleach não cruzaria uma praia à outra através de um túnel subaquático.

                Existem três colinas acima de Strath de Appin, de onde as “rimas devem ser gritadas”, em conexão com o Latha na Caillich, em comemoração de sua derrota. Elas são: o pico da colina de Portnacrois, a Ben Donn, acima de Glenstockdale, e o alto pico ao leste desta montanha, ao olhar para baixo de Glean-na-h-Oighle.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Tlachtga

110. Tlachtga

                Os três filhos do Simão Mago violentaram Tlachtga, a filha de Mog Ruith filho de Fergus, quando ela foi com seu pai aprender a magia do mundo: foi ela que fez para Trian a Roda de Remadura, a Pedra em Forcathu e o Pilar de Pedra em Cnámchoill. Ela fugiu do leste trazendo essas duas coisas com ela, até chegar na Colina de Tlachtga, onde deitou e deu a luz à três filhos chamados Dorb, que deu seu nome para Mag nDoirb, Cuma, que deu seu nome para Mag Cuma, e Muach, que nomeou Mag Muaich. E até esses três nomes serem esquecidos na Irlanda, a vingança de estrangeiros não a visitarão. É por isso que a colina de Tlachtga é assim chamada.    

Fonte: STOKES, Whitley. “The Prose Tales from the Rennes Dindshenchas”, vol. 3. Disponível em: <http://www.ucd.ie/tlh/trans/ws.rc.16.001.t.text.html>. Acesso em: 13 de dezembro de 2017.

Para ter o arquivo em .pdf, clique aqui.

domingo, 12 de março de 2017

Conhecimentos sobre Cailleach

Agradeço à Annie Loughlinn, do blog Tairis Tales, que teve a gentileza de compartilhar esse texto conosco de parte do livro de K. W. Grant, citado na fonte abaixo.

Fonte: GRANT, K. W. “Myth, Tradition and Story from Western Argyll”, 1925, p5-6. Disponível em: <https://heelancoo.wordpress.com/2012/01/27/lore-concerning-the-cailleach-bheur/>. Acesso em: 12 de fevereiro de 2017. 

Conhecimentos sobre Cailleach

                A palavra Beur, significa simplesmente um pico, uma ponta ou pináculo, e pode sem esforço ser usada para significar cumes (de montanhas) no seu plural “Bheur”.

                A “bruxa dos cumes” seria uma designação bastante adequada para o espírito dos cumes das montanhas. Lá, nos mais altos cumes, os rebanhos negros de Cailleach Bheur se reúnem. De lá se precipitam as chuvaradas em uma espuma macia, e as cascatas de neve saltam, pois as nuvens e ondas negras são seus rebanhos de veados e suas ovelhas e cabras são as nuvens velosas, tal como as ondas de crista branca ou as águas agitadas nas colinas e planícies.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Lusmag

108. Lusmag

                Para cá Diancecht trouxe cada erva de cura, esmagando-as no poço de Slainge em Achad Abla, ao noroeste de Moytura, quando a grande batalha foi travada entre os Tuatha Dé Danann e os Fomorianos. Todos os Tuatha Dé Danann que fossem colocados sob a água de ervas se  levantariam lisos e curados de suas feridas. Por isso é chamado de Lusmag, “Planície da Erva”.

Fonte: STOKES, Whitley. “The Prose Tales from the Rennes Dindshenchas”, vol. 3. Disponível em: <http://www.ucd.ie/tlh/trans/ws.rc.16.001.t.text.html>. Acesso em: 13 de dezembro de 2017.

Para ter o arquivo em .pdf, clique aqui.

domingo, 5 de março de 2017

Outra versão da origem do Lago Awe

Agradeço à Annie Loughlinn, do blog Tairis Tales, que teve a gentileza de compartilhar esse texto conosco do livro da Eleanor Hull, citado na fonte abaixo.

Fonte: HULL. “Legends and Traditions of the Cailleach Bheara or Old Woman (Hag) of Beare,” em Folklore, Vol. 38, n. 3 (Sep. 30, 1927), p252-253. Disponível em: < https://heelancoo.wordpress.com/2012/02/18/loch-awe-ii/>. Acesso em: 11 de fevereiro de 2017.

Lago Awe II

                A causa da criação do Lago Awe (em gaélico, Loch Odha) foi a vaca parda que Cailleach Bheur possuía.

               Essa vaca era tão bem cuidada pela Cailleach que nunca existiu um prado gramado ou um vale florido melhor que o que era reservado para o animal, mesmo se o lugar estivesse há uma centena de milhas distante.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Deidades, forças naturais e ancestrais

Essa é a tradução de um artigo original em inglês, parte de um projeto chamado “Land, Sea and Sky” cujo link se encontra no final da página. A tradução foi feita pelo autor do blog e como sua escritora faleceu, a autorização foi concedida por uma das organizadoras do projeto, Shae Clancy.

12. Deidades, forças naturais e ancestrais
Francine Nicholson

                Conforme caminhas ao longo de uma estrada, um corvo pousa no galho de uma árvore bem acima de sua cabeça e crocita ruidosamente. Se tu fosses um celta pré-cristão, imediatamente se perguntaria se esse era um corvo comum ou um mensageiro do outro mundo. Poderia ser ele sua divindade patrona em sua forma animal? E mais importante, estaria ele tentando lhe dizer alguma coisa?

                Para os celtas pré-cristãos, estas eram perguntas com verdadeiro significado e importância para suas vidas diárias. Eles acreditavam que compartilhavam o mundo não apenas com as criaturas que podiam ver, mas também com uma tropa de seres cuja presença nem sempre era facilmente detectada. Aplacar essas forças não-humanas e ganhar sua cooperação poderia trazer paz, vitória, fertilidade e prosperidade.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Gaeilge: Lição 10

Lição 10

Fonte: Erin’s Web - Learn Irish Gaelic. Disponível aqui: <http://www.erinsweb.com/gae_index.html>. © Bitesize Irish Gaelic Ltd. 2014, unless otherwise stated. All rights reserved.

Pronúncia

                Por hora, você já sabe pronunciar os amplos “c” e “g”. Estes sons ocorrem quando a vogal mais próxima na palavra é “a”, “o” ou “u”. Os sons, em geral, lembram aqueles das palavras inglesas “coal” e “go”. Em algumas palavras irlandesas, no entanto, um som semelhante ao som do (uh) segue o “c” ou o “g”. Os grupos “cao” e “caoi” causam este som.

                “Caol”, significando “magro, delgado”, é um exemplo.