segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Algumas histórias de criaturas encantadas da Ilha de Man

Fonte: MOORE, A.W. “The Folk-Lore of the Isle of Man, Chapter IV. Hobgoblins, Monsters, Giants, Mermaids, Apparitions, etc.” Disponível em: < http://www.sacred-texts.com/neu/celt/fim/fim07.htm#fr_44>. Acesso em: 16 de janeiro de 2017.

CAPÍTULO IV
DUENDES, MONSTROS, GIGANTES, SEREIAS, APARIÇÕES, ETC.

                A diferença entre as próprias fadas e os duendes parece ser principalmente que as primeiras são ágeis, alegres e espertas, e os últimos são pesados, lentos e estúpidos. As características das duas criaturas conhecidas na Ilha de Man como Phynnodderee e Glashtin, ou Glashan, são certamente da classe mais baixa, ao invés da classe alta, pois como veremos nos contos dados sobre eles, estes combinam os atributos do Brownie escocês e do Troll escandinavo, apesar da Glashtin parecer ser um cavalo da água também (ver p. 54). Os Brownies são fadas robustas, que, se forem alimentadas e tratadas amigavelmente, farão uma grande parcela de trabalho; e os Trolls são seres que unem uma força sobre-humana com uma malícia demoníaca. Eles são maiores e mais fortes que os homens, têm um temperamento demoníaco, são deformados e têm uma aparência medonha. Eles habitam em rochas e cavernas. Em seu relacionamento com os homens, geralmente são cruéis e maldosos, vingando-se se forem insultados ou desrespeitados, mas às vezes podem ser agradecidos e recompensar tal bondade assim como eles a receberam dos humanos, e até mesmo fazer serviços de seus próprios acordos. Quem quer que seja sortudo o bastante para fazer um trabalho para um Troll, é certo que essa pessoa terá sorte para o resto de sua vida. Eles sabem de coisas que os humanos não sabem, tais como o paradeiro de tesouros escondidos, apesar de, geralmente falando, serem estúpidos e desprovidos de raciocínio. Eles odeiam o cristianismo e o som dos sinos da igreja, tanto que, se alguém for perseguido por um Troll, ele pode livrar-se dele soando sinos de igreja. Os Trolls provavelmente já foram bem conhecidos em Man, pois ainda sobrevivem em nomes de lugares como Trollaby.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Gaeilge: Lição 6

Lição 6

Fonte: Erin’s Web - Learn Irish Gaelic. Disponível aqui: <http://www.erinsweb.com/gae_index.html>. © Bitesize Irish Gaelic Ltd. 2014, unless otherwise stated. All rights reserved.

Pronúncia

               A pronúncia do “l” em irlandês é um pouco diferente da pronúncia em inglês. Se o “l” iniciar uma palavra e é seguido por “a”, “o” ou “u”, a boca se abre um pouco mais e a língua é pressionada contra os dentes dianteiros superiores. Tente: (law*), lán (law*n), lón (lohn), lúb (loob). Este é o som amplo. No inglês, você provavelmente aponta a língua e a toca no céu da boca atrás dos dentes dianteiros superiores.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A destruição da hospedaria de Da Derga

A destruição da hospedaria de Da Derga
Togail Bruidne Da Derga
O Livro da Vaca Parda
Tradução do irlandês por Whitley Stokes

                Existia um nobre e famoso rei em Erin chamado Eochaid Feidlech. Certa vez, ele foi até o gramado de Brí Léith1 e viu na beira de um poço uma mulher com um brilhante pente prateado adornado com ouro, lavando-se em uma bacia de prata com quatro pássaros dourados e pequenas e brilhantes joias de carbúnculo roxo nas bordas da bacia. Ela tinha um manto roxo e frisado com franjas prateadas dispostas, uma bela capa, e um broche feito com o mais nobre ouro. Ela vestia um kirtleA longo, encapuzado, forte e liso, feito com seda verde com bordados vermelhos de ouro. Tinham maravilhosos fechos de ouro e prata no kirtle em seus seios e ombros, e espaldares em ambos os lados. O sol brilhava sobre ela de modo que o ouro de sua seda verde contra o sol se manifestava para o homem. Em sua cabeça estavam duas madeixas louras, em cada uma das quais estava uma trança de quatro cachos, com uma conta na ponta de cada cacho. A cor daquele cabelo parecia para ele a flor de íris no verão, ou o ouro vermelho após ser queimado.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Celebrando o Yule - Grian-stad a' gheamhraidh

Fonte: Site ‘Tairis’ – Celebrating Yule – Grian-stad a’ gheamhraidh. Disponível em: < http://www.tairis.co.uk/celebrations/celebrating-yule-grian-stad-a-gheamhraidh/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Celebrando o Yule – Grian-stad a’ gheamhraidh

                Dada à história complexa dessa época do ano – na Escócia, especialmente – o período do solstício de inverno tende a ser uma longa estação festiva com alguns dias especialmente importantes que tem certas tradições atreladas a eles.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Feliz Meán Gheimhridh




Feliz Meán Gheimridh para todos! Estou passando para desejar um bom festival para todos os politeístas gaélicos! O Meán Gheimhridh ou Grian-stad a’ Gheamhraid (como é conhecido na Escócia), representa o ponto mais alto do inverno no hemisfério norte – a noite mais longa do ano, que a partir de então, o sol começará a se fortalecer e os dias ficarão cada vez mais longos, e as noites, mais curtas. Embora não haja evidências de que os gaélicos – e os celtas em geral – celebravam essa data (os solstícios e equinócios, em geral), há fortes indicações de que eles, sem dúvidas, viam a importância desse dia (como a famosa construção do Newgrange, ou o Brugh na Boinne, atesta, estando perfeitamente alinhando astronomicamente para permitir que a luz do sol da manhã do solstício de inverno penetre inteiramente no seu interior).

Existem, no entanto, alguns costumes tradicionais observados nessa data (embora especula-se que sejam de origem estrangeira, apesar de ter uma forte “essência” gaélica), como por exemplo, o ato de fantasiar-se para fazer trapaças e se divertir, a ignição de uma fogueira comunitária, procissões de artistas, a ignição de velas nas janelas e da Tora de Cailleach, dentre muitos outros. Hoje, honramos Cailleach – a deusa do inverno – que está bastante ativa nessa época do ano, e atualmente, também Grian, uma deusa solar cujo nome é traduzido como “sol”, apesar dela representar o sol pálido e fraco do inverno, ao contrário de sua irmã Áine, que representa todo o poder e esplendor do sol do verão. Além disso, os mortos também são honrados nessa época. Separei alguns artigos para que possam auxiliá-los na reconstrução de uma celebração para esta data, e espero que possam ser úteis:

Yule/Hogmanay, de Annie Loughlin (traduzido)
Celebrating Yule – Grian-stad a’ Gheamhraid, de Annie Loughlin (em inglês)
Cailleach, da Jones’ Celtic Encyclopedia (em inglês)
Série de textos sobre Cailleach, do Tairis Tales (em inglês)
O lamento da Velha Mulher de Beare, um texto mitológico irlandês (traduzido)
The Winter Solstice, de Morgan Daimer (em inglês)
Mumming – a Yuletide Traditional, do Irish Culture and Customs
Scottish Traditions: Yule, do Scottish Language Dictionaries (em inglês)
Vídeo: Grianstad an Gheimhridh – The Winter Solstice, produzido pela Gaol Naofa (em inglês, com legendas)
Vídeo: Áine agus Grian – the Two Suns of the Turning Year, produzido pela Gaol Naofa (em inglês, com legendas)
A’ Ghrian, oração tradicional para o sol (ou Grian?) (traduzido)

Oração para o Sol

A’ Ghrian – O Sol

“Eu te recebo, sol das estações,
Conforme tu viajas nos céus acima;
Seus passos são fortes na asa dos céus,
Tu és a gloriosa mãe das estrelas.

Tu desces para o mortal mar
Sem aflição e sem medo;
Tu levantas na onda da paz,
Como uma jovem Rainha resplandecente.”

sábado, 19 de novembro de 2016

Práticas mânticas e oraculares dos gaélicos pré-cristãos

Práticas mânticas e oraculares entre os gaélicos pré-cristãos

                Escrevi esse texto para fazer uma compilação de todos os métodos de adivinhação usados pelos antigos gaélicos e a forma sobre como podemos aplicar esses métodos nos dias de hoje. Apesar de alguns serem basicamente impossíveis ou difíceis de se obter os materiais necessários, muitos são relativamente fáceis e podem ser usados por quaisquer pessoas a qualquer hora. Esse texto foi originalmente postado em um antigo blog meu “O Caminho do Fáith”, mas esta é uma versão editada onde acrescentei e mudei algumas coisas. Se tratando de adivinhação e de materiais escassos, não é preciso dizer que, embora tenha informações históricas e embasadas, a maior parte dos procedimentos e métodos de execução que vou sugerir aqui se trata de gnoses pessoais (o conhecidíssimo “achismo”).

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Feliz Samhain!



Oíche Shamhna shona daoibh! Feliz Samhain para todos vocês! Estou passando aqui para desejar a todos uma boa celebração de Samhain, o festival que celebra a “morte” da natureza e a chegada do inverno, época na qual o outro mundo abre suas passagens e os mortos e outros espíritos podem transitar livremente para cá. Com a chegada do inverno no hemisfério norte, os ancestrais são relembrados e honrados nessa data, através da recitação de suas histórias e feitos e oferendas são deixadas do lado de fora para eles, assim como velas nas janelas para guiar sua passagem de volta ao outro mundo. Dagda e Morrígan são duas divindades tradicionalmente cultuadas no festival, tal como Cailleach – a deusa que anuncia o inverno – e mais recentemente, Donn – o deus que recebe os mortos em sua casa, Tech Donn. Separei alguns materiais para auxiliar em suas celebrações e desejo a todos um bom ano novo religioso!

Samhainn, de Annie Loughlinn (traduzido)
O lamento da Velha Mulher de Beare (texto mitológico irlandês)
Tech Duinn (texto mitológico irlandês)
O culto aos mortos, de J. A. MacCulloch (traduzido)
Donn, da Jones’ Celtic Encyclopedia (em inglês)
Cailleach, da Jones’ Celtic Encyclopedia (em inglês)
Série de textos sobre Cailleach, do Tairis Tales (em inglês)
Celebrando o Samhainn, de Annie Loughlinn (traduzido)
For the Ancestors, dos sites “Shrines” do Northern Paganism (em inglês; apesar de ser um site da religião nórdica, ele possui bons artigos que tratam sobre a ancestralidade e os ancestrais em um sentido muito mais amplo que pode se estender para outras religiões, além de dar também exemplos de orações e formas de honrar aqueles que já se foram)
Receita de Colcannon
Receita de Barmbrack
Receita de Torta de abóbora

Barmbrack para o Samhain

O barmbrack, traduzido literalmente como “pão malhado”, em alusão às frutas cristalizadas, é um alimento irlandês bastante consumido na época do Samhain. Também conhecido como bairín breac, trata-se de um pão ou bolo (similar ao panetone encontrado aqui no Brasil), cujos ingredientes principais são o chá preto, frutas secas (tradicionalmente sultanas e uvas passas) e farinha. Como o Samhain é uma época onde diversos jogos divinatórios são feitos, uma moeda normalmente era adicionada na massa antes de ir para o forno, e a pessoa que pegasse a fatia do pão com a moeda dentro teria sorte por todo o ano. O barmbrack é consumido na Irlanda com manteiga passada na fatia, mas como não gosto muito de mistura de doce com salgado, não consumi dessa forma, portanto, vai de cada um. O barmbrack também é uma ótima opção para o café da manhã do próprio dia do Samhain, 1º de novembro.

Colcannon para o Samhain

O colcannon é outro prato irlandês tradicional bastante consumido no Samhain, consistindo basicamente de um purê de batatas misturado com leite, manteiga, repolho ou repolho crespo e cebolinha. É também conhecido em irlandês como cál ceannann, significando “repolho de cabeça branca”, e similar ao barmbrack, pequenos amuletos eram colocados dentro do prato, cada um simbolizando algo que a pessoa que o encontrou obteria: uma moeda significava riqueza, um anel simbolizava casamento, um botão era uma graduação, uma fúrcula era a realização de um desejo, e etc. Era servido em um grande prato único para toda a família consumir, e no meio do colcannon era “cavado” um buraco onde era colocada bastante manteiga para derreter com o calor da comida, de forma que todos podiam passar a colher na manteiga para consumir junto com o purê.