terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Velho do agasalho marrom

O Velho1 do agasalho marrom
Bodach an Chóta Lachna2

Aqui está contada a visita de Cael an Iarainn, o filho do rei da Tessália, à Irlanda e como infelizmente sua caminhada acabou com ele; ou, de acordo com algumas autoridades, a Aventura do Velho do Agasalho Marrom.

         Era um dia de encontro e conferência dado por Finn, o filho de Cumall, filho de Art, filho de Trenmor, neto de Baeiscne, com os sete batalhões de reserva e os sete habituais dos Fianna, na Colina de Edar, o filho de Edgaeth; eles olhavam para o mar e para o grande continente e viram uma espaçosa e imponente embarcação que avançava em sua direção vinda do leste sob a pressão de sua vela. A embarcação estava equipada como se estivesse indo para guerra ou contenda; não esperaram muito até ver diante deles um alto, belicoso e impetuosamente bravo óglaech3 elevado através das varas de seus dardos ou dos cabos de suas lanças, e então ele colocou ambas as solas de seus pés na praia de areia branca. A mais graciosa armadura polida ele tinha, uma armadura sólida e inquebrável o rodeava, seu belo escudo vermelho era transportado em seus ombros e em sua cabeça estava um duro elmo; em seu lado esquerdo estava uma espada de um grande sulco e a lâmina reta; seus dois punhos seguravam um par de lanças de cabos grossos, não polidas, mas afiadas; um manto escarlate apropriado estava pendurado em seus ombros com um broche de ouro queimado em seu grande peito.

domingo, 4 de setembro de 2016

O leito de Cuchulain e o único ciúme de Emer

O leito de Cuchulainn e o único ciúme de Emer
Serglige Con Culainn ocus Óenét Emire
O Livro da Vaca Parda

                Os ultonianosA tinham o costume de realizar uma feira a cada ano, que durava os três dias antes do Samhain (primeiro de novembro), o próprio dia do Samhain e os três dias que o seguiam. Esse era o período do ano em que os ultonianos se empenhavam em realizar a Feira de Samhain na Planície de Muirtheimne todos os anos, e eles não faziam nada além de jogos e corridas, prazer e divertimento, comidas e bebedeiras; e foi a partir desse fato que os Tertiae (três dias) do Samhain ainda são observados por toda Erin.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A Viagem de Bran

A Viagem de Bran
Immram Brain
O Livro da Vaca Parda

A viagem1 de Bran, filho de Febal, e sua expedição2 abaixo

1. Foram cinquenta estrofes que a mulher das terras desconhecidas cantou no chão da casa de Bran filho de Febal, quando a casa real estava cheia de reis, que não sabiam de onde a mulher tinha vindo, uma vez que o baluarte da fortaleza estava fechado.

2. Esse é o início da história. Um dia, na vizinhança de sua fortaleza, Bran estava caminhando sozinho quando ouviu uma música atrás dele. Por mais que olhasse para trás, a música ainda continuava tocando, até ele adormecer com a música de tão doce que era. Ao acordar de seu sono, ele viu um ramo3 de prata com flores brancas perto dele, e não foi fácil distinguir o que era flor e o que era galho. Bran então pegou o ramo e o levou para sua casa real. Quando as tropas estavam na casa real, eles viram uma mulher com vestimentas estranhas no chão da casa. Foi então que ela cantou as cinquenta4 estrofes para Bran, enquanto a tropa a escutava e todos eles olhavam para a mulher.

                E ela disse:

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O cortejo de Luaine e a morte de Athirne

O cortejo de Luaine e a morte de Athirne
Tochmarc Luaine 7 Aidedh Aithairne Andso1
O Livro Amarelo de Lecan, o Livro de Ballymote

Introdução do tradutor do texto em irlandês, Whitley Stokes

                O seguinte conto foi retirado de dois manuscritos do século XIV, o Livro Amarelo de Lecan (Y) e o Livro de Ballymote (B), cujas versões se correspondem tão bem parecendo que ambas as cópias foram tiradas do mesmo códice, mas o escriba do Livro de Ballymote alterou a ortografia da versão original um pouco mais que o escriba do Livro Amarelo. O conto pertence ao ciclo de romance de Conchobar e se volta à crença irlandesa nos poderes sobrenaturais de poetas que foram ofendidos. Deste modo, o conto faz um paralelo à história de Nede e seu tio Caiar, contada no Glossário de Cormac, Códice B, s.v. gaire, e impressa com uma tradução em inglês em Three Irish Glossaries, Londres, 1862, p. XXVI-XXX. Ele foi pela primeira vez editado com a omissão de alguns versos desinteressantes e ocasionalmente incompreensíveis, mas O’Curry dá um resumo destes em sua obra Manners and Customs, III, 373. Esse resumo é tanto impreciso como incompleto. Para apoiar a declaração de que Luain (como ele chama inadequadamente a heroína Luaine) foi “trazida em triunfo para Emain, onde ela foi solenemente desposada pelo Rei, que após esse feliz evento ele logo se esqueceu de sua dor e recuperou sua alegria”, não há uma palavra na história irlandesa que conta o destino triste da garota e a punição pelos seus assassinatos com uma simplicidade breve e séria. A vingança dada pelos homens de Ulster aos poetas concupiscentes e aos seus filhos era murá-los (algo similar às vestais e freiras impuras) e depois queimar sua fortaleza. O’Curry suaviza o fato, “eles mataram, não apenas ele próprio, mas seus dois filhos e suas duas filhas, e derrubaram sua casa”. Dr. Atkinson também, prefixado nos “conteúdos” os fac-símiles do Livro Amarelo e do Livro de Ballymote, fez um resumo da nossa história, mas assim como O’Curry, ele omite toda menção da extensa interpolação que estraga sua continuidade. Essa interpolação dá um relato de quatro Manannan e a conduta de Manannan, filho de Athgno, com os homens de Ulster após a morte de Derdriu e seu amante. Esse relato contém alguns detalhes que não encontrei em outros lugares e que 
complementa o conto trágico dos filhos de Uisnech.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Feliz Lugnasad!



Sei que está um pouquinho tarde, mas passei aqui para desejar a todos um feliz Lugnasad! O festival é celebrado tradicionalmente no dia primeiro de agosto, e ele representa o início da colheita de grãos, frutas e legumes e o início do outono. Anualmente, uma feira era dada pelo rei da Irlanda para todos o seu povo, a fim de celebrar os bens da colheita e para dar uma oportunidade do povo vender suas mercadorias, pagar dívidas, comer, beber e dançar... O Lugnasad foi criado pelo deus Lugh em honra à sua mãe adotiva, Tailtiu, a deusa da terra, para homenageá-la após ter morrido de exaustão limpando uma planície da Irlanda para tornar propícia às práticas agrícolas. Hoje, celebramos Lugh, o doador das colheitas, e Tailtiu, a ampla e generosa que nos abençoa com seus bens abundantes. Separei alguns materiais para vocês celebrarem e conhecer mais sobre o festival e algumas receitas perfeitas para o clima de colheita, e mais uma vez, que todos tenham uma incrível celebração e que Tailtiu possa abençoar tanto nossas colheitas materiais como emocionais!

Lùnastal, de Annie Loughlin (traduzido)
Celebrando o Lùnastal, de Annie Loughlin (em inglês)
Os dindshenchas de Tailtiu (traduzido)
Os dindshenchas de Carmun (em inglês)
Receita de pão de trigo
Receita de cally irlandês

Cally irlandês para o Lugnasad

Continuando com a série de receitas para o Lugnasad, trago para vocês essa deliciosa e fácil receita que nada mais é que um purê de batatas com alho, tradicionalmente feito durante esse festival. A tradição nos conta que o cally era preparado na maior casa da aldeia com ajuda de toda a comunidade – enquanto uns preparavam a batata, outros cortavam o alho, e outros faziam pequenas colheres de madeira para poderem se servir. Ao ficar pronto, o cally era então partilhado por todos como uma calorosa refeição, e acreditava-se que as pessoas da aldeia que não partilhasse esse costume, teria má sorte durante o ano seguinte. Curiosamente, o alho adicionado nessa receita foi o fator que deu origem a um dos nomes do Lugnasad, que também era conhecido como “Domingo do Alho”, já que muitas das celebrações aconteciam no domingo, que era um dia de descanso do trabalho agrícola nas comunidades rurais da Irlanda.


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sopa de lentilhas e legumes para o Lugnasad

O tema central do Lugnasad é a primeira colheita de grãos, legumes e frutas. Sendo assim, essa receita se encaixa bastante bem no clima do Lugnasad, simbolizando a fartura e a abundância, duas características tão presentes no festival. Essa sopa é composta de lentilhas, um tipo de grão, e quatro tipos de legumes diferentes.  Dizia-se que nas grandes festas comunitárias do Lugnasad, eram feitos grandes banquetes com todas as verduras, frutas, grãos e legumes colhidos na época, e uma refeição calorosa no dia do festival era capaz de assegurar um ano sem fome e sem miséria; sendo assim, escolhi esta receita para ilustrar bem esse clima abundante da primeira colheita.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O culto às árvores e plantas

Notas preliminares: Essa é a tradução do capítulo de um livro cujo link se encontra no final do texto. Apesar de ser um autor confiável e recomendado, nem sempre as conclusões e ideias de J. A. MacCulloch, o autor desse livro, podem ser confiáveis ou tomadas como verdades. Como toda ideia ou conclusão, está passível a vários erros de interpretação e tradução das fontes originais, assim como com a comparação com outras religiões europeias que, mesmo que possam ter alguma semelhança aqui ou ali, não quer dizer que sejam as mesmas tradições, e de fato, muitos costumes e crenças que são comuns em outras religiões europeias não encontramos entre os celtas. Sendo assim, solicito cautela com a leitura e uma análise crítica nas observações do autor, pois apesar de seu trabalho estar muito bem referenciado (as fontes citadas normalmente tendem a ser seguras), suas conclusões não podem ser a mais correta. Boa leitura.  

Capítulo XIII
O culto às árvores e plantas

            Os celtas tinham seu próprio culto às arvores, mas também adotaram outros cultos locais, como o culto liguriano, o ibérico e outros. A fagus deus (faia divina), a sex arbor ou sex arbores das inscrições dos pirineus, e um deus anônimo representado por uma conífera em um altar na Toulouse, provavelmente apontam para um culto local às árvores dos liguriano continuado pelos celtas nos tempos romanos.1 As florestas também eram personificadas ou governadas por uma única deusa, como Dea Arduinna das Ardenas ou Dea Abnoba da Floresta Negra na Alemanha.2 Ideias mais primitivas permaneceram, como aquelas que atribuíam toda uma classe de divindades arbóreas à uma floresta, como por exemplo, as Fatae Dervones, os espíritos dos bosques de carvalho no norte da Itália.3 Os grupos de árvores, como as sex arbores, eram venerados talvez devido ao seu tamanho, isolamento ou alguma outra peculiaridade.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A visão, o dom dos videntes célticos

Essa é a tradução de um artigo original em inglês, parte de um projeto chamado “Land, Sea and Sky” cujo link se encontra no final da página. A tradução foi feita pelo autor do blog, e, como sua escritora faleceu, a autorização foi concedida por uma das organizadoras do projeto, Shae Clancy.

16. A visão, o dom dos videntes célticos
Francine Nicholson

            Uma comprida cavalgada de guerreiros, alguns em cavalos, a maioria a pé, estão viajando pelo norte da Irlanda, do oeste para o leste, contra o caminho do sol, com cascos e pés socando a terra. Em sua vanguarda cavalga uma mulher poderosa, vestida em tecidos bordados e decorados com joias artisticamente colocadas. Seu nome é Medbh e ela é Rainha de Connacht, conduzindo suas tropas em uma invasão para roubar um grande touro. Ela está confiante da vitória. Então, aproximando-se deles em uma carruagem, eles veem uma jovem, tecendo filamentos em um tear manual enquanto ela caminha. Medbh pede para a jovem se identificar. Ela diz que seu nome é Fedelm e que ela vem do monte sídhe de Cruachain, uma entrada para o outro mundo. Ela também diz que está juramentada ao serviço de Medbh e diz que é uma fáith, uma vidente. Medbh pede para ela pressagiar o resultado da invasão. Fedelm canta:

            “Eu vejo carmesim. Eu vejo vermelho.”

            Usando a habilidade chamada imbas forosnai, a vidente olhou, viu, e falou a verdade. Conforme a história se desenrola, a invasão terminará em um grande derramamento de sangue.

domingo, 10 de julho de 2016

Rito simples de oferta para o Dagda

                Eu fiz esse rito algumas semanas atrás e decidi trazer a forma como o realizei para vocês. É uma devoção bem simples, mas que fiz com muita piedade, com apenas algumas orações e oferendas para o Pai de Todos.

                Resumidamente, o Dagda é o deus principal da religião dos gaélicos. Ele controla o clima, as colheitas, tem poder sobre a terra e tudo o que cresce nela. É o senhor da fartura, da magia e da força. Se quiser conhecer mais sobre ele, clique aqui.