domingo, 30 de outubro de 2016

Oração para Donn

Para Donn

“Donn, o primogênito dos sete filhos de Mil,
O pai de seu pai, profundamente enraizado no mundo,
Donn dos contos contrários, das palavras imprudentes
Para as quais, a inigualável Eriu respondeu com sua fúria;
Enquanto teus irmãos colocaram seus pés na nobre ilha verde,
Tu afundaste no mar. Sobre a praia pedregosa
Tu estás, na ilha de Tech Duinn; dentro das paredes
De teu grande salão tu recebes aquelas almas
Que aguardam a última jornada de suas vidas, sua passagem
Para as ilhas abençoadas para juntar-se aos seus parentes há muito mortos.
Amável, corajoso cujo sangue ainda corre nas veias dos homens,
Ó Donn do povo nobre, teus filhos te honram.”

Fonte: Blog “Field of Stones – To Donn”, disponível em: < http://fieldsofstone.tumblr.com/post/31269540075/to-donn>. 

O culto aos mortos

Capítulo X
O culto aos mortos

                O costume de enterrar os bens junto com o morto ou o abate de esposa ou escravas no túmulo, não necessariamente apontam para um culto dos mortos, no entanto, quando tais práticas sobrevivem por um longo período, elas assumem a forma de um culto. Estes costumes floresceram entre os celtas, e, ao conectarmos com a reverência pelas sepulturas dos mortos, eles apontam para um culto de espíritos ancestrais assim como dos grandes heróis que já se foram. As cabeças dos mortos eram oferecidos às “fortes sombras” – os fantasmas dos heróis tribais cujos louvores eram cantados pelos bardos.1 Quando tais cabeças eram colocadas nas casas, pode ser que elas tenham sido devotadas aos fantasmas da família. A honra com a qual os heróis míticos ou reais eram estimados pode apontar para um real culto, com o herói sendo cultuado depois de morto, onde ele ainda continua protegendo a tribo. Sabemos também que a tumba do Rei Cottius nos Alpes era um lugar sagrado, assim como que os reis irlandeses eram frequentemente inaugurados em ancestrais montes funerários, e que os deuses irlandeses foram associados com os montículos dos mortos.2

sábado, 29 de outubro de 2016

O lamento da Velha Mulher de Beare

O lamento da Velha Mulher de Beare
Aithbes dam bés mora1

A Velha Mulher de Beare disse isto quando a senilidade a envelheceu:

“O refluxo da maré chegou para mim como no mar;
A velhice me torna amarela;
Apesar de eu poder me entristecer por isso,
Ele se aproxima de seu sustento alegremente.

Eu sou Buí, a Velha Mulher de Beare2;
Eu costumava vestir uma bata que era sempre renovada;
Hoje aconteceu, pela razão de meu desprezível estado,
De eu não poder ter nem mesmo uma bata velha para vestir.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Celebrando o Samhainn

Fonte: Site ‘Tairis’ – Celebrating Samhainn. Disponível em: < http://www.tairis.co.uk/celebrations/celebrating-samhainn/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Celebrando o Samhainn

                É difícil ignorar o fato do Samhainn coincidir exatamente com o Halloween, e existe um motivo muito óbvio para isso: o Halloween é o descendente direto do Samhainn. Como tal, muitas das tradições do Halloween que conhecemos e amamos hoje tem raízes nos costumes do Samhainn, e de todos os festivais gaélicos este é talvez o mais fácil para aqueles de nós que celebraremos com os outros, onde que em outras ocasiões, celebraríamos sozinho.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Oração para Lir

Para Lir

“Lir do mar zangado, senhor das ondas salpicadas de espumas,
Pai de Manannan, pai das crianças-cisnes,
Lir dos contos perdidos, Lir em outrora chamado de Allod,
Eu te chamo. O reino das profundezas é teu,
Ó antigo, as águas que crescem e colidem
Sobre a costa; teu também é o poder que guia
Um barco para a praia ou o puxa para dentro da água salgada.
Nós lhe conhecemos no frio e salgado borrifo, no gelo molhado
Contra nossa pele; nós lhe conhecemos no sangue que corre
Em nossas veias; nós lhe conhecemos no legado
Que compartilhamos com todas as criaturas que vivem sobre a terra.
Lir que tem a essência da vida, eu te honro.”


Fonte: Blog “Field of Stones: To Lir”. Disponível em: < http://fieldsofstone.tumblr.com/post/31645812064/to-lir >. Acesso em: 20 de outubro de 2016.

Oração para Manannan mac Lir

Para Manannan mac Lir

“Eu chamo Manannan, o fluido filho de Lir,
Guardião das Ilhas Abençoadas, terra de alegria eterna,
Terra dos sempre jovens e dos sempre nobres,
Terra ocidental, muito distante do reino dos homens.
Antigo, astuto, tentador de Cormac,
Rebento do mar, caminhante entre os mundos,
Guardião dos portais, encoberto pela escuridão, envolto em neblina,
Mestre das magias, feitor de ilusões,
Tu cobres a linha entre a ilusão e a realidade.
Sobre ti, ó Manannan, histórias ainda são contadas. Para ti,
A honra ainda é paga em tua querida Ilha de Man
E em terras que se encontram além do amplo mar salgado.”


Fonte: Blog: “Field of Stones: To Manannan Mac Lir”. Disponível em: <http://fieldsofstone.tumblr.com/post/19789895400/to-manannan-mac-lir>. Acesso em: 20 de outubro de 2016.

Oração para Fand

Para Fand

“Ofereço meu louvor para Fand, a nobre Fand. Deusa
Do frio mar azul, brilhante, gloriosa,
Luminosa como uma perfeita pérola, agridoce
Como um amor perdido, pura como uma única lágrima salgada,
Eu honro tua beleza antiga, teu sentimento profundo,
Teu coração generoso, ó sábia e astuta.
Esposa de Manannan, amante de Cuchulainn,
Mulher do outro mundo, tu sabes teu valor,
Tu conheces teu coração, tua honra não conhece compromissos.
Em todos os mundos, nenhuma mulher é igual a ti,
Ó Fand das ilhas distantes; em todos os mundos
Nenhum espírito mais belo pode ser encontrado, ó deusa.”


Fonte: Blog “Field of Stones: Prayer to Fand”. Disponível em: < http://fieldsofstone.tumblr.com/search/Fand >. Acesso em: 20 de outubro de 2016. 

O deus Manannan mac Lir

MANANNAN MAC LIR
Deus do mar e do outro mundo

Fonte da imagem desconhecida.

“ ‘Que tipo de homem fada andarilho és tu, pregando peças em um pobre homem que nunca lhe fez mal?’ perguntou o pastor de ovelhas. (...) Uma voz suave lhe responde: ‘Quem seria, senão o Rei dos Andarilhos, viajando pela terra e pregando agradáveis peças em pessoas iguais a ti para me divertir?’ ”

                Escrevo mais um capítulo para continuar essa série de deuses gaélicos, que dessa vez se destinará ao deus conhecido como Manannan mac Lir. Aproveitando a solução que usei no texto sobre a deusa Morrígan, esse capítulo não será apenas sobre Manannan, mas também à outras divindades ligadas a ele, que embora a escassez de materiais sobre tais não permita capítulos individuais, são dignos de serem mencionados por se tratar de deidades, acredito, importantes. Sendo assim, esse capítulo também falará sobre Fand, a esposa de Manannan, Lir, seu pai, e Lí Ban, irmã de Fand, que apesar de não ter vínculos tão diretos com Manannan, está dentro de seu domínio “aquático”.

sábado, 1 de outubro de 2016

As provações irlandesas, a Aventura de Cormac na Terra da Promessa e a decisão sobre a espada de Cormac

As provações irlandesas, a Aventura de Cormac na Terra da Promessa e a decisão sobre a espada de Cormac
Scél na Fír Flatha, Echtra Chormaic i Tír Tairngiri
O Livro de Ballymote, O Livro Amarelo de Lecan

Introdução do tradutor do texto em irlandês, Whitley Stokes

                O texto do seguinte conto foi retirado de um fac-símile fotográfico do Livro de Ballymote, pp. 260b-263b, e de uma fotografia das colunas 889-898 do Livro Amarelo de Lecan. O primeiro manuscrito pertence à biblioteca da Royal Irish Academy, e o segundo, à biblioteca do Trinity College, Dublin. Ambos os manuscritos foram escritos por volta do final do século XIV e os erros comuns às porções agora impressas mostraram que eles derivam de uma mesma fonte. Uma história correspondente aos parágrafos 24-25 do seguinte texto é encontrada no Livro de Fermoy, um manuscrito do século XV da biblioteca da Royal Irish Academy, e uma recessão moderna dessa história foi impressa na Transactions of the Ossianic Society, vol. III, pp. 212-228, com uma tradução em inglês do Sr. S. H. O’Grady.