quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Celebrando o Yule - Grian-stad a' gheamhraidh

Fonte: Site ‘Tairis’ – Celebrating Yule – Grian-stad a’ gheamhraidh. Disponível em: < http://www.tairis.co.uk/celebrations/celebrating-yule-grian-stad-a-gheamhraidh/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Celebrando o Yule – Grian-stad a’ gheamhraidh

                Dada à história complexa dessa época do ano – na Escócia, especialmente – o período do solstício de inverno tende a ser uma longa estação festiva com alguns dias especialmente importantes que tem certas tradições atreladas a eles.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Feliz Meán Gheimhridh




Feliz Meán Gheimridh para todos! Estou passando para desejar um bom festival para todos os politeístas gaélicos! O Meán Gheimhridh ou Grian-stad a’ Gheamhraid (como é conhecido na Escócia), representa o ponto mais alto do inverno no hemisfério norte – a noite mais longa do ano, que a partir de então, o sol começará a se fortalecer e os dias ficarão cada vez mais longos, e as noites, mais curtas. Embora não haja evidências de que os gaélicos – e os celtas em geral – celebravam essa data (os solstícios e equinócios, em geral), há fortes indicações de que eles, sem dúvidas, viam a importância desse dia (como a famosa construção do Newgrange, ou o Brugh na Boinne, atesta, estando perfeitamente alinhando astronomicamente para permitir que a luz do sol da manhã do solstício de inverno penetre inteiramente no seu interior).

Existem, no entanto, alguns costumes tradicionais observados nessa data (embora especula-se que sejam de origem estrangeira, apesar de ter uma forte “essência” gaélica), como por exemplo, o ato de fantasiar-se para fazer trapaças e se divertir, a ignição de uma fogueira comunitária, procissões de artistas, a ignição de velas nas janelas e da Tora de Cailleach, dentre muitos outros. Hoje, honramos Cailleach – a deusa do inverno – que está bastante ativa nessa época do ano, e atualmente, também Grian, uma deusa solar cujo nome é traduzido como “sol”, apesar dela representar o sol pálido e fraco do inverno, ao contrário de sua irmã Áine, que representa todo o poder e esplendor do sol do verão. Além disso, os mortos também são honrados nessa época. Separei alguns artigos para que possam auxiliá-los na reconstrução de uma celebração para esta data, e espero que possam ser úteis:

Yule/Hogmanay, de Annie Loughlin (traduzido)
Celebrating Yule – Grian-stad a’ Gheamhraid, de Annie Loughlin (em inglês)
Cailleach, da Jones’ Celtic Encyclopedia (em inglês)
Série de textos sobre Cailleach, do Tairis Tales (em inglês)
O lamento da Velha Mulher de Beare, um texto mitológico irlandês (traduzido)
The Winter Solstice, de Morgan Daimer (em inglês)
Mumming – a Yuletide Traditional, do Irish Culture and Customs
Scottish Traditions: Yule, do Scottish Language Dictionaries (em inglês)
Vídeo: Grianstad an Gheimhridh – The Winter Solstice, produzido pela Gaol Naofa (em inglês, com legendas)
Vídeo: Áine agus Grian – the Two Suns of the Turning Year, produzido pela Gaol Naofa (em inglês, com legendas)
A’ Ghrian, oração tradicional para o sol (ou Grian?) (traduzido)

Oração para o Sol

A’ Ghrian – O Sol

“Eu te recebo, sol das estações,
Conforme tu viajas nos céus acima;
Seus passos são fortes na asa dos céus,
Tu és a gloriosa mãe das estrelas.

Tu desces para o mortal mar
Sem aflição e sem medo;
Tu levantas na onda da paz,
Como uma jovem Rainha resplandecente.”

sábado, 19 de novembro de 2016

Práticas mânticas e oraculares dos gaélicos pré-cristãos

Práticas mânticas e oraculares entre os gaélicos pré-cristãos

                Escrevi esse texto para fazer uma compilação de todos os métodos de adivinhação usados pelos antigos gaélicos e a forma sobre como podemos aplicar esses métodos nos dias de hoje. Apesar de alguns serem basicamente impossíveis ou difíceis de se obter os materiais necessários, muitos são relativamente fáceis e podem ser usados por quaisquer pessoas a qualquer hora. Esse texto foi originalmente postado em um antigo blog meu “O Caminho do Fáith”, mas esta é uma versão editada onde acrescentei e mudei algumas coisas. Se tratando de adivinhação e de materiais escassos, não é preciso dizer que, embora tenha informações históricas e embasadas, a maior parte dos procedimentos e métodos de execução que vou sugerir aqui se trata de gnoses pessoais (o conhecidíssimo “achismo”).

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Feliz Samhain!



Oíche Shamhna shona daoibh! Feliz Samhain para todos vocês! Estou passando aqui para desejar a todos uma boa celebração de Samhain, o festival que celebra a “morte” da natureza e a chegada do inverno, época na qual o outro mundo abre suas passagens e os mortos e outros espíritos podem transitar livremente para cá. Com a chegada do inverno no hemisfério norte, os ancestrais são relembrados e honrados nessa data, através da recitação de suas histórias e feitos e oferendas são deixadas do lado de fora para eles, assim como velas nas janelas para guiar sua passagem de volta ao outro mundo. Dagda e Morrígan são duas divindades tradicionalmente cultuadas no festival, tal como Cailleach – a deusa que anuncia o inverno – e mais recentemente, Donn – o deus que recebe os mortos em sua casa, Tech Donn. Separei alguns materiais para auxiliar em suas celebrações e desejo a todos um bom ano novo religioso!

Samhainn, de Annie Loughlinn (traduzido)
O lamento da Velha Mulher de Beare (texto mitológico irlandês)
Tech Duinn (texto mitológico irlandês)
O culto aos mortos, de J. A. MacCulloch (traduzido)
Donn, da Jones’ Celtic Encyclopedia (em inglês)
Cailleach, da Jones’ Celtic Encyclopedia (em inglês)
Série de textos sobre Cailleach, do Tairis Tales (em inglês)
Celebrando o Samhainn, de Annie Loughlinn (traduzido)
For the Ancestors, dos sites “Shrines” do Northern Paganism (em inglês; apesar de ser um site da religião nórdica, ele possui bons artigos que tratam sobre a ancestralidade e os ancestrais em um sentido muito mais amplo que pode se estender para outras religiões, além de dar também exemplos de orações e formas de honrar aqueles que já se foram)
Receita de Colcannon
Receita de Barmbrack
Receita de Torta de abóbora

Barmbrack para o Samhain

O barmbrack, traduzido literalmente como “pão malhado”, em alusão às frutas cristalizadas, é um alimento irlandês bastante consumido na época do Samhain. Também conhecido como bairín breac, trata-se de um pão ou bolo (similar ao panetone encontrado aqui no Brasil), cujos ingredientes principais são o chá preto, frutas secas (tradicionalmente sultanas e uvas passas) e farinha. Como o Samhain é uma época onde diversos jogos divinatórios são feitos, uma moeda normalmente era adicionada na massa antes de ir para o forno, e a pessoa que pegasse a fatia do pão com a moeda dentro teria sorte por todo o ano. O barmbrack é consumido na Irlanda com manteiga passada na fatia, mas como não gosto muito de mistura de doce com salgado, não consumi dessa forma, portanto, vai de cada um. O barmbrack também é uma ótima opção para o café da manhã do próprio dia do Samhain, 1º de novembro.

Colcannon para o Samhain

O colcannon é outro prato irlandês tradicional bastante consumido no Samhain, consistindo basicamente de um purê de batatas misturado com leite, manteiga, repolho ou repolho crespo e cebolinha. É também conhecido em irlandês como cál ceannann, significando “repolho de cabeça branca”, e similar ao barmbrack, pequenos amuletos eram colocados dentro do prato, cada um simbolizando algo que a pessoa que o encontrou obteria: uma moeda significava riqueza, um anel simbolizava casamento, um botão era uma graduação, uma fúrcula era a realização de um desejo, e etc. Era servido em um grande prato único para toda a família consumir, e no meio do colcannon era “cavado” um buraco onde era colocada bastante manteiga para derreter com o calor da comida, de forma que todos podiam passar a colher na manteiga para consumir junto com o purê.

Torta de abóbora para o Samhain

Essa receita de torta de abóbora é uma boa pedida para o Samhain. Apesar de não ser “tradicional”, ela é perfeita para quem fez as lanternas do Samhain com a abóbora (que originalmente eram feitas com nabos, por sinal), e não sabem o que fazer com a abóbora que tirou de dentro! Embora a ábobora não seja um alimento tradicional da estação (ela sequer é nativa dos países gaélicos), ela está profundamente enraizada no imaginário ocidental do Halloween, que é o “descendente” do Samhain, e, embora possa ser colhida no ano inteiro, a abóbora inevitavelmente evoca bastante essa imagem de “colheita” bastante presente no Samhain (apesar de tudo que fosse deixado no campo após a estação não devesse ser consumido de forma alguma!).

domingo, 30 de outubro de 2016

Oração para Donn

Para Donn

“Donn, o primogênito dos sete filhos de Mil,
O pai de seu pai, profundamente enraizado no mundo,
Donn dos contos contrários, das palavras imprudentes
Para as quais, a inigualável Eriu respondeu com sua fúria;
Enquanto teus irmãos colocaram seus pés na nobre ilha verde,
Tu afundaste no mar. Sobre a praia pedregosa
Tu estás, na ilha de Tech Duinn; dentro das paredes
De teu grande salão tu recebes aquelas almas
Que aguardam a última jornada de suas vidas, sua passagem
Para as ilhas abençoadas para juntar-se aos seus parentes há muito mortos.
Amável, corajoso cujo sangue ainda corre nas veias dos homens,
Ó Donn do povo nobre, teus filhos te honram.”

Fonte: Blog “Field of Stones – To Donn”, disponível em: < http://fieldsofstone.tumblr.com/post/31269540075/to-donn>. 

O culto aos mortos

Capítulo X
O culto aos mortos

                O costume de enterrar os bens junto com o morto ou o abate de esposa ou escravas no túmulo, não necessariamente apontam para um culto dos mortos, no entanto, quando tais práticas sobrevivem por um longo período, elas assumem a forma de um culto. Estes costumes floresceram entre os celtas, e, ao conectarmos com a reverência pelas sepulturas dos mortos, eles apontam para um culto de espíritos ancestrais assim como dos grandes heróis que já se foram. As cabeças dos mortos eram oferecidos às “fortes sombras” – os fantasmas dos heróis tribais cujos louvores eram cantados pelos bardos.1 Quando tais cabeças eram colocadas nas casas, pode ser que elas tenham sido devotadas aos fantasmas da família. A honra com a qual os heróis míticos ou reais eram estimados pode apontar para um real culto, com o herói sendo cultuado depois de morto, onde ele ainda continua protegendo a tribo. Sabemos também que a tumba do Rei Cottius nos Alpes era um lugar sagrado, assim como que os reis irlandeses eram frequentemente inaugurados em ancestrais montes funerários, e que os deuses irlandeses foram associados com os montículos dos mortos.2

sábado, 29 de outubro de 2016

O lamento da Velha Mulher de Beare

O lamento da Velha Mulher de Beare
Aithbes dam bés mora1

A Velha Mulher de Beare disse isto quando a senilidade a envelheceu:

“O refluxo da maré chegou para mim como no mar;
A velhice me torna amarela;
Apesar de eu poder me entristecer por isso,
Ele se aproxima de seu sustento alegremente.

Eu sou Buí, a Velha Mulher de Beare2;
Eu costumava vestir uma bata que era sempre renovada;
Hoje aconteceu, pela razão de meu desprezível estado,
De eu não poder ter nem mesmo uma bata velha para vestir.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Celebrando o Samhainn

Fonte: Site ‘Tairis’ – Celebrating Samhainn. Disponível em: < http://www.tairis.co.uk/celebrations/celebrating-samhainn/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Celebrando o Samhainn

                É difícil ignorar o fato do Samhainn coincidir exatamente com o Halloween, e existe um motivo muito óbvio para isso: o Halloween é o descendente direto do Samhainn. Como tal, muitas das tradições do Halloween que conhecemos e amamos hoje tem raízes nos costumes do Samhainn, e de todos os festivais gaélicos este é talvez o mais fácil para aqueles de nós que celebraremos com os outros, onde que em outras ocasiões, celebraríamos sozinho.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Oração para Lir

Para Lir

“Lir do mar zangado, senhor das ondas salpicadas de espumas,
Pai de Manannan, pai das crianças-cisnes,
Lir dos contos perdidos, Lir em outrora chamado de Allod,
Eu te chamo. O reino das profundezas é teu,
Ó antigo, as águas que crescem e colidem
Sobre a costa; teu também é o poder que guia
Um barco para a praia ou o puxa para dentro da água salgada.
Nós lhe conhecemos no frio e salgado borrifo, no gelo molhado
Contra nossa pele; nós lhe conhecemos no sangue que corre
Em nossas veias; nós lhe conhecemos no legado
Que compartilhamos com todas as criaturas que vivem sobre a terra.
Lir que tem a essência da vida, eu te honro.”


Fonte: Blog “Field of Stones: To Lir”. Disponível em: < http://fieldsofstone.tumblr.com/post/31645812064/to-lir >. Acesso em: 20 de outubro de 2016.

Oração para Manannan mac Lir

Para Manannan mac Lir

“Eu chamo Manannan, o fluido filho de Lir,
Guardião das Ilhas Abençoadas, terra de alegria eterna,
Terra dos sempre jovens e dos sempre nobres,
Terra ocidental, muito distante do reino dos homens.
Antigo, astuto, tentador de Cormac,
Rebento do mar, caminhante entre os mundos,
Guardião dos portais, encoberto pela escuridão, envolto em neblina,
Mestre das magias, feitor de ilusões,
Tu cobres a linha entre a ilusão e a realidade.
Sobre ti, ó Manannan, histórias ainda são contadas. Para ti,
A honra ainda é paga em tua querida Ilha de Man
E em terras que se encontram além do amplo mar salgado.”


Fonte: Blog: “Field of Stones: To Manannan Mac Lir”. Disponível em: <http://fieldsofstone.tumblr.com/post/19789895400/to-manannan-mac-lir>. Acesso em: 20 de outubro de 2016.

Oração para Fand

Para Fand

“Ofereço meu louvor para Fand, a nobre Fand. Deusa
Do frio mar azul, brilhante, gloriosa,
Luminosa como uma perfeita pérola, agridoce
Como um amor perdido, pura como uma única lágrima salgada,
Eu honro tua beleza antiga, teu sentimento profundo,
Teu coração generoso, ó sábia e astuta.
Esposa de Manannan, amante de Cuchulainn,
Mulher do outro mundo, tu sabes teu valor,
Tu conheces teu coração, tua honra não conhece compromissos.
Em todos os mundos, nenhuma mulher é igual a ti,
Ó Fand das ilhas distantes; em todos os mundos
Nenhum espírito mais belo pode ser encontrado, ó deusa.”


Fonte: Blog “Field of Stones: Prayer to Fand”. Disponível em: < http://fieldsofstone.tumblr.com/search/Fand >. Acesso em: 20 de outubro de 2016. 

O deus Manannan mac Lir

MANANNAN MAC LIR
Deus do mar e do outro mundo

Fonte da imagem desconhecida.

“ ‘Que tipo de homem fada andarilho és tu, pregando peças em um pobre homem que nunca lhe fez mal?’ perguntou o pastor de ovelhas. (...) Uma voz suave lhe responde: ‘Quem seria, senão o Rei dos Andarilhos, viajando pela terra e pregando agradáveis peças em pessoas iguais a ti para me divertir?’ ”

                Escrevo mais um capítulo para continuar essa série de deuses gaélicos, que dessa vez se destinará ao deus conhecido como Manannan mac Lir. Aproveitando a solução que usei no texto sobre a deusa Morrígan, esse capítulo não será apenas sobre Manannan, mas também à outras divindades ligadas a ele, que embora a escassez de materiais sobre tais não permita capítulos individuais, são dignos de serem mencionados por se tratar de deidades, acredito, importantes. Sendo assim, esse capítulo também falará sobre Fand, a esposa de Manannan, Lir, seu pai, e Lí Ban, irmã de Fand, que apesar de não ter vínculos tão diretos com Manannan, está dentro de seu domínio “aquático”.

sábado, 1 de outubro de 2016

As provações irlandesas, a Aventura de Cormac na Terra da Promessa e a decisão sobre a espada de Cormac

As provações irlandesas, a Aventura de Cormac na Terra da Promessa e a decisão sobre a espada de Cormac
Scél na Fír Flatha, Echtra Chormaic i Tír Tairngiri
O Livro de Ballymote, O Livro Amarelo de Lecan

Introdução do tradutor do texto em irlandês, Whitley Stokes

                O texto do seguinte conto foi retirado de um fac-símile fotográfico do Livro de Ballymote, pp. 260b-263b, e de uma fotografia das colunas 889-898 do Livro Amarelo de Lecan. O primeiro manuscrito pertence à biblioteca da Royal Irish Academy, e o segundo, à biblioteca do Trinity College, Dublin. Ambos os manuscritos foram escritos por volta do final do século XIV e os erros comuns às porções agora impressas mostraram que eles derivam de uma mesma fonte. Uma história correspondente aos parágrafos 24-25 do seguinte texto é encontrada no Livro de Fermoy, um manuscrito do século XV da biblioteca da Royal Irish Academy, e uma recessão moderna dessa história foi impressa na Transactions of the Ossianic Society, vol. III, pp. 212-228, com uma tradução em inglês do Sr. S. H. O’Grady.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Velho do agasalho marrom

O Velho1 do agasalho marrom
Bodach an Chóta Lachna2

Aqui está contada a visita de Cael an Iarainn, o filho do rei da Tessália, à Irlanda e como infelizmente sua caminhada acabou com ele; ou, de acordo com algumas autoridades, a Aventura do Velho do Agasalho Marrom.

         Era um dia de encontro e conferência dado por Finn, o filho de Cumall, filho de Art, filho de Trenmor, neto de Baeiscne, com os sete batalhões de reserva e os sete habituais dos Fianna, na Colina de Edar, o filho de Edgaeth; eles olhavam para o mar e para o grande continente e viram uma espaçosa e imponente embarcação que avançava em sua direção vinda do leste sob a pressão de sua vela. A embarcação estava equipada como se estivesse indo para guerra ou contenda; não esperaram muito até ver diante deles um alto, belicoso e impetuosamente bravo óglaech3 elevado através das varas de seus dardos ou dos cabos de suas lanças, e então ele colocou ambas as solas de seus pés na praia de areia branca. A mais graciosa armadura polida ele tinha, uma armadura sólida e inquebrável o rodeava, seu belo escudo vermelho era transportado em seus ombros e em sua cabeça estava um duro elmo; em seu lado esquerdo estava uma espada de um grande sulco e a lâmina reta; seus dois punhos seguravam um par de lanças de cabos grossos, não polidas, mas afiadas; um manto escarlate apropriado estava pendurado em seus ombros com um broche de ouro queimado em seu grande peito.

domingo, 4 de setembro de 2016

O leito de Cuchulain e o único ciúme de Emer

O leito de Cuchulainn e o único ciúme de Emer
Serglige Con Culainn ocus Óenét Emire
O Livro da Vaca Parda

                Os ultonianosA tinham o costume de realizar uma feira a cada ano, que durava os três dias antes do Samhain (primeiro de novembro), o próprio dia do Samhain e os três dias que o seguiam. Esse era o período do ano em que os ultonianos se empenhavam em realizar a Feira de Samhain na Planície de Muirtheimne todos os anos, e eles não faziam nada além de jogos e corridas, prazer e divertimento, comidas e bebedeiras; e foi a partir desse fato que os Tertiae (três dias) do Samhain ainda são observados por toda Erin.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A Viagem de Bran

A Viagem de Bran
Immram Brain
O Livro da Vaca Parda

A viagem1 de Bran, filho de Febal, e sua expedição2 abaixo

1. Foram cinquenta estrofes que a mulher das terras desconhecidas cantou no chão da casa de Bran filho de Febal, quando a casa real estava cheia de reis, que não sabiam de onde a mulher tinha vindo, uma vez que o baluarte da fortaleza estava fechado.

2. Esse é o início da história. Um dia, na vizinhança de sua fortaleza, Bran estava caminhando sozinho quando ouviu uma música atrás dele. Por mais que olhasse para trás, a música ainda continuava tocando, até ele adormecer com a música de tão doce que era. Ao acordar de seu sono, ele viu um ramo3 de prata com flores brancas perto dele, e não foi fácil distinguir o que era flor e o que era galho. Bran então pegou o ramo e o levou para sua casa real. Quando as tropas estavam na casa real, eles viram uma mulher com vestimentas estranhas no chão da casa. Foi então que ela cantou as cinquenta4 estrofes para Bran, enquanto a tropa a escutava e todos eles olhavam para a mulher.

                E ela disse:

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O cortejo de Luaine e a morte de Athirne

O cortejo de Luaine e a morte de Athirne
Tochmarc Luaine 7 Aidedh Aithairne Andso1
O Livro Amarelo de Lecan, o Livro de Ballymote

Introdução do tradutor do texto em irlandês, Whitley Stokes

                O seguinte conto foi retirado de dois manuscritos do século XIV, o Livro Amarelo de Lecan (Y) e o Livro de Ballymote (B), cujas versões se correspondem tão bem parecendo que ambas as cópias foram tiradas do mesmo códice, mas o escriba do Livro de Ballymote alterou a ortografia da versão original um pouco mais que o escriba do Livro Amarelo. O conto pertence ao ciclo de romance de Conchobar e se volta à crença irlandesa nos poderes sobrenaturais de poetas que foram ofendidos. Deste modo, o conto faz um paralelo à história de Nede e seu tio Caiar, contada no Glossário de Cormac, Códice B, s.v. gaire, e impressa com uma tradução em inglês em Three Irish Glossaries, Londres, 1862, p. XXVI-XXX. Ele foi pela primeira vez editado com a omissão de alguns versos desinteressantes e ocasionalmente incompreensíveis, mas O’Curry dá um resumo destes em sua obra Manners and Customs, III, 373. Esse resumo é tanto impreciso como incompleto. Para apoiar a declaração de que Luain (como ele chama inadequadamente a heroína Luaine) foi “trazida em triunfo para Emain, onde ela foi solenemente desposada pelo Rei, que após esse feliz evento ele logo se esqueceu de sua dor e recuperou sua alegria”, não há uma palavra na história irlandesa que conta o destino triste da garota e a punição pelos seus assassinatos com uma simplicidade breve e séria. A vingança dada pelos homens de Ulster aos poetas concupiscentes e aos seus filhos era murá-los (algo similar às vestais e freiras impuras) e depois queimar sua fortaleza. O’Curry suaviza o fato, “eles mataram, não apenas ele próprio, mas seus dois filhos e suas duas filhas, e derrubaram sua casa”. Dr. Atkinson também, prefixado nos “conteúdos” os fac-símiles do Livro Amarelo e do Livro de Ballymote, fez um resumo da nossa história, mas assim como O’Curry, ele omite toda menção da extensa interpolação que estraga sua continuidade. Essa interpolação dá um relato de quatro Manannan e a conduta de Manannan, filho de Athgno, com os homens de Ulster após a morte de Derdriu e seu amante. Esse relato contém alguns detalhes que não encontrei em outros lugares e que 
complementa o conto trágico dos filhos de Uisnech.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Feliz Lugnasad!



Sei que está um pouquinho tarde, mas passei aqui para desejar a todos um feliz Lugnasad! O festival é celebrado tradicionalmente no dia primeiro de agosto, e ele representa o início da colheita de grãos, frutas e legumes e o início do outono. Anualmente, uma feira era dada pelo rei da Irlanda para todos o seu povo, a fim de celebrar os bens da colheita e para dar uma oportunidade do povo vender suas mercadorias, pagar dívidas, comer, beber e dançar... O Lugnasad foi criado pelo deus Lugh em honra à sua mãe adotiva, Tailtiu, a deusa da terra, para homenageá-la após ter morrido de exaustão limpando uma planície da Irlanda para tornar propícia às práticas agrícolas. Hoje, celebramos Lugh, o doador das colheitas, e Tailtiu, a ampla e generosa que nos abençoa com seus bens abundantes. Separei alguns materiais para vocês celebrarem e conhecer mais sobre o festival e algumas receitas perfeitas para o clima de colheita, e mais uma vez, que todos tenham uma incrível celebração e que Tailtiu possa abençoar tanto nossas colheitas materiais como emocionais!

Lùnastal, de Annie Loughlin (traduzido)
Celebrando o Lùnastal, de Annie Loughlin (em inglês)
Os dindshenchas de Tailtiu (traduzido)
Os dindshenchas de Carmun (em inglês)
Receita de pão de trigo
Receita de cally irlandês

Cally irlandês para o Lugnasad

Continuando com a série de receitas para o Lugnasad, trago para vocês essa deliciosa e fácil receita que nada mais é que um purê de batatas com alho, tradicionalmente feito durante esse festival. A tradição nos conta que o cally era preparado na maior casa da aldeia com ajuda de toda a comunidade – enquanto uns preparavam a batata, outros cortavam o alho, e outros faziam pequenas colheres de madeira para poderem se servir. Ao ficar pronto, o cally era então partilhado por todos como uma calorosa refeição, e acreditava-se que as pessoas da aldeia que não partilhasse esse costume, teria má sorte durante o ano seguinte. Curiosamente, o alho adicionado nessa receita foi o fator que deu origem a um dos nomes do Lugnasad, que também era conhecido como “Domingo do Alho”, já que muitas das celebrações aconteciam no domingo, que era um dia de descanso do trabalho agrícola nas comunidades rurais da Irlanda.


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sopa de lentilhas e legumes para o Lugnasad

O tema central do Lugnasad é a primeira colheita de grãos, legumes e frutas. Sendo assim, essa receita se encaixa bastante bem no clima do Lugnasad, simbolizando a fartura e a abundância, duas características tão presentes no festival. Essa sopa é composta de lentilhas, um tipo de grão, e quatro tipos de legumes diferentes.  Dizia-se que nas grandes festas comunitárias do Lugnasad, eram feitos grandes banquetes com todas as verduras, frutas, grãos e legumes colhidos na época, e uma refeição calorosa no dia do festival era capaz de assegurar um ano sem fome e sem miséria; sendo assim, escolhi esta receita para ilustrar bem esse clima abundante da primeira colheita.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O culto às árvores e plantas

Notas preliminares: Essa é a tradução do capítulo de um livro cujo link se encontra no final do texto. Apesar de ser um autor confiável e recomendado, nem sempre as conclusões e ideias de J. A. MacCulloch, o autor desse livro, podem ser confiáveis ou tomadas como verdades. Como toda ideia ou conclusão, está passível a vários erros de interpretação e tradução das fontes originais, assim como com a comparação com outras religiões europeias que, mesmo que possam ter alguma semelhança aqui ou ali, não quer dizer que sejam as mesmas tradições, e de fato, muitos costumes e crenças que são comuns em outras religiões europeias não encontramos entre os celtas. Sendo assim, solicito cautela com a leitura e uma análise crítica nas observações do autor, pois apesar de seu trabalho estar muito bem referenciado (as fontes citadas normalmente tendem a ser seguras), suas conclusões não podem ser a mais correta. Boa leitura.  

Capítulo XIII
O culto às árvores e plantas

            Os celtas tinham seu próprio culto às arvores, mas também adotaram outros cultos locais, como o culto liguriano, o ibérico e outros. A fagus deus (faia divina), a sex arbor ou sex arbores das inscrições dos pirineus, e um deus anônimo representado por uma conífera em um altar na Toulouse, provavelmente apontam para um culto local às árvores dos liguriano continuado pelos celtas nos tempos romanos.1 As florestas também eram personificadas ou governadas por uma única deusa, como Dea Arduinna das Ardenas ou Dea Abnoba da Floresta Negra na Alemanha.2 Ideias mais primitivas permaneceram, como aquelas que atribuíam toda uma classe de divindades arbóreas à uma floresta, como por exemplo, as Fatae Dervones, os espíritos dos bosques de carvalho no norte da Itália.3 Os grupos de árvores, como as sex arbores, eram venerados talvez devido ao seu tamanho, isolamento ou alguma outra peculiaridade.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A visão, o dom dos videntes célticos

Essa é a tradução de um artigo original em inglês, parte de um projeto chamado “Land, Sea and Sky” cujo link se encontra no final da página. A tradução foi feita pelo autor do blog, e, como sua escritora faleceu, a autorização foi concedida por uma das organizadoras do projeto, Shae Clancy.

16. A visão, o dom dos videntes célticos
Francine Nicholson

            Uma comprida cavalgada de guerreiros, alguns em cavalos, a maioria a pé, estão viajando pelo norte da Irlanda, do oeste para o leste, contra o caminho do sol, com cascos e pés socando a terra. Em sua vanguarda cavalga uma mulher poderosa, vestida em tecidos bordados e decorados com joias artisticamente colocadas. Seu nome é Medbh e ela é Rainha de Connacht, conduzindo suas tropas em uma invasão para roubar um grande touro. Ela está confiante da vitória. Então, aproximando-se deles em uma carruagem, eles veem uma jovem, tecendo filamentos em um tear manual enquanto ela caminha. Medbh pede para a jovem se identificar. Ela diz que seu nome é Fedelm e que ela vem do monte sídhe de Cruachain, uma entrada para o outro mundo. Ela também diz que está juramentada ao serviço de Medbh e diz que é uma fáith, uma vidente. Medbh pede para ela pressagiar o resultado da invasão. Fedelm canta:

            “Eu vejo carmesim. Eu vejo vermelho.”

            Usando a habilidade chamada imbas forosnai, a vidente olhou, viu, e falou a verdade. Conforme a história se desenrola, a invasão terminará em um grande derramamento de sangue.

domingo, 10 de julho de 2016

Rito simples de oferta para o Dagda

                Eu fiz esse rito algumas semanas atrás e decidi trazer a forma como o realizei para vocês. É uma devoção bem simples, mas que fiz com muita piedade, com apenas algumas orações e oferendas para o Pai de Todos.

                Resumidamente, o Dagda é o deus principal da religião dos gaélicos. Ele controla o clima, as colheitas, tem poder sobre a terra e tudo o que cresce nela. É o senhor da fartura, da magia e da força. Se quiser conhecer mais sobre ele, clique aqui.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Os métricos Dindshenchas: Codal

Poema/história 76
Codal

1. Codal, qual a origem do nome? Não é difícil dizer. Um alto-rei governava Erin: seu nome era Eochaid Ollathair, e O Dagda era seu outro nome. Ele dividiu Erin entre os Tuatha Dé Danann. Ele deu Mag Fliuchross para seu filho Aed. Aed tinha um soldado e o colocou naquela terra, Codal do Peito Redondo, e ele tinha uma esposa muito bonita: Eachrad, a filha de Garann do Joelho Grande. Aed, o filho do Dagda, se apaixonou por ela e pediu para seu druida solicitar seus favores. A mulher respondeu que ela não trocaria seu marido pelo alto-rei de Erin. Aed é informado que a mulher o rejeita. Ele foi falar com o Dagda e lhe disse como tinha sido rejeitado pela filha de Garann, e declarou que nunca se sentiria bem até acasalar-se com ela. “Tome-a dele à força,” disse o Dagda. “Tenho receio de que os Tuatha Dé se levantem com tal ato, virem-se contra ti e um grande mal seja feito.” “Que venha o que tiver de acontecer,” disse o Dagda, “é melhor isso do que tu definhar pelo amor dela e nunca tê-la. Aprisione Codal,” disse ele, “e então, durma com sua esposa.” Isso então foi feito. Codal é aprisionado por Aed e sua esposa foi levada até Aed, que dormiu com ela. Eles levaram Codal com três vezes nove homens para vigiá-lo. A notícia então chegou para Garann, Danainn e Gorm, a filha de Danainn, e Sen, o filho de Sengann, quando eles estavam festejando na casa de Garann. Eles deixaram seus festejos e perseguiram Aed, pegaram sua casa e sua família foi assassinada, mas o próprio Aed escapou. Eles levaram a mulher com eles para Garann e seu filho Gruad. O Dagda reuniu sua família e seus filhos Aed, Cermait Caem, Aengus, o pai adotivo de Aengus, Midir, e Bodb Derg. Os parentes de Eogan de Inber surgiram para ajudar Garann e Codal, e a batalha estava iminente. Depois disso, eles fizeram paz na oferta de Elcmaire, o juiz. Essa era sua sentença: que a terra onde Codal foi injustiçado fosse dada a ele em reparação de sua honra e para compensação do mal que fizeram para ele, e, que ele nunca se vingasse de Aed. Foram dadas garantias a ele por isso e pela posse da terra, e eles partiram com esses termos. Foi daí que o nome de Codal foi dado à colina, pela razão de seu domínio sobre ela. Mas foi de Codlín, o filho de Codal e Echrad, que a outra colina obteve seu nome, do qual é dito o seguinte:

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O Brownie escocês

O BROWNIE ESCOCÊS1

                O Brownie escocês forma uma classe de seres diferentes dos bizarros e maliciosos elfos, tanto no hábito como no caráter. Ele era magro, peludo e tinha a aparência selvagem.

domingo, 24 de abril de 2016

A lenda de Knocksheogowna

A lenda de Knocksheogowna

                Em Tipperary está uma das colinas conformadas mais singulares do mundo. No seu topo, há um cume na forma de uma cônica touca de dormir que você atira descuidadamente sobre sua cabeça quando acorda pela manhã. Lá em cima no topo foi construída uma espécie de cabana, onde a senhora que a construiu e seus amigos costumavam ir durante o verão em festas de prazer, mas isso foi há muito tempo após os dias das fadas, e a cabana está hoje, acredito, abandonada.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Invocação à Badb



Invocação para Badb
“Badb, filha de Ernmas,
Gralha-negra da Batalha
Irmã de Macha e Morrígan
Eu te chamo,
Esposa de Net, Deus da guerra
Tu que traz a loucura
Lavadeira do Rio
Eu te chamo
Badb dos Tuatha De Danann
Eu te chamo.”

Fonte: Blog Living Liminally: Prayers to the Badb, por Morgan Dailmer. Disponível em: < http://lairbhan.blogspot.com.br/2013/07/prayers-to-badb.html>. Acesso em: 15 de fevereiro de 2016

Oração para Badb I



Oração à Badb para respostas
“Badb, que vê o que ainda não aconteceu
Que falou a grande profecia quando a batalha
Entre os Tuatha De e os fomorianos terminou
Que falou tanto de uma grande paz como de um fim para tudo
Ajude-me agora a ver o que eu preciso ver
Para encontrar a resposta à pergunta que tenho
Abra o caminho para que eu tenha minha resposta.”

Fonte: Blog Living Liminally: Prayers to the Badb, por Morgan Dailmer. Disponível em: < http://lairbhan.blogspot.com.br/2013/07/prayers-to-badb.html>. Acesso em: 20 de fevereiro de 2016