quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Caos e ordem tripartida: a cosmovisão céltica


Essa é uma tradução de um artigo original em inglês cujo link se encontra no final do texto. A tradução foi feita pelo autor do blog; como sua escritora faleceu, a autorização foi concedida por uma das organizadoras do projeto "Land, Sea and Sky", Shae Clancy. 

5. Caos e ordem tripartida: a cosmovisão céltica
Francine Nicholson


                O capítulo anterior mostrou como as recentes pesquisas científicas revelam o ambiente natural no qual os celtas antigos e medievais viviam. Nesse capítulo, veremos como eles viam o mundo ao seu redor, como interpretavam a realidade do dia-a-dia e como eles aplicavam o significado religioso e mitológico no seu mundo.

                Muito da antiga religião céltica pré-cristã era uma resposta ao mundo físico na qual os celtas viviam. As deidades foram concebidas no início como forças da natureza. Quando os druidas cantavam encantamentos ou maldições, eles invocavam ritualisticamente os poderes das partes do cosmos, e acreditava-se que os homens eram feitos a partir dos elementos do cosmos. As festas sazonais marcavam os pontos essenciais da agricultura e ciclos de pastoreio, e os ritmos do mundo natural governavam as vidas e o comportamento ritual dos antigos celtas.

domingo, 27 de dezembro de 2015

O progresso dos filhos de Mil da Espanha até a Irlanda


Tochomlad mac Miledh a hEspain i nErind
O progresso dos filhos de Mil da Espanha até a Irlanda

                I. (...) diligentemente¹ observando o firmamento e enumerando seus (...) amplas e gulosas armas de uma madeira de ramificações encaracoladas. Então uma terrível ansiedade mental apoderou-se dele e tudo o que Ith tinha visto de longe naquele dia festivo o fez meditar em profunda perplexidade: o uivo dos cães, o barulho das armas, os choros que inspiram admiração dos reis, rainhas, príncipes e grandes senhores ao ver as tropas marchando firmemente nas cortes do alto-rei. Olhando para o oceano a noroeste foi uma causa de surpresa para sua mente. Ith voltou em seu curso para seus fieis e leais guardiões e para sua grande cidade, que é a mansão de calcário. Seus amigos e companheiros vieram saudá-lo e ele descreveu cortesmente e verdadeiramente tudo o que ele tinha visto de longe naquele dia festivo: o uivo dos cães, etc. “Foi há muito tempo, ó guerreiros,” disse Ith, “desde que seus profetas previram² enfaticamente para seus lamentosos ancestrais que uma bastante agradável ilha de ar puro, uma fértil, nobre e habitada ilha ocidental, será seu território e seu descanso. Minha opinião é que essa seja a terra de planos inclinados, de ondas verdes e de colinas de assembleia da qual eles falaram. Eu vos aconselho, ó guerreiros, a encherem seus navios e procurar essa ilha.” Ele recitou o poema:

domingo, 20 de dezembro de 2015

O destino dos filhos de Lir


O destino dos filhos de Lir
Oidheadh Chloinne Lir

                Aconteceu dos cinco Reis da Irlanda se encontrarem para determinar quem teria o reinado chefe sobre eles, e o Rei Lir da Colina do Campo Branco esperava certamente que ele fosse o eleito. Quando os nobres se reuniram em um conselho, eles escolheram Dearg, o filho de Daghda, para ser o rei chefe, pois seu pai tinha sido um grande druida e ele era o mais velho dos filhos de seu pai. Lir deixou a Assembleia dos Reis e foi para sua casa, a Colina do Campo Branco. Os outros reis teriam seguido Lir para lhe ferir com lanças e espadas por não ter rendido obediência ao homem a quem eles deram o reinado, mas o rei Dearg não os escutou e disse: “Ao invés disso, vamos liga-lo a nos através dos elos do reinado, para que a paz possa habitar na terra. Mande para ele as três donzelas da mais nobre forma e com a melhor reputação em Erin para ele escolher sua esposa, as três filhas de Oilell de Aran, minhas três próprias crias de confiança.”