terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Alguns contos de donzelas

45. Tonn Clidna

 Clidna, filha de Genann, filho de Trén, foi embora de Tulach dá Roth ("a Colina das Duas Rodas"), da Agradável Planície da Terra da Promessa, com Iuchna dos cabelos cacheados para ir até o Mac ind Óc. Iuchna fez uma malícia contra ela. Ele tocou uma música para ela no barco de bronze onde ela estava, fazendo-a dormir, de forma que ela rodeou a Irlanda em direção ao sul até chegar em Clidna.
 Foi nessa hora que ilimitadas ondas surgiram e se espalharam para todas as regiões do mundo. Existia naquela estação as três grandes ondas de Erin, que são, a Onda de Clidna, a Onda de Ladru e a Onda de Baile, mas estas não se levantaram na mesma hora: a Onda de Ladru é a mediana. A onda pressionou no ar e foi dividida por toda a parte da terra de Erin até alcançar o barco na praia com a donzela dormindo. Lá então ela foi afogada, Clidna a Formosa, filha de Genann, a partir da qual Tonn Clidna "Onda de Clidna"foi nomeada.
 Genann filho de Trén, etc.
 E também na época de Patrício, Cáilte cantou o mesmo dind para o seu diverso e maravilhoso Colóquio que eles fizeram a partir das topográficas lendas da Irlanda.

45. Tonn Clidna

 Tond Clidna canas roainmniged? Ni ansa. Clidna ingen Genaind meic Triuin dodechaid a Tulaig da roth, a Muig Mell Tire Tairrngire la hIuchna Ciabfaindech do rochtain Meic in Ócc. Dorad sen breg impe, & rosepfaind ceol di isin nai creduma i mbói, conatuil fris, & amsoi a seol frithrosc co tudchaid timcell Erenn fo des, co toracht Clidna.
 Is é tan conuarcaib in murbrucht nemfhorcnedech coroscail fo cricha an beatha frecnairc, fodáig robdar iat tri mortuile Erenn in inbaid sin .i. tuile Clidna & tuile Ladrand & tuile mBaile; acht ni i n-ænuair conuarcaibsed. Robe in tuile medonach tuile Ladrand. Dorimart in tuile i n-arda & fodáli fo tir Erenn, como tarraid in curach n-ucat & in ingen ina codlad and forsin tráig, cor’baided annsin Clidna Cruthach ingen Genaind, a qua Tonn Clidna nominatur.
 Genand mac Triuin, torom dil, & rl.  Agus fós amail rocan Cáilti for an dínd cétna i n-aimsir Patraicc ara n-agallaim & éccsamail ingantaigh doronsat ar dindshenchas Eirenn.
 Clídhna cindfind, buan a bét, &rl.

53. Findglais

 Bláthnat filha de Menn, Rei dos Homens de Falga, esposa de Cú-roi filho de Dáre, foi a amante de Cúchulainn. Foi ela quem prometeu que Cúchulainn iria até ela no Samhain para ter vingança pelas vacas de Eochaid Boca-de-cavalo, pelo caldeirão, e pelo corte de Cúchulainn que Cú-roi fez com sua espada, quando Cú-roi posteriormente colocou a cabeça dele no esterco de vaca. Ela aconselhou Cú-roi a reunir os clãs de Deda para construir sua fortaleza em um único dia, e que, para esse propósito, eles devessem trazer com ele cada pilar de pedra que eles encontrassem na Irlanda, tanto pilar em pé, como deitado. Cúroi então foi deixado sozinho. O sinal entre Cúchulainn e Bláthnat era que ela deixasse o leite das vacas fluir no rio até ficar branco, indo em direção até onde Cúchulainn e seus homens de Ulster estavam. Com isso, Findglais ("Córrego Branco") foi nomeado. Posteriormente, eles mataram Cú-roi, destruíram a cidade e levaram Bláthnat para Ulster.

53. Findglais

 Findglais a Luachair Degad, canas roainmniged? Ni ansa .i. Blathnat ingen Mind rí Fer Falga, bancele Conrói meic Daire, banserc-side Conculainn. Is í rogell Coinculainn oidhchi samna dia saighid do digail na n-erc n-Iuchna Eachach Echbeoil, & in coire, & berrta Conculainn dia cloidem Conrái, dia rofumalt don bochur in cenn iarsuidhiu, co tuc sin comairle do Coinrói tarclaim clanna Degad do denum a cathrach i n-oenló, & co tucdis cach coirthi nobiad ’na suide & ’na sesam léo, & ni bói-sium acht in ænur. Ba sed comarc boi eturra, tomlacht na mbo do lecun lasin sruth, cor’bo find in glaisi inandocum. Unde Findglais dicitur. & oircset in cathraig iarum.

59. Sinann

 Sinend filha de Lodan Lucharglan, filho de Lir, saiu de Tír Tairngire ("Terra da Promessa") e foi até o Poço de Connla que está debaixo do mar, para observá-lo. Neste poço está avelãs e inspirações de sabedoria, que é, as avelãs da ciência da poesia, e na mesma hora seus frutos, suas flores e suas folhagens irromperam e caíram no mesmo poço em uma única chuva, que levantou na água uma nobre onda roxa. O salmão então mastigou os frutos, e o suco das avelãs está aparente em suas barrigas roxas. Levantaram-se sete córregos de sabedoria e voltaram para o poço novamente. 
 Sinend agora foi buscar inspiração, pois tudo o que ela queria era sabedoria. Ela foi com o córrego até chegar em Linn Mná Feile "a Poça da Mulher Modesta", que é, Brí Ele - e ela seguiu na jornada, mas o poço continuou em seu lugar, e ela seguiu o córrego até as margens do rio Tarr-cáin "Costas-claras". Depois disso, o córrego a submergiu de forma que as suas costas (tarr) foi para cima, e quando ela bateu na terra das margens do Shannon, ela provou a morte. Daí surgiu Sinann, Linn Mná Feile e Tarr-cáin.

59. Sinann

Sinand, canas ro ainmniged? Ni ansa. Sinend ingen Lodoin Luchairglain meic Lir a Tír Tairrngire dodechaid do Tiprait Connla fil fo muir dia forcsin. Tipra sin fo ’tat cuill & imbois na heicsi .i. cuill crinmoind aiusa. & a n-aen uair bruchtais a meas & a mblath & a nduilli, & i n-oen frois dofuitet forsin tiprait, co tuarcaib rígbroind chorcarda fuirri, co cocnaid na bradana in mes, conad he sug na cno cuirthear suas ina mbolcaib corcardaib, & bruinnit secht srotha éicsi as, & imsoat and afrithisi.
Luid iarum Sinend do saigid in imbois, ar ni testa ní fuirri acht soas tantum. Doluid lasin sruth co tice Linn Mna Feile .i. Bri Ele & rethis i n-imthus roimpi, & traigis in topur, & rolen co hura na haband, Tarr-cáin. Imasráin iar suide co tarla a tarr fæn fuirri, & ro blais bás iar tiachtain in tire centaraig. Unde Sinann & Linn Mná Féile & Tarr-cain.

Bibliografia e leitura recomendada
 

domingo, 22 de setembro de 2013

Celebrando o Equinócio de Outono



Celebrando o Equinócio de Outono
Nomes: Latha na Marchachd (na Escócia), Là Fhèill Mìcheil (nome cristão), Oda (em Canna, St. Kilda, Uist, Harris e Lewis), Fomhar na nGéan (na Irlanda), Mean Fomhair (‘Meio do Outono’) e Yn Mheillea ou Yn Meailley (na Ilha de Man).  
Data: Na data do Equinócio de Outono ou dia 29 de Setembro.

COSTUMES NA ESCÓCIA


 Na noite anterior ao dia do festival, os struans (strùthan ou strùdhan em Gàidhlig) são feitos (ver mais abaixo). Na manhã do festival, estes struans são consumidos com cordeiro (macho) (se você for vegetariano, pode fazer alguma receita com cenouras; ver abaixo) e as corridas de cavalo tomam lugar. Era costume também visitar o túmulo dos pais.

Corridas de cavalo

http://www.kyle-newman.com/wp-content/uploads/2010/12/horses.jpg Após o café da manhã, acontecia as corridas de cavalos. É devido a esse costume que o dia é normalmente chamado de latha na marchachd, ‘o dia da equitação’. Na ilha de Barra, Escócia, as mulheres levavam os cavalos aos homens e montavam atrás deles; era considerado sorte se as mulheres caíssem do cavalo nas corridas. O percurso das corridas era normalmente em volta do vilarejo, mas também poderia ser nas costas de praias, como acontecia em Harris, e o vencedor ganharia um pequeno prêmio que era grandemente disputado. Seja na aldeia ou na praia, o percurso devia ser sempre em deosil, ou seja, no sentido horário; em Canna, eram dadas três voltas. Um antigo costume (legal) era roubar o cavalo do vizinho no dia anterior da corrida e cavalgar com ele o dia inteiro, porém, devolvia-se o cavalo para que o dono pudesse usá-lo nas corridas. Para cavalgar, os homens não usavam nem selas nem rédeas e nem esporas, apenas duas cordas dobradas. Ao invés de chicotes, eles usavam longos pedaços de alga marinha em cada mão, deixadas para secar no sol meses antes da corrida. No sul de Uist, existia também uma prática dos cavaleiros pegarem berbigões na praia, que eram comuns nessa época do ano.

 Acredita-se que no início das procissões, o hino Michael nam Buadh (‘Miguel, o Vitorioso’) era cantado. A seguir está uma parte da tradução desse hino e ao lado, uma adaptação.

 “Faço minha rota
“Faço minha rota
Na companhia de meu santo,
Na companhia do deus habilidoso
Na planície fértil, no prado,
Na planície fértil, no prado,
Na fria colina de urze;
Na fria colina de urze;
Embora eu viaje pelo oceano
Embora eu viaje pelo oceano
E pelo árduo globo do mundo,
E pelo árduo globo do mundo,
Nenhum mal cairá sobre mim,
Nenhum mal cairá sobre mim,
Abaixo do abrigo de teu escudo;
Abaixo do abrigo de teu escudo;
Oh Miguel, o Vitorioso,
Oh Lugh, o Vitorioso,
Joia do meu coração,
Joia do meu coração,
Oh Miguel, o Vitorioso,
Oh Lugh, o Vitorioso,
Tu és o pastor de Deus.”
Tu és o deus de nossa tribo.”

 Para ler uma versão adaptada desse hino, clique aqui. Miguel pode ser facilmente substituído por Lugh, que é um deus associado à esse festival. Dagda, por sua vez, é um deus que é mais associado aos cavalos, talvez pelo seu nome ‘Eochaid’. Alexander Carmichael, o autor do Carmina Gadelica, também nos diz que São Miguel é o “deus Netuno dos gaélicos”, e quando se fala em “Netuno dos gaélicos”, sim, é dele que estamos falando, Manannán mac Lir. São Miguel é frequentemente associado com o mar, à pesca e equinos, e suas igrejas ficavam quase sempre em praias.



Troca de presentes – Na ilha de Harris, os homens davam às mulheres facas, broches de cobre, prata e bronze, tesouras, pentes, espelhos, laços e fitas, e as mulheres davam aos homens ligas de diversas cores, gorros, calças, gravatas, peças enxadrezadas, carteiras e cenouras (daucus carota), que era chamada na ocasião de ‘Renda da Rainha Anne’; Anne é a forma carinhosa de como os escoceses se referiam à Cailleach, e por vezes, também era chamada de ‘Gentil Annie’. Muitos desses presentes são mencionados na canção escocesa conhecida como ‘Na Geallaidh, ‘As Promessas’ – para lê-la, clique aqui. Após as cavalgadas, aconteciam também a troca de struans, que eram feitos pelas mulheres que participavam das corridas, mas também eram feitos e consumidos pela família antes das procissões acontecerem, como mostrado acima. A troca de presentes acontecia mais normalmente entre os apaixonados.

Os struans

http://farm2.static.flickr.com/1073/747272157_e5c687d51c_o.jpgEra muito orgulho para uma pessoa fazer o primeiro struan da aldeia. Mesmo que a colheita atrasasse e a aveia não estivesse pronta, um pouco era tirado dos campos para ser feito o struan. Depois que o struan fosse feito, a família saia pela aldeia dando um pedaço para cada membro. Acreditava-se que aquele que fizesse o primeiro struan, teria as melhores colheitas no ano seguinte. Um struan era feito para o “dono da casa”, um para cada membro da família, para os empregos da casa, para ser dados como presentes para os amigos e para os menos afortunados da aldeia. Por isso, o cozimento dos struans poderia durar a noite inteira anterior ao dia do festival. A Bênção do Struan (An Beannachadh Strùain) devia ser dito antes de ser consumido, ou antes de ser feito. Acreditava-se que os struans deviam ser cozidos com o fogo das madeiras sagradas, como por exemplo, o carvalho, a sorveira e o espinheiro. A madeira do espinheiro-negro, da figueira, da faia deviam ser evitadas. Quanto à forma, os struans podiam ser moldados com três pontas (que simbolizam a Trindade, mas no nosso contexto, podemos associar com os Três Mundos ou com as Três Famílias) ou de forma circular, que simboliza a eternidade. Se um struan quebrasse durante o processo, ele era jogado fora. A aveia que restou no tabuleiro era jogado no gado no dia do festival, para trazê-los filhotes, abundância, prosperidade e para protege-los do olho maligno, azar e pragas. Para uma receita do struan, clique aqui.
 Nas ilhas Hébridas, há uma prática de fazer um pequeno struan e jogá-lo ao fogo depois de pronto, como uma oferenda à uma entidade ligada ao fogo – ou o “diabo”, como é visto em Uist. Em nosso contexto, podemos fazer um para oferecer à Bride, uma vez que ela é uma deusa associada ao lar, à lareira e ao fogo. O objetivo dessa prática era proteger a dona de casa e sua família do Olho Maligno.

A Colheita das cenouras

http://2.bp.blogspot.com/-DuyGaBgBfoM/UbUHnRfujTI/AAAAAAAAB98/o5PDdgqV0kg/s1600/beneficios-da-cenoura-beneficios.jpg A colheita das cenouras era uma prática que só era realizada pelas mulheres, que saíam em busca das cenouras e pegavam o máximo quando podiam. O domingo anterior ao festival era o dia especial para essa colheita, e por isso era chamado de Domhnach Curran, ou ‘o Domingo das Cenouras’. Na hora de colher, cada mulher cantava a seguinte canção:

“Fenda frutífera, frutífera, frutífera,
A alegria das cenouras está incomparável sobre mim,
Miguel, o corajoso, me dotando,
Bride, a nobre, me ajudando,
Descendência notável sobre cada descendência,
Descendência em meu útero,
Descendência notável sobre cada descendência,
Descendência em meu útero.”

 Provavelmente, esse costume seja reservado apenas às mulheres por ter, talvez, uma representação fálica.  As cenouras colhidas eram então colocadas em um saco pendurado na cintura chamado crioslachan. Após a colheita, as cenouras eram então lavadas e colocadas em pequenos grupos. Os grupos eram amarrados com uma linha de três fios, normalmente na cor escarlate, e enterradas em pequenos buracos perto da casa da pessoa. Existia também o costume de rapazes tentando roubar as cenouras das mulheres.

 Ao dar uma cenoura, a mulher dizia, “Descendência e prosperidade em você.” O homem que recebesse, dizia:

“Descendência e paz nas mãos que me deu.
Filhos e paz no meu amor que me deu.
Descendência e plenitude sem falta em tua moradia.
Matrimônio e maternidade em minha bronzeada dama,
Dons e prosperidade para o meu amor que me deu.”

 As cenouras eram então trocadas entre os amantes, assim como outros presentes. No entardecer do dia do festival, era hora de danças e músicas, porém, uma dança nos chamou mais atenção, que é a que veremos a seguir.

A Dança de Cailleach

http://girlfromthehills.files.wordpress.com/2010/10/draft_lens2250651module12261018photo_1224755743autumn_walkway_kilkenny_ireland.jpg Dentre as danças realizadas, uma é evidentemente simbólica, que é a chamada Cailleach an Dudain, ‘Cailleach do Moinho’. “Ela é dançada por uma mulher e por um homem. O homem segura em sua mão direita uma varinha chamada de slachdan druidheachd ‘varinha druídica’ ou slachdan geasachd , ‘varinha mágica’. O homem e a mulher gesticulam um para o outro, dançando de um lado para o outro, pra frente e pra trás. O homem toca a varinha em sua cabeça e na cabeça da mulher, e quando toca, a mulher cai no chão como se estivesse morta. O homem chora pela sua carlin morta, dançado e gesticulando sobre seu corpo. Ele então levanta sua mão esquerda, e tocando sua palma, respira sobre ela e toca com a varinha. Imediatamente, este membro ganha vida e começa da se mexer de um lado para o outro. O homem se alegra e dança ao redor da figura no chão. Depois disso, ele faz o mesmo com a mão direita e com os pés. (...) O homem se ajoelha diante da mulher, respira sobre sua boca e toca seu coração com a varinha. A mulher ressuscita e se levanta, confrontando o homem. Os dois dançam então vigorosamente e alegremente, como no início da dança. A melodia varia em várias partes da dança. A música é tocada por um flautista ou um violinista (...).” 

 Essa dança mostra claramente Cailleach como o espírito da colheita, que morre no outono e depois ressuscita, relacionando-se com o ciclo do ano.



 Outras danças também são conhecidas nessa época: cath nan coileach, ‘o combate dos galos’; turraban nan tunnag, ‘o gingado dos patos’; ruidhleadh nan coileach dubha, ‘bobinagem dos galos pretos’; cath nan curaidh, ‘o combate dos guerreiros’, e muitas outras que eram dançadas nos bailes dados nessa época do ano, assim como as canções, que hoje, se perderam.
 

COSTUMES NA IRLANDA

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 Diferente da Escócia, na Irlanda, poucos são os costumes feitos nesse dia. O festival marca o fim da estação de pesca, o fim do verão, o início da colheita das maçãs e da estação de caça, assim como a caça ao ganso, sendo por vezes o festival conhecido como Fomhar na nGéan. Enquanto na Escócia o menu do café da manhã é o cordeiro, na Irlanda era consumido o ganso ou o galo. Em algumas partes da Irlanda, após o abate, o sangue do animal era esfregado nas portas, talvez querendo garantir a proteção. 

COSTUMES NA ILHA DE MAN

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 Colheita – Quando o senhorio ou o fazendeiro entrava pela primeira vez no campo onde a colheita estava sendo feita, era costume amarrá-lo com sugganes, cordas de palha, e não soltá-lo até ele pagar uma multa.
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 O festival da colheita em manês é chamado de Yn Mheillea ou Yn Meailley, ‘a casa da colheita’, ‘embora’, como disse Gill, ‘este nome seja mais estritamente dado às grinaldas feitas a partir do último punhado de grãos que é tosquiado e formado na forma que foi carregada por Ceres. Essa figura, vestida com fitas, é carregada diante dos ceifeiros, e é chamada, junto com a procissão, de yn meailley ou meilley, ‘a festa dos ceifeiros’, que origina-se de meail.’ ‘Meail’, ele adiciona, ‘é toda o grupo de ceifeiros.’ Essa figura um tanto obscura descrita por Gill, foi chamada de yn moidyn, ‘a donzela’, e era feita de palha, decorada com fitas e flores selvagens. Era levada pela Rainha de Meailley - uma garota que era elegida entre os trabalhadores dos sexo feminino, normalmente a mais nova deles – até a parte mais alta do campo, onde era colocada e saudada com aplausos carinhosos. Também era costume cortar um punhado de espigas do último maço de grãos, com cerca de 12 polegadas de palha amarrados. Esse punhado de grãos, chamado de baban ny mheillea, ‘a boneca da colheita,’ ou simplesmente, yn mheillea, ‘a colheita’, que tinha cerca de 4 polegadas de diâmetro, era vestido para representar uma mulher, do pescoço para baixo, com as espigas representando a cabeça e a face. Era então colocada na chaminé na cozinha da fazenda, e não era tirada de lá até a próxima colheita, quando outra era colocada em seu lugar. Esse costume ainda não morreu, e pode-se ver um pequeno feixe, apesar de não ser vestido, em muita fazendas hoje em dia. O feixe maior, como mostrado acima, era tirado do campo, quando a última carga de grãos era colocada no topo do campo, junto com a moidyn. Esta era então depositada no celeiro com muito clamor e alegria, e deixada lá até a colheita seguinte. Depois disso, todos eles participavam de um jantar, que era normal para o fazendeiro dar nessas ocasiões, na qual era uma cena de grande alegria e prazer, a Laare-vane, como no Vigésimo Dia [NT: um outro festival manês], sendo uma característica notável. O carregamento da ‘donzel’ agora caiu em desuso, de forma que o nome é agora associado apenas com a ceia da colheita." (MOORE, Folklore of Isle of Man)

Referências:

§  Site: www.tairis.co.uk;