terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Eòlas an Déide

Eòlas an Déide ou Encantos para Dor de Dente. Apresento aqui diferentes formas de curar a dor de dente, extraída de fontes diferentes. O texto a seguir, foi retirado do livro Ancient Legends, Mystic Charms and Surpersticions of Ireland, de Lady Gregory. Ela nos dá 3 formas de curar e a última versão é encontrada em muitas outras curas em diferentes países gaélicos, como na Escócia. Vale a pena lembrar que todas as obras abaixo foram escritos em tempos Cristãos e os encantos abaixo apesar de usar nomes como 'Maria', 'Jesus Cristo' e outras divindades do Cristianismo, são vestígios de antigos e místicos encantamentos pagãos. Portanto, você pode adaptá-los ou apenas inspirar-se neles.

Ancient Legends, Mystic Charms and Surpesticions of Ireland, Lady Gregory, "Para Dor de Dente"

Vá até um cemitério; ajoelhe-se em qualquer tumba; diga três pais nossos e três aves marias para o morto que está abaixo. Então pegue um punhado de grama da tumba, mastigue bem, e depois cospindo cada mordida, sem engolir nada. Depois desse processo, mesmo se ele viver por cem anos, ele nunca mais terá dor de dente de novo.

Outro.
O paciente deve prometer a Deus, a Virgem Maria e a Lua Nova de nunca pentear seu cabelo em uma Sexta-feira, em lembrança do alívio de sua doença; e quando ou onde quer que ele veja a lua pela primeira vez, ele precisa se ajoelhar e dizer cinco orações de agradecimento pela cura, mesmo que nessa hora ele esteja cruzando um rio.

Outro. 
Carregue em seu bolso duas mandíbulas de um eglefim [1], pois desde a época do milagre dos pães e dos peixes, estes ossos são infalíveis contra a dor de dente, e os peixes mais velhos são os melhores pois estes estão mais próximos da época do milagre.

Também, este encanto é para ser colocado nas roupas:

"Como Pedro sentou-se em uma pedra de mármore,
O Senhor veio até ele sozinho,
'Pedro, Pedro, o que te faz tremer?'
'Oh Senhor e Mestre, é a dor de dente.'
Então Cristo disso, 'Leve isto por Minha Causa,
E nunca mais terá dor de dente denovo.'

Para evitar dor de dente, jamais se barbeie no Domingo.
[Nota 1: Eglefim ou Arinca, uma espécie de peixe.]

Vamos agora às análises e adaptações.
O primeiro encanto é algo bem fácil de perceber que este foi criado pelos padres da época com a intenção de deturpar a nossa antiga religião, associando os seus encantos com o poder dos 'temíveis mortos', fundindo essas 'coisas tenebrosas' com os nossos encantos. Uma adaptação bem simples poderia ser abençoar uma erva sagrada à algum deus associado á cura, como Dian Cecht e Airmed, e então mastigar. Depois disso, cospindo a erva mastigada na terra, sem engolir, o que seria uma adaptação da dor fundindo-se à erva, ao mesmo tempo a erva curando os dentes, e quando tirado da boca, a dor de dente indo embora junto com a erva.

O segundo encanto preserva alguns traços pagãos, mencionando a Lua Nova. Uma adaptação simples poderia pedir para a Lua Nova à cura pela dor de dente (acompanhado por uma oferenda), e toda vez chegar o dia de Lua Nova, agradeçendo pela cura. Cá entre nós, os cristãos gostam desse ar de "piedade e submissão", e devemos sempre nos lembrar que nossa religião é uma fé que acima de tudo prega a liberdade em todas as suas formas, e em momento algum devemos fazer como no encanto e se ajoelhar e dizer cinco vezes uma oração toda vez que ver a Lua. Não devemos fazer isso como um fardo, uma obrigação, e sim como um agradecimento pela generosa Lua que nos curou.

O terçeiro encanto talvez pode preservar alguns dos elementos pagãos, como carregar ossos ou partes de animais, porém, se analisarmos atentamente o encanto, ele se remete ao antigo milagre bíblico da mutiplicação de peixes e de pães, e não devemos usar isto em nossas práticas, uma vez que nossa fé nada tem a ver com isso. Talvez uma antiga e pagã versão deste encanto, ou uma possível adaptação aos nossos dias, seja carregar ossos ou partes de algum animal.

Continuando, o encantamento usa o poder da história para curar. Dizem que as lendas, os mitos, as histórias tem um poder e tal poder é "ativado" toda vez em que a história é contada. Quantas vezes quando você já escutou ou leu alguma história e sentia-se envolvido em toda aquela trama, sentindo a tensão, a emoção, a tristeza dos personagens? Esta prática é algo exclusivamente pagão. Uma possível adaptação (ou inspiração) seria você usar algum mito ou lenda que conte de algum deus curando outro mortal ou outro ser, e usar isso no feitiço, como por exemplo, 'Como Lugh curou as feridas de Cuchulainn, ele curará minha dor.'

Uma outra versão desse último encanto pode ser encontrado no livro Witchcraft and Second Sight in the Highlands and Island of Scotland, de John Gregorson Campbell. Para a adaptação, você pode usar a mesma teoria sugerida acima. A obra é um pouco antiga, então eu tentei deixar da forma mais legível possível, portanto, merece uma leitura com atenção.

Witchcraft and Second Sight in the Highlands and Island of Scotland, John Gregorson Campbell, página 69, "Encanto para Dor de Dente"

Não é difícil persuadir um homem com dor de dente que tente encontrar qualquer remédio que lhe ofereça a esperança de cura. Seria curioso se um encanto não fosse acessível. O escritor recuperou apenas uma parte da versão em Gaélico. O seguinte encanto em inglês foi obtido a dez anos atrás em Tiree [2], e provavelmente tem sua origem na Ilha de Man. É para ser tecido na roupa e usado pela pessoa e é dado para a pessoa quem o fez uma pequena consideração. É para ser feito no domingo e não necessita de pagamento. Se assim for feito, o encanto será inútil. A cópia é essa:

"Em nome do Senhor, Pedro sentou-se chorando em uma pedra de mármore, Cristo veio e perguntou o que faz Pedro chorar, e Pedro disse 'Oh Senhor meu deus, é minha dor de dente,' e o Senhor disse, 'Oh Pedro você será salvo e carregue essas linhas [3] em meu nome e nunca mais terá dor de novo, Cristo curará sua dor de dente.'

[Nota 2: Tiree, uma ilha escocêsa.]
[Nota 3: Linhas referindo-se as palavras.]

Uma outra versão deste mesmo encanto é encontrado no livro Gaelic Incantations, Charms and Blessings of the Hebrids, de William MacKenzie.

Gaelic Incantations, Charms and Blessings of the Hebrids, William MacKenzie, página 55, "A Dor de Dente"

Agora irei brevemente falar do encanto da dor de dente. A fórmula parece ser a mesma, ou substancialmente a mesma, em todos os países cristãos, e tem referência à São Pedro sentando-se em uma pedra de mármore sofrendo com a dor de dente, e o Senhor passando perto dele e o curando. As palavras desse encanto se encontram por todos os Highlands, mas é estranho dizer que eles raras vezes se encontram em gáelico. Isso é provavelmente devido ao fato de que os velhos Highlanders podem escrever gaélico. Mesmo em distritos onde o inglês é praticamente desconhecido para o velho povo, alguns usam esse encanto em inglês. Em Badenocht [4] ele é chamado de Toisgeal¹ e antigamente só era conhecido pelos poucos que alegavam curar dores de dente. As palavras eram escritas em um pequeno pedaço de papel, o papel era dobrado e entregue na mão do sofredor, que não podia abrir e nem ver o que estava escrito. O encanto era então costurado em alguma parte debaixo das vestes do doente, e era usado até a dor ir embora. Enquanto o papel durasse, a pessoa estaria imune da dor de dente! Se o sofredor tivesse curiosidade e lesse o que estava escrito na fórmula, contrariando o Encantador (Charmer), então o Toisgeal perderia sua virtude e a dor de dente poderia retornar a qualquer momento!

[Nota 4: Ou Badenoch, um distrito tradicional da Escócia.]

Como já notado, a fórmula é geralmente encontrada em Inglês. Aqui está a versão gaélica da Ilha de Barra: 

"Shuidh Peadar air Cloich Mharbhail. Thainig Chriosda ga ionnsaidh 's dh' fhoighnich e deth "de 'tha 'cur ort a Pheadair?" Labhair Peadar, "Mo Thighearna 's mo Dia, tha 'n Deideadh." Fhreagair [osa 's thuirt e, "Eirich suas, a Pheadair, 's bithidh tu slan; 's cha tusa sin a mhain ach duine sam bith a labhras na briathraibh so na m' ainmsa cha 'n fhairich e ciod e 'n Deideadh."

O texto seguinte é uma cópia da versão em inglês do eolas copiado em South Uist. Pode ser tido como uma tradução grosseira do texto acima, ou vice e versa:

"Pedro sentou-se em uma pedra de mármore chorando. Cristo veio e perguntou, 'O que te aflinge.' Pedro respondeu e disse, 'Meu Senhor e meu Deus, meu dente doente²', e o Senhor disse para ele, 'Levante-se Pedro - não apenas você, mas todos aqueles que carregarem essas linhas em meu nome nunca sentirão o que é a dor de dente. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo."

Uma versão em latim do texto acima, do manuscrito de Maclagan, foi publicado pelo Sr. Macbain em Highland Monthly (Volume III, 292). Como é substancialmente o mesmo de cima, eu anexarei aqui: -

¹ Toisgeal é obviamente uma corrupção da palavra soisgeal, um 'evangelho/doutrina'. De acordo com Crocker (Fairy Legends, pag. 360),  um 'evangelho' é o texto de uma Escritura escrita em uma maneira peculiar, e que é abençoado por um padre. É costurado em um pano vermelho e amarrado ao redor do pescoço como uma cura ou uma prevenção contra várias doenças.
² isto é, meu dente está doendo.  

"Petrus sedit ex marmorum lapis Dominus Noster venit et Dixit petrus quid te gravit, petrus respondit dominus Meus Caput et Dentes meos vexant me Dominus Noster Dicat surge petras salva tu nom solum tu sed etiam omnia qui teneant haec mea dicta per virtutem De haec verbis Dominus Noster et in ejus Nomine Dice tuns pestis nom moleste te Detri - Minius Patrus."

Aqui está uma versão irlandesa do Encanto da Dor de Dente, ou, como é chamado, Ortha an diaidh-fhiacal: -

"Chuidh Peadar go sruth for-lan.
Thainic Chriost os a Chionn,
"Cia'rd sin ort, a Pheadair?"
"O! m' fhiacail ata tinn."
"Eirigh, a Pheadair, a's bi slan,
Ni tusa acht feara Fail."

Aon Duine a gheillfeas na a dearfadh an ortha,
Ni beidheadh i n-diaigh na h-ortha diaigh in aon deud amhain.
An ainm an Athar agus an Mhic agus an Spiorad Naoimh.
Amem.

Traduzido. -

"São Pedro foi até um rio corrente,
Cristo foi ao seu encontro, e disse,
"O que te aflinge, Pedro?"
"Oh! minha dor de dente."
"Levante, Pedro, e ficará bom -
Não apenas você, mas também os homens de Innisfail."

Qualquer um que acreditar ou dizer esse Encantamento
Não terá dor de dente depois disso em nem mesmo um dente.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém."

Um camponês irlandês de Connemara tinha sua versão em inglês do Encanto da Dor de Dente. O seguinte, foi extraído de Galway: --

"Pedro sentou-se em uma pedra de mármore,
E para Deus ele fez seu lamento;
Cristo veio e perguntou, 'Do que se trata?'
'Oh! Meu Senhor Deus, uma dor de dente.'
'Levante-se Pedro, e não apenas você,
Mas qualquer um que acreditar nesse encanto,
Nunca será perturbado com uma dor de dente.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."

Em Orkney, a seguinte variação do Encantamento, e 'Linhas Wormie' - ' a minhoca' (o equivalente ao gaélico cnuimh) é o nome em Orkney para a dor de dente, e é usado dessa forma: -

"Pedro sentou chorando em uma pedra,
Cristo foi até ele dizendo, 'O que te faz lamentar?.
Pedro disse, 'Meu dente está doendo tanto.'
Cristo disse, 'Ela não te perturbará mais -
A dor e a minhoca fugirão,
E não lhe perturbarão mais."

Essas linhas eram escritos em um papel e usado pela pessoa.
Eu notei recentemente, da recitação de um arrendatário Eigg, um Encanto de Dor de Dente, que tem uma certa semelhança com o irlandes dado acima. Segue-se: --

"Labhair Callum-Cille nan Orth'
Ann an ordag dheas mo Righ -
Air chnuimh, air dheidh, air dheideadh -
Air dheideadh a' ghalar-chinn.
Labhair Peadair ri Seumas --
'Cha choisich, cha mharcaich,
Cha teid mi
Leis an deideadh a tha m' cheann.'
Labhair Criosda ris na h-Ostail -
'Cha bhi 'n deideadh is an Rann-s'
'S an aona cheann."

Traduzido: -

"Columba dos Encantamentos,
Fala no dedo direito do meu Rei -
Uma minhoca, uma dor, uma dor de dente -
Uma dor de dente, uma doença na cabeça.
Pedro fala para Tiago -
'Eu não andarei, eu não cavalgarei,
Eu não me moverei,
Até o fim da dor de dente em minha cabeça.'
Jesus disse para os Apóstolos -
'A dor de dente e esse Encantamento
Não existirão juntos em uma mesma cabeça.'

O Sr. Moore não dá a versão manês do Encanto. Ele, no entanto, dá a seguinte fórmula, que é para ser usada na mesma forma como o Toisgeal: -

"São Pedro foi ordenado um santo
Sentado em uma pedra de mármore,
Jesus foi até ele -
E disse para ele, 'Pedro, o que te faz tremer?'
Pedro respondeu, 'Meu Senhor e Mestre, é a dor de dente.'
Jesus disse, 'Levante-se e será curado, e mantenha essas palavras pela minha causa, e tu nunca mais será perturbado com a dor de dente.'"

Na base de Ben Marival, em North Uist, há um poço que é localmente conhecido como Tobar-Chuithiridh, que acredita-se curar a dor de dente. Pessoas que sofrem com isso ainda continuam visitando o adorável poço, e, de acordo com o antigo costume, deixando oferendas lá. Ajoelhados, eles bebem a água, repetindo as seguintes palavras: -

"Tha mise a' cromadh sios an ainm an Athar, a' Mhic, a' an Spioraid Naoimh; 's a dol a dh' fhàgail cradh mo chinn anns an tobar nach traogh an chaoidh. Amem."

Traduzido: -

"Eu me ajoelhei, em nome do Pai, Filho e Espírito Santo; e eu deixarei os tormentos da minha cabeça do poço, que nunca irá secar."

Acredita-se que certos poços em Knoydart possuem curas para dor de dente. Peregrinações são feitas até eles, e oferendas deixadas lá, como no caso em Tobar Chuithiridh.
Concluirei agora com um encanto para dor de dente de Shetland. Em seu estilo, ele tem uma semelhança aos Encantos dados acima. Segue-se: -

"A Finn came ow'r from Norraway¹
Fir ta pit toot'ache away --
Oot o' da flesh an' oot o' da bane,
Oot o' da sinew an' oot o' da skane,
Oot o' da skane an' into da stane,
An' dere may du remain!
An' dere may du remain!!
An' dere may du remain!!!"

Na página 124 do Volume III da Transactions of the Gaelic Society, eu dei um relato de [agora pula para um outro capítulo].

¹ O Sr. W. T. Denninson me informou que esse encantamento também era usado comumente em Orkney, porém, começa assim: -
"T'ree Finneman cam' fae der heem i' de sea,
Fae de weary worm de folk tae free,
An' dey s'all be paid wi' de white monie!"


Voltando as minhas análises:

Como eu disse anteriormente, estes últimos encantos usam o poder da história para curar, como já expliquei, portanto, devemos lembrar que a classe sacerdotal irlandesa, (os Celtas como um todo), não costumavam escrever. O hábito de escrita veio junto com os romanos, assim como os encantos citados acima. O toisgeal de forma alguma é pagã. Os poucos vestígios de paganismo são, como eu disse, as histórias como forma para curar e tais Encantamentos podem ter sido introduzidos na Irlanda e em outros países gáelicos com a "invasão" no Cristianismo. Você pode sim tecer um encanto "genuinamente pagão" com deuses pagãos, escrever direitinho, por na roupa, e até escreve-lo em irlandês, mas tenha sempre em mente que a escrita não é uma forma de "paganismo genuinamente gaélico."  Espero que tenham gostado do tópico e aprendido muito.

Bênçãos da Feiticeira-Curandeira

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Espíritos da Natureza

Para falar desse tema nos 30 dias druídicos, vou citar alguns exemplos de espíritos da natureza das tradições irlandesas e escocêsas, como os Fir Darrig e as Dançarinas Alegres. Aproveitem.

Daoine Sidh
Muito ao contrário da típica visão de que são fofos e pequenos, os daoine sidhe (seres da colina) são seres majestosos e imponentes. Podem fazer qualquer coisa, pois eles são os velhos deuses da Irlanda. Foram reduzidos à simplesmente 'fadas' com a chegada do Cristianismo e partiram com a chegada dos Milesianos para as colinas ocas (os sidhes), onde arruinaram as plantações, as frutas e azedavam o leite deles. Fazendo um acordo, ambas as partes mantêm-se em paz. São os mestres do Fith Fath (transformação e invisibilidade) e jamais, jamais os subestime.

Tropas de Fadas
Menos aristrocratas que os Daoine Sidhe, as tropas de fadas, ou as fadas de procissões, conhecidas também como Shee og ou Macara Shee (ou por um nome local), podem ser vistos certas noites do ano nas estradas carregando diversas coisas e bandeiras, como o Manês Homem Hog, que carrega toda a sua casa nas costas. Dizem que não se deve atravessar seu caminho quando eles estiverem passando ou construir uma casa na rota deles. Um amadan (Fada Boba) pode ser encontrado entre as tropas irlandesas. Apesar de serem palhaços, eles jamais ridicularizam os humanos, desde que não se metam com eles. Todavia, seu golpe pode causar loucura e paralizar qualquer membro com apenas simples toques.
Dançarinos Alegres
As noites, é possível ver alguns dançarinos entre os círculos de cogumelo e megalíticos, assim como nas auroras, conhecido também como 'Luzes do Norte'. É muito tentador se juntar aos Fir Chlir (os Dançarinos) em suas festas, mas é estremamente perigoso, pois sua dança pode levar os humanos à morte ou a loucura, ou passar séculos no Outromundo como se fossem apenas únicas noites.

Fadas de Pedra
Podem parecer apenas pedras frias sussurrando melancólicos sussuros na luz do dia, mas quando a luz do luar bate nas pedras, as pedras se transformam em lindas donzelas, nuas ou vestidas de cinza ou branco, e dançam com liberdade ao redor de suas pedras, e quando a alvorada chega, elas voltam á sua forma original novamente.

Fomoirè
Os Fomoire são uma raça de fadas semi-aquáticas, conhecidos também como Pirates ou Demônios do Mar. Eles governavam a Irlanda até a chegada dos Tuatha De Danann, sob o reinado de Balor (o primeiro rei deles foi Cichol). São descritos como seres horrendos, com um único olho, uma única perna e um único braço, porém, alguns como Elatha, são descritos como muito belo. Outros Fomoirè notáveis foi a guerreira Lot que tinham quatro olhos em suas costas e bocas situadas em seus seios; e o outro, Searbhan, o metade-homem.


Fír Bolg
Os Fír Bolg (Homens do Saco) são uma raça de deuses que fugiram da Trácia, onde eram escravizados, e vieram para a Irlanda. Se juntaram aos temíveis Fomoire para lutar contra os Tuatha Dé Danann, mas foram derrotados antes do reinado de Balor. Depois da derrota, foram viver nos pântanos da Irlanda, onde se tornaram os sapos, ratos, minhocas e carniças.

Changeling
Algumas fadas tem o hábito de roubar um bebê humano saudável e colocar em troca um bebê fada feio e doente. Às vezes, eles colocam no lugar um fada velho e feio que está apenas com o fith fath por algum tempo, mas depois revela-se sua verdadeira identidade. Na Irlanda, existiam diversos métodos para impedir que o bebê recém nascido fosse levado pelas fadas.


Stock
Os Stocks (trad. literalmente, 'bobo'), são adultos que foram levados para o mundo das fadas. Se não comerem, beberem ou dançaram com as fadas, sua saída de lá pode ser fácil, caso contrário, podem ficar lá para sempre, vivendo como parteiras, serventes e escravos. Eles desaparecem de suas camas sem deixar aviso. Caso sejam pessoas bonitas, os homens se tornam esposos de rainhas fadas e as mulheres se tornam esposas de reis fadas. O corpo físico da pessoa permanece imóvel na cama, similar ao estado de um morto. Para conhecer uma história desses casos, leia aqui.

Fir Darrig
Conhecidos também como Fer Dearg, Homem Vermelho ou Menino Rato, os Fir Darrig podem ser encontrados em variados locais com seus trapos de roupas extravagantes, como rios, de baixo de pontes, esgotos e lixeiras. Na Irlanda, eles entram mesmo sem ser convidado para dentro das casas e ficam com a família perto do fogo. Eles gostam de piadas incômodas, mas não são seres maliciosos. Ele gosta de conversar com humanos, especialmente se for pedir, porém deve-se ser cuidadoso quando falamos com eles, pois são especialmente contraditórios. Ele alega que já foi humano uma vez, preso no Outromundo, e te avisará do perigo de conversar com seres fadas. Ele também possui um Shillelag, uma vara de abrunheiro adornado com um crânio.


Urisk
O Urisk ou Ourisk, são estranhas criaturas que vagueam em rios silvestres e outros locais da Escócia. O Urisk não é um ser brincalhão ou perigoso, ele não quer nada além de uma simples conversa com os seres humanos. Quando eles vão entusiasmadamente ao encontro dos humanos para conversar, geralmente eles correm. Eles são similares aos Faunos gregos, e ficam sentados na beira de rios, sozinhos, ou conversando com alguma árvore gentil. É confundido com o Uirisg, porém, esse ser é mais desagradável e vive nas cachoeiras da Escócia.

Ghillie Dhu
Esse curioso ser valoriza a privacidade e não gosta de olhares intrusos. Seus hábitos e vestuário geralmente permite os se esconder entre as folhagens das árvores que frequentam. São extremamente cautelosos, podendo parecer até mesmo paranóia, quando se trata de humanos, considerando-nos intrusos indesejáveis. Caso se considere ameaçado por um ser humano, o Ghillie Dhu pode fazer as raízes e galhos das árvores se moverem e prender o ser humano, e uma vez que o homem está preso, o Ghillie Dhu foge. Em contraste, é dito que os Ghillie Dhu não prejudicam crianças humanas perdidas.

Fachan
Esta é uma desagradável criatura, tanto fisicamente quanto no comportamento. É também conhecido como Jack Perna de Pau, Direach ou Dithreach. Extremamente anti-social, os Fachans carregam em seu único braço, uma poderosa maça espinhosa. Ele possui uma única perna que pode corregarm incrivelmente rápido. É incerto dizer que ele é apenas um único indivíduo, ou se eles são vários. O Fachan é extreamemente feroz e está pronto para atacar os humanos sem muita provocação. Sua aparência é sugestiva da antiga memória de que os videntes Celtas ficavam de um pé só quando se conectavam com as forças do Outromundo. Eles possuem um colar de penas azuis ao redor do pescoço, ombros e nas costas.  Eles também carregam maçãs envenenadas.


Relvas da Perdição
Também conhecidos como Foidin Seachrain, esse tipo de fada é tão eficiente que o humano não percebe que encontrou com um até ser tarde demais. Sua aparência com moitas de grama e flores selvagens brotando de sua pele cor de solo pode facilmente fazer com que um humano pise neles. Isso não os machuca, mas os aborreçe profundamente causando uma grande reação mágica. A pessoa no instante se torna perdida e desorientada, mesmo que seja uma terra familiar. Ele faz com que a pessoa vagueie em círculos e o tira completamente do seu caminho, o deixando perdido. Esse encanto pode ser quebrado se a pessoa se virar ou esconder-se em seu casaco, apesar do feitiço poder durar por horas. Assobio também pode ajudar a quebrar o encantamento. Um súbito girar dos calcanhares ou até mesmo um enterro dos pés, pode apontar para a presença de um Foidin. Na Irlanda, pode haver uma ligação dessas criaturas com o Fear Gortach e a Grama Faminta. Estes são manchas de ervas daninhas na Irlanda que espalham doenças e desorientam os humanos, e alguns acreditam que isso é um mau fada, outros dizem que é apenas um humano enterrado naquele lugar.

Leprechaum
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Os Leprechaum são diminutos e estranhos homens pequeninos com um comportamento astuto. São famosos por realizar desejos, pois enterram ouro e sabem o paradeiro de outros tesouros. Eles são extremamente elegantes em seus trajes e são sapateiros por excelência, no entanto, seus talentos são um pouco inúteis, uma vez que eles apenas criarão um sapato, e não um par. O Leprechaum é inerentemente irlandês, mas pode seguir imigrantes humanos por todo o mundo.


Clauricaune
Também conhecidos como Clobhair Seann, o Clauricane se assemelha ao Leprechaum, e podem até serem de espécies iguais, diferentes apenas pelos hábitos e o habitat, e tem uma predileção em usar roupas com cores de ameixa, ao invés de verde. Estes pequeninos homens se tornam sentinelas das cavernas de vinho e cerveja. Aqui, eles manterão todas as garrafas e barris em ordem, evitando o vazamento e contaminação, e também expulsando intrusos. No entanto, eles tem uma grande predileção por bebidas, e se os donos não permitirem que os Clauricaunes entrem em sua adega, eles podem causar uma grande farra e desordem.

Brownie
Os Brownies são extreamente prodígios e temperamentais. Muitos possuem uma vasta gama de habilidades da casa, como ordenha, cozinhar, cuidar de bebês, dentre outras tarefas. São extremamente sensíveis e se ofendem rápido, e quando se sentem ofendidos ou explorados, eles nunca mais aparecem naquelas localidades novamente. As fêmeas (Maggy ou Peluda Meg Molach) são mais raramente vistas dos que os machos, que são muito paternais. Mamães Brownie vivem em chaminés e tem braços muito longos.

Phooka
Também conhecidos como Pucas, essas fadas operam em manadas, principalmente na Irlanda. São metamorfos e podem assumir a forma de cabras, porcos, macacos, cavalos, cães, morcegos e até mesmo águias. Uma Puca comum coloca sua vítima em suas costas e cavalga bruscamente até uma pilha de sujeiras, onde ela os deixa lá. Phookas também roubam, espalham doenças e abduzem crianças. Dizem que as Phookas de Ulster são as mais malévolas que se podem encontrar.
                              
Lunatisidhe
São os guardiões das árvores de abrunheiro, tem hábitos noturnos e adoradores da lua. Os Lunatishee odeiam os humanos pois estes cortam pedaços de suas árvores para fazer muletas, e adoram quando tem a oportunidade de espetar algum humano com os espinhos de suas árvores. Os Espíritos do Pilriteiro, conhecidos na Irlanda como Sidhe Og, podem tambem serem devotos da lua, e acredita-se que extremamente má sorte levar as flores do pilriteiro branco para casa.

Homem do Carvalho
Também conhecidos como Inifri Duir ou Bodachan na Croibhe Moire, são extremamente protetores de sua árvore, preferindo viver em carvalhos antigos e fortes. Se suas árvores forem podadas ou cortadas, eles podem procurar vingança.

Selkies
São seres que vestem peles de focas e são indistinguíveis entre elas. Podem ter relacionamentos com os humanos quando se despem de suas peles e se transformam em belas mulheres. Dessa união, dizem-se que nascem uma geração de pessoas com olhos e cabelos castanhos. (Eu descendo de Selkies, então). Se algum humano esconder ou prender a pele de determinada Selkie, tal ser não pode retornar para o mar. Podem viver toda uma vida terrestre, ter filhos, cuidar da casa, porém, sentem uma grande saudade de sua antiga vida marinha, e podem voltar quando quiserem. Elas tem uma grande simpatia, respeito e entendimento do mar. Tem uma aparência atrativa e só aparecem para aqueles que possuem a Segunda Visão (Clarividência).

Merrow
Os Merrows são distintos seres do mar irlandês. Os machos são descritos extremamente amigáveis, porém com uma aparência horrenda, e as fêmeas de beleza estonteante que se apaixonam por machos mortais.

Asray
São fadas às vezes encontradas na Escócia que são confinadas à água. Na luz do dia, elas ficam nas profundezas do mar, mas podem ser vistas da superfície ou nas noites iluminadas pela lua. São exclusivamente femininas e dotadas com uma estranha beleza. Alguns homens ficam com grande saudade quando vêem uma Asray, e tem o desejo de prendê-la. Se elas forem presas ou expostas a luz do sol, elas se transformam em poças de água. As Asrai podem ser vistas às vezes dançando na superfície do mar como vagas donzelas de brumas. O toque de uma Asray é suficiente para queimar ou enrugar a pele humana. As Asrai tem uma beleza delicada, quase transluzente, e são consideradas as brumas dançando na superfície do mar. Apesar de terem séculos de idade, permanecem com a beleza de jovens. Sua pele é pálida e às vezes apresentam tonalidades prateadas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Divindade e Crenças

Vou falar sobre 'Divindade e Crenças' dos 30 dias druidícos fazendo uma análise do mito 'A Chegada de Aengus e Bride', que você pode ver traduzido clicando aqui . É recomendado ler a história antes de ler esse post. Valendo a pena lembrar, que o que vou dizer aqui é pura GPN, baseado em minhas intuições, e em momento algum, você deve levar isso como uma verdade universal, pois o que funciona para mim, pode não funcionar para muitos.

Começando o texto, a história fala que a rainha Beira mantêm por todo o inverno em cativeiro em seu castelo na montanha uma linda princesa chamada 'Bríde'. Uma análise logo "de cara" seria uma coisa bem óbvia: a rainha do inverno prendendo os poderes da primavera (Bride) para que a primavera chegue tarde (ou nunca) e que ela possa reinar para sempre, ou por mais tempo. A lã marrom que Beira deu para Bride lavar é uma representação da terra seca de inverno, "e lave até ficar branco, disse Beira" , para limpar a terra até que ela fique boa novamente para o plantio, pois a primavera antes de tudo, era o momento do plantio das sementes para uma boa colheita no Lunasá. Bride não consegue limpar ainda a lã marrom, pois ainda sua hora não chegou, e a cachoeira da pedra vermelha pode ser uma alusão clara ao sol vermelho da manhã.

Depois disso, enquanto Bríde está lavando o pano, surge para ela o 'Pai Inverno', a verdadeira personificação do inverno, que consegue limpar a lã com três batidas no pano, e indica a Bride que seu reinado logo logo vai começar, e lhe dá três campanulas e diz à ela para avisar à Beira que elas vieram do prado de abeto e que as flores já estão começando a florescer novamente, mas uma prova, que o reinado da rainha Beira finalmente está acabando. O Pai Inverno aqui se apresente gentil e solidário, ao contrário da rainha Beira que é cruel e terrível, e isso acontece pois tudo na natureza tem duas polaridades: o fogo que aquece sua comida, pode também incendiar tua casa. E assim como toda a natureza, o inverno também teria suas polaridades: o pai inverno representando "a parte gentil" e Beira "a parte terrível". O pai Inverno só apareceria quando o reinado da Rainha Beira estivesse próximo do fim.

Nesse tempo, nas terras da juventude, Aengus sonha com a linda princesa Bride e parte a procura dela (como na história, 'O Sonho de Oengus'). Aengus parte para o Leste da Escócia, fazendo aqui, uma alusão clara do nascer do Sol, Aengus sendo a personificação do mesmo. "Ele estava vem vestes de ouro brilhante, e em seus ombros estava pendurado uma capa vermelha que o vento levantava e espalhava reluzente e em esplendor pelo céu". A capa vermelha representando o céu da alvorada, quando o Sol nasce e pinta o céu com tons de vermelho e rosa. Um bardo olha para o Leste e vê o Sol (Oengus) nascer, cantando uma poesia para ele.

Temos aqui então, 4 figuras centrais da história. Beira, o lado temível e cruel do Inverno, Bríde a rainha da primavera, Aengus, o Sol e Pai Inverno, o lado gentil do inverno, quando o mesmo está perto do fim. Logo, podemos observar que diferentes de algumas outras mitologias, nossos deuses não são deuses de, nossos deuses são as próprias coisas. Logo, Bríde não é a deusa da primavera, e sim A PRIMAVERA. Beira não é a deusa do inverno, ela é o INVERNO, assim como Oengus é a própria personificação do Sol. O mito em si relata a disputa entre o Sol contra o Inverno, e apesar de vermos rivalidade entre Oengus e Beira, temos que observar que ele é filho dela, logo o Sol é o filho do Inverno, similar na Wicca onde a Deusa do Inverno dá à luz ao Jovem Sol, ou como no mito de Eithne e Lugh: Eithne representando o inverno,a noite, o gelo, e Lugh, o Sol, apesar dele ser associado mais ao Sol de Agosto, junto com as tempestades.  A história prossegue com a disputa entre Cailleach e Aengus, e ela expulsando-o muitas vezes para as Ilhas do Oeste com seus ventos terríveis, até Cailleach ficar cansada e partir para as Ilhas do Oeste de onde bebe das águas do Poço da Juventude e fica jovem novamente. Aengus e Bríde, o Sol e a Primavera triunfam sobre o Inverno, e Cailleach adormece até o Outrono (ou fica jovem) até o Outono, e no fim do mesmo, aprisiona Bríde novamente em seu castelo, impedindo que as forças primaveris saiam. E assim, o ciclo é infinito, ele não acaba, como é na própria Natureza.
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Abençoados sejam e demos agora às boas vindas à Rainha Bride.

Feliz Imbolg!

Pois é, o dia de Brigit chegou!
Estou passando aqui para desejar a todos um feliz Imbolg, e que Brigid possa abençoar você, seu lar, sua família e seus amigos. Que as bênçãos dela recaiam sobre vocês!
Não pude fazer um ritual, pois meus pais estavam em casa :( maaaas, eu fiz muitos costumes associados ao dia .. fiz pure de batata *-* (hmmmm), fiz aqueeeeeela limpeza no meu quarto, pendurei o paninho na árvore e fiz a Cruz de Brigid, que não ficou muito bom :( tá, tá, eu tentei, mas não conseguia de jeito nenhum, rs o material usado foi tirinhas de papel. Como não encontrei palha ou qualquer outro material, fiz de papel mesmo! rs só depois me caiu a ficha que eu poderia fazer de canudos!
Enfim, aqui está a minha Crios Bhríde


E aproveitando para deixar um desenho que fiz de Brighit *-* não ficou mt bom, mas ainda to aprendendo!


Bênçãos Dela!