quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono


Introdução e informações preliminares

            Como já foi grandemente discutido por mim em outros textos aqui no blog, não há evidências firmes que afirmam que os antigos gaélicos tenham celebrado os solstícios e equinócios, pela pura falta de menção à esses nos mitos e por terem uma certa influência (supostamente...) estrangeira, normalmente anglo-saxônica, como é o caso do equinócio de outono que veremos mais para frente. Contudo, a presença de monumentos pré-históricos da Irlanda e Escócia que são alinhados com as datas dos solstícios e equinócios, como no caso do Loughcrew, na Irlanda, cujo interior é alinhado para ser iluminado com a luz do sol na manhã do equinócio de outono e de primavera, nos mostra que, ainda que não tenham sido de fato celebrados, os antigos gaélicos viam essas datas de grande importância astronômica, e possivelmente, religiosa.


            É importante falar também que, ainda que eu tenha unificado todas as celebrações a seguir neste único texto, sugerindo um caráter geral entre os antigos gaélicos, muitas celebrações gaélicas tinham um caráter puramente local, com suas tradições e datas divergindo dependendo do lugar onde eram observadas. No caso do Lugnasad, por exemplo, era celebrada a Feira de Tailtiu na atual cidade de Teltown, enquanto celebrações similares aconteciam no condado de Leinster, com a Feira de Carmun. Um outro exemplo que ilustra melhor isso são as celebrações que aconteciam no solstício de verão – enquanto que na Ilha de Man eram feitas oferendas para Manannán mac Lir, a Irlanda desconhecia essas celebrações, observando as festas de Áine na colina que leva o seu nome, conhecida atualmente como Knockaine.

Além disso, não existe uma conexão certa e clara entre as celebrações explicadas abaixo com a data do equinócio de outono propriamente dita, ainda que sua época supostamente esteja relacionada com tal, como o escocês Là Fhèill Mìcheil, que acontecia no dia 29 de setembro, próximo à data do equinócio de outono (21/22 de setembro, no hemisfério norte) e o An Clabhsúr na Irlanda e o manês Yn Meailley, cujos temas são voltados para o final da colheita, que acontecia por volta da época do outono, e na preparação para o início do inverno, o Samain. Também, é claro, pode-se supor que estas celebrações sejam oriundas das mais antigas festividades e tradições do Lugnasad, o início do outono e da estação da colheita, como supostamente aconteceu com as celebrações do Beltine e solstício de verão, e o Samain e solstício de inverno, sugerindo assim que as celebrações abaixo tenham sido originalmente observadas na própria data ou por volta do Lugnasad. Contudo, como o tema do final da colheita é recorrente, tal como a preparação para os meses de inverno que começavam no Samain (além de muitos pontos em comum que as três celebrações tinham), é provável que estas festividades remetam, de fato, à uma data próxima ao equinócio de outono.

Tendo essas informações em mente, podemos então prosseguir para uma explicação sobre as três celebrações que aconteciam nos três países gaélicos por volta da época do equinócio de outono, cujas festividades tinham uma ênfase muito forte na colheita, mais especificamente no último feixe de grãos que era colhido do campo (ao redor do qual muitas superstições e tradições estavam relacionadas), e em um banquete realizado para a família e para os ceifadores, usando os alimentos colhidos na própria ocasião, além da confecção das tradicionais bonecas de grãos e do “nó da colheita” (restrito apenas à algumas partes da Irlanda).  

As celebrações na Irlanda: An Clabhsúr

            Na Irlanda, mais especificamente no Condado de Kerry, a época do final da colheita era conhecido como An Clabhsúr ou O Clousúr (“O Encerramento”), sendo uma data móvel que dependia do clima e das colheitas em si.

            Os mais difundidos costumes estava centrado no último feixe de grãos que era colhido dos campos, cujas tradições variavam de acordo com o lugar. Durante o final da colheita, uma pequena parte das plantações eram deixadas por último enquanto os trabalhadores faziam o restante da colheita. Nessa pequena e última porção da plantação que restava, após todo o campo já ter sido colhido, habitava uma lebre que, segundo as lendas, era uma bruxa transformada para roubar a produção leiteira das vacas do fazendeiro. Quando finalmente então a última porção era colhida, o fazendeiro gritava “Nós lhe enviamos a lebre!” para outro fazendeiro que estava também fazendo a colheita em seus campos, com a finalidade de expulsar a lebre “azarada” de sua fazenda, e assim, a lebre azarada ia de fazenda em fazenda até chegar no último fazendeiro da região a fazer a sua colheita. Esse último feixe era chamado de cailleach, “velha” ou “bruxa”, e precisava ser cuidada pelo fazendeiro desafortunado até o ano seguinte.

Em relação ao último feixe de grãos de cada fazenda (sem ser o último da região), em algumas partes da Irlanda, as meninas eram convidadas a cortar este último feixe, e quem conseguisse colher com um único corte, se casaria dentro de um ano, enquanto que em outros lugares, a pessoa que fizesse a última colheita morreria solteira. Em algumas fazendas, a pessoa mais jovem da casa era chamada para fazer o corte, e em outros lugares, tirava-se na sorte. O último feixe era amarrado de forma diferente dos demais e era levado até a porta do dono da fazenda pela pessoa que o colheu, sendo borrifada água benta no feixe e no ceifador, garantindo uma proteção contra a seca no ano seguinte.

O último feixe de grãos (em todas as fazendas) era então mantido pelo fazendeiro na vacaria ou na casa, até o ano seguinte quando era substituído pelo último feixe da colheita seguinte. Acreditava-se que esse último feixe tinha poderes de cura do gado e os seus grãos podiam ser queimados para serem usados em uma pomada para doenças de pele. Seus grãos também podiam ser dados para as galinhas para garantir uma boa abundância de ovos ou eram usados em alguma receita no grande banquete da colheita, que é o que veremos a seguir.

Um banquete com a produção colhida era uma tradição de muitos lugares da Irlanda e da Ilha de Man (com algumas variações na Escócia), sendo o equivalente do Dia de Ação de Graças observado com variações em diversas partes do mundo. Esse banquete, normalmente um jantar, era realizado pela esposa do dono da fazenda, sendo oferecida em alguns casos para os trabalhadores que auxiliaram na colheita. O banquete acontecia na cozinha, mas em outras regiões também poderia ser realizado no celeiro, propriamente limpo e arrumado, decorado também com o último feixe. Muito provavelmente, o jantar consistia da produção obtida na colheita da própria fazenda, além de serem servidos gansos, galos e cordeiros (menos comum). No leste de Ulster, um banquete também era dado após a finalização da colheita do linho, e no sudoeste da província era dada a “Festa dos Stampy” após a colheita das batatas, cujo prato principal era o stampy – um tipo de pão feito com batatas.   

Dava-se uma atenção especial aos instrumentos da colheita, como as gadanhas, pás e foices, por exemplo. Antes de serem guardadas, uma vez que a colheita teoricamente já teria acabado, os instrumentos de corte eram cuidadosamente afiados para a colheita seguinte e até mesmo um encantamento conhecido como ortha an fhaoir, “encantamento do gume” era dito sobre tais instrumentos na hora da afiação. Depois de afiados, os instrumentos eram envolvidos em um tipo de peça em material para proteção ou eram envoltos por cordas de palha, e assim, devidamente guardados até o ano seguinte. Em Dingle e algumas partes da província de Connaught, os homens, após a colheita, levavam esses instrumentos para a cozinha e ameaçava destrui-los no fogo se as mulheres não preparassem uma boa refeição.

Um costume bem difundido em diferentes partes da Irlanda é o “nó da colheita” – um tipo de artesanato trançado feito com caules de grãos, como trigo e cevada. Homens e mulheres usavam estes nós pendurados em suas roupas durante o banquete, simbolizando que a colheita havia oficialmente acabado. Enquanto algumas partes da Irlanda atestam que esse costume seja estrangeiro, sendo trazido da Inglaterra e da Escócia, outras partes alegam que o “nó da colheita” é nativo da Irlanda. Similar a um costume encontrado na Ilha de Man, era elaborada uma boneca feita com feixes de grãos conhecida como calliagh, vestida como uma boneca comum e usadas na decoração do local onde as celebrações e os banquetes aconteceriam.

Por volta do dia 29 de setembro, no dia de São Miguel, começava-se também a estação da caça e a colheita das maçãs, assim como da caça aos gansos, que era chamada de Fomhar na nGéan, “colheita dos gansos”. A época também anunciava o encerramento da estação da pesca, e no Condado de Waterford, as famílias iam até o mar, onde atiravam uma boneca feita com algas chamada “Micil” (Miguel). Esse costume apresenta paralelos com outras oferendas feitas ao mar, com o objetivo de agradecer ou pedir por uma pesca farta.     

As celebrações na Escócia: Là Fhèill Mìcheil

            Na Escócia, o início do outono era marcado pelas festividades do dia de São Miguel, ou Là Fhèill Mìcheil, que acontecia no dia 29 de setembro.

            Não é de se espantar que, como o festival leva o nome de um santo grandemente associado com cavalos (e com o mar), a celebração mais notória era a corrida de cavalos, fato que deu mais um nome ao festival – Latha na Marchachd, ou “dia da equitação”. Em alguns locais, tais corridas eram realizadas na praia, tanto por homens como por mulheres, que não usavam nenhum instrumento de equitação, como selas e freios. Os homens montavam com as mulheres atrás de si, e um costume famoso e permitido era o roubo dos cavalos do vizinho na noite anterior à corrida, contando que fossem devolvidos no dia seguinte. Em algumas regiões da Escócia, os competidores iam até um certo cruzamento da região, davam três voltas no sentido horário e então voltavam para a aldeia.

            Os struans (ou strùthan), um tipo de pão doce, também eram uma parte importante da celebração. Eles eram feitos pelas mulheres com os grãos obtidos na colheita (normalmente aveia, cevada e centeio, os cereais mais comuns da Escócia e das Ilhas Hébridas) e eram dados de presente para os homens com quem cavalgaram e para cada membro da família e seus empregados. Sendo preparados na noite anterior ao festival, eles eram consumidos no café da manhã, acompanhado de carne de cordeiro, antes das corridas de cavalo acontecerem. Sua feitura era de muita importância, e como tal, muitas orações que eram ditas durante o seu preparo ou antes do consumo foram registradas, sugerindo que antigos ritos podem ter acontecido durante a sua execução. Quando os struans estavam cozidos, a pessoa que preparou quebrava um pedaço e jogava no fogo como uma oferenda para o Donas ou o Velho Chifrudo (o diabo), para que ele ficasse longe de sua família. Os struans podiam ter formas circulares com um buraco no centro ou no formato triangular (remetendo à uma vagina) ou à um formato de escudo (remetendo ao escudo de São Miguel), e a família que fizesse o primeiro struan da aldeia teria boa sorte nas próximas colheitas.

            A colheita das cenouras, que acontecia por volta da época do feriado de São Miguel, deu origem a diversos costumes relacionados com a sua colheita, e o domingo após o dia de São Miguel que era destinado à colheita das cenouras, acabou ficando conhecido como Domhnach Curran, “domingo das cenouras”. A colheita era normalmente feita por mulheres e meninas, sendo usadas para o preparo de receitas ou como presentes para os homens com quem cavalgaram, como os struans. Era costume dos homens roubar as cenouras enquanto as mulheres faziam sua colheita. Enquanto não é certo a origem ou o significado desse tradicional costume, as orações e cânticos associados com o presenteio e a colheita desses vegetais sugerem que tenham sido destinadas à prosperidade e fertilidade.

            Na noite do festival, haviam festas com muita diversão, músicas e danças. Assim como na Irlanda (na forma das bonecas e do último feixe de grãos), Cailleach é lembrada em uma dança que encena a sua morte e ressurreição. A dança, chamada Cailleach an Dudain, “Cailleach do Moinho” (no mito da Loucura de Suibhne uma personagem com esse mesmo nome aparece), é feita por um homem e uma mulher, que deita no chão após o homem bater com uma varinha em sua cabeça. Após imitar um lamento pela mulher ter morrido, o homem toca com a varinha em cada parte do corpo da mulher, que conforme vai sendo tocada, ganha vida e começa a se mexer até a mulher ficar inteiramente viva novamente. Enquanto que não está claro o verdadeiro significado da dança, é tentador comparar Cailleach com o espírito da vegetação que morre nesta época do ano e renasce na primavera. A estudiosa Annie Loughlin sugere que a varinha pode ser uma referência à arma usada pela Cailleach no início da primavera para impedir que a vegetação cresça. 

As celebrações na Ilha de Man: Yn Meailley

            As festividades outonais da Ilha de Man eram conhecidas como Yn Meailley, ou Yn Mheillea, “O Banquete dos Ceifadores”, que acontecia por volta do final da colheita, sendo, portanto, uma festa móvel tal como o An Clabhsúr na Irlanda. Diferente da Irlanda ou da Escócia, as celebrações da Ilha de Man são as que temos menos informações.

O termo “Yn Meailley”, além de ser usado para nomear o festival propriamente dito, também era usado para designar uma boneca feita nesse dia usando o último feixe de grãos da colheita e decorada com fitas, sendo então desfilada diante dos ceifadores em uma procissão. Outros autores, no entanto, chamam a boneca de Yn Moidyn, “A Donzela”, e contam que são feitas de palha e decoradas com flores e fitas. Essa boneca era desfilada pela “Rainha do Meailley”, uma menina (normalmente a mais jovem) eleita entre as ceifadoras, em uma procissão do campo até a parte mais alta do campo, onde era colocada e saudada. Uma outra boneca, feita também com parte do último feixe colhido, era chamada de Baban ny Mheillea, “Boneca da Colheita”, e era vestida com roupas femininas e deixada na chaminé da cozinha até a colheita seguinte, quando era substituída por outra boneca. Ainda que não sabemos o simbolismo dessa boneca, provavelmente ela tenha sido elaborada para representar o espírito da colheita.

Após a confecção e o desfile da boneca, os trabalhadores da fazenda e a família aproveitavam uma ceia, com grande alegria e diversão, dada pelo fazendeiro, assim como na Irlanda, tendo sido preparada usando a colheita da própria fazenda, muito provavelmente, e além disso, há menções de bacon, carne de carneiro, custard (um creme de ovos), tortas e mingau de leite e aveia, como partes do banquete. Após o banquete, frequentemente aconteciam danças, músicas e contação de histórias, e como a procissão da Yn Meailley caiu em desuso, o nome passou a designar apenas a ceia em si.  

Conclusão e sinopse dos costumes e práticas

            Com todas as informações citadas até aqui, podemos concluir que grande parte das celebrações estava centrada na colheita (seja a colheita das cenouras na Escócia, ou a de diferentes produtos na Irlanda, como a de batatas, cereais ou linho), logo, muitos costumes associados com o dia tinham uma inevitável conexão com ela – desde as superstições associadas com o último feixe dos campos até a confecção de uma boneca usando palha ou feixes de grãos colhidos. Como uma festa da colheita, também não é de se surpreender que o festival remeta à abundância e à fartura, sintetizando esses temas em um grande banquete dado pelo dono da fazenda para sua família e seus empregados. Assim, com o objetivo de sintetizar todas as informações dadas, segue uma sinopse dos costumes e práticas associadas com as celebrações citadas acima.  

1. A colheita da “cailleach”, o último feixe dos campos, na Irlanda, com a exposição deste na casa ou na vacaria ou para a cura do gado, problemas de pele e abundância de ovos;

2. A confecção de uma boneca, na Irlanda e na Ilha de Man, usando o último feixe colhido, vestida e decorada com fitas e flores, e deixada no lugar onde as celebrações aconteciam ou na cozinha;

3. A procissão da boneca da colheita, na Ilha de Man, sendo liderada pela “Rainha da Colheita” até o ponto mais alto dos campos;

4. O banquete da colheita, na Irlanda e Ilha de Man, com a produção da colheita das fazendas além de gansos, galos, cordeiros e stampys, na Irlanda, e bacon, tortas, carneiro, mingau de leite e aveia e custards na Ilha de Man.

5. O café da manhã, na Escócia, com os strùthan e carne de cordeiro;

6. A confecção dos “nós da colheita”, na Irlanda, usado por homens e mulheres durante o banquete da colheita para simbolizar que a colheita finalmente terminou;

7. O cuidado com os instrumentos da colheita, na Irlanda, com os homens afiando os instrumentos usados e deixando-os prontos para a próxima colheita, guardando os instrumentos com peças de madeira ou envolvendo-os em corda de palha;

8. A oferendas das bonecas de alga, na Irlanda, sendo jogadas no mar para simbolizar que a estação da pesca acabou;

9. As corridas de cavalo, na Escócia, junto com o roubo dos cavalos dos vizinhos. As corridas eram realizadas por homens que carregavam as mulheres atrás de si, iam até um certo cruzamento, davam três voltas no sentido horário e então voltavam para a aldeia;

10. A colheita das cenouras, na Escócia, feita pelas mulheres que depois davam de presente aos homens, como um desejo de fertilidade e abundância;

11. A feitura dos strùthans, na Escócia, feita pela dona de casa ou pelas mulheres para cada membro da família e para cada empregado que a casa possuísse. Eram moldados em formas circulares com um buraco no centro ou em formato triangular, e após prontos, um pedaço era ofertado no fogo pedindo a proteção e o bem estar da família;

12. A dança Cailleach an Dudain, na Escócia, com uma encenação musical da morte e renascimento da Cailleach, sendo realizada por duas pessoas, um homem e uma mulher;

13. Danças, músicas e contação de histórias, na Irlanda, Escócia e Man, durante o banquete da colheita ou nas celebrações da noite.

Sugestões para uma celebração moderna

            E por fim, eu não poderia encerrar esse texto sem minhas sugestões para uma celebração moderna, caso você ou seu grupo decidam celebrar os solstícios e equinócios. Enquanto que alguns costumes claramente são inviáveis nos dias de hoje, pelo simples fato de muitos de nós não vivermos mais em um ambiente rural ou costeiro, muitos outros podem ser observados ou simplesmente adaptados. Vale lembrar que, apesar de eu ter unificado todos os costumes de todos os três países gaélicos, você pode observar apenas os costumes que são inerentes à tradição que seguir, adotando somente os costumes irlandeses se o seu foco devocional for mais irlandês, por exemplo; mas claro, isso não é uma regra e fica unicamente ao seu critério. Seguem, então, sugestões para as suas celebrações, que podem ser usadas ou adaptadas por você, como uma fonte de inspiração.

1. Faça um feixe de grãos comprados, amarre-os com um laço e deixe no seu altar ou na sua cozinha até o ano seguinte, quando será substituído. Por outro lado, você também pode usar parte dos grãos para o preparo de alguma refeição servida no banquete (ver mais abaixo) ou queimá-los para obter um pó que será usado na confecção de uma pomada para problemas de pele. Esse costume é uma adaptação das práticas relacionadas com o último feixe colhido.

2. Faça uma boneca de palha ou de feixes de grãos, decore-a com roupas femininas, fitas e flores, e após pronta, deixe-a exposta na sua cozinha ou no seu altar até o ano seguinte, quando será substituída por uma nova. A procissão dessa boneca pela menina mais nova da sua família ou do grupo com quem você faz as suas celebrações pode se tornar parte de um rito.

3. Na noite do festival após as suas observâncias religiosas, faça um grande banquete para seus amigos, familiares e/ou membros do seu grupo. Tradicionalmente, cenouras, struans, cordeiro, ganso, galo, carneiro, cordeiro, bacon, tortas, maçãs, mingau de aveia e leite, custard, stampy e batatas faziam parte do banquete, mas você pode usar os vegetais que estão disponíveis na sua região por volta dessa época, tal como os rendimentos da sua horta caseira, caso tenha uma. Adaptações e/ou receitas usando os ingredientes mencionados também me parece apropriado.

4. Faça um ou mais “nós da colheita” para você e/ou os membros de sua família. Use-os presos nas suas roupas durante os ritos ou no banquete ou deixe-os no altar durante o ano. Para ver como fazer, clique aqui.

5. Faça struans na véspera do festival e coma-os com sua família na manhã do festival. Se quiser ou tiver disponibilidade, acompanhe com carne de cordeiro. Como era ofertado um pequeno pedaço de um struan pronto para o “diabo” no fogo onde foram assados, para mantê-lo longe da família, hoje podemos ofertar para Brigit (a deusa do fogo doméstico) ou alguma outra divindade que sentir apropriado (ver mais abaixo), pedindo pela proteção de sua família. Para ver uma receita de struan, clique aqui.

6. Compre cenouras e dê como presente para seu marido/esposa ou namorado/a como um desejo de fertilidade e abundância para ele/a, se estes compartilharem das suas mesmas crenças religiosas (sim, eu sei que esse é costume um tanto estranho...).

7. Já que não temos disponibilidade para corridas de cavalo, a praticante norte-americana Marcelle Cohen dá uma sugestão muito interessante para substituir: o “Marsali Ros”, como ela chama, que consiste de um jogo de tabuleiro para os amigos, elaborado por vocês mesmos, com uma base de papel firme com as “casas” desenhadas enquanto usa-se dados para descobrir quantas casas o “cavalo” andará. Essa pode ser uma prática muito interessante para aqueles que tem filhos e querem inclui-los em suas celebrações. 

8. A dança Cailleach an Dudain pode formar parte do rito, especialmente se você o celebrar em grupo. Duas pessoas podem fazer a atuação da dança (ver mais acima), enquanto o restante do grupo usa instrumentos para fazer a música.

9. A Cailleach é mencionada nas celebrações dos três países gaélicos, logo, me parece apropriado homenageá-la nesse festival, como o espírito das colheitas e como a deusa que começará seu reinado em breve, já que o equinócio de outono antecede o início da estação invernal. Como São Miguel é associado com o festival na Escócia e por ter relações com cavalos e mar, muitos praticantes acreditam ser apropriado honrar Manannan mac Lir neste dia, já que oferendas também eram feitas ao mar em uma parte da Irlanda. Além disso, Lugh (como o deus que ganhou as colheitas para seu povo no Lugnasad) e Tailtiu (a deusa da terra e das colheitas) também podem receber homenagens nesse dia, se assim quiser.

10. Divirta-se! Seja em uma festa ou no banquete dado, a diversão, o prazer e a alegria eram componentes indispensáveis em todas as celebrações gaélicas. Danças, música, contação de histórias podem e devem ser uma parte maravilhosa para suas celebrações. Permita-se!

Meus mais sinceros bons desejos para todos você e que suas celebrações sejam alegres, e suas colheitas, abundantes.
Go mbeannaí Lugh daoibh!            

Bibliografia

Site Irish Culture and Customs. “Putting out the hare, putting on the harvests knots”, por Bridget Haggerty. Disponível em: <http://www.irishcultureandcustoms.com/ACustom/AfterHarvest.html>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

HARRISON, William. Mona Miscellany: “The Mheillea or ‘Yn Meailley’. Disponível em: <http://www.isle-of-man.com/manxnotebook/manxsoc/msvol16/p144.htm>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

Site Gaol Naofa. “Ritual within Gaelic Polytheism”, por Treasa Ní Chonchobhair e Annie Loughlin. Disponível em: <http://www.gaolnaofa.org/articles/ritual-within-gaelic-polytheism/>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

MOORE, A. W. The Folklore of the Isle of Man: “Customs and Superstitions Connected with the Seasons”. Disponível em: <http://www.isle-of-man.com/manxnotebook/fulltext/folklore/ch06.htm>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

Site Tairis. “Là Fhèill Mìcheil”, por Annie Loughlin. Disponível em: <http://www.tairis.co.uk/festivals/la-fheill-micheil/>. Acesso em: 27 de agosto de 2017. 



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