domingo, 17 de setembro de 2017

A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall

Echtra Laegaire meic Crimthain
A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall[1]

Em uma época, Crimthann Cas era o rei de Connacht, a província que estava em uma assembleia próxima de Énloch, ou “O Lago do Pássaro”, em Magh nAei[2], ou “Planície de Aei.” Na noite em questão, o povo permaneceu reunido lá e quando eles se levantaram cedo pela manhã, viram um homem que vinha através da névoa em direção a eles: ele vestia um manto de cinco pregas, em sua mão estavam dois dardos com cinco extremidades, um escudo de aro dourado estava pendurado nele, em seu cinto estava uma espada de punho dourado e ele tinha um cabelo loiro atrás de si.


“Dai as boas vindas para aquele que vem até vós!” gritou Laeghaire Líbhán, filho de Crimthann, o mais nobre jovem que estava em Connacht, “Boas vindas ao guerreiro que não conhecemos!” ele disse para o estrangeiro, que respondeu: “Eu agradeço a todos.” “Por qual motivo tu vens?” Laeghaire perguntou e o outro disse: “Para implorar a força dos homens.” “De onde vens?” Ele respondeu: “Eu sou dos homens do sídhe[3]; Fiachna mac Retach é meu nome, e o problema é que minha esposa foi tirada de meu travesseiro, levada por Eochaid, o filho de Sál. Ele foi morto por mim em uma batalha marcada e ela foi para o filho de seu irmão: Goll, filho de Dalbh, que governa a fortaleza de Magh Meall[4]. Eu lhe dei sete batalhas, mas todas se foram contra mim; para este mesmo dia, outra batalha foi declarada por nós e eu venho para pedir ajuda. Para cada homem que concordar, eu darei uma boa soma de ouro e prata.” Com isso ele virou-se e foi embora.

“Não ajudar aquele homem é algo vergonhoso,” disse Laeghaire e cinquenta homens lutadores caminharam atrás dele, que mergulhou no lago e foi seguido pelos homens. Eles viram diante deles um forte lugar e uma companhia preparada para o combate de frente para eles. Ele, Fiachna mac Retach, continuou na frente deles e de frente à sua própria fortaleza, onde eles viram duas companhias. “De fato, está bom,” disse Laeghaire. “Eu me comprometerei contra o número de cinquenta guerreiros com o chefe do lado oposto.” “Eu lhe responderei,” disse Goll, filho de Dolbh.

Os cinquenta homens de ambos os lados caíram uns sobre os outros, e no final, após a queda de Goll com seus cinquenta homens, Laeghaire e os seus escaparam com vida. Então ‘a batalha foi travada entre eles,’ e eles fizeram um abate geral de seus inimigos. “Onde está a mulher?” Laeghaire perguntou e Fiachna disse, “Dentro do dún[5] de Magh Meall, rodeado por uma força.” “Esperai aqui enquanto eu vou com meus cinquenta homens,” Laeghaire disse e entrou para a fortaleza. Eles estavam prestes a tomar o forte e Laeghaire gritou para seus defensores: “Pouco será de seu benefício defendê-lo: seu rei caiu, seus nobres foram mortos; deixem então essa mulher sair, e em troca, sua segurança será concedida.” Isso então foi feito e, assim que saiu, ela pronunciou o que é conhecido como ‘o lamento da filha de Eochaid Amlabar.’

Laeghaire voltou com ela e colocou sua mão na de Fiachna. Naquela noite, Der Gréine ou ‘Donzela do Sol’, a filha de Fiachna, copulou com Laeghaire, e outras cinquenta mulheres copularam com seus laech[6] e eles viveram juntos durante um ano. Laeghaire então disse: “Vamos buscar notícias de nossa terra.” “Se voltardes,” Fiachna ordenou, “levai cavalos, mas de forma alguma desmontai deles.”

Isso então foi feito: eles seguiram em seu caminho e chegaram em uma grande assembleia em Connacht, e quando o ano chegou ao fim, os homens de lá lamentaram pelo bando de guerreiros supracitado, a quem só haviam percebido agora que estavam sobre eles (isto é, em terreno mais alto). Connacht saltou para encontrá-los, mas Laeghaire disse: “Não se aproximai para nos tocar: é para nos despedirmos que estamos aqui!” “Não me deixe!” Crimthann, seu pai, disse, “O poder real de Connacht será teu; sua prata e seu ouro, seus cavalos com suas rédeas e suas nobres mulheres ficarão ao seu critério, apenas não me deixe!”

Mas Laeghaire deu a volta e entrou novamente no sídhe, onde ele exercita um reinado conjunto com Fiachna, e ele ainda não saiu de lá.

Fonte: Silva Gadelica, volume 2. “Laeghaire mac Crimthann’s visit to the fairy realm of Magh Meall or ‘The Plains of Pleasure’, or, Fiachna’s Sídhe”, editado e traduzido por Standish O’Grady. Disponível em: <http://www.maryjones.us/ctexts/fiachnasidhe.html>. Acesso em: 22 de agosto de 2017.

Para acessar o arquivo em .pdf, clique aqui.



[1] Standish O’Grady traduz o título como mostrado, mas em irlandês médio “Echtra Laegaire meic Crimthainn” significaria simplesmente “A aventura de Laeghaire mac Crimthann”. Os echtrai eram um gênero literário onde um guerreiro normalmente viajava para o outro mundo. Os echtrai diferem dos imramma (“viagens”) por estes últimos mostrarem o acesso ao outro mundo através do mar. (Nota de tradução).
[2] O site “Oxford Dictionary” identifica a planície estando localizada no Condado de Roscommon. (N.T.)
[3] Colinas ou montes ocos dentro dos quais o povo das fadas (aes sídhe) vivem. (N.T.)
[4] Um dos locais do outro mundo. Standish O’Grady traduz como “Planície do Prazer”. (N.T.)
[5] Fortes antigos ou medievais, com características de um hillfort (tr. lit. como “forte da colina”), taludes de terra usados como refúgio e localizados em colinas pela sua posição estratégica. (N.T.)
[6] Palavra em irlandês antigo traduzida como “guerreiro”. (N.T.)

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