domingo, 27 de agosto de 2017

O cortejo de Cruinne e Macha

Tochmarc Cruinn ocus Macha
O cortejo de Cruinne e Macha

            Cruinne, filho de Agnomain, filho de Fer Ulad (isto é, Muredach do Pescoço Vermelho – Muiredach Muinderg), os Ulads[1] de Dal Fiatach[2] foram nomeados com seu nome, filho de Fiatach, filho de Fir Urmi, filho de Dare, filho de Dlutag, filho de Dedsin, filho de Echdach. Ele saiu de seu castelo em direção ao noroeste e viu uma mulher vindo em sua direção. Ele nunca tinha visto uma mulher tão bela quanto esta que ele encontrou. Eles se cumprimentaram. “Quem é a sua família, qual é teu país e qual é o teu nome, menina?” Cruinne disse. “Não lhe negarei isto,” disse ela. “Eu sou Macha, filha de Bruide, filho de Ceite, filho de Cruinniuc (ou ‘Cruinnchu’), filho de Delbaeth, filho de Nechtan, filho de Echach Garb, filho de Duach Temen, filho de Bres, filho de Elathan, filho de Delbaeth, filho de Neid, filho de Indeth, filho de Allach, filho de Tad, filho de Tabarn,” disse a menina. “Eu sou uma druidesa e dotada com poderes,” disse a menina. “Tu vives com um homem, menina?” Cruinne perguntou. “Não,” respondeu ela. “Tu dormirás comigo?” Cruinne perguntou. “Se os poderes mágicos de minha tribo forem permitidos,” respondeu Macha, filha de Bruide. “Certamente os permitirei,” disse Cruinne. Cruinne levou a menina consigo para sua casa e ela dormiu essa noite em sua cama.


            Ela ficou um ano com ele sem o conhecimento dos Ulads até ela visitar sua solene assembleia. Seus cavalos e seus meninos iam apostar. “Eles não sou louváveis,” disse Cruinne, “eu tenho uma mulher grávida que deixa os cavalos e os meninos para trás.” Conchobor ficou irritado com a fala de Cruinne. “Traga a mulher contigo!” Conchobor disse. “Não a trarei,” disse Cruinne. “Tu deves trazê-la ou perderás tua cabeça,” disse Conchobor. Cruinne foi para casa e contou essa história para Macha. Isto irritou Macha e ela foi com ele até Emain Macha. “ (...) eu, Conchobar,” disse Macha, “se tu fizeres, tu e teus descendentes se arrependerão para sempre.” Ela saltou para correr com os cavalos e os deixou para trás. “Agora que deixei os cavalos para trás,” disse Macha, “eu deixarei o ces Naiden[3] nos Ulads para sempre.” Macha dá a luz à dois filhos em um único parto. Macha morreu lá por conta da corrida.

            Até aqui está o cortejo de Cruinne e Macha.

Fonte: Disponível na obra “Berichte der Königliche Sächsische Gesellschaft der Wissenschaften, com a tradução de Ernst Windisch. A tradução do alemão para o inglês por Erik Stohellou pode ser encontrada no site “Celtic Literature Collective”, de Mary Jones. Disponível em: <http://sejh.pagesperso-orange.fr/keltia/version-en/noinden3-en.html>. Acesso em: 13 de agosto de 2017.

Para acessar o arquivo em .pdf, clique aqui




[1] Provavelmente se refere aos nativos de Ulaid (e mais especificamente, de Dál Fiatach), um reinado localizado no nordeste da Irlanda durante a Idade Média. Grande parte de seu território foi o que hoje é a província de Ulster. (Nota de tradução)
[2] Dál Fiatach era a designação dada à um grupo de dinastias e ao território que eles ocupavam na região de Ulaid, durante a Idade Média, e foi a principal dinastia que governou grande parte do território de Ulaid. (N.T.)
[3] Traduzido como “a debilidade dos nove” – uma desvantagem que os povos de Ulster adquiriram quando Macha os amaldiçoou após sua corrida para que todos tivessem “a força de uma mulher no trabalho de parto”, durante nove gerações. (N.T.)

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