terça-feira, 18 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas: Carmun

Poema/história 1
Carmun

1. Escutai, homens de Leinster dos túmulos,
Ó tropa que governa Raigne dos direitos santificados,
Até que vós obtenhais de mim, reunida em todas as mãos,
A nobre lenda de Carmun, alta em fama!

2. Carmun, local de encontro de uma feira hospitaleira,
Com relvados planos para corridas:
As tropas que costumavam vir para sua celebração
Conquistaram em suas brilhantes corridas.

3. Uma sepultura de reis é seu nobre cemitério,
Especialmente querido para as tropas de alta categoria;
Sob os montes das assembleias estão muitos
De sua tropa de uma linhagem sempre honrada.


4. Para lamentar rainhas e reis,
Para lamentar vinganças e maus feitos,
Vinham muitas nobres tropas na época da colheita
Para a nobre e esguia face da antiga Carmun.

5. Foram seus homens, ou um homem de poderosa proeza,
Ou uma mulher com uma impetuosa rivalidade,
Que ganhou um título de
[...]
Sem descrédito,
E deu seu nome para a nobre Carmun?

6. Não foram de seus homens, nem de um homem colérico,
Mas de uma saqueadora feroz –
Brilhante era seu recinto e sua fama –
Que Carmun ganhou seu nome no início.

7. Carmun, a esposa do filho do feroz Dibad,
Filho do correto hospitaleiro Doirche das tropas,
Filho de Ancgeis, rico em substância,
Foi uma líder com experiência em muitas batalhas.

8. Nenhum fornecimento de ganho os apazigou
Em seu ardente desejo pela nobre Banba;
Pois eles foram perpetuamente angustiados no Leste,
Os filhos do filho de Dibad, e sua mãe.

9. Eles viajaram para o oeste pela segunda vez
– Dian, Dub e Dothur –
Do Leste, da distante Atenas,
Eles e Carmun, sua mãe.

10. Nas fronteiras dos Tuatha De
O povo de um casamento hostil arruinou
O fruto de todas as terras na praia:
Era uma pilhagem medonha e ilegal.

11. Carmun, através de todos os feitiços famosos,
Destruiu a seiva de frutas gordas,
Depois da luta travada com todas as artes ilegais,
E os filhos, através da batalha e da ilegalidade.

12. Então os Tuatha De os perceberam;
O horror e a feiura os traíram
Pois para cada ato cruel que eles fizeram,
Os Tuatha De infligiram o número igual sobre eles.

13. Crichinbel – isto não é uma decepção!
E Lug Laebach, filho de Cacher
Be Chuilli, na qual eu irei sobre todos os campos de batalha
E Ai, filho de Ollam.

14. O quarteto austero, igualmente fortes,
Disse para eles quando os alcançaram,
“Uma mulher está aqui para igualar com a sua mãe,
Três homens para os três irmãos.”

15. “Morte para vocês – não tereis uma escolha,
Uma bênção, um desejo sortudo!
Ou se não, deixai com boa graça uma refém;
Parti de Erin os três apenas!”

16. Aqueles homens nos deixaram;
Meios severos foram encontrados para expulsá-los;
Apesar de parecer remoto para eles, deixaram aqui
Carmun – viva em sua cela estreita.

17. Todos os penhores foram dados para que isso fosse transgredido com segurança,
O mar com suas bestas, o céu, a terra com sua ordem brilhante,
Para que os fortes chefes não venham pelo sul
Enquanto o mar estiver ao redor de Erin.

18. Carmun, a morte e a saudade a levaram.
O aumento do pranto a visitou
Ela encontrou seu destino, como era certo,
Entre os carvalhos de túmulos fortes.

19. Para cá vieram, pelo deleite de sua beleza,
Para lamentar e erguer a primeira lamentação para ela,
Os Tuath De sobre essa planície nobre do leste:
Era para a primeira verdadeira feira de Carmun.

20. Quem cavou o túmulo de Carmun?
Vós aprendentes ou vós sabeis?
De acordo com o julgamento de cada ancião estimado
Foi Bres, filho de Eladu: escutai!

21. Cinco nobres centenas e quatro vintenas
De anos desde então – sem mentira!
De Carmun, uma cativeira sob tributo,
Até o nascimento de Jesus, cantado nos salmos, em forma humana.

22. Quatrocentos e trinta e dois
Desde o nascimento de Cristo – a contagem não é falsa!
Até Crimthand governar sobre a cativa Carmun
Até Patrício, grande e glorioso.

23. Trinta e cinco reis no leste sem uma maldição
Dos homens de Leinster diante da fé de Cristo;
O seu barulho alcançou Erin
A partir do teu porto de doces presságios, ó Carmun!

24. Cinquenta e cinco reis – estes são laboriosos –
Dos guerreiros da Cristandade
De Crimthann, alvo para feridas,
Até Diarmait Durgen, robusto e agradável.

25. Oito filhos de Galam, com o número de suas tropas,
Donn, Hir, Eber, Heremon,
Amairgen, o inconveniente Colptha,
Herech, Febria e Erennan:

26. Estas eram as garantias da Feira,
Ruidosamente aclamada em todas as estações,
Na chegada e na ida,
Sem qualquer hostilidade rude.

27. Dos Tuatha De até os filhos de Mil,
Foi um refúgio para nobres senhoras e homens principescos;
Dos filhos de Mil (isto é um fato claro),
Até Patrício de Ard Macha, foi um refúgio.

28. Céu, terra, sol, lua e mar,
Frutos da terra e do mar,
Bocas, orelhas, olhos, posses,
Pés, mãos e línguas de guerreiros.

29. Cavalos, espadas, nobres bigas,
Lanças, escudos e rostos de homens,
Orvalho, mastro1, brilho na folha,
Dia e noite, maré e vazante:

30. As tropas de Banba, livres de tristeza prolongada,
Deram todos estes completamente como garantias
Para que ela isto ficasse sob a tristeza das disputas
Para interrompê-la, a cada três anos.

31. Os Pagãos dos Gaélicos realizavam
Frequentemente com grande aclamação
Uma Feira, sem lei, sem pecado,
Sem ato de violência, sem impureza.

32. Povo do batismo de Cristo, não escondais!
Escutai a ele, pois é certo
Os homens merecem mais ainda uma maldição quando deixam
Cristo e o Cristianismo.

33. Rei e santos de Erin lá
Ao redor de Patrício e Crimthand:
Eram eles que verificavam cada briga;
Eles abençoaram a Feira.

34. Nove feiras antes da época dos Tuatha De
Sobre as fronteiras da bem famosa Carmun:
Cinquenta entre elesA, rapidamente,
De Herimon até Patrício.

35. Cinco vezes quarenta agradáveis,
Gloriosas feiras em sucessão
De Bresal Broenach sem traição
Até a feira final.

36. De Crimthand, puro de beleza,
Até a alta batalha da violenta Ocha
Nove certas feiras famosas sem divisão
Realizadas pela prole do heroico e gentil Labraid.

37. Dezesseis reis, sou certificado
Por cada sábio, cada loquaz shanachie2,
De Carmun dos portos sinuosos
A tropa trouxe para a poderosa feira.

38. Oito da populosa Dothra,
Uma tropa de fama, sempre vangloriada,
Devidamente realizaram a feira de Carmun
Com pompa e armas simples.

39. Doze com longa posse de um quinhão
Nas famosas feiras, eu concordo,
Eram da companhia de valor como um falcão
Nascidos da prole real do grande Maistiu.

40. Cinco da feroz Fid Gaibli
Reunidos sobre Carmun, alta em fama,
Uma feira bem abastecida com fileiras de homens,
Com selas, com rédeas.

41. Seis homens de Raigne das corridas,
Da prole de Bresal Brec, o castigador;
Um bando loiro para saques do oeste
Sobre a face de Carmun das centenas de feridas.

42. Patrício e Brigit juntos,
Caemgen e Columcille,
Eles eram a garantia contra cada tropa
De que ninguém ousaria atacar sua própria tropa de cavaleiros.

43. A feira dos santos em primeiro lugar,
Força para realizá-la e ordem para conduzi-la:
A feira dos altos reis com puro
[...]
É a próxima que vem em ordem.

44. O jogo do dia seguinte das mulheres de Leinster
Da tropa radiante – não é um falso ditado –
As mulheres não são de baixo apreço no exterior;
Este é o seu encontro, a terceira feira.

45. Os Laigsi, os Fothairt, duradoura é sua fama –
Sua vez era depois da parcela das mulheres:
Leinster com todos os seus tesouros é deles,
Os homens bravos colocados para protegê-los.

46. Por príncipes honrados, lá
Foi realizado o quinto jogo em Carmun:
As companhias honradas de Erin, no entanto,
Para eles foi firmemente prometida a sexta.

47. Finalmente, pelo Clann Condla, foi realizado
O jogo da bem protegida Carmun:
Nobre era o maciço além de cada tropa
Sobre cada triunfo e rendimento real.

48. Sete jogos, como foste ensinado,
Que é o comando que Patrício deixou,
Todos os dias por uma semana deixados de lado:
Por conta de sua amada fama, escutai constantemente!

49. Os homens de Leinster costumavam fazer dessa forma
Junto das tribos e das famílias,
Dos dias de Labraid Longsech, com números de tropas,
Até o poderoso Cathair das lanças vermelhas.

50. Cathair de Carmun não deixou nada
Além de sua poderosa prole:
Em sua cabeça, com riqueza especial,
Contempla a prole de Ros Failge!

51. O assento do nobre rei de Argatros
Na direita do agradável e modesto rei de Carmun;
Em sua esquerda, sem herança pobre,
O assento do rei de Gaible dos rebentos brilhantes.

52. Os Laigsi são descendentes da geração
Do poderoso Lugaid, filho de Conall Cendmor;
E os Fothairt, a quem a seca não visita,
Livres da pobreza para persegui-los.

53. Nas calendas de Agosto, livre de reprovação,
Eles iam para lá a cada três anos:
Eles faziam sete corridas, por um glorioso objeto,
Sete dias na semana.

54. Lá eles discutiriam com a luta da fala
As dívidas e tributos da província,
Cada decreto corretamente piedoso
A cada três anos, era estabelecido.

55. Grão, leite, paz, feliz tranquilidade,
Redes cheias, abundância do oceano,
Homens de barba cinza, chefes em amizade
Com tropas dominando Erin.

56. Cortejos, severa cobrança de dívidas,
Sátira, briga, má conduta,
Não são permitidos durante as corridas
[...]:
Esconder-se com um depósito, nem distração.

57. Nenhum homem indo para uma assembleia de mulheres,
Nem mulheres indo para uma assembleia de nobres e puros homens;
Quanto à fugas, não se ouvia lá,
Nem um segundo marido, nem uma segunda família.

58.  Aquele que transgredir a lei dos reis
Benen prescreveu firmemente para sempre
Que ele não prosperará em sua tribo,
Mas morrerá pelo seu pecado mortal.

59. Estes eram os grandes privilégios da Feira:
Trombetas, harpas, chifres de gargantas ocas,
Flautas, timpanistas incansáveis,
Poetas e músicos suaves.

60. Contos de Find e dos Fianna, um assunto inesgotável,
Saques, pilhagens, cortejos,
Tabletes e livros de conhecimentos,
Sátiras e rimas afiadas.

61. Provérbios, máximas, a Regra
E os ensinamentos verdadeiros de Fithal,
As baladas sombrias dos Dindsenchas para ti,
Os ensinamentos de Cairpre e Cormac;

62. As festas ao redor da poderosa Festa de Tara,
As feiras, ao redor da Feira de Emain;
Anais lá, isto é verdade;
Cada divisão na qual Erin foi dividida.

63. O conto da família de Tara, isto não é escasso,
O conhecimento de cada cantred3 em Erin,
A crônica das mulheres, contos de exércitos, conflitos,
Hospedarias, tabus e capturas.

64. O décuplo Testamento do centenário Cathair
Para sua correta e agradável prole real de estatura:
Atribui o patrimônio de cada homem como é dever,
Para que todos possam escutá-lo.

65. Flautas, violinos, animadores,
Tocadores de ossos, gaitas de foles,
Uma multidão medonha, barulhenta, profana,
Pessoas que guincham e gritam.

66. Eles mostram todos os seus esforços
Para o Rei da agitada Berba:
O rei, nobre e honrado,
Paga para cada arte a sua honra apropriada.

67. Contos de morte e assassinato, melodias de música;
Sincronizado exato da raça bondosa;
Sua linhagem real, uma bênção por Bregmag
Sua batalha e seu valor rígido.

68. Isto é o sinal para o interrompimento da Feira
Pela tropa afortunada e sempre alegre:
Que seja dado a eles, do Senhor,
A terra com seus frutos agradáveis!

69. [...] dos homens de Leinster no dia seguinte
O santo do maciço – não é uma bênção enganosa –
Sobre a água abençoada de Carmun, devotamente,
Missa, genuflexão, cântico dos salmos.

70. Um jejum era realizado no outono
Em Carmun, todos de uma vez,
Pelos homens de Leinster, não escassamente reunidos lá,
Contra o mal e a opressão.

71. Clérigos e leigos dos homens de Leinster lá,
Esposas de guerreiros, indubitavelmente,
Deus sabe o quanto eles mereceram,
Ele escuta suas nobres orações.

72. A hospitalidade de Ui Drona próxima,
E brigas de cavalo de Ossory,
E um grito dado com eixos de lança
Pela tropa lá – que é o final.

73. Embora nós a chamamos de Firt Mesca,
Isto não era zombaria nem malícia;
Ela e Sengarman, o torto, seu marido,
Foi lá que ela foi enterrada pela eternidade.

74. Até mesmo eles a chamavam
Entre as tropas cercadas;
Ela pertencia a eles, sem pobreza, e eles, à ela;
Ó homens de Leinster dos túmulos, escutai!

75. Vinte e um raths – sua fama perdura –
Onde repousa a tropa sob o céspede de terra,
E sua contagem de cemitérios bem famosos
Onde está o amado da nobre Carmun.

76. Setes montes próximos, não visitados,
Para a frequente lamentação dos mortos,
Sete planícies, cercanias sem uma casa,
Sob os jogos funerários de Carmun.

77. Três mercados ocupados na terra
O mercado da comida, o mercado do gado,
O grande mercado dos estrangeiros gregos,
Onde estavam ouro e finas vestes.

78. A inclinação dos cavalos, a inclinação do cozimento,
A inclinação das mulheres para a bordadura;
Nenhum homem da tropa dos barulhentos Gaedil
Vangloriava-se deles nem os insultavam.

79. Vem para negligenciá-la
Calvície, fraqueza, grisalhisse prematura,
Reis sem interesse ou alegria,
Sem hospitalidade ou verdade.

80. Vigorosa até agora tem sido a fúria
Das numerosas tropas da fortaleza de Labraid:
Cada tropa que não é agressiva é insípida,
Os homens os desafiam e eles não os desafiam.

81. Uma boas-vindas com a tropa celestial dos santos
Para mim, e com Deus, belo, nobre e gentil!
O Rei que abençoa as tropas que os governa;
Ele escuta cada súplica.  
         
Fonte: GWYNN, Edward J. The Metrical Dindshenchas: vol. 3. Disponível em: < http://celt.ucc.ie/published/T106500C/text001.html>. Acesso em: 16 de fevereiro de 2017.

Notas de rodapé originais

A. Sc. Erimon e Patrício.

Notas de tradução do inglês para o português

1. Mastro. De acordo com o site “Wikipédia”, “mastro” era o termo que designava qualquer fruta de árvores de floresta, como bolotas e nozes, ou ainda, o fruto da faia e de outras árvores dentro da família Fagaceae.

2. Shanachie. Ortografia inglesa para seanchaí, significando aquele que tem o “conhecimento antigo”, isto é, aquele encarregado de contar histórias, e fundamental para a manutenção da tradição oral dos antigos gaélicos.

3. Cantred. Era a denominação que se dava para a subdivisão de um condado, usada na Irlanda anglo-normanda nos séculos XIII-XV.


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