sábado, 15 de abril de 2017

Finn e o Homem na Árvore

Finn e o Homem na Árvore
Di Chetharslicht Athgabála
Senchas Mór

                Quanto a Finn Ua Baiscne, quando os fian estavam em Badamair nas margens do Suir, Cúldub, o filho de Ua Birgge, saiu do monte encantado na planície de Femen (os escoceses dizem) e levou embora a comida deles. Ele fez isso com eles por três noites. Na terceira vez, no entanto, Finn soube[1] e ficou diante dele no monte encantado em Femen. Finn o segurou quando ele entrava no monte de forma que ele caiu lá.[2] Quando ele tirou sua mão, uma mulher o encontrou[3] quando saía do monte com um recipiente gotejando em sua mão, tendo acabado de distribuir bebidas, e emperrou a porta contra o monte, fazendo com que Finn apertasse seu dedo entre a porta e a guarnição. Ele então colocou seu dedo na boca. Quando tirou, ele começou a cantar, o imbas o iluminou e disse [Segue agora uma ‘retórica’ intraduzível].

                Um tempo depois disso, eles (isto é, os fian) levaram uma prisioneira de Dún Iascaig[4] na terra de Dési. Eles levaram uma bela donzela. Finn desejou[5] a mulher para si mesmo. Ela se apaixonou pelo criado que eles tinham, Derg Corra, o filho de Ua Daigre, pois esta era a sua prática: quando estava cozinhando, o rapaz pulava de um lado para o outro através do fogo do cozimento. Foi por isso que a donzela o amou. Um dia ela lhe disse que ele deveria vir e se deitar com ela. Derg Corra não aceitou por conta de Finn.[6] Ela incitou Finn contra ele[7] e disse: “Vamos colocá-lo para fora à força!” Por isso, Finn lhe disse: “Saia daqui,” disse, “saia da minha vista e tu terás uma trégua de três dias e três noites, mas depois disso, cuidado comigo!”[8]

                Derg Corra então foi para o exílio e morou em um bosque, estando acostumado a andar sobre as pernas de cervos (se isso for verdade) pela sua leveza. Um dia, quando Finn estava no bosque o procurando, ele viu um homem na copa de uma árvore com um melro em seu ombro direito, na sua mão esquerda estava um vaso branco de bronze cheio de água com uma truta arisca nele, e um veado ao pé da árvore. Esta era a prática do homem: ao quebrar as nozes, ele dava metade do miolo de uma noz para o melro que estava em seu ombro direito enquanto ele próprio comia a outra metade; ele tirava uma maçã do vaso de bronze que estava em sua mão esquerda, a dividia em dois, atirava uma parte para o veado que estava no pé da árvore e então comia a outra metade ele mesmo. Ele bebia um gole d’água do vaso de bronze que estava em sua mão, de forma que ele, a truta, o veado e o melro bebiam juntos. Os seguidores de Finn então perguntaram quem era o homem que estava na árvore, pois eles não o reconheciam por conta da capa de disfarce que ele vestia.

                Finn então colocou seu dedo na boca. Ao tirar novamente, seu imbas o iluminou, ele cantou o encantamento e disse: “É Derg Corra, o filho de Ua Daigre,” disse, “que está na árvore.”     

Fonte: “Finn and the Man in the Tree” em “Revue Celtique”, vol. 25, Paris, Émile Bouillon (1904), pp. 344-349. Traduzido do irlandês para o inglês por Kuno Meyer. Disponível em: <http://www.ucc.ie/celt/published/T303012.html>. Acesso em: 15 de abril de 2014.  




[1] Eu considerei “norat” como a palavra em latim.
[2] Allda anall = alla anall, LL 88a 6, contraído para allánall, LU 84b 17.
[3] Fritninnle, de fris-indlin, com o –dn infixado, mas não sei o significado exato.
[4] Dún Iscaig para Siuir, Rev. Celt. 11, 242.
[5] Atecoboride parece conter alguma forma do verbo ad-cobraim.
[6] Atagegai (ela o desejou?) domnid do é obscuro para mim.
[7] Cotsáid, 3ª pessoa do singular do presente do indicativo com o pronome infixado de con-sáidim, substantivo verbal cossait.
[8] Fom-cialta-sa, 2ª pessoa do singular do imperativo de fo-ciallur.

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