segunda-feira, 20 de março de 2017

Feliz Latha na Cailleach!



Feliz Latha na Cailleach! Por volta do dia 25 de março é celebrado o Là na Caillich (ou Latha na Cailleach, “o Dia de Cailleach”) na Escócia. Apesar de termos pouquíssimas evidências para o festival sobre como ele era celebrado e outras características, este é o dia em que, tradicionalmente, Cailleach abaixa seu martelo, desistindo finalmente de tentar prolongar o seu reinado, dando espaço para a chegada da primavera. Enfraquecida e incapaz de prolongar o inverno, ela coloca seu martelo debaixo de uma árvore de azevinho e é transformada em pedra como punição pelas terríveis tempestades criadas para extender seu reinado, ou em outras tradições, ela viaja até a Ilha Verde no mar ocidental e bebe da Fonte da Juventude, voltando a ficar jovem novamente, envelhecendo até o outono, onde todo o ciclo recomeçaria.

                A conexão com o equinócio de primavera é quase certa, já que também nessa época as condições climáticas para a semeadura são um pouco mais propícias. Além disso, vale a pena lembrar também que o Loughcrew, na Irlanda, um importante lugar conectado com Cailleach, foi construído de forma que a luz solar da manhã do equinócio de primavera (e do outono também) penetrasse em seu interior, sugerindo novamente uma conexão entre a Cailleach, a primavera e esse dia astronômico importante. Enquanto não há nenhuma evidência firme que comprove que os gaélicos tenham celebrado os solstícios e equinócios (não há menção desses festivais na mitologia, por exemplo), evidências como esta nos mostra que, sem dúvidas, eles davam grande importância a esses dias.


                Curiosamente, na Irlanda temos o Dia de Sheela, também no dia 25 de março (ou no dia 18 de março, em outras fontes), sendo uma celebração à Sheela, que em algumas tradições é a mãe ou a esposa de São Patrício. O folclore e algumas tradições associadas com o dia também sugerem um caráter sazonal, como o fato de Sheela ser associada com as tempestades dessa época (assim como Cailleach na Escócia). Diz-se que nesse dia, Sheela pode ser vista caminhando na praia com seu longo vestido branco, sendo uma metáfora, talvez, para a neve, e há também uma referência à “escova de Sheela”, referindo-se às ferozes tempestades e nevascas que caem por volta do dia 18 de março (um dia após o Dia de S. Patrício). Sheela também nos faz lembrar de uma “personagem” bastante conhecida na Irlanda, a Síle na Gig e alguns estudiosos acreditam que Sheela possa ser uma “contraparte” irlandesa da Cailleach, devido as associações que ambas as divindades tem com a neve e com as tempestades que acontecem por volta dessa época do ano (no hemisfério norte, é claro).

                Podemos concluir então que, com as evidências apontando para um caráter sazonal e com as similaridades entre os dias de Sheela e de Cailleach, talvez essas relações não sejam meras coincidências. O fato de termos pouquíssimas evidências sobre a forma como esses dias eram celebrados nos deixa um pouco de mãos atadas ao tentar pensar em uma maneira de como celebrar em nossos dias. Hoje, no entanto, podemos fazer algumas ofertas para a Cailleach para que possamos nos despedir dela e de seu reinado, e dando as boas vindas à Brigit/Brìde e ao seu reinado primaveril. Separei alguns textos abaixo que abordam o tema de forma mais ampla, podendo nos dar alguns vislumbres sobre como celebrar esse dia nos dias de hoje e seja como for sua celebração, desejo a todos vocês um feliz Latha na Cailleach, e que todos possam ter recomeços mais propícios.

Là na Caillich, de Annie Loughlinn
Sheela’s Day, de Annie Loughlinn
Síla na Géige, de Kathryn Price NicDhàna  
Latha na Caillich – notes, de Annie Loughlinn
A Senhora da Inteligência Afiada, de John Gregorson Campbell, parte do The Scottish Historical Review, volume XII.   
Bruxas da Criação, de Eleanor Hull, parte de Legends and Traditions of the Cailleach Bheara or Old Woman (Hag) of Beare.
Beira, a Rainha do Inverno, de Donald A. Mackenzie, de seu livro “Wonder Tales from the Scottish Myth and Legends’
The Consecration of the Seed, de Alexander Camirchael, do seu livro “Carmina Gadelica, volume 1”

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