sábado, 1 de outubro de 2016

As provações irlandesas, a Aventura de Cormac na Terra da Promessa e a decisão sobre a espada de Cormac

As provações irlandesas, a Aventura de Cormac na Terra da Promessa e a decisão sobre a espada de Cormac
Scél na Fír Flatha, Echtra Chormaic i Tír Tairngiri
O Livro de Ballymote, O Livro Amarelo de Lecan

Introdução do tradutor do texto em irlandês, Whitley Stokes

                O texto do seguinte conto foi retirado de um fac-símile fotográfico do Livro de Ballymote, pp. 260b-263b, e de uma fotografia das colunas 889-898 do Livro Amarelo de Lecan. O primeiro manuscrito pertence à biblioteca da Royal Irish Academy, e o segundo, à biblioteca do Trinity College, Dublin. Ambos os manuscritos foram escritos por volta do final do século XIV e os erros comuns às porções agora impressas mostraram que eles derivam de uma mesma fonte. Uma história correspondente aos parágrafos 24-25 do seguinte texto é encontrada no Livro de Fermoy, um manuscrito do século XV da biblioteca da Royal Irish Academy, e uma recessão moderna dessa história foi impressa na Transactions of the Ossianic Society, vol. III, pp. 212-228, com uma tradução em inglês do Sr. S. H. O’Grady.


                Embora o texto agora publicado contém muitas palavras raras e brilha com uma certa beleza imaginária, ele é interessante a partir de um ponto de visto jurídico ao invés de filológico ou literário. Ele dá (nos parágrafos 11-55) o relato completo do agora existente conto das doze provações dos antigos irlandeses e descreve (nos parágrafos 65-78) o procedimento em uma petição para um móbil. W. M. Hennessy foi o primeiro a chamar a atenção dessas provações em Proceedings of the Royal Irish Academy, vol. X, pp. 34-43), onde os parágrafos 11, 15-24 foram impressos com as versões em inglês. Os parágrafos relacionados à ação judicial (parágrafos 65-78) foram traduzidos livremente por O’Curry em seu Manners and Customs of the Ancient Irish, vol. II, pp. 322-324. O’Curry também imprimiu, em sua Lectures on the Ms. Materials of Ancient Irish History, pp. 44, 510, o texto e a tradução dos parágrafos 1-7. E em 1871, Hennessy transcreveu a história completa a partir do Livro de Ballymote. Essa transcrição, que é acompanhada por uma versão em inglês, está agora em minha posse. A transcrição tem sido útil ao decifrar a escurecida fotografia do fac-símile. A versão está cheia de suposições infelizes e foi de pouca ou nenhuma ajuda.

Londres, 29 de setembro de 1890

                Era uma vez um nobre e ilustre rei que assumiu a soberania da Irlanda: seu nome era Cormac, o neto de Conn. Em seu tempo, o mundo era cheio de todas as coisas boas. Existiam árvores1, corpulências e frutos do mar. Havia paz, conforto e felicidade. Não havia assassinato e nem roubo nas estações e cada um habitava em seu próprio lugar.

                Uma vez os nobres dos irlandeses estavam bebendo na Festa de Tara com Cormac. Estes reis que estavam se divertindo na festa eram: Fergus o Dente-negro e Eochaid Gunnat, os dois reis de Ulster; Dunlang filho de Enna, o Herói, o rei de Leinster; Cormac Cas filho de Ailill Sem-orelha e Fiacha Grande-coroa filho de Eogan, os dois reis de Munster; Nia o Grande, filho de Lugaid Firtri, que era o filho da mãe de Cormac, e Aed filho de Eochaid filho de Conall, os dois reis de Connaught; Oengus Lança-sangrenta, rei de Bregia; Feradach filho de Asal filho de Conn, o Campeão, o rei de Meath.

                Naquela época, os irlandeses costumavam ir para as assembleias e grandes encontros da seguinte maneira: todo rei ia com sua túnica real e seu elmo dourado em sua cabeça, pois eles costumavam usar seus diademas reais apenas no campo de batalha. Cormac entrou esplendidamente naquele grande encontro, pois tirando Conaire filho de Etarscel, Conchobar filho de Cathbad ou Oengus filho do Dagda, sua beleza era incomparável. Distinta, de fato, era a aparência de Cormac naquele encontro.

                Sobre ele haviam tranças de cabelo loiro levemente cacheados. Ele carregava um escudo vermelho com gravuras e míla2 de ouro e o cume encurvado de prata. Lhe envolvendo estava um manto roxo (...) dobrado. Um broche dourado com joias estava em seu peito. Um colar de ouro em volta de sua garganta. Ele vestia uma camisa de capuz branco com enxertos vermelhos. Um cinto de ouro com gemas de pedras preciosas estava sobre ele. Ele calçava dois sapatos dourados com uma rede de fivelas douradas. Em sua mão carregava duas lanças de aro dourado com muitos fechos (?) de bronze. Ele estava, além disso, formoso, nobre, imaculado e sem desonra. Tu poderias julgar que uma chuva de pérolas tivesse sido lançada em seu rosto. Tu poderias jugar que sua boca era um cacho de bagas de sorveira. Mais branco que a neve era seu corpo nobremente formado. Suas bochechas eram como uma floresta-forcleA 3 ou como a dedaleira da montanha. Seus olhos eram como bluebells4 e suas sobrancelhas e pálpebras eram como o brilho de uma lâmina azul-escuro.

                Esta era então a forma e a aparência com as quais Cormac foi para o grande encontro dos homens de Erin, e eles viram que esta convenção era a mais nobre já realizada em Erin antes da chegada da Fé, pois as regras e leis que foram feitas naquele encontro perdurarão para sempre em Erin.

                Os nobres dos irlandeses declararam que todo homem devesse ser acomodado de acordo com o que lhe era devido, tanto reis como ollaves5, bobos, proprietários de terras, soldados e todas as classes além destas, pois eles estavam certos que a acomodação feita em Erin naquele encontro pelos homens de FodlaB perduraria para sempre. Os poetas em si tinham a judicatura desde a época que Amairgen Joelho-branco, o poeta, deu o primeiro julgamento em Erin até o diálogo dos dois sábios, Fercertne o Poeta e Nede filho de Adna, em Emain Macha, em relação às vestes do ofício dos ollaves. Para todos pareceu obscuro o discurso que os poetas proferiram naquela discussão, e a decisão legal que eles deram não ficou claro para os reis e para os outros poetas. “Estes homens,” disseram os reis, “tem seu julgamento, habilidadeC e conhecimento. Em primeiro lugar, nós não entendemos o que eles disseram.” “Bem, então,” disse Conor, “todos deverão ter sua parcela nesse lugar de hoje em diante, mas o julgamento que é apropriado para eles não passará (?). Todos terão sua parcela.” Os poetas então ficaram privados de seu poder judicial, salvo apenas aquele que era próprio deles, e todos os irlandeses tomaram sua parcela de judicatura: como existem os Julgamentos de Echaid filho de Luchta, os Julgamentos de Fachtna filho de Senchaid, os Julgamentos Incorretos de Carat-nia Tesctha, os Julgamentos de Morann Mac Main, os Julgamentos de Eogan filho de Durthacht, os Julgamentos de Doet Nemthenn, os Julgamentos de Brig Ambae e os Julgamentos de Diancecht concernente aos médicos.

                E embora estes assuntos já tivessem sido estabelecidos anteriormente, os nobres dos homens de Erin naquela época prescreveram a medida de advocacia e fala para todos de acordo com sua dignidade, conforme estão no Bretha Nemed.

                Não obstante, todo homem novamente invadia a profissão do outro, até aquele grande encontro ser realizado porD Cormac. Então novamente, naquele encontro eles separaram os homens de cada arte dos outros, e todos eles foram dispostos em sua própria arte.

                Os nobres dos homens de Erin estavam solicitando para que Cormac ordenasse o direito adequado para todos em Tech Midchuarta. Esta então foi a solução que Cormac deu: colocar no fogo o Caldeirão de Cinco punhos que estava em Tara – este era um coire aisicain ou ansire – e colocar suínos e bois dentro dele, cantando sobre ele um encantamento de senhores, poetas e feiticeiros.

                Era um caldeirão desse tipo que costumava ser antigo em cada hospedaria das hospedarias reais de Erin. O motivo dele ser chamado de coire aisic, “caldeirão da restituição”, era porque ele era entregue com a comida apropriada para cada companhia e depois retornava.

                No entanto, muita era a comida que cabia dentro dele e até a companhia adequada comer, seu conteúdo não poderia ser comido de forma alguma. Além disso, nenhuma carne cozida era encontrada dentro dele salvo apenas o que satisfaria a companhia, e a comida adequada para cada um era retirado de lá. Era esse tipo de caldeirão que Cormac tinha em Tara.

                Agora, cada um por vez foi levado até esse caldeirão e foi dado um garfo a todos. Então sua porção adequada vinhaE para cada um: uma coxa para um rei e para um poeta, as costas para um sábio literário, a tíbia para jovens senhores, cabeças para os cocheiros, ancas para as rainhas, e cada parcela apropriada além destas. Portanto, naquela assembleia a porção devida foi para todos.

                Além disso, as Doze ProvaçõesF foram divulgadas por eles. Estas eram as coisas que eles tinham para decidir se algo era verdadeiro ou falso, e aqui estão:

Os Três Colares de Morann Mac Máin;
O Machado6 de Mochta;
O Lançamento de Lote de Sencha;
O Recipiente de Badurn;
As Três Pedras Negras;
O Caldeirão da Verdade;
O Velho Lote de Sen filho de Aige;
O Ferro de Luchta;
A Espera no Altar;
A Taça de Cormac.

O Primeiro Colar de Morann Mac Main

                Morann filho de Carpre Cabeça-de-gato era da raça dos camponeses. Carpre Cabeça-de-gato assumiu o reinado da Irlanda e matou todos os nobres irlandeses, exceto três meninos chamado Corp Sem-orelha, Tibraite Tírech e Feradach Findchtnach, que foram tirados do ventre de suas mães e nascidos na Escócia. Carpre, o pai de Morann, tinha um focinho de gato, e cada filho que ele tinha costumava ter uma deformidade, e ele então o matava. Carpre tinha uma esposa famosa e de raça nobre. Ela lhe deu esse conselho: realizar a Festa de Tara e convidar os homens de Erin para que eles pudessem fazer uma oração para seus deuses para que assim, talvez, fosse lhe dado um filho útil. Ele deu a Festa e os irlandeses ficaram lá até o final de três meses, e em cada mês eles jejuavam e faziam uma oração para Deus para que uma prole próspera nascesse para Carpre e sua esposa. E isso então foi feito apesar dele ser um homem malvado. Sua esposa então engravidou e deu a luz à um menino que parecia estar coberto de seus ombros para cima com um capuz (?), pois ele não tinha boca e nenhuma outra abertura. A rainha disse: “Dei a luz à um mudo. Ele é igual (?) a seu outro filho. Esta é a benção dos irlandeses para seu inimigo, tu.” “Leve-o,” disse Carpre para seu mordomo, “amanhã para o atoleiro e o afogue.” Naquela noite, um homem dos montes das fadas apareceu para a mãe do menino e disse: “É para o mar que a criança deve ser levada, e que sua cabeça seja colocada na superfície até nove ondas o afogarem. O menino será nobre, ele será rei. ‘Morann’ será seu nome (ele era mór, ‘grande’ e find, ‘nobre’).”

                O mordomo foi chamado e ela lhe contou isso. O menino então foi levado até o mar e foi amarrado contra a superfície. Quando a nona onda veio sobre ele, a membrana que cobria sua cabeça se separou e formou um colar em seus dois ombros. Depois disso, ele cantou uma canção:

“Cultuem, vós mortais,
Deus sobre o belo mundo!
(…) (…)
(…) em que é um festival com alegria
Com meu Deus clemente,
Que moldou sobre as nuvens uma casa celestial.”

                O mordomo não matou o menino e não ousou levá-lo com ele, temendo o rei. Ele então o entregou para o vaqueiro do rei. Ele foi para casa e contou aquilo para o rei e a rainha, e o rei julgava que o menino devia ser morto. O rei disse que uma maen (traição) viria do menino. Por isso, ele, o filho de Carpre Cennchait, é chamado de ‘Morann mac Main’. Uma cobertura de ouro e prata foi feita por cima da membrana, e ela se tornou o “Colar de Morann mac Main”. Se o colar fosse colocado no pescoço de alguém que fosse culpado, o colar o estrangularia. Se, no entanto, ele fosse inocente, o colar se expandiria e cairia no chão.

O Segundo Colar de Morann Mac Main

                Morann tinha outro colar, um aro parecido com uma argola de madeira. Ele conseguiu esse aro de Ochamon o Bobo em Síd ArfeminG, pois ele o enviou para os montes das fadas e de lá Ochamon trouxe o pequeno colar. Ele viu nos montes das fadas que esta coisa era usada para distinguir a verdade e a mentira. Esse colar costumava ser colocado ao redor do pé ou mão de da pessoa acusada, e se esta pessoa fosse falsa, o colar se fecharia e cortaria seu pé ou sua mão, mas se fosse inocente, ele não se estreitaria.

O Terceiro Colar de Morann Mac Main

                Existia outro Sín Morainn, ‘Colar de Morann’. Morann dos Grandes Julgamentos foi até Paulo o Apóstolo, obteve dele uma epístola e a usou ao redor de seu pescoço. Quando Morann deixou Paulo e foi para sua fortaleza, ele encontrou-se com uma de suas criadas no portão. Quando ela viu a epístola ao redor de seu pescoço, perguntou: “Que colar (sín) é esse, ó Morann?” “Verdadeiramente,” disse Caimmin o Bobo, “de hoje até o dia final ele será chamado de Sín Morainn (o Colar de Morann).”

                Quando Morann dava o julgamento, ele colocava a epístola ao redor de seu pescoço e então nunca proferia uma falsidade.

O Machado6 de Mochta

                Era um machado de bronze que Mochta o Feitor possuía. Costumava-se colocá-lo em uma fogueira de espinheiro-negro até seu ferro acalorar e a língua do acusado era passada sobre ele.H O falso queimava e o inocente, não.

O Lançamento de Lote de Sencha

                Que era um lançamento de lotes que Sencha filho de Ailill praticava. Ele costumava jogar dois lotes no fogo, um lote para o rei e um para o acusado. Se o acusado fosse culpado, o lote jogado fenderia sua palma. Se, no entanto, ele fosse inocente, seu lote seria jogado sem atingi-lo. Era feito assim: um encantamento do poeta era recitado sobre os lotes.

O Recipiente de Badurn

                Badurn é o nome de um rei. Sua esposa foi até um poço e lá ela viu duas mulheres dos montes das fadas com uma corrente de bronze entre elas. Quando elas viram a mulher indo em direção ao poço, elas entraram lá. Ela então as seguiu dentro do poço e em um monte das fadas ela viu uma maravilhosa provação, um recipiente de cristal. Se um homem proferisse três palavras falsas sob o recipiente, ele quebraria em três partes em sua mão. Se um homem proferisse três palavras verdadeiras sob o recipiente, ele se uniria novamente. A esposa de Badurn então implorou por aquele recipiente do povo do monte das fadas. O recipiente foi dado a ela. Era esse então o recipiente que Badurn tinha para distinguir a verdade e a mentira.

As Três Pedras Negras

                Que é, um balse preenchido com lama do pântano, carvão e todo tipo de coisas pretas. Três pedras eram colocadas no balde: uma branca, uma preta e uma malhada. O acusado então colocava sua mão dentro dele e se a verdade estivesse consigo, ele ergueria uma pedra branca. Se ele fosse falso, ergueria uma pedra preta. Se ele fosse meio culpado, ergueria a pedra malhada.

O Caldeirão da Verdade

                Que é, um recipiente de prata e ouro que eles tinham para distinguir a verdade e a mentira. Água era aquecida nele até ferver e então, a mão da pessoa acusada era mergulhada lá. Se ele fosse culpado, a mão ficaria escaldada, mas se ele fosse inocente, nenhum mal aconteceria com ele. Estes eram as três coisas mais usadas pelos pagãos: o Caldeirão da Verdade, o Igual Lançamento de Lotes e a Espera em um Altar. Consequentemente, a prática de lançar relicários ainda se desenvolveu com os gaélicos.

O Velho Lote de Sen

                Que é, o lançamento de lotes de Sen filho de Aige, que é arremessar três lotes na água: o lote do senhor, o lote do ollaves e o lote do acusado. Se o acusado fosse culpado, seu lote afundaria. Se, no entanto, ele fosse inocente, o lote boiaria.

O Ferro de Luchta

Luchta o feiticeiro foi estudar na Bretanha e lá ele viu uma coisa estranha usada para discernir a verdade e a mentira: um ferro era consagrado pelos feiticeiros e lançado ao fogo até acalorar, e então, era colocado na palma do acusado. Se a culpa estivesse com ele, o ferro o queimava, mas se o ferro não o machucasse, ele era inocente. Depois disso Luchta lhes contou que isso seria necessário “para nós, os homens de Erin,” disse ele, “para distinguir a verdade e a mentira”. Luchta posteriormente trouxe com ele seu ferro consagrado e este era usado para distinguir a verdade e a mentira. Desde então, a provação do ferro consagrado ainda é continuamente praticadaI pelos gaélicos.

A Espera no Altar

                Que é, uma prova que eles usavam naquela época para distinguir a verdade e a mentira: a Espera no Altar, que é, rodear os altares nove vezes e posteriormente beber água na qual um feiticeiro tenha proferido um encantamento. Se o acusado fosse culpado, o sinal de seu pecado se manifestaria sobre ele, mas se fosse inocente, a água não o faria mal. Cai Cainbrethach – o pupilo de Fenius Farsaid, o décimo segundo ou septuagésimo segundo discípulo da escola em que Fenius coletou dos gregos a fim de aprender as muitas línguas dos países do mundo – e foi Cai que trouxe essa provação da terra de Israel quando ele foi até os Tuath Déa, ele aprendeu as leis de Moisés e foi ele que deu os julgamentos na escola após ela ter sido reunida de todos os lados e foi ele quem ordenou o “Julgamento de Cai”. Foi este mesmo Cai, aliás, que ordenou em Erin a Lei dos Quatro Caminhos, pois apenas dois da escola vieram para Erin: Amergin Joelho-branco o poeta, e Cai o juiz. Cai permaneceu em Erin até ter ultrapassado nove gerações, em consequência da integridade de seus julgamentos, pois os julgamentos que ele dava eram os julgamentos da Lei de Moisés, e, portanto, os julgamentos da Lei são bastante abundantes no Fénechas.J Estes eram os julgamentos da Lei de Moisés que então serviam para Cormac.

A Taça de Cormac

                A própria taça de Cormac era uma taça de ouro. A forma como ela tinha sido encontrada foi:

                Um dia, em um amanhecer de maio, Cormac neto de Conn, estava sozinho em Múr Tea em Tara. Ele viu vindo em direção a ele um guerreiro calmo (?) de cabelos grisalhos. Ele usava um manto roxo franjado. Ele usava uma camisa estriada com fios de ouro próxima à sua pele. Dois bruscos sapatos de bronze branco estavam entre seus pés e a terra. Ele tinha um ramo de prata com três maçãs douradas em seu ombro. Escutar a música feita pelo ramo era um prazer e diversão por si só, pois os homens feridos, mulheres no parto ou pessoas com doenças adormeciam com a melodia produzida pelo ramo ao ser sacudido.

                O guerreiro saudou Cormac. Cormac o saudou.

                “De onde vens, ó guerreiro?” disse Cormac. “De uma terra,” ele respondeu, “onde não há nada além da verdade, onde não há velhice, decadência, melancolia, tristeza, inveja, ciúme, ódio e nem arrogância.” “Não é assim conosco,” disse Cormac. “Lhe pergunto, ó guerreiro: devemos fazer uma aliança?” “Ficaria muito agradado em fazer,” disse o guerreiro. Então a aliança deles foi feita. “Dê-me o ramo!” disse Cormac. “Lhe darei,” disse o guerreiro, “se os três benefícios que eu lhe pedir em Tara forem garantidos para mim em troca.” “Serão garantidos,” disse Cormac. O guerreiro então fez Cormac prometer, deixou o ramo com ele e foi embora, e Cormac não sabia para onde ele tinha ido.

                Cormac voltou para o palácio e sua família se maravilhou com o ramo. Cormac o sacudiu para eles e os colocou em um sono desde aquela hora até a mesma hora do dia seguinte.

                No final de um ano, o guerreiro veio para seu encontro e perguntou à Cormac a consideração pelo seu ramo. “Será dado,” disse Cormac. “Eu levarei tua filha Ailbe hoje,” disse o guerreiro.

                Ele então levou a menina consigo. As mulheres de Tara proferiram três altos gritos pela filha do rei de Erin, mas Cormac sacudiu o ramo nelas e baniu a dor de todas, colocando-as para dormir.

                Naquele dia do mês, o guerreiro veio e levou consigo Carpre Lifechair (o filho de Cormac). O choro e tristeza não cessaram em Tara pelo menino, e naquela noite, ninguém lá dentro comeu ou dormiu devido à dor e a grande tristeza que sentiam. Cormac sacudiu o ramo neles e sua tristeza foi embora.

                O mesmo guerreiro voltou. “O que pedes hoje?” disse Cormac. “Tua esposa,” disse ele, “Ethne dos Longos-flancos, a filha de Dunlang, o rei de Leinster.”

                Ele então levou a mulher consigo.

                Isso Cormac não suportou. Ele foi atrás deles e todos seguiram Cormac. Uma grande névoa veio sobre eles no meio da planície do muro e Cormac viu-se sozinho em uma grande planície. Havia uma grande fortaleza no meio da planície com um muro de bronze ao seu redor. Na fortaleza exista uma casa de prata branca e metade de seu telhado era composto de asas de aves brancas. Uma tropa de cavaleiros das fadas estava visitando a casa, com o seu colo cheio de asas de aves brancas em seu peito para cobrir o telhado da casa. Um sopro de vento vinha e levava embora toda a cobertura que tinha sido colocada.

                Ele então viu um homem acendendo um fogo e lançando um carvalho de tronco grosso nele, copa e raiz. Quando o homem vinha novamente com outro carvalho, o primeiro carvalho já havia sido consumido pelo fogo.

                Ele depois viu outra fortaleza, grande e real, com outro muro de bronze ao seu redor. Lá dentro estavam quatro casas. Ele entrou na fortaleza e viu o vasto palácio com suas vigas de bronze, sua cerca7 de prata e sua cobertura de asas de aves brancas.

                Ele depois viu uma fonte brilhante em um pátio, com cinco rios saindo dela com as tropas se revezando para beber sua água. Nove aveleiras de Buan cresciam sobre o poço. As aveleiras roxas soltavam suas avelãs na fonte, os salmões que estavam nela as abriam e mandavam suas cascas fluírem rio abaixo. O som da queda daqueles rios era mais melodioso que qualquer música que os homens cantam.

                Ele entrou no palácio e lá dentro estava um casal esperando por ele. A imagem do guerreiro era distinta pela beleza de sua aparência, graciosidade de sua forma e a maravilha de seu semblante. A menina que estava com ele era crescida, loira, usava um elmo dourado e era a mais adorável mulher do mundo. Seus pés eram lavados sem ser observados. O banho na partição não era feito por ninguém, e as pedras aquecidas entravam e saiam da água por conta própria.

                Cormac banhou-se depois disso.

                Enquanto estavam lá após a nona hora do dia, eles viram um homem indo em direção a eles na casa. Ele tinha uma machadinha em sua mão direita, uma tora em sua mão esquerda e um porco atrás dele.

                “É hora de se aprontar,” disse o guerreiro, “pois um nobre convidado está aqui.”

                O homem atingiu o porco e o matou. Ele fendeu sua tora de forma que se separou em três partes. O porco foi lançado no caldeirão.

                “É tempo de virar o porco,” disse o guerreiro. “Isso será inútil,” disse o cozinheiro, “pois o porco nunca foi e nunca será cozido até que uma verdade seja contada para cada quarta parte dele.”

                “Então,” o guerreiro disse, “conta-nos tu primeiro.”

                “Um dia,” disse ele, “enquanto passeava pela minha terra encontrei as vacas de outro homem e as trouxe comigo para o curral. O dono das vacas me seguiu e disse-me que daria uma recompensa se eu soltasse as vacas. Eu dei-lhe as vacas e ele me deu um porco, um machado e uma tora; o porco é para ser abatido toda noite, a tora é para ser partida com o machado e haverá lenha suficiente para cozinhar o porco, que será suficiente para o palácio. E, além disso, o porco estará vivo na manhã seguinte e a tora, inteira. E desde então, até hoje eles estão dessa forma.”

                “Verdadeira, de fato, é esta história,” disse o guerreiro.

                O porco foi girado no caldeirão e apenas um quarto dele foi cozido.

                “Conte-nos outro conto verdadeiro,” disseram eles.

                “Contarei,” disse o guerreiro. “O tempo de arar tinha chegado. Quando desejamos arar aquele campo ali fora, encontramo-lo arado, gradado e semeado com trigo. Quando desejamos colher, encontramos a colheita feita e empilhada no campo. Quando desejamos tirá-las daquele lugar, encontramo-las no pátio empilhadas. Nós estamos consumindo-as desde então; mas não há particular maior ou menor.”

                O porco então foi girado no caldeirão e outro quarto dele foi cozido.

                “Agora é minha vez,” disse a mulher. “Eu tenho sete vacas,” disse ela, “e sete ovelhas. O leite das sete vacas é o suficiente para o povo da Terra da Promessa. Da lã das sete ovelhas vem toda as vestimentas que eles solicitam.”

                Com essa história, o terceiro quarto do porco foi cozido.

                “Agora é tua vez,” eles disseram para Cormac.

                Cormac então contou como sua esposa, seu filho e sua filha foram tirados dele e como ele os tinha procurado até chegar naquela casa. Com isso, o porco inteiro foi cozido.

                Eles cortaram o porco e sua porção foi colocada diante de Cormac. “Nunca comi uma refeição,” disse Cormac, “sem ter cinquenta em minha companhia.” O guerreiro cantou um fardo para ele e o colocou para dormir. Após isso, ele acordou e viu cinquenta guerreiros e seu filho, sua esposa e filha junto dele. Com isso, seu espírito foi fortalecido. Comida e cerveja foram dados a eles, que ficaram felizes e alegres. Uma taça de ouro foi colocada na mão do guerreiro. Cormac maravilhou-se ao ver essa taça pelo número de formas que ela tinha e pela estranheza de seu acabamento. “Há algo nela que é ainda mais estranho,” disse o guerreiro. “Diga três palavras falsas debaixo dela e ela se partirá em três; então diga três declarações verdadeiras debaixo dela, e ela se unirá novamente como era antes.” O guerreiro disse debaixo dela três palavras falsas e ela se partiu em três. “É melhor dizer a verdade,” disse o guerreiro, “para restaurar a taça. Faço minha declaração, ó Cormac,” disse ele, “que até o dia de hoje, nem tua esposa nem tua filha viram o rosto de um homem desde que foram tiradas de Tara, e que teu filho não viu o rosto de uma mulher.” Com isso, a taça ficou inteira.

                “Leve então tua família,” disse o guerreiro, “leve a Taça para que tu possas distinguir a verdade e a mentira, tu terás o Ramo para música e deleite, e no dia em que morrer, todas essas coisas serão tiradas de ti. Eu sou Manannan filho de Ler,” disse ele, “rei da Terra da Promessa; eu lhe trouxe para cá para que tu possas ver a Terra da Promessa. A tropa de cavaleiros que tu viste cobrindo o telhado da casa são os homens de arte na Irlanda, coletando gado e riqueza que se esvaem. O homem que tu viste acendendo o fogo é um jovem senhor, e longe de sua casa, ele paga por tudo o que consome. A fonte que tu viste com os cinco rios saindo dela, é a Fonte do Conhecimento, e os rios são os cinco sentidos através dos quais o conhecimento é obtido (?). Ninguém terás o conhecimento sem ao menos beber um gole da própria fonte e dos rios. O povo de muitas artes são aqueles que beberam de ambos.”

                Na manhã seguinte quando Cormac acordou, ele viu-se no gramado de Tara com sua esposa, filho e filha, tendo seu Ramo e sua Taça. Ela foi posteriormente chamada de “A Taça de Cormac” e distinguia a verdade e a mentira para os gaélicos. Todavia, conforme lhe foi prometido por Manannan, ela não permaneceu após a morte de Cormac.

                Agora, as regras, leis e deveres foram estabelecidos naquele encontro, e os concílios dos homens de Erin foram determinados. Três assembleias preeminentes costumavam ser realizadas naquela época: a Festa de Tara no Samhain – pois esta era a Páscoa dos pagãos e todos os homens de Erin iam para o encontro, ajudando o rei de Erin a realizá-la –, a Feira de TailtiuL em Lammas e o Grande Encontro de UisnechM em Beltane. A preparação para a Festa de Tara durava sete anos, e ainda no final dos sete anos costumava ter uma convenção de todos os homens de Erin na Festa de Tara e lá eles determinariam um jubileu conhecido como A Lei dos Sete Anos de uma Festa de Tara para outra. Aquele que quebrasse essas regras era um inimigo mortal e banido da Irlanda, com exceção de que os assassinatos eram permitidos nos seguintes oito locais: Slige MidluachraN, o Vau de Fer-Diad, Áth cliath, Belach Gabráin, Áth n-Ó, Cnám-choill, Conachlaid e as Duas Tetas de Ánu. Se fosse em um desses lugares que qualquer homem vingasse algo errado, nenhuma retaliação seria feita sobre ele.

                O rei de Erin então nomeou seus soldados entre os homens de Erin. Ele nomeou três vezes cinquenta campeões reais sobre eles para manter sua regra, sua disciplina e sua caça. Ele deu a chefia de todos e a intendência de Erin para Find neto de Baiscne.

                Um ato famoso também foi feito por Cormac: a compilação do Saltair Cormaic. Os homens velhos e historiadores dos irlandeses, incluindo Fintan filho de Bochra e Fithel o Poeta, foram reunidos e os sincronismos e as linhagens foram registrados na escrita, junto com as carreiras dos reis e príncipes, suas batalhas e lutas e suas antiguidades, do início do mundo até aquela época. Portanto, o Salmo de Tara, é uma raiz, fundação e fonte para os historiadores de Erin desde então.

                Grande e famoso era o controle de Cormac sobre Erin naquela época. Os reféns de Erin estavam em sua mão. Um deles era Socht filho de Fithel, filho de Oengus, filho de Glangen, filho de Sech, filho de Socht, filho de Fachtna, filho de Senchaid, filho de Ailill Cestach, filho de Rudraige.

Soou do Livro de Navan

                Socht tinha uma maravilhosa espada com o cabo de ouro e um cinto de prata; dourada era sua proteção e de muitos gumes era sua ponta (éo). Ela brilhava à noite como uma vela. Se a sua ponta (rind) se curvasse até o seu cabo, ela ficaria reta novamente assim como um florete. Ela cortaria um pelo flutuando na água. Ela cortaria o cabelo da cabeça de um homem sem tocar a sua pele. Ela dividiria um homem em dois, e durante um longo tempo, uma metade não saberia ou perceberia que a outra parte tinha se separado. Socht disse que esta era o Aço de Cabeça Dura8, a espada de Cuchulainn. Eles tinham essa espada como um legado (?) tribal de seus pais e avôs.

                Existia um famoso mordomo em Tara naquela época: Dubdrenn filho de Urgriu. O mordomo perguntou se Socht venderia a espada para ele, lhe dizendo que ele teria uma porção da mesma refeição que Dubdrenn tinha toda noite, e que sua família teria todos os dias a comida de quatro homens como um sub-pagamento pela espada, além de seu valor integral, como seu próprio prêmio, depois disso. “Não,” disse Socht; “não estou autorizado a vender os tesouros de meu pai enquanto ele viver.”

                Dubdrenn ficou por um longo tempo pedindo e pensando na espada. Uma vez, ele levou Socht para uma crise de bebedeira especial. Então Dubdrenn implorou para os copeiros empurrarem vinho e hidromel para Socht até ficar bêbado. Isso foi feito até que Socht não soubesse onde ele estava e adormeceu.

                O mordomo então pegou a espada e foi até o bronzeiro do rei, Connu.

                “Tu és capaz,” disse Dubdrenn, “de abrir o cabo dessa espada?” “Sim, sou capaz,” disse o bronzeiro.

                O bronzeiro então dividiu a espada, escreveu o nome do mordomo, Dubdrenn, no cabo da espada e deixou novamente a espada como estava antes (por Socht).

                O mordomo continuou pedindo a espada durante três meses depois e não a obtinha de Socht. Por fim, o mordomo entrou com uma petição pela espada, completou todos os requerimentos da petição, declarou que a espada era sua e que havia sido tirada dele. Socht então pleiteou que ele tinha um título prescritivo na espada, no cabo (?) e no ornamento, e além disso, que tinha um direito equitativo a ela.

                Socht foi consultar-se com Fithel e pedir-lhe para tomar parte nessa ação e trazer seu pai para defender sua reivindicação pela espada. “Não,” disse Fithel, “aja por si mesmo em tuas causas. Não serei eu que arbitrarei por ti, pois grandemente colocaste a ti mesmo em tuas causas, e isso não é dizer a verdade sem falsidade. Falsidade é oposto de falsidade (...).”

                O direito foi feito e foi permitido que Socht provasse que a espada era sua, e Socht dá o juramento de que a espada era o tesouro de sua família e que pertencia a ele.

                O mordomo disse: “Bem, na calma, ó Cormac; o juramento que Socht proferiu é um perjúrio.”

                “Que prova tens,” disse Cormac, “de que o juramento é falso?”

                “Não é difícil dizer,” respondeu o mordomo. “Se a espada for minha, meu nome estará escrita nela, coberto e escondido no cabo da espada.”

               Socht foi chamado até Cormac que lhe contou o que havia sido dito: “Será uma curta história até ser contada,” disse Cormac. “Chame o bronzeiro,” respondeu ele. O bronzeiro veio, abriu o punho e o nome do mordomo foi encontrado escrito lá. Então, uma coisa morta testemunhou contra uma coisa viva, com o valor sendo atribuído (?) à escrita.

                Socht disse: “Escutem isso, ó homens de Erin, e Cormac também! Eu reconheço que esse homem é o dono da espada. A propriedade dela, junto com suas responsabilidades, passa de mim para ti.”

                “Eu reconheço,” disse o mordomo, “a propriedade dela junto com suas responsabilidades.”

                Socht então disse: “Essa é a espada que foi encontrada no pescoço de meu avô e até hoje eu nunca soube quem fez aquilo. E tu, ó Cormac, avalie isso.”

               “Tua responsabilidade,” disse Cormac para o mordomo, “é maior que o valor dessa espada.”

                Então sete cumals9 foram decretados por Cormac como compensação pela morte do avô de Socht, assim como a restituição de sua espada.

                “Eu confesso,” disse o mordomo, “a história da espada.” Ele então contou toda a história em sua ordem e o bronzeiro contou a mesma história sobre a espada. Cormac então cobrou sete cumals do mordomo e outros sete do bronzeiro. Cormac disse: “Mainech10 etc. Isso é verdadeiro,” disse ele, “acolá está a espada de Cuchulainn, e por ela meu avô Conn das Cem Batalhas foi morto, pelas mãos de Tibraite Tírech, o rei de Ulaid, de quem foi dito:”

1. “Com uma tropa sobre corajosos bandos
Bem ele foi até Connaught.
Ai daquele que viu o sangue de Conn
Na espada de Cuchulainn!”

                Com isso, eles (Cormac e Fithel) decidiram o caso e foi Cormac que enredou Socht, obtendo através de suas decisões a espada como pagamento por Conn. Nenhuma batalha ou combate foi vencido contra a espada e contra aquele que a empunhava. Ela era o terceiro melhor tesouro que existia em Erin: o primeiro era a Taça de Cormac, o segundo era seu Ramo e o terceiro, sua Espada.

                Essa então é a história das Provações, das Aventuras de Cormac na Terra da Promessa e da Espada de Cormac.

                O sábio declara que sempre que qualquer aparição estranha de tempos antigos for revelada aos senhores reais – como o fantasma que apareceu para Conn e como a Terra da Promessa foi mostrada para Cormac – isto será um ministério divino que costumava vir dessa forma, e não um ministério demoníaco. Os anjos, além disso, viriam e ajudariam, pois eles seguiam a Verdade Natural e serviam ao comando da Lei. Foi um ministério divino, aliás, que libertou os homens de Erin em Uisnech da Grande Companhia Bárdica, sem deixar Erin para eles.

Notas de tradução originais

a. Forcleithi, BB. 470a 47.

b. Um nome bárdico para a Irlanda, soletrado como Fótla em Tripartite Life, Rolls ed., p. 426.

c. Henessy traduz como aenius: a palavra correspondente no Y é ánius, que O’Curry traz como “prazer”.

d. Literalmente, “veio ao redor”.

e. Literalmente, “aconteceu”.

f. Literalmente, “as verdades do reinado”.

g. Um monte de fadas em Munster, próximo ao rio Suir.

h. Cf. a glosa tenga tar tal n-erderg i. as mor a deirge, H. 3. 18, p. 661.

i. Literalmente, “seguido”.

j. Semble, a Lei Comum de Feni.

l. A atual Teltown em Eastmeath: ver LL. 200b 12.

m. Em Westmeath.

n. A estrada do nordeste de Tara, Petrie’s Tara Hill, isto é, George Petrie, On the History and Antiquities of Tara Hill, Dublin 1839 p. 205.  

Fonte: STOKES, Whitley. Irische Texte mit Ubersetzungen und Wortebuch in Irische Texte, Ed. Whitley Stokes e Ernst Windisch, Leipzig, S. Hirzel (1891) volume 3. Disponível em: < http://www.ucc.ie/celt/published/T302000.html>. Acesso em: 01 de outubro de 2016.             

Notas de rodapé

1. Árvores. O termo em inglês é mast, “mastro”, que é usado para denotar árvores que produziam frutos para porcos e animais selvagens, como a faia, o carvalho e a castanha, por exemplo.

2. Míla. Stokes não traduziu essa palavra em irlandês antigo em sua tradução para o inglês.

3. Forcle. Não encontrei uma tradução para essa palavra, e as notas do Stokes não fornecem nenhuma pista para seu significado.

4. Bluebells. Não encontrei o nome-comum português dessa planta, mas seu nome científico é Hyacinthoides non-scripta. Seu nome é uma alusão às suas flores azuis em formato de sinos.

5. Ollaves. Plural de ollave, derivando-se da grafia em irlandês antigo ollam, que é uma designação para o mais alto status dos poetas irlandeses.

6. Machado. O termo em inglês é adze, que é um tipo de ferramenta que data à Idade da Pedra, sendo similar ao machado e usado para esculpir ou cavar em madeira.

7. Cerca. O termo em inglês é wattling, que consiste em uma construção de galhos entrelaçados com juncos e outros rebentos, usados para murar, delimitar ou cobrir algum lugar.

8. Aço de Cabeça Dura. Não encontrei uma tradução melhor para o nome da espada de Cuchulain, Hard-headed Steeling.

9. Cumal. De acordo com o site “Everything 2”, é a antiga unidade irlandesa de valor ou medidor de riquezas, mencionado nos mais antigos textos legais irlandeses. O significado original da palavra é “escrava”, que pode significar que as mesmas eram usadas como “mercadorias” para troca, e que mais tarde se tornou um medidor de terras. Portanto, o cumal se tornou a unidade legal de medida de terra na Irlanda que equivale a 34 acres ingleses ou 13,85 hectares, espaço considerado suficiente para três vacas pastarem; este espaço era chamado de tír-cumaile, ou, “a terra do cumal”.

10. Mainech. Não encontrei a tradução dessa palavra inglesa ou irlandesa.

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