terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Velho do agasalho marrom

O Velho1 do agasalho marrom
Bodach an Chóta Lachna2

Aqui está contada a visita de Cael an Iarainn, o filho do rei da Tessália, à Irlanda e como infelizmente sua caminhada acabou com ele; ou, de acordo com algumas autoridades, a Aventura do Velho do Agasalho Marrom.

         Era um dia de encontro e conferência dado por Finn, o filho de Cumall, filho de Art, filho de Trenmor, neto de Baeiscne, com os sete batalhões de reserva e os sete habituais dos Fianna, na Colina de Edar, o filho de Edgaeth; eles olhavam para o mar e para o grande continente e viram uma espaçosa e imponente embarcação que avançava em sua direção vinda do leste sob a pressão de sua vela. A embarcação estava equipada como se estivesse indo para guerra ou contenda; não esperaram muito até ver diante deles um alto, belicoso e impetuosamente bravo óglaech3 elevado através das varas de seus dardos ou dos cabos de suas lanças, e então ele colocou ambas as solas de seus pés na praia de areia branca. A mais graciosa armadura polida ele tinha, uma armadura sólida e inquebrável o rodeava, seu belo escudo vermelho era transportado em seus ombros e em sua cabeça estava um duro elmo; em seu lado esquerdo estava uma espada de um grande sulco e a lâmina reta; seus dois punhos seguravam um par de lanças de cabos grossos, não polidas, mas afiadas; um manto escarlate apropriado estava pendurado em seus ombros com um broche de ouro queimado em seu grande peito.


         Então equipado dessa maneira, ele foi até a presença de Finn e dos Fianna, e Finn falou com ele, dizendo: “de todos os sangues do mundo inteiro, nobre ou ignóbil, quem és tu, guerreiro; ou de onde vens até nós?” “Cael an Iarainn é meu nome, o filho do rei da Tessália; e desde que deixei minha própria terra para vir para cá, eu perambulei por todo o globo e não deixei uma ilha ou terra sem deixá-las sob o tributo de minha espada e de minha própria mão. E o que desejo agora portanto, é ganhar o tributo universal e o poder de capital da Irlanda.” Conan disse: “Nunca vimos um laech4 e nem ouvimos falar, guerreiro, mas um homem que o confrontasse encontraríamos na Irlanda.” “Conan”, respondeu Cael, “em tua fala encontrei nada mais que estupidez ou tolice; pois eles dos Fianna estavam mortos durante os sete anos passados e foram adicionados agora a estes que ainda vivem deles, e em um único dia eu os trataria todos com a dor da morte e da vida encurtada. Mas farei algo que vocês considerarão uma condição mais fácil do que essa: se entre todos vocês, encontrarem um único laech que em corrida, em combate singular ou em luta for melhor do que eu, não mais preocupações nem problemas eu infligirei em vocês, mas voltarei para minha própria terra novamente.” “Por que agora,” disse Finn, “o corredor que temos é Caeilte mac Ronan, ele nesse momento não está em casa; e se ele estivesse aqui, ele correria com você; mas se, guerreiro, você permanecer com os Fianna e fazer amizade com eles e observar o mesmo enquanto eu vou até Tara dos Reis para trazer Caeilte, e se eu não o encontrar lá eu irei seguramente até Keshcorran dos Fianna para trazê-lo.” “Que assim seja feito,” Cael concordou.

         Finn então foi para a estrada e não foi muito longe até chegar em uma intricada e sombria floresta com um diâmetro profundamente escavado que a trespassava. Na floresta em que ele ainda não havia penetrado, viu diante dele um ser de aparência diabólica e aspecto maligno, um irracional e selvagem monstro de uma compleição amarelada e com largos ossos de gigante, tendo sobre ele um longo agasalho marrom chegando até os pés de suas duas pernas, conforme estas carregavam o corpo de má sorte de seu grande companheiro que era como o mastro de algum navio do maior tipo; do tamanho de um grande barco era cada brogue5 que guarnecia seus nodosos pés armados com unhas curvas; o agasalho marrom que o envolvia tinha a largura de um prato de peltre de um ornamento de saia, consistindo de um estuque amarelo de lama e a cada passo que ele dava esse agasalho batia contra a panturrilha de uma perna de forma que este barulho poderia ser ouvido a uma milha de distância de uma região; toda vez que ele levantava um pé, metade de um barril de lama esguichava para suas nádegas e até mesmo para seu corpo amarelo. Finn parou para observar o homem durante um tempo, pois nunca tinha visto alguém como ele, e seguiu em seu caminho até o outro falar, dizendo: “o que é esse curso de marcha e passeio que se abateu sobre ti, Finn filho de Cumall, sozinho e solitário, sem um homem dos Fianna da Irlanda contigo?” “Tamanha,” respondeu Finn, “é a medida de minha perplexidade e problema que não posso lhe contar, e mesmo se pudesse, isso não me faria nenhum bem.” “A menos que tu me expliques o assunto, tu sofrerás para sempre o dano e o detrimento disto (isto é, de tua taciturnidade).” “Bem, então,” Finn começou, “se eu preciso lhe contar, saiba que o filho do rei da Tessália, Cael an Iarainn, chegou ontem ao meio dia em Ben-Edar, buscando conquistar para si mesmo o aluguel e domínio de toda a Irlanda a menos que algum laech que eu encontrar possa derrotá-lo na corrida, no combate singular ou na luta.” “E o que vocês iriam fazer?” o homem grande perguntou, “pois eu o conheço bem e não há uma única coisa afirmada por ele, mas uma coisa ele é capaz de cumprir: sobre todos os Fianna ele infligiria um abate de homens e viris óglaechs.” Finn prosseguiu: “Eu iria até Tara dos Reis para trazer Caeilte, e se eu não o achasse, o encontraria indubitavelmente em Keshcorann dos Fianna, a fim de que ele pudesse vencer aquele guerreiro em uma corrida.” “Verdadeiramente então,” disse o grande companheiro, “tu serás um ‘homem sem reino’ se Caeilte filho de Ronan for teu grande recurso para afugentar o outro.” “Então, na verdade, não sei o que devo fazer,” disse Finn. “Mas eu sei,” respondeu o homem grande, “venha comigo e eu juro que vencerei uma corrida contra aquele herói.” Finn respondeu: “Considero carregar teu agasalho e teus grandes brogues por meia milha de uma região seria o máximo de esforço de se realizar, e não embarcar em uma corrida com aquele laech.” “Por tudo o que é positivo, a menos que eu o vença, nenhum homem de toda Irlanda poderá trazer.” “Que assim seja,” respondeu Finn, “mas qual é o teu nome?” e ele respondeu, “meu nome é Bodach an Chóta lachtna ou ‘o velho do agasalho marrom’.”

         Então Finn e o Velho retornaram novamente, e sobre sua jornada e viagem nada foi nos contado até chegarem em Ben-Edar.

         Lá, os Fianna da Irlanda em seus números se reuniram ao redor do grande homem, pois nunca tinham visto algo igual; Cael an Iarainn também veio sobre o solo e perguntou se Finn tinha trazido um homem para correr com ele. Finn respondeu que sim e exibiu seu homem, mas quando Cael viu o Velho, ele contestou dizendo que em toda a eternidade não correria com tal bodach sujo. Ao ouvir aquilo, este último emitiu uma grosseira explosão de risada de cavalo, dizendo: “estás enganado ao meu respeito, guerreiro; me informe, portanto, a extensão do curso que desejas correr, se eu não correr contigo, e mais ainda, se for do teu interesse, tu podes tomar as apostas.” “Eu não ligo,” respondeu Cael, “em ter à minha frente um percurso de menos de três vintenas de milhas.” “É bem isso que acontece,” disse o Velho, “três vintenas de milhas exatamente estão entre Ben-Edar e Slieveluachra de Munster.” “Que assim seja feito,” Cael concordou. “Bem, então,” sugeriu o bodach, “a coisa certa que devemos fazer é proceder em direção ao oeste até Slieveluachra para começarmos, e ficarmos lá até a noite para que na manhã seguinte podemos estar prontos para nossa partida e corrida.”

         Estes dois bons laechs (Cael an Iarainn, o filho do rei da Tessália, e o Velho do agasalho marrom) partiram conformemente – e de sua jornada nada foi registrado até quando o sol se pôs e eles chegarem em Slieveluachra de Munster. “Cael,” o outro então disse, “convém que nós obtenhamos algum tipo de abrigo, seja uma casa ou cabana, para se ter sobre nossas cabeças.” Mas Cael recorreu: “por tudo o que é certo, eu nunca construiria uma casa em Slieveluachra para passar a noite, considerando que não tenho nenhum desejo durante todo o curso de minha vida em retornar para cá.” “Assim seja,” respondeu o bodach, “mas se eu conseguir construir uma, longe o suficiente dela ficará qualquer um que não deu sua ajuda para construí-la.”

         O Velho então entrou no bosque escuro e intricado mais próximo, onde ele não permaneceu nem descansou até amarrar vinte e quatro pares de madeira bruta; e estas, junto com seu complemento de caibros da mesma árvore e juncos frescos da montanha, ele trouxe em uma carga e então ergueu uma longa e vasta casa, toda coberta e aquecida. Com as varetas verdes e secas da floresta ele fez uma grande fogueira no chão do abrigo, e se dirigiu a Cael pela segunda vez: “se tu for um homem, venha comigo e busque nesses bosques um jogo ou outro.” “Não entendo nada sobre isso,” respondeu Cael, “e se entendesse, eu não iria até um outro igual a você.”

         Novamente o bodach buscou os recessos do bosque mais próximo, no qual ele não penetrou muito longe até despertar um rebanho de suínos selvagens; ele cortou do resto o mais robusto javali que viu e, por todo o caminho, através de todo abrigo, o seguiu pelo vigor da corrida e do doloroso esforço até ele ser derrotado e cair na terra; limpamente e eficientemente ele o preparou e diante da mesma grande fogueira, o colocou para assar, com uma invenção na qual os espetos giravam sozinhos. Então o Velho seguiu sem ser interrompido até o barão da casa de Inchiquin (que era a trinta milhas de Slieveluachra) e trouxe dois barris de vinho, dois pratos de peltre e o tanto de pão que tinha na casa, uma mesa e uma cadeira, e tudo isso ele carregou de uma única vez e então voltou para Slieveluachra. Aqui ele encontrou sua carne assada diante dele; metade do javali, uma metade do pão e um barril de vinho ele deixou de lado para a manhã seguinte; a outra metade de tudo ele comeu sobre a mesa, sentado confortavelmente e luxuosamente. Ele comeu toda a sua quantidade de carne, após o qual ele engoliu um barril de vinho; sobre o piso de sua grande casa ele sacudiu uma abundante camada de juncos e se enrolou no sono e cochilo até o dia da manhã seguinte quando o sol todo brilhante se ergueu e Cael an Iarainn (que durante a noite ficou ao lado da montanha sem carne ou bebida) veio e o despertou de seu sono, dizendo: “Levante, bodach! Chegou a hora de irmos em nossa jornada e corrida.” Com isso o Velho se levantou, esfregou seus olhos com suas palmas e disse “ainda há uma hora de meu sono; mas uma vez que estás com pressa, tens o meu consentimento de ir e indubitavelmente eu irei atrás de ti.”

         Consequentemente, Cael seguiu em sua jornada, não sem uma grande desconfiança pela razão do pequeno acontecimento que viu o bodach fazendo com ele. Quando o Velho tinha dormido até seu limite, ele levantou-se e sentou, lavou seu rosto e mãos e serviu-se de carne na mesa; então em sua perfeita tranquilidade ele se sentou, comeu o restante do pão e javali e finalmente engoliu o segundo barril de vinho.

         Nesse ponto o Velho se levantou, cuidadosamente arrumou os ossos do javali na saia de seu agasalho marrom, e foi na velocidade de uma andorinha ou de um cabrito-montês, ou como se fosse uma rajada do intenso vento de março correndo sobre o topo de alguma colina ou rocha de pico acidentado, até passar na frente de Cael an Iarainn e no caminho à sua frente arremessou os ossos do javali, dizendo: “tente, Cael, achar algo nesses ossos; pois certamente está cheio de fome após passar a última noite em jejum em Slieveluachra.” “Tu deves ser enforcado, Velho,” ele respondeu, “antes eu procuraria carne nesses ossos que tuas presas famintas roeram.” “Bem, então” disse o bodach, “não seria nada demais para ti colocar-se em uma marcha melhor do que tens feito até agora.”

         Aqui ele se impulsionou como se tivesse se transformado em um louco e naquela exaltação ele correu trinta milhas; ele então cedeu e comeu amoras de uma amoreira que existia em um lado da estrada ou caminho, até Cael o alcançar e dizer: “bodach, a trinta milhas atrás está o lugar em que vi uma borda de teu agasalho marrom enrolada ao redor de um arbusto, e a segunda eu vi enrolada em outro arbusto a dez milhas atrás desse lugar.” “São as bordas de meu agasalho?” perguntou o Velho, olhando para baixo de si mesmo. “Eram elas,” disse Cael. “Nesse caso,” o bodach argumentou, “a coisa certa para você fazer é ficar aqui comendo as amoras, a fim de esperar minha volta para que eu pegue as bordas de meu agasalho.” “É bem certo de que não farei tal coisa,” respondeu Cael, e o bodach disse: “assim seja”.

         Cael seguiu seu caminho enquanto o Velho retornou para encontrar as bordas de seu agasalho como o outro tinha dito; ele se sentou, puxou para fora sua agulha e linha e as costurou em seu lugar novamente. Tendo feito isso, ele refez seus passos e Cael não tinha ido muito longe até o Velho o alcançar e dizer: “Cael, tu deves se colocar em uma marcha melhor do que tu tens feito até agora, se tu já expressaste querer ter o tributo de toda Irlanda, pois não voltarei mais agora.”

         Então, com a velocidade de uma andorinha (etc. como anteriormente), o bodach correu como se tivesse se transformado em um louco; e foi tal impetuosa pressa de pedestrianismo que o carregou, fazendo com que logo vencesse o topo de uma certa colina dentro de cinco milhas de Ben-Edar, onde ele parou para comer as amoras de uma amoreira até ele fazer de si mesmo um saco cheio de sumo. Ele então tirou seu agasalho marrom, novamente produziu sua agulha e linha e costurou a vestimenta para torná-la uma bolsa longa, vasta e muito profunda. Ele encheu a bolsa de amoras até a borda, e em sua pele esfregou uma quantidade da mesma para que ficasse tão negro quanto o carvão de qualquer ferreiro; a dita carga ele colocou sobre seu ombro e, fortemente, com pernas ligeiras seguiu seu caminho para Ben-Edar.

         A posição de Finn e de todos os Fianna foi de grande apreensão por Cael an Iarainn estar na frente, pois sem saber no mundo quem ele era, colocaram toda sua esperança no Velho. Agora, no topo de uma tulach6 Finn tinha um certo mensageiro espiando qual dos dois estava na frente; e este, assim que viu o Velho, foi até Finn e lhe disse que Cael estava no caminho com o bodach morto sobre seu ombro. “Um conjunto de armas e armadura,” gritou Finn, “para aquele que nos trazer notícias melhores que esta!” e um segundo mensageiro foi e viu o bodach. Os Fianna de toda a Irlanda se reuniram alegremente ao redor do Velho e procuraram por notícias. “Eu tenho boas novas para vocês,” ele disse, “mas pelo tamanho de minha fome, não consigo publicá-las antes de comer minha suficiência de farinha de trigo tostada com amoras misturadas: a minha parcela destas eu trouxe comigo, e me forneçam agora minha parte de tal refeição.” Em Ben-Edar um grande pano foi aberto para servir o Velho, com uma pilha de farinha em seu centro, e entre a farinha ele jogou seu saco de amoras, que com grande vontade virou-se para comê-las.

         Mas logo eles viram Cael ao longo da estrada com sua mão no cabo da espada, com seus dois olhos ardendo rubros em sua cabeça e pronto para investir sobre os Fianna para cortá-los e quebrar seus ossos. Quando então o bodach o viu dessa forma, ele pegou uma mão cheia de farinha e amoras, e arremessou em Cael de forma que ele baniu sua cabeça à uma distância considerável de seu corpo; ele então correu para onde sua cabeça estava, e com ela pela segunda vez, a firmou em seu tronco tão firme como nunca tinha sido. A forma como ele estava agora era com seu rosto em direção às suas costas e sua cabeça sobre seu peito7; o bodach então correu até ele, colidiu com sua carcaça violentamente e o açoitou arduamente, rapidamente e inextricavelmente, e disse: “Cael, não seria algo errado para ti dizer que nessa ocasião o principal tributo e o poder soberano da Irlanda, apesar de não haver ninguém a quem ambicione isso senão você, padeceria se estivesse contigo? Ainda assim, ninguém nunca terá de dizer para os Fianna da Irlanda que para um guerreiro solitário, ele que nada tinha apenas a si mesmo para se defender, eles administrariam a dor da morte e da vida curta. Se, portanto, tu jurar pelo sol e pela lua em garantia de tua transferência do tributo da Tessália para Finn e os Fianna anualmente durante tua longa vida, tu terás tua vida com a aparência que agora tens.”8 Cael jurou pelo sol e pela lua que anualmente durante toda sua vida ele cumpriria essa promessa.

         O bodach então o pegou com a ponta de seus dedos, o carregou até seu navio e o colocou sentado lá; ele deu um chute na popa do navio e com isso o enviou sete léguas para o mar. Então você sabe a forma de como a expedição do filho do rei da Tessália, Cael an Iarainn deu errado para ele: ele foi despachado para sua casa sob as condições de um tolo ou homem simples, sem nunca mais ter o poder enquanto ele viver para dar um golpe em batalha ou em um combate singular. O bodach voltou para Finn e os Fianna e lhes contou que ele era o chefe das fadas de Ráth Cruachan ou ‘Rathcroghan’ e que veio para libertá-los de seus grilhões [isto é, para socorrê-los de seus estreitos]. Finn então fez uma festa e um banquete para o chefe das fadas durante um ano e um dia.

         Essas então foram as aventuras de Cael an Iarainn, o filho do rei da Tessália, e do Velho do Agasalho Marrom.

Fonte: O’GRADY, Standish. Silva Gadelica, V. II, the Adventure of the Carle of the Drab Coat. Disponível em: <http://www.maryjones.us/ctexts/f11.html>. Acesso em: 27 de setembro de 2016.                                                     

Notas de rodapé

1. Velho. A palavra original em irlandês é Bodach, que significa “velho, rústico, desajeitado.”

2. Bodach an Chóta Lachna. Esse título significa “O Velho do Agasalho Marrom”, mas já vi outros títulos como Eachtra Bhodaigh an Chóta Lachtna, “A Aventura do Velho do Agasalho Marrom” que denota a mesma história. Lachna ou Lachtna, que é traduzido para o inglês como “drab”, pode ser traduzido como monótono, enfadonho ou desbotado, mas também é usado para designar tecidos que possuem uma coloração amarronzada; no entanto, já vi a palavra sendo traduzida como “cinza”.

3. Óglaech. Não encontrei a tradução para esse termo, mas laech é a palavra em irlandês antigo para “guerreiro”. Suponho que, como óg significa “jovem”, óglaech significa “jovem guerreiro”, mas não tenho certeza.  

4. Laech. Palavra em irlandês antigo para “guerreiro”.

5. Brogue. Sapatos rudimentares usados na Irlanda antiga, feito com pele não tingida e com perfurações que permitem escoar a água quando a pessoa passasse por lugares molhados, como pântanos ou charcos. Mais tarde, evoluiu para uma versão moderna similar ao sapato Oxford.

6. Tulach. Palavra em irlandês antigo para “colina”.

7. Essa passagem em inglês me pareceu bastante confusa para mim e fiz o máximo de esforço possível para poder traduzi-la legivelmente. Me parece que o Velho arremessou em sua cabeça uma grande parte de farinha e amoras, fazendo com que a cabeça de Cael voasse longe. Cael corre atrás de sua cabeça e a fixa em seu tronco, mas com seu rosto virado ao contrário. Contudo, a passagem original em inglês é a seguinte: “When then the bodach saw him in this array, he picked up his great paw’s fill of the meal and blackberries, and upon Cael discharged the mess to such purpose that he banished his head to the distance of a fair scope of ground from his body; then where the head was thither he ran, and with it a second time let fly at the trunk in a way that he fastened it on as solid as ever it had been. The manner of him now however was with his face to his back, his poll upon his chest”

8. Tive a mesma dificuldade ao traduzir essa fala do Velho. Parece-me que ele queria dizer que seria uma boa hora para Cael admitir que não seria razoável ele colocar a Irlanda sob sua tributação, pois os Fianna nunca poderiam matá-lo sozinho uma vez que eles eram muitos, e ele, apenas por si mesmo. Logo a seguir, o Velho o faz prometer que ele daria aos irlandeses o tributo da Tessália anualmente durante toda a sua vida para que ele pudesse manter sua aparência original. A passagem original em inglês é a seguinte: “Cael, was it not a mistaken thing for thee to say that on this occasion the chief rent and sovereign power of Ireland, though there were none but thyself alone to strive for it, would be suffered to go with thee? nevertheless none shall ever have it to say to Ireland’s Fianna that to a solitary warrior, he having none but himself to take his part, they would administer grievousness of death and of short life. If therefore thou be one to swear by sun and moon in guarantee of thy transmitting the rent of Thessaly yearly during thy life long to Finn and to the Fianna, thou shalt have thy life in the guise which now thou wearest”.

Para ver a versão em .pdf, clique aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário