segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A Viagem de Bran

A Viagem de Bran
Immram Brain
O Livro da Vaca Parda

A viagem1 de Bran, filho de Febal, e sua expedição2 abaixo

1. Foram cinquenta estrofes que a mulher das terras desconhecidas cantou no chão da casa de Bran filho de Febal, quando a casa real estava cheia de reis, que não sabiam de onde a mulher tinha vindo, uma vez que o baluarte da fortaleza estava fechado.

2. Esse é o início da história. Um dia, na vizinhança de sua fortaleza, Bran estava caminhando sozinho quando ouviu uma música atrás dele. Por mais que olhasse para trás, a música ainda continuava tocando, até ele adormecer com a música de tão doce que era. Ao acordar de seu sono, ele viu um ramo3 de prata com flores brancas perto dele, e não foi fácil distinguir o que era flor e o que era galho. Bran então pegou o ramo e o levou para sua casa real. Quando as tropas estavam na casa real, eles viram uma mulher com vestimentas estranhas no chão da casa. Foi então que ela cantou as cinquenta4 estrofes para Bran, enquanto a tropa a escutava e todos eles olhavam para a mulher.

                E ela disse:


3. Um ramo da macieira5 de Emain6
Eu trago, como aquelas já conhecidas;
Galhos de prata branca estão nela,
Bordas de cristal com flores.

4. Existe uma ilha distante,
Ao redor da qual os cavalos do mar7 brilham:
Um nobre curso contra a grande e branca onda,8
Com quatro pés de altura.9

5. Um deleite dos olhos, um alcance glorioso,
É a planície na qual as tropas jogam:
O barquinho redondo rivaliza com a biga
Na Mag Findargat ao sul.10

6. Pé de bronze branco abaixo dela
Brilhando através das belas eras.11
Terra adorável ao longo da era do mundo,
Na qual muitas flores caem.

7. Existe uma árvore antiga com flores,
Nas quais os pássaros chamam12 as Horas.13
Seu costume é, em harmonia,
Chamar junto cada Hora.

8. Esplendores de todas as cores brilham
Por todas as planícies de vozes gentis.
A alegria é conhecida, tomando seu lugar ao redor da música,
Em Mag Argatnél ao sul.14

9. O choro ou a traição são desconhecidos15
Na familiar terra cultivada,
Não há nada rude ou severo,16
Apenas doce música impressionando os ouvidos.

10. Sem pesar, sem tristeza, sem morte,
Sem qualquer doença, sem debilidade,17
Esse é o sinal de Emain18
Incomum é uma maravilha igual.

11. Uma beleza de uma terra maravilhosa,
Cujos aspectos são adoráveis,
Cuja vista é um nobre país,
Incomparável é sua bruma.

12. Então se Aircthech19 é vista,
Na qual pedras de dragão20 e cristais caem
O mar lava a onda contra a terra,
Cabelos de cristal caem de sua juba.21

13. Riqueza e tesouros de todas as nuanças,
Estão em Ciuin,22 uma beleza de frescor,
Escutando doce música,
Bebendo o melhor dos vinhos. 23

14. Bigas douradas em Mag Réin,24
Levantando-se com a maré para o sol,
Bigas de prata em Mag Mon,25
E de bronze, sem mácula.

15. Corcéis amarelo-dourados estão lá no relvado,
Outros corcéis de nuança vermelha,
Outros com lã sobre suas costas
Da nuança do céu todo-azul.

16. Ao amanhecer chegará
Um nobre homem iluminando as terras planas;
Ele cavalga sobre a nobre planície lavada26 pelo mar,
Ele agita o oceano até sangrar.

17. Uma tropa chegará através do claro mar,
Até a terra eles mostrarão seu remar;
Então eles remam até a rocha notável,
Da qual surgiu uma centena de melodias.

18. Ela canta uma melodia até a tropa
Através de longas eras, ela não é triste,
Sua música cresce27 com centenas de refrãos –
Eles não buscam decadência ou morte.

19. Emne28 de muitas formas, próxima ao mar,
Quer esteja perto, quer esteja longe,
Na qual estará milhares de mulheres multicolores29,
Que o claro mar circunda.

20. Se ele escutou a voz da música,
O coro dos passarinhos de Imchiuin,30
Um pequeno bando de mulheres descerá de uma montanha
Até a planície do esporte onde ele está.

21. Virá felicidade com saúde
Para a terra na qual o riso ribomba,
Para Imchiuin em todas as estações
Virá a alegria duradoura.

22. É um dia de clima permanente
Que faz chover prata nas terras,31
Uma falésia pura e branca no alcance do mar,
Que recebe seu calor do sol.

23. A corrida de tropas ao longo de Mag Mon,32
Um belo jogo, não débil,
Na variada terra sobre uma massa de beleza,
Eles não buscam decadência nem morte.

24. Escutando música a noite,
E indo para Ildathach,33
Uma terra variada, esplendor em um diadema de beleza,
De onde a nuvem branca brilha.

25. Existem três vezes cinquenta ilhas distantes
No oceano a oeste de nós;
Duas vezes maior que Erin
É cada uma delas, ou três vezes maior.34

26. Um grande nascimento35 virá depois de eras,
Que não será em um lugar elevado,36
O filho de uma mulher cujo companheiro não será conhecido,
Ele terá o controle de muitos milhares.

27. Uma regra sem início, sem fim,37
Ele criou o mundo de forma a ser perfeito,
De quem é a terra e o mar,
Ai daquele que estiver sob Sua ira!38

28. Foi Ele que fez os céus,
Feliz é aquele que tem um coração puro,
Ele purificará as tropas sob a água pura,39
É Ele que irá curar sua doença.

29. Meu discurso não é para todos vocês,
Apesar de essa grande maravilha ter se manifestada:
Deixe Bran ouvir da multidão do mundo
O que de sabedoria tem sido dito a ele.

30. Não caia na cama da preguiça,
Não deixe tua intoxicação te vencer,
Comece uma viagem através do claro mar,
Se por acaso você chegar à terra das mulheres.

31. Logo a seguir, a mulher foi embora, apesar deles não saberem para onde ela tinha ido.40 Ela levou seu ramo com ela. O ramo pulou da mão de Bran para a mão dela, nem força havia na mão de Bran para segurar o ramo.

32. Então em uma manhã, Bran foi para o mar. O número de seus homens eram três companhias de nove. Um de seus irmãos adotivos e companheiros41 foram colocados sobre cada uma das três companhias de nove. Quando ele estava no mar depois de dois dias e duas noites, ele viu um homem em uma biga vindo em direção a ele no mar. Esse homem também cantou outras trinta42 estrofes para ele, e se apresentou dizendo que era Manannan43, o filho de Ler, e disse que iria para a Irlanda após muitas eras e que ele teria um filho chamado Mongan, o filho de Fiachna – esse seria o nome colocado em seu filho.

                Ele então cantou essas trinta estrofes para ele:

33. Bran imagina uma beleza maravilhosa
Em seu barquinho redondo por todo o claro mar:
Enquanto que para mim em minha carruagem distante
É uma planície florida na qual ele passeia.

34. O que é um mar claro
Para a esquifa de proa na qual Bran está,
Isto é uma feliz planície44 com uma profusão de flores
Para mim na biga de duas rodas.

35. Bran vê
O número de ondas batendo45 por todo o mar claro:
Eu mesmo vejo em Mag Mon46
Flores com topos vermelhos sem falhas.

36. Cavalos do mar brilham no verão
Tão longe quanto Bran conseguir estender sua visão:
Rios derramam uma corrente de mel
Na terra de Manannan filho de Ler.

37. O brilho do oceano, no qual você está,
A tonalidade branca do mar no qual tu rema,
Amarelo e azul se espalham,
É terra, e não é rude.47

38. O salmão malhado salta do útero
Do branco mar, no qual você olha:
Eles são calvos, eles são cordeiros coloridos
Com afabilidade, sem abate mútuo.48

39. Apesar de apenas um cavaleiro de biga ser visto
Em Mag Mell49 de muitas flores,
Há muitas corcéis em sua superfície,50
Embora você não os vê.

40. O tamanho da planície, o número da tropa,
Cores brilham com pura glória,
Um nobre córrego de prata, panos51 de ouro,
Concedem boas vindas com toda abundância.

41. Um belo jogo, o mais delicioso,
Eles jogam (sentados) no luxuoso52 vinho,
Homens e mulheres gentis debaixo de um arbusto,
Sem pecado, sem crime.

42. Ao longo do topo de um bosque, nada
Seu barquinho redondo através de cristas,
Existe um bosque de belos frutos53
Abaixo da proa de tua pequena esquife.

43. Um bosque com flor e fruta,
Na qual está a verdadeira fragrância da videira,
Um bosque sem decadência, sem defeito,
No qual estão folhas de nuança dourada.

44. Nós estamos desde o início da criação
Sem velhice, sem consumação54 da terra,55
Por esse motivo, não esperamos que56 haja fragilidade,
O pecado não chegou até nós.

45. Um dia ruim foi quando a Serpente veio
Para o pai em sua cidade!57
Ela desvirtuou os tempos58 nesse mundo,
De forma que veio a decadência que não existia originalmente.

46. Pela ganância e luxo ele59 nos matou,
Apesar de ter arruinado sua nobre raça:
O mirrado corpo foi para o invólucro do tormento,
E a eterna casa da tortura.60

47. É uma lei de orgulho nesse mundo
Acreditar nas criaturas, esquecer-se de Deus,61
Ser derrubado pelas doenças, pela velhice,
A destruição da alma através da decepção.

48. Uma nobre salvação62 virá
Do Rei que nos criou,
Uma lei branca virá pelos mares,
Além de ser Deus, Ele será um homem.

49. Essa forma, dele a quem você olha,
Virá para suas partes;63
É minha a viagem para a casa dela,64
Para a mulher de Line-mag.65

50. Pois é Moninnan, o filho de Ler,
Da biga, na forma de uma homem,
De sua descendência será muito curta enquanto
Um nobre homem em um corpo de barro branco.66

51. Monann, o descendente de Ler, será
Um vigoroso amante67 de Caintigern:68
Ele será chamado pelo seu filho no belo mundo,
Fiachna irá reconhecê-lo como seu filho.

52. Ele deliciará69 a companhia de qualquer monte-fada,
Ele será o predileto de qualquer terra agradável,
Ele desvendará segredos – um curso de sabedoria –
No mundo, sem ser temido.

53. Ele se transformará em qualquer besta,
Tanto do mar azul como da terra,
Ele será um dragão diante das tropas no ataque,70
Ele será um lobo de cada grande floresta.

54. Ele será um veado com chifres de prata
Na terra onde as bigas são conduzidas,
Ele será um salmão malhado em um charco fundo,
Ele será uma foca, ele será um nobre cisne branco.

55. Ele viverá por longas eras71
Uma centena de anos no nobre reinado,72
Ele cortará batalhões,73 – um túmulo duradouro –
Ele deixará os campos vermelhos, uma roda ao redor do caminho.

56. Será74 entre reis com um campeão
Que ele será conhecido como um valente herói,
Para fortalezas de uma terra em uma montanha
De Islay76 eu enviarei um final75 designado.

57. Eu o levantarei alto com os príncipes,
Ele será derrotado por um filho do erro;77
Moninnan, o filho de Ler,
Será seu pai, seu tutor.

58. Ele ficará – seu tempo será curto – 78
Cinquenta anos nesse mundo:
Uma pedra de dragão do mar irá matá-lo79
Na luta em Senlabor.80

59. Ele pedirá uma bebida de Loch Ló,81
Enquanto olha no córrego de sangue,
A tropa branca82 irá levá-lo sob uma roda83 de nuvens
Para o encontro onde não há tristeza.

60. Firmemente então deixe Bran remar,
Não muito longe para a Terra das Mulheres,
Emne84 com muitas nuanças85 de hospitalidade
Tu alcançarás antes do pôr do sol.

61. Logo a seguir, Bran afastou-se dele. Ele viu uma ilha, remou ao redor dela e uma grande tropa estava boquiaberta e rindo. Todos eles olhavam para Bran e seu povo, mas não ficavam para conversar com eles. Eles continuavam dando grandes86 risadas deles. Bran enviou um homem de seu povo para a ilha. Ele enfileirou-se com os outros e ficou boquiaberto como os outros homens da ilha. Ele87 continuou remando em volta da ilha. Sempre que aquele homem passava por Bran, seus companheiros falavam com ele, mas ele não conversava com Bran e seus homens, apenas olhava para eles88 boquiabertos. O nome da ilha é Ilha da Alegria, e logo a seguir, eles o deixaram lá.

62. Depois disso, não demorou até chegarem à Terra das Mulheres. Eles viram a líder das mulheres no porto. A chefa das mulheres disse: “Venha para essa terra, ó Bran filho de Febal! Bem vindo é seu advento!” Bran não ousava ir para a praia. A mulher atirou um novelo de linha direto no rosto de Bran. Bran colocou sua mão na bola, que seu agarrou sobre sua palma. A linha do novelo foi parar na mão da mulher, que puxou o barquinho redondo em direção ao porto. Logo a seguir, eles foram até uma grande casa, que tinha uma cama para todos os casais89, ou seja, três vezes nove camas. A comida que era colocada nos pratos não desaparecia. Parecia que eles ficaram lá por um ano, mas na verdade90 eles ficaram por muitos anos. Não lhes faltavam nenhum sabor.91

63. Um deles, Nechtan o filho de Collbran,92 sentiu falta de seu lar. Sua família ficava implorando para Bran voltar para a Irlanda com Nechtan. A mulher disse que eles se arrependeriam de ir embora. No entanto, eles foram, e a mulher disse que nenhum deles devia tocar a terra, e que eles deviam visitar e levar embora com eles o homem que tinham deixado na Ilha da Alegria.

64. Eles então seguiram até chegarem a um encontro em Srub Brain.93 Os homens perguntaram quem eram eles que tinham vindo do mar. Bran disse: “Eu sou Bran, o filho de Febal”, disse ele. No entanto, os outros disseram: “Não te conhecemos, apesar da Viagem de Bran estar nas nossas histórias antigas.”

65. O homem94 saltou de seu barquinho redondo. Assim que ele pisou na terra da Irlanda, imediatamente ele virou uma pilha de cinzas, como se ele tivesse na terra por muitas centenas de anos. Foi Bran que cantou essa estrofe:

“Para o filho de Collbran, grande foi a loucura
Levantar sua mão contra o envelhecimento,
Sem qualquer um lançar uma onda de água pura95
Sobre Nechtan, o filho de Collbran.”

66. Logo a seguir, Bran contou todas as suas aventuras do início até aquela hora para o povo que estava naquele encontro. Ele escreveu essas estrofes em Ogam, e despediu-se deles. A partir daquele momento, suas aventuras são desconhecidas.

Fim.

Notas de rodapé de Kuno Meyer

1. Imram, literalmente “remando”, significa uma viagem feita involuntariamente, distintas das longes, “uma jornada de exílio”.

2. Echtre, f. (derivado de echtar = do latim, extra), literalmente “saída”, denota especialmente expedições ou permanências na terra das fadas, como na Echtra Bresail Bricc maic Briuin (LL. p. 170 b, 25), que ficou cinquenta anos debaixo do Loch Láeg; Echtra Cormaic i Tír Tairngiri, Ir. Texte III. p. 202; Echtra Nerai (Rev. Celt. X. p. 212), Echtra Nectain maic Alfroinn (LL. p. 189 b, 59) = Nechtán mac Collbrain, infra § 63, etc.

3. Este era o ramo que produzia música ao ser sacudido e aparece em um incidente similar no Echtra Cormaic, Ir. Texte III. p. 212.

4. Todos os manuscritos contêm apenas vinte e oito refrãos.

5. Aball, f., que explica o latim malus em Sg. 61 b, se tornou uma palavra que denota qualquer árvore frutífera, como em fic-abull mór arsata, “uma grande e antiga figueira”. LBr 158 a, 55. CL Stokes, Ver. Celt. X. p. 71, n. 3.

6. Isto é, nome regional (glosa).

7. Uma metáfora para “ondas marítimas com cristas”. Cf. groig maic Lir, “os cavalos do filho de Ler”, Rev. Celt. P. 104. Zimmer interpreta erroneamente: “um welche die rosse des meeres spielend auftauchen.”

8. Literalmente, “grande onda de lados brancos”.

9. Zimmer, seguindo a leitura corrompida de R (cethror, ao invés de cetheoir), interpreta: “ dem whonsitz auf fussen von vier mann!”.

10. Isto é, nome regional (glosa), “Planície Branca-Prateada”.

11. Isto é, aqui abaixo (glosa).

12. Gairim é frequentemente usado como as notas dos pássaros, por exemplo: int én gaires isint sail, “o pássaro que canta no salgueiro,” Ir. Texte iii. p. 19.

13. Trátha, as horas canônicas, uma alusão à música da igreja. Zimmer, erroneamente, “zu den zeiten.”

14. Isto é, nome regional (glosa), “Planície da Nuvem Prateada”.

15. Zimmer, erroneamente, “vor den gerichten.”

16. Literalmente, “com severidade”. Zimmer, “fur die kehle?”

17. Cf. i lobrai ocus i n-ingás, Sergl. Conc. 10.

18. Isto é, nome regional (glosa).

19. Isto é, região (glosa), “Terra Abundante”.

20. Dracoin = Lai. Dracontiae.

21. “Juba” e “cabelo” são metáforas frequentes na poesia irlandesa para a crista e o borrifo de uma onda, por exemplo: in n-ed maras mong for muir, “enquanto uma onda com crista permanece no mar.” Ir. Texte iii. p. 16. Cf. também com o adjetivo tibrech, “peludo” (de tibre .i. finda na grúaide flacbas in altan dia hése, Harl. 5280, fo. 41 a) em úas tuind tibrig, LL. 17 b, 2 = fri tuinn tibhrigh, erroneamente explicado por O’Clery, s.v. tibhrigh.

22. Isto é, ilha (glosa), isto é, nome regional (glosa), “Terra Gentil”.

23. Cf. Sg. 122 b, onde céitegrinne fíno glosa “néctar”.

24. “Planície do Mar”.

25. Isto é, região (glosa), “Planície dos Esportes”.

26. Literalmente, “contra o qual o mar bate”.

27. Literalmente, “aumenta a música”.

28. Aqui e no §60, o nominativo Emne é usado ao invés de Emain (§§ 3,10).

29. Ir. brec, “variado”, provavelmente referindo-se aos seus vestidos. Cf. cóíca ingen ildathach, Sergl. Conc. 45.

30. Isto é, nome regional (glosa), “Terra Muito Gentil”.

31. Ou, talvez, se lermos la suthaini síne, “É através do tempo duradouro (literalmente, duração do tempo) que a prata cai na terra.”

32. Isto é, o mar, “Planície de Esportes”.

33. Isto é, nome regional, “Terra Multicolorida”.

34. Esse refrão reaparece de uma forma um pouco modificada em um poema (Laud 615, p. 18) endereçado à Colum Cille por Mongan, que tinha vindo da Terra da Promessa (Tír Tairngiri) para encontrar o santo em Carraic Eolairg em Lough Foyle. Ver apêndice, p. 88.

35. Isto é, Cristo (glosa).

36. Literalmente, “Sobre a trave horizontal ou haste horizontal,”  aludindo provavelmente ao baixo nascimento de Cristo.

37. Cf. ar attú cen tosach cen forcenn gl. Qui ante creaturae exordia idem esse non desinas, Ml. 110 d, is.

38. Cf. Stokes, Goid. P. 182: beith fo étoil mac Maire, “para ele sob a ira do filho de Maria”.

39. Uma alusão ao batismo.

40. Zimmer interpreta “ob sin gegangen”, mas cía aqui significa “para onde” (= dórico πεῖ, Strachan). Cf. noconfess cía deochatar, LL. 290 a, 27. Ni fetatar cia deochaid nó can donluid, Sergl. Conc. 12, etc. No sentido de “para onde”, cía ocorre apenas na frase cía...cenco, “para onde... ou não,” por exemplo: fó leis cía nothiasta ass, fó leis cenco tiasta, LL. 109a, 30; cía fogabad cenco fagbad, rabeindse ar a chind, LL. 51 b, 17.

41. Literalmente, “homem da mesma idade”.

42. O manuscrito novamente contêm apenas vinte e oito estrofes.

43. Ir. slonnud significa descobrir o nome de alguém, ou patronímico, como em Rawl. B. 502, fo. 73 a, 2: Buchet a ainm mac hui Inblae a slonnud, ou o lugar de origem de alguém, como em LU. 15 b, 5: ro íarfaig Finnan a slonniud de. Asbert friu: de Ultaib dam-sa.

44. Ou Mag Mell pode se tornar aqui um topônimo. Cf. §39. É a mais frequente designação do Campos Elísios irlandês.

45. Este parece ser o significado do verbo tibrim, outro exemplo que ocorre em Rev. Celt. Xi. p. 130: ni fuil tráich nach tiprai tonn, que eu deveria ter traduzido como “não há uma praia em que uma onda não bata”.

46. “Planície de Esportes”, glosado por “mar” acima, §23.

47. Eu considero que este seja o significado de écomras, o negativo de comras, “suave”, que ocorre em cornaib sruachaib comrasaib (LL. 276 a, 6), “com suaves chifres prendidos”. Stokes supõe que –ras seja o cognado com W. rhathu, “pedir”.

48. O salmão que Bran vê são bezerros e cordeiros (glosa).

49. “Planície Agradável” ou “Planície Feliz”. Ver nota no §34.

50. Isto é, havia muitas tropas próximas a ele, e Bran não podia vê-las (glosa).

51. Essa interpretação permanece na conexão duvidosa de drepa com o Lat. Drappus, que pode ter sido um empréstimo. Devemos comparar a obscura linha drengaitir (sic legendem?) dreppa daena, Goid. p. 176?

52. Uma mera suposição sobre o significado de imrborbach.

53. Literalmente, “um bosque sob mastros (bolotas) no qual é belo”.

54. Eu considero que foirbthe seja a forma neutra do particípio passivo de forbenim usado como um substantivo.

55. Isto é, do túmulo.

56. Eu considero que mbeth seja o injuntivo, na terceira pessoa do singular, de biu, com o relativo n prefixado.

57. Isto é, para Adão no Paraíso.

58. Essa interpretação de saibse (saibsi) ceni não é mais que uma suposição. Talvez sáibse é um substantivo derivado de sáib, “falso”.

59. viz. Adão.

60. Cf. LU. 17 b; 16: do bithaitreb péne ocus rege cen nach crích etir = LL. 281 a, 38; do bithaittreb péne ocus régc cen nach n-díl etir.

61. Isto é, cultuando ídolos (glosa).

62. Isto é, Cristo (glosa).

63. Isto é, para a Irlanda.

64. Isto é, para a esposa de Fiachna, rei de Ulster Dalriada, cujo assentamento real era em Rathmore, em Moylinny (Linemag), Condado de Antrim.

65. Isto é, “A Concepção de Monga” (glosa).

66. Isto é, Mangan filho de Fiachna (glosa).

67. Literalmente, “deitará em uma vigorosa união”.

68. “Nobre Dama,” o nome da esposa de Fiachne. Gilla Modutn, em seu poema Senchas Ban (LL. 140 a, 37), escrito em 1147 d.C., a torna a filha do filho de Demmán Dublacha.

69. Isso é uma suposição do significado de moithfe. Eu o considerei como o suporte de móithfe, de móithaim, mod. maothaim, “Eu suavizo”.

70. I froiss pode significar “em uma chuva”; mas fross também é usado metaforicamente no sentido de “ataque, investida”. Cf.

71. Isto é, após a morte (glosa).

72. Isto é, famoso, sem fim (anforcnedach? Cf. LU. 26 b, 27), isto é, no corpo futuro (glosa).

73. Cf. nosilis rói, LU. 66 b, 26.

74. A tradução dessa estrofe é bastante incerta, já que o texto irlandês está incrivelmente corrompido em vários lugares.

75. Quanto ao significado de airchend, ver Windisch, Bea. D. sächs. Gesellschaft der Wissenschaften, 19.7.1890.

76. Isto é, proprinn iloch (glosa). Aqui, iloch parece obscuro para mim. Você poderia esperar uma palavra para “ilha”. Islay também é referida no poema de Boirche sobre a morte de Mongan (Quatro Mestres, 620 d.C.). De acordo com Cinaed ua Hartacaín (+975), Mongan foi morto por uma tropa de Cantire (la féin Cindtíre, LL. 31 b, 42).

77. Isso se refere à morte de Mongan por Artur mac Bicoir.

78. Isto é, in corpora (glosa).

79. Isto é, esta é a “Morte de Mongan”, uma pedra de um estilingue foi atirada nele (glosa); isto é, uma pedra na luta na fortaleza de Mongan (glosa).

80. Isto é, uma fortaleza (glosa). Senlabor não foi identificada.

81. Não identificado.

82. Isto é, os anjos.

83. Isto é, em uma carruagem.

84. Cf. nota no §19.

85. O irlandês dath, “cor”, é frequentemente usado no sentido de “tipo”.

86. Treftech, um derivado de trefet, “soprando.” Cf. trefet i séitedh, ut est: for trefet a tóna H. 3, 18, p. 51, e ver O’Dav. P. 122, s.v. treifet. Em Laws i.p. 126, 5 (cf.p. 144, 1) significa “pulmões/foles”.

87. viz. Bran.

88. Zimmer, adotando a leitura incorreta de R (na mná ao invés de nammá) interpreta: “sondern blickte die frauen an.” Nenhuma mulher tinha sido mencionada.

89. Zimmer interpreta como “ehepaar”. Mas não há uma razão em particular para isso.

90. Para esse uso de écmaing = “realmente era”. Cf. Ir. Texte iii. p. 17:

“Andarlium ba slúaiged fer,
Góidil co ler iar n-gail gairg:
Eccmuing bar í. Midi máir
Doluid do dáim óenaig aird.”

“Parecia para mim que era uma tropa de homens,
Os gaélicos em números após a proeza feroz;
Mas era o rei da grande Meath,
Indo para a companhia de um nobre encontro.”

91. Isto é, cada homem encontrava em sua comida e bebida o gosto que ele especialmente desejava, um incidente comum na narrativa irlandesa.

92. Ele foi o herói de um conto, o título do qual figura na lista de sagas no LL. p. 170 b como Echtra Nectain maic Alfroinn. Não se sabe se esse conto existe; provavelmente ele contém os incidentes aqui narrados.

93. O’Curry, MS. Mat. P 477, nota 15, diz que existem dois lugares com esse nome – um no oeste de Kerry, e o outro agora chamado de Staoove ou Shruve Brin, na entrada para o Lough Foyle, um pouco ao sul de Inishowen Head. Como os antigos irlandeses imaginavam Mag Mell sendo no sul ou sudoeste da Irlanda (ver Stokes, Rev. Celt. Xv. P. 438), parece natural que Bran vindo de lá chegue em um lugar de Kerry. De outra forma, a conexão de Bran com o Lough Foyle, assim chamado devido ao seu pai Febal, pode ter algum significado. Veja o dindshenchas na Rev. Celt. Xv. P. 450, onde o Srub Brain é dito ser “O Córrego do Corvo”. Stokes acredita que esse Srub Brain é o lugar em Donegal; mas, considerando que os números 50 e 53 do Rennes Dindsenchas todos se referem aos lugares em Kerry, eu acredito que seja em West Kerry.

94. viz. Nechtan mac Collbrain.

95. Isto é, água benta.

Fonte: MEYER, Kuno. “The Voyage of Bran”. 1985. Disponível em: <http://www.sacred-texts.com/neu/celt/vob/index.htm>. Acesso em: 20 de agosto de 2016.


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