quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Os métricos Dindshenchas: Temair IV


Poema/história 4
Temair IV

1. Esse mundo, transitório é seu esplendor!
Perecível ajuntamento de uma centena de tropas;
Traiçoeiro para descrever é a multidão de prazeres,
Exceto apenas a adoração do Rei de todas as coisas.


2. Pereceu cada lei a respeito da alta fortuna,
Esmigalhada ao barro está cada ordem;
Temair, apesar de hoje ela está deserta,
Em uma época foi a habitação dos heróis.

3. Não havia esgotamento de suas torres de muitos lados,
Onde estava a assembleia das lendárias tropas;
Muitos eram os bandos cujo lar era
A gramada torre1 de solo verde.

4. Foi uma fortaleza de homens famosos e sábios,
Um castelo como um tronco com rebentos de guerreiros,
Um cume conspícuo para ver,
Na época de Cormac, neto de Conn.

5. Nobre é o título que a protege,
O nome que ele escolheu [para marcar] entre as cidades;
O Forte de Crofind, baia da vitória,
Ultrapassa Boand, pedra de moinho de combate.

6. Quando Cormac estava entre os famosos
O brilho iluminou a fama de sua carreira;
Nenhuma fortaleza como Temair poderia ser encontrada;
Ela era o objetivo da estrada do mundo.

7. Forte diante das tropas era o poder
Desse rei que costumava cavalgar por Temair;
Melhor para nós que tribos inúmeras
É o conto de seu séquito familiar.

8. A grande casa com milhares de soldados
Não era obscuro para a posteridade;
O forte brilhante com o mais excelente dos ilustres,
Setecentos pés era sua medida.

9. Loucura feroz não a empunhava,
Nem o rigor da árdua sabedoria;
Não era muito pequena para separação,
Seis vezes cinco cúbitos era sua altura.

10. Tinha nove muros2, a luta feroz não podia demolir,
Com nove taludes rodeando-os;
Com nobre equipamento de nobres jovens,
Era um forte ilustre e inexpugnável.

11. A moradia do rei, o Rei de Erin,
Foi um refúgio, uma torre, uma fortaleza,
Onde foi derramado o vinho brilhante,
Existiam três vezes cinquenta câmaras nele.

12. Três vezes cinquenta heróis com diademas –
(era um castelo sem tolices e rixas)
Esse era o conto, de acordo com as contagens da fortaleza,
Em cada câmara do número.

13. Considerável era a multidão dessa forma,
O ouro de suas armas brilhava;
Três vezes cinquenta majestosas camas3 estavam lá,
E cinquenta homens para cada cama brilhante.

14. Sete cúbitos, um cálculo honesto,
Diante da lotada companhia bélica,
Com tochas ardentes queimando,
Essa era a medida da lareira.

15. Outros sete, escutei,
Feitos verdadeiramente, com um brilho além da negação,
Majestosos, notáveis, nobres,
E belos lustres de bronze.

16. Essa ensolarada e brilhante cidadela,
Festiva, bélica, com aduelas de barris,
Ali, no meio da radiante hospitalidade,
Estavam portas duas vezes sete em número.

17. Esse era o direito daquele rei –
Um vaso da qual a tropa beberia,
Uma vasta capacidade era o conteúdo cheio dele,
Três centenas de goles estavam nesse vaso.

18. Harmonioso e imponente era o festejo
Dos impetuosos chefes e nobres: -
Não havia nenhum número negligenciado;
Três centenas de copeiros distribuíam o licor.A

19. Nove vezes cinquenta taças para escolherem;
Sua abundância era um caso de escolha
Exceto a que tinha carbúnculo, claro e forte,
Toda em ouro e prata.

20. Três vezes cinquenta cozinheiros a todo vapor,
Atendendo incessantemente,
Com provisões, um suprimento abundante,
Aos alegres reis e chefes.B

21. Cinquenta nobres mordomos
Com o bem guardado e honrado príncipe,
Cinquenta festivos e elegantes lacaios,
Com cada cinquenta dos campeões reais.

22. Cinquenta homens parados
Guardam o robusto lobo,
Enquanto o rei estivesse bebendo,
Para desviar o infortúnio dele.

23. Era uma glória para o maior dos príncipes,
A cada dia [sua comitiva] estava mais numerosa;
Trinta centenas a quem ele mantinha presente
O filho de Art contava diariamente.

24. A companhia chefe dos bons e genuínos poetas
Que declarou o governo de sua assembleia,
Junto com os professores de cada arte em geral,
É certo que tudo o que a companhia fala não é tolice.

25. Vamos contar a história completa da criadagem
Da casa de Temair para a posteridade;
Esse é o seu número correto,
Três vezes mil ao todo.

26. Quando Cormac estava em Temair,
Além de todas as altas proezas pelo seu grande poder,
Um rei igual ao filho de Art Oenfer
Não será encontrado entre os homens do mundo.

27. Cormac, de forma nobre,
Foi a fundação firme e fixa do reinado;
Ele nasceu de Echtach da pele branca,
Ele foi o filho da filha de Ulc Acha.

28. Desde que Salomão estava procurando
Quem era o melhor que todas as descendências juntas,
Existe alguma descendência como a de Cormac
Que desfrutou o mundo?    

 Notas originais

A. [Para esse verso, leia:] Seu licor, girando em seu estado, fez 300 copeiros distribuírem para os impetuosos príncipes e nobres: nenhum número foi negligenciado.

B. [Para as linhas 2 a 4 desse verso, leia:] nunca parando pelo atraso, para servir a comida dos reis de amplo alcance [ou de mãos amplas] e príncipes – um emprego agradável. 

Fonte: Fonte: GWYNN, Edward J. The Metrical Dindshenchas: vol. 1. Disponível em: < http://www.ucc.ie/celt/published/T106500A/index.html>. A versão em Gaoidhealg (Irlandês médio) está disponível em: <http://www.ucc.ie/celt/published/G106500A/index.html>. 

Notas de tradução

1. Torre. O termo original em inglês é keep, o que na verdade é a torre central ou a mais forte de um castelo, para onde seus moradores se escondiam quando houvesse uma invasão.

2. Muros. Refere-se provavelmente a um monumento megalítico.

3. Camas. O termo original é couch, o que pode significar também sofás ou divãs. Considerei que cama fosse o mais apropriado, mas a interpretação fica com o leitor. 

Para ter a versão em .pdf, clique aqui.

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