sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O deus Lug

LUG
Deus de todas as artes



Então Bres, filho de Elathan  disse: “Estou surpreso que o sol esteja levantando-se hoje no oeste, e não no leste como nos outros dias.” “Melhor seria para nós se fosse o sol,” disseram os druidas. “O que é então?” disse ele. “É a face brilhante de Lug mac Ethlinn.”

Introdução
               
Continuando com os textos sobre os deuses gaélicos, escrevo agora sobre Lug, uma das divindades mais conhecidas e cultuadas dentro da religião gaélica. Para que fique bastante claro o que é conhecido sobre esse deus dentro da mitologia e o que é especulação, a estrutura deste texto é bastante simples: as partes “Nomes e títulos”, “Família” e “Mitos” compreendem um apanhado geral dessas informações que encontramos na mitologia, enquanto que as partes subsequentes são gnoses[1] e percepções pessoais, embasadas historicamente, mitologicamente e em estudos e citações de outros estudiosos e historiadores.

Lug (pronuncia-se ) é outro deus bastante conhecido nas terras gaélicas, tanto que sua fama foi tão grande que seu nome é conhecido até mesmo na Ilha de Man. Embora pertença aos Tuatha Dé Danann[2], Lug é fruto de uma união interclânica entre uma divindade desta tribo e uma divindade fomoriana[3]. Ele possui uma rica tradição mitológica e folclórica, mas é difícil traçar seus atributos valendo-se apenas dessas evidências; é uma divindade complexa para ser descrita, pois possui tantos atributos que talvez possam ser resumidos em apenas uma característica principal: o deus das muitas artes.


Nomes e títulos

                Lug é uma divindade que possui muitos títulos e epítetos; seu nome em si também pode receber duas interpretações diferentes: uma dessas interpretações, de acordo com o linguista Alexei Kondratiev, acredita que o nome venha possivelmente da raiz indo-europeia leuk, que significa “luz”,[4] e a outra, segundo o historiador e linguista John T. Koch, é que o nome tenha origem na raiz proto-céltica lugio, que significa “juramento”.[5] Alguns estudiosos acreditam que seja pouco provável que seu nome derive-se de leuk, por questões linguísticas, visto que futuramente o termo nunca se transformaria em Lug.[6] Ele é conhecido principalmente como Lug Lámhfada (“Do Braço Longo”), Lonnbeimnech (“Atirador feroz”), Ildánach (“O de muitas artes”) e Samildánach (“Habilidoso em muitas artes”), e também encontramos Lug Lonnannsclech como um de seus nomes, mas não encontrei a tradução para este título. Às vezes, ele se apresenta como Lug mac Cian (“Filho de Cian”), ou unicamente em toda a mitologia gaélica, como Lug mac Eithlinn (“Filho de Eithlinn”), sendo o único deus cujo nome se deriva do nome de sua mãe. Há um poema no Livro das Invasões[7] sobre os Tuatha Dé Danann, que chama Lug de “A lança mortífera”, “Cheio de vitórias”, e uma história dos métricos Dindshenchas[8] o chama de “Lug das lanças vermelhas”.

Família

                Lug é filho de Cian mac Diancecht e Eithlinn ní Bhaloir, sendo neto de Balor e Ceithlenn por parte de mãe, e neto de Diancecht por parte de pai. Eblenn da Pele Radiante é sua irmã, também filha de Cian e Eithlinn. Seus filhos são Cúchulainn e Cnu Deiroil, e ele teve muitas esposas: Duach que o traiu com Ogma, Buí e Nas – as duas filhas de Ruadri Ruad (Buí provavelmente é a mesma que Cailleach Beara), Dechtire e provavelmente uma mulher apresentada como “A Soberania da Irlanda” (Ériu, talvez?). Seus pais adotivos são Tailtiu, a filha de Mag Mór e esposa de Eochaid mac Eirc, e Manannan mac Lir.

Mitos   

                Como já foi falado, existe uma rica tradição mitológica a cerca de Lug. O mito que relata seu nascimento está registrado em uma lenda folclórica da Ilha de Tory[9], que conta que seu avô Balor tinha uma filha chamada Eithlinn, e este a trancou em uma torre na Ilha de Tory, a Tór Mór, junto com doze mulheres para que ela nunca encontrasse nenhum homem, pois havia sido profetizado por um druida que Balor seria morto pelo seu neto. Cian, filho de Diancecht, consegue acesso à torre disfarçado de rainha com a ajuda de Biróg, uma druidesa (ou uma mulher dos Sídhe), através de uma rajada de vento que o transporta para lá. Ele se une com Eithlinn, que gera Lug. Quando a criança nasce, Balor ordena que seu povo leve a criança para o mar para afogá-lo, mas chegando lá, o pino que envolvia a criança em um manto se solta, e a criança cai no mar, sendo resgatada posteriormente por Biróg, que dá para Cian e que por sua vez, dá o filho para Tailtiu criar. Em outras versões do mito, os Fomoire e os Tuatha Dé Danann fazem uma aliança, e para selar essa aliança, dá Eithlinn para Cian, que juntos concebem Lug. Em outras histórias, Lug é levado para a Corte de Manannán para ser criado em Emain Ablach, a terra dos teixos e cisnes, ou em Tír Taírnge (“Terra da Promessa”), e lá, é revelado que ele precisa ir para Temair tomar o lugar do rei Nuada para conduzir os Tuatha Dé Danann à vitória na guerra contra os fomorianos.

Seu principal mito está na “Segunda Batalha de Moytura” [10], que conta sua chegada em Tara; ele chega com seu bando de guerreiros (guerreiros que segundo a lenda manesa, são seus irmãos adotivos, filhos de Manannan mac Lir, com quem foi criado) e o porteiro lhe pergunta qual é sua habilidade, pois qualquer um que entra em Tara, precisava dominar uma. Ele se apresenta como um carpinteiro, ferreiro, campeão, herói, harpista, poeta, historiador, feiticeiro, médico, copeiro e trabalhador em bronze, mas para cada ofício que ele diz, o porteiro diz que sua presença não seria justificada, já que existem estes mesmos profissionais em Tara. Lug então manda o porteiro perguntar ao rei se existe alguém em Tara que possui todas essas habilidades juntas, e que se tivesse, ele não entraria. Nuada, o rei dos Tuatha Dé Danann naquela ocasião, enviou vários tabuleiros de fidchell (um antigo jogo irlandês de tabuleiro que pode ter dado origem ao nosso xadrez moderno), e Lug ganhou todas as partidas. Sendo assim, ele é admitido em Tara, e ao ver as incríveis habilidades do guerreiro, Nuada prepara para ele o “Assento do Sábio”, pois ele “é um sábio em todas as artes”, e depois disso, Nuada organiza um conselho com os deuses, e todos concordam que Lug deveria ser rei, e sendo assim, Nuada passa seu reinado para o deus habilidoso, onde permanece durante quarenta anos após a Segunda Batalha de Moytura. Logo ao entrar em Tara, Lug mostra sua habilidade como harpista, atendendo ao pedido das tropas. Primeiro, ele toca a Melodia do Sono, fazendo com que todas as tropas dormissem daquela hora até a mesma hora do dia seguinte; depois, ele toca a Melodia do Choro, e todos ficam tristes e chorosos, e por último, a Melodia do Riso, fazendo todos ficarem felizes e alegres. Depois de tocar a harpa, Ogma pega uma laje de pedra que fica no meio do palácio e a arremessa para fora, como uma provocação para Lug. Ele, para mostrar que também é capaz, pega a laje de pedra, e a arremessa novamente para dentro, no mesmo lugar onde estava – essa laje de pedra, no entanto, requer a força de oitenta bois para movê-la.

Ele assume um papel importante no mito “O destino dos filhos de Turenn”: seu pai Cian é morto pelos filhos de Turenn – Brian, Iuchar e Iucharba – e quando Lug descobre, impõe uma multa e uma punição sobre eles, mandando-os em buscas supostamente “impossíveis” de armas e itens encantados, pois ele saberia que eles não sobreviveriam à viagem já que todos os itens eram poderosamente guardados. Alguns desses itens – as maçãs douradas do Jardim Ocidental que curavam todas as doenças, a pele do porco de Tuis que curava todas as feridas e transformava água em vinho, a sua mortal Lança Luin, os dois cavalos e a carruagem de Dobar, que eram os mais velozes do mundo e podiam andar no mar também, a cachorrinha que era o animal mais bonito do mundo, os sete porcos cuja carne curava todas as doenças, o espeto de cozinhar de Cenn-fhinne – seriam posteriormente utilizados na Segunda Batalha de Moytura. A última tarefa dada à eles por Lug resultou na sua morte – dar os três gritos na colina de Miochaoin, onde foram gravemente feridos e Lug recusou-se dar a pele do porco para curá-los. Em outra versão, Lug mata os três irmãos no mar – provavelmente uma interpretação diferente da mesma história. Lug também tinha um poeta que se chamava Abean, o filho de Bec-Felmas, e que havia sido morto por Óengus mac Óg.

Na Segunda Batalha de Moytura, suas habilidades eram tão grandes e tão estimadas por todos que os Tuatha Dé Danann concordam em não deixá-lo ir à vanguarda das tropas e colocaram os seus nove filhos adotivos para protegê-lo, pois todos temiam a morte de um deus tão dotado e habilidoso. Além disso, é ele que organiza as provisões da batalha e se encontra com Ogma, Dagda, Nuada e Dian-cecht na colina que posteriormente ficou conhecida como “Amrum dos Homens das Artes” para discutir as táticas da guerra. Conforme profetizado pelo druida de seu avô Balor, Lug o encontra na Segunda Batalha de Moytura, e quando Balor pede para seus guerreiros abrirem seu olho para que ele possa ver quem está falando com ele, Lug joga uma pedra com o seu estilingue no olho de Balor, fazendo com que este voe por trás de sua cabeça matando centenas de guerreiros com o olhar, e as coroas de suas cabeças são jogadas no peito de Indech – um rei Fomoire – matando-o. No final da grande batalha, Lug encontra Bres desprotegido no campo de batalha, e se fosse poupado, Bres diz que faria com que as vacas da Irlanda sempre dessem leite e que os irlandeses teriam uma colheita a cada trimestre do ano, mas Lug recusa, e ao invés disso, pergunta a Bres como e quando os irlandeses deviam arar, semear e colher, e assim, ele ganha o conhecimento agrícola e Bres é liberado. Ainda no final da Segunda Batalha de Moytura, Lug junto com o Dagda e Ogma vai até o acampamento dos fomorianos para recuperar a harpa que havia sido roubada do Dagda.  

                De acordo com o mito “O Nascimento de Cúchulainn”, Lug é o pai divino de Cúchulainn. A filha do rei Conchobar, Dechtire, tinha fugido com cinquenta donzelas na forma de um bando de pássaros até Emain Macha, e lá, destruíram as colheitas dos homens. Bricriu, Conchobar e outros homens procuraram por elas durante três anos, até que um dia, Bricriu escuta a melodia encantada de Cnu Deiroil (“A Pequena Avelã”, que em outros contos diz ser filho de Lug; era um homem pequeno e cabelo loiro que chegava até sua cintura. Era um harpista que também já apareceu para Finn e os Fianna para tocar música para eles) que o atrai para a bela e ornamentada mansão de Lug, e lá, ele encontra Dechtire com suas cinquenta donzelas, e ao ser levada para seu pai, ela já estava tendo as dores do parto. Quando todas acordam na manhã seguinte, o bebê Cuchulainn estava enrolado no manto de Conchobar, que disse que criaria o menino como se fosse seu próprio filho.

                Lug também aparece para o rei Conn das Cem Batalhas no mito “O Frenesi do Fantasma”, com seus druidas e poetas, que chegaram até sua mansão encantada através de uma névoa, convidados por um cavaleiro. Sua casa tinha cerca de trinta pés de comprimento e a trave horizontal (uma viga) era feita de bronze branco. Na mansão, Conn e os druidas encontram Lug sentado em seu trono, sendo descrito como o homem mais belo, nobre e maravilhoso que já existiu em Tara, junto com uma mulher que se apresenta como “A Soberania da Irlanda”. A mulher dá a Conn uma costela de boi e javali, e quando divide as bebidas, pergunta a Lug para quem deve dar o cálice dourado com a cerveja dourada. Após dá-la a Conn, ela enumera todos os reis que governariam Tara e a extensão de seu reinado, e posteriormente, tudo havia sumido, e Conn se encontra novamente na planície de onde veio com seus druidas, poetas, um barril com cerveja vermelha e o cálice dourado.

No Táin Bó Cualnge (o épico irlandês que relata uma tentativa de roubo do touro encantado Donn Cualnge, sendo impedido por um jovem herói chamado Cuchulainn), ele aparece para seu filho semi-mortal, o herói Cúchulainn, quando ele estava com seu cocheiro Laég. Ele caminha até os dois por entre a tropa sem que ninguém o veja, apenas os dois. Vendo que seu filho estava extremamente machucado e não dormia por dias, ele o coloca para dormir através de um encantamento, e durante seu sono, coloca diversas plantas medicinais sobre suas feridas de batalha e canta encantamentos de cura, e ao acordar, todas as suas feridas haviam sido curadas; enquanto dormia, Lug combateu os inimigos no lugar do seu filho. Lug também lutou ao lado de Cúchulainn na Batalha de Sesrech Breslinge.

                Nos métricos Dindshenchas, há um mito que diz que Lug matou Cermait Milbél por ele ter dormido com sua esposa Buach, a filha de Daire Donn (outras fontes dizem que isso era mentira de um druida, entretanto). Por consequência disso, os três filhos de Cermait – Mac Cuill, Mac Greine e Mac Cecht – armam um plano para matar Lug em Uisnech, e Mac Cuill arremessa uma lança em seu pé, mas ele foi capaz de fugir para Loch Lugborta devido a sua agilidade, mas lá ele morre afogado. Uma pedra foi erguida para enterrar seu corpo – o Carn Lugdach, “Túmulo de Lug” – e o Lug também dá seu nome ao lago. Em outras versões, ele não morre afogado, mas assassinado por Mac Cuill. É curioso que ele morre pelos três filhos de um pai que ele mata, e mata os três filhos que mataram o seu pai Cian.

Atributos
               
O principal atributo de Lug é sua multi-habilidade. É uma divindade versada em todas as artes e ofícios humanos, e tal atributo pode ser confirmado através do significado de dois de seus títulos mostrado acima – Ildánach e Samildánach – assim como na mitologia. O principal mito que comprova esse seu atributo é o que conta sua chegada em Tara, quando ele é questionado sobre sua habilidade, e para cada habilidade que ele cita (ele diz que é um carpinteiro, ferreiro, poeta, historiador, feiticeiro, heroi, harpista, médico, campeão e trabalhador em bronze), os porteiros dizem que há alguém correspondente lá. Após dizer todas as suas artes e ser negada a sua entrada, ele então pergunta se existe em Tara alguém que tenha todas essas habilidades juntas, e então, é admitido no palácio. Dentre as habilidades citadas acima, vale nos atentar para seus relatos como harpista, quando ele toca para o povo de Tara, logo após entrar no palácio, as três melodias – a do sono, da alegria e da tristeza – e como médico, quando ele cura as feridas do seu filho Cúchulainn no Tain Bó Cúalnge. Como campeão, ele é descrito como tendo uma força sobrenatural, arremessando uma pedra de um megalítico para dentro de Tara após Ogma tê-la jogado para fora do palácio, como uma provocação para Lug.  Acredita-se também que Lug seja a primeira pessoa (ou o inventor) a trazer o fidchell para a Irlanda, assim como o “jogo de bola” (provavelmente seja o hurling ou o futebol gaélico) e a corrida de cavalos. Além de todas essas habilidades, ele também é um deus muito sábio, pois conforme relatado nos métricos Dindshenchas, Lug matou Bres através de um estratagema muito inteligente: com a ajuda de Nechtán, que jogou cinza em todas as vacas da Irlanda para deixá-las com o pelo escuro, Lug mandou fazer várias vacas de madeira e preencheu-as com um líquido vermelho (em outras fontes diz ser uma “substância do pântano”, mas em ambos os casos, significa veneno). Essas vacas são levadas para Carn Ui Neit, e Bres é convocado até lá. Lug “ordenha” esse “leite” através das tetas de madeira das vacas falsas, e oferece um copo para Bres, que não podia rejeitar qualquer hospitalidade, e então morre envenenado. Além disso, foi ele que organizou todas as estratégias e provisões de guerra para a Segunda Batalha de Moytura, junto com Dagda, Diancecht, Goibniu e Ogma. Com os parágrafos acima, temos as evidências das múltiplas habilidades de Lug, e assim, podemos concluir que de fato ele é o deus de todas as artes e ofícios.

                Outra provável característica de Lug é ele sendo um deus dos guerreiros, da guerra, ou pelo menos, das estratégias militares. Há algumas referências na mitologia que podem ajudar a comprovar esse fato: ele sempre é descrito com um guerreiro, um deus que fica furioso rapidamente e que não foge de combate, segundo um poema que mostra a conversa de Lug com o porteiro de Tara[11]. Na Segunda Batalha de Moytura, ele se reúne com Dagda, Goibniu, Ogma e Diancecht para discutir as táticas de batalha, e é ele que manda o Dagda para espionar o acampamento dos fomorianos e de alguma forma tentar atrasá-los; além disso, no início da batalha ele escapou de seus nove guardas e foi para a vanguarda das tropas, fortalecendo os homens, encorajando-os, para que cada um ficasse com o espírito de um rei e de um nobre e valente guerreiro; ele os estimula, dizendo que é melhor morrer protegendo sua pátria do que vivendo sob os tributos dos fomorianos. Ele coloca-se em um pé, e com um olho fechado, canta um encantamento sobre a tropa.

                Lug ainda possui muitas armas de guerra, o que pode suportar a crença dele sendo um deus-guerreiro: sua principal arma é a Lança de Lug que tinha sido trazida de Findias (uma das quatro ilhas ao norte do mundo onde os Tuatha Dé Danann tinham aprendido todas as suas habilidades até serem melhores que seus mestres) – dizia-se que nenhuma batalha era vencida contra essa lança ou contra qualquer pessoa que a empunhasse (outras fontes, no entanto, diz que Lança de Lug não pertencia a ele, e sim à Nuada, que por sua vez, sua Espada vinda de Gorias pertencia à Lug, e não a Nuada. Ainda, outra versão diz que a Lança de Lug não veio de Findias, e sim de Gorias). Lug possui uma relação muito forte com lanças; além dessa já citada, ele pediu a Lança Luin que pertencia ao Rei da Pérsia como parte da punição que ele deu aos Filhos de Tuirenn por ter matado seu pai Cian – essa lança mortal deveria sempre estar mergulhada em um balde de água para não queimar tudo o que ela tocasse. Lug também é chamado de “a lança mortífera” ou “Lug das lanças vermelhas”, conforme já foi citado, e quando ele aparece para Cúchulainn, ele empunha uma lança de cinco pontas. Curiosamente, ele também morre com um golpe de lança no pé, de acordo com uma história dos métricos Dindshenchas. Ele vestia uma cota de malha que ninguém poderia ferir quem a usava, e um peitoral que nenhuma arma podia perfurar – ambos presentes de Manannan mac Lir para ele. Seu capacete tinha duas pedras preciosas brilhantes, uma na parte da frente, e outra atrás. Ele também empunhava a espada Freagarthach, “Ela que responde”, também dado ou emprestado por Manannan, e nenhum homem poderia se recuperar de um golpe dado por essa espada. Lug é também descrito usando o “manto da filha de Flidais”, mas não se sabe se esse item tinha alguma propriedade encantada que fosse ajudar na batalha. Por último, mas nunca menos a importante, o famoso estilingue que matou seu avô Balor na Batalha de Moytura. Era uma divindade tão terrível em batalha, que em uma versão da chegada dos Tuatha Dé Danann na Irlanda, estes queimam seus barcos para que Lug não os encontrasse e disputasse o reinado com Nuada.

                Curiosamente, Lug também possui associações com o clima e os raios. No folclore do Condado de Mayo, na Irlanda, diz-se que quando havia uma tempestade as pessoas dizem “O vento de Lug do Braço Longo está voando essa noite”, enquanto outra pessoa respondia, “Sim, e as faíscas de seu pai”.[12] As faíscas no caso, são os raios, e o “pai”, é Balor. No Lugnasad, festival que leva seu nome, é comum ter tempestades do final de verão, e alguns estudiosos acreditam que a luta de Lug e Balor na Segunda Batalha de Moytura possa ser uma explicação teológica para essas tempestades: Balor Béimeann, que é conhecido por ter um “olho venenoso e mortal” – seu único olho permanecia sempre fechado em sua cabeça com nove dobras de sua pálpebra, e só era aberto no campo de batalha, matando qualquer guerreiro que apenas olhasse para o olho – é derrotado pelo seu neto Lug (conforme havia sido profetizado por um druida) com uma pedra através de um estilingue que o deus da Mão Longa arremessa em seu olho na Segunda Batalha de Moytura. Seus epítetos Lámhfada (“Mão Longa”) e Lonnbeimnech (“Atirador feroz”) podem ser uma evidência que suporta isto, e alguns acreditam que uma possível tradução de seu nome seja “luz”, embora seja pouco provável por alguns estudiosos. Contudo, há realmente alguma ligação entre Lug e a luz: o próprio rosto dele brilha tanto que é comparado ao brilho do sol no entardecer, e eles não eram capazes de olhar seu rosto devido a esse brilho. Quando Bres avista o que parecia ser o sol nascendo no oeste, ele se pergunta por que o sol não nasceu no leste como nos outros dias, mas seus druidas respondem que não é o sol – era o rosto de Lug. Contudo, isso não torna a divindade um “deus da luz” e tampouco, deus do sol; Ogma também tem o epíteto de Grianainech (“Ensolarado” ou “Do sol”), e isso não o torna uma divindade solar.

Existe uma ligação do deus em questão com as colheitas. Além do relato do final da Segunda Batalha de Moytura quando ele negocia o perdão de Bres e adquire o conhecimento agrícola para os Tuatha Dé Danann, temos também a associação de Lug com o Lugnasad, cujo nome significa “os jogos fúnebres de Lug” e é considerado o início do outono e da estação da colheita.[13] Pode ser que Lug tenha recebido honrarias no festival, mas o que está mais certo é que a verdadeira homenageada era Tailtiu, sua mãe adotiva, pois Lug institui o festival após Tailtiu morrer de exaustão após limpar a floresta de Coill Cuan, transformando-a em uma planície. Ele cria o festival para fazer jogos e lamentações em honra à sua mãe adotiva, e os guerreiros também faziam proezas com armas em homenagem à ela, uma quinzena antes e uma quinzena após o festival. No folclore irlandês, há algumas histórias associadas com o festival onde uma divindade obscura chamada Crom Dubh luta com São Patrício (que alguns estudiosos acreditam ser o substituto para Lug) fazendo dessa história o tema central do festival: Crom Dubh é um fazendeiro possuidor de muitos bens e colheita farta que não está disposto a dividir seus ganhos, e Lug, o jovem aventureiro, vence Crom Dubh e distribui a colheita próspera e farta com o seu povo. Assim, com o relato mitológico citado acima e sua associação com o Lugnasad (que por sua vez, é um festival da colheita), podemos concluir que Lug possa ter sido associado com as plantações e agricultura, o deus que “ganha” e dá as colheitas para seu povo no final do verão.

                Para finalizarmos os seus atributos, há uma pequena evidência de que Lug tenha sido uma divindade que presidia sobre os juramentos. A única evidência que parece corroborar com isso é uma provável tradução de seu nome como “juramento”. Através de estudos comparativos com o Lugus gaulês – uma divindade que acredita-se ter a mesma origem que o Lug gaélico e o Lleu Llaw Gyffes galês, é provável que Lug também tenha sido um deus patrono do comércio e do dinheiro. Para isso, encontramos nas evidências gaélicas que o Lugnasad – festival com grande ligação com ele – também é um festival onde o comércio e as feiras de venda e troca eram um aspecto muito relevante, assim como atividades legais e políticas. Entretanto, devemos ser cautelosos no estudo comparativo, especialmente no que tange à Lug, já que alguns atributos que são atestados na divindade gaélica não são encontrados, por exemplo, em Lugus ou Llew Llaw Gyffes (duas divindades que parecem ter tido uma origem comum com Lug e que compartilham atributos semelhantes) e vice-versa.

Culto moderno e associações – algumas gnoses

Com a ajuda de todos os fragmentos mitológicos que citamos acima e com as teorias de estudiosos, podemos reconstruir uma base minimamente fundamentada para “reconstruir” um culto moderno para Lug. Ainda que as afirmações citadas a partir deste ponto sejam embasadas historicamente e mitologicamente, é importante ressaltar que se tratam de gnoses pessoais, não devendo ser confundidas com fatos históricos ou crenças e práticas que supostamente existiam em relação à este deus.

                Em relação às plantas e árvores, existe uma vaga associação entre Lug e o teixo (a Luin pode ter sido feita de teixo), portanto, essa pode ser uma árvore relacionada a ele, assim como a Ogham[14] da mesma árvore; como ele é associado intimamente com o Lugnasad, que era a época onde a colheita de trigo e cevada começava na Irlanda, assim como a uva-do-monte e fruta da groselheira, me parece razoável associar tais plantas a ele (sabe-se que no Lugnasad na Irlanda, o primeiro maço da colheita era enterrado em agradecimento, mas essa pode ter sido uma prática mais associada com Tailtiu do que com Lug em si). É difícil de imaginar uma cor associada a ele, mas o dourado é uma cor nobre assim como é a cor dos trigais e campos de cevada (e de algumas moedas, se o vemos como um deus do comércio). Seus animais podem ter sido os cavalos, e provavelmente, o javali e o boi. Os lugares que tem ligação com ele são: Uisnech, Tara, Emain Ablach, Tír Taírnge, a Ilha de Man e o Lago Lugborta (a localização atual desse lago não foi encontrada). As oferendas para ele podem ser: ramos de teixo, maços de trigo e cevada, a cerveja (ale) vermelha irlandesa, uva-do-monte, os frutos da groselheira e especialmente, trabalhos artísticos. O Creideamh-sí[15] diz que leite, mel, bannocks, pão, manteiga, ovos, carne (talvez de javali ou boi), poesias, flores, trabalhos em metais e outros são oferendas apropriadas para o Povo das Colinas, logo, podemos usá-las como ofertas para Lug. Ele é o deus de todas as artes e habilidades, me parece bastante apropriado que trabalhos manuais e artísticos sejam oferecidos para ele, assim como dedicar esses trabalhos a ele ou qualquer outra tarefa artística, além de honrar e manter a sua palavra e seus juramentos. A melhor época para homenageá-lo é o Lugnasad.

Conclusão

E finalmente, com tudo o que vimos sobre Lug, podemos ver o quão multifacetado esse deus é. Sua fama foi tão grande em todos os países gaélicos, desde a Irlanda até a Ilha de Man, que podemos presumir o quão grande seu culto poderia ter sido no passado. Em uma sociedade que prezava muito pelos seus homens de arte – os aés dana – Lug pode ter desempenhado um papel muitíssimo importante e uma divindade muito reverenciada pelos seus. Ele é o deus de todos os ofícios, o guerreiro imbatível e o nobre e corajoso cavaleiro que venceu os poderes da destruição e da seca, conquistando e dando as colheitas para o seu povo e ensinando-os a arte sagrada da agricultura. Para toda arte, ele tem o domínio; para todo problema, Lug tem a solução.

Resumo

Nomes e títulos: Lug, Lug, Samildánach (“Habilidoso em muitas artes”), Ildánach (“O de muitas artes”), Lonnbeimnech (“Atirador feroz”), Lámhfada (“Braço Longo”), Lonnannsclech, “A lança mortífera”, “O cheio de vitórias”, “Das lanças vermelhas”, Lug mac Eithlinn (“Filho de Eithlinn”) e Lug mac Cian (“Filho de Cian”). Ele se apresenta para Conn como Scál (“Fantasma”).  

Parentescos e linhagem divina: Seus pais são Cian e Eithlinn, sendo neto de Balor e Ceithlenn por parte de mãe e neto de Diancecht por parte de pai. Tem Eblenn da Pele Radiante como irmã, e seus filhos são Cúchulainn e Cnu Deiroil. Teve como esposas Duach, Buí, Nas, Dechtire e provavelmente uma mulher que se apresenta como “A Soberania da Irlanda”. Ele foi o filho adotivo de Tailtiu, e em outros casos, também de Manannan mac Lir.

Características físicas e temperamento: Na maior parte dos mitos é descrito como um nobre, formoso e belo guerreiro sempre usando vestes reais. Ele possui um semblante nobre e se irrita facilmente, assim como não foge de uma batalha. Ele é descrito sendo um homem alto, forte, com um longo cabelo loiro encaracolado e com as bochechas rosadas. Usava um manto verde preso por um broche prateado e uma túnica vermelha com bordados em ouro vermelho, empunhando uma lança de cinco pontas, um dardo bifurcado e um escudo negro com o aro de bronze branco. Há relatos de que ele foi o rei mais maravilhoso, belo e extraordinário que Tara já teve, e nunca existiu antes um homem como ele.  

Atributos: Deus de todos os ofícios e artes, dos juramentos, dos guerreiros, estratégias militares, comércio, dinheiro, tempestades do final de verão, colheitas e agricultura. Pode ser que também esteja envolvido com aspectos legais e políticos.

Contos e histórias: Há uma rica tradição mitológica associada com essa divindade. Podemos encontrá-lo na Segunda Batalha de Moytura, no conto folclórico que relata seu nascimento, na concepção do guerreiro Cúchulainn com sua amante Dechtire, no Táin Bó Cualnge onde ele ajuda seu filho Cúchulainn, na sua chegada em Tara, em sua aparição como um fantasma para o rei Conn das Cem Batalhas, no Destino dos Filhos de Turenn, ele também aparece no mito de sua mãe adotiva Taltiu e há uma história que relata sua morte pelos filhos de Cermait Milbél.

Cores: Não nos restou nada que possa indicar sua relação com alguma cor em especial, mas acredito que o dourado possa ter alguma relação com ele, visto que é uma cor dos nobres, assim como é a cor dos trigais e campos de cevada prontos para a colheita e das moedas de ouro, se o vermos como um deus do comércio e do dinheiro – mas claro, tudo isso é pura especulação.

Árvores e plantas: O teixo, provavelmente. Se traçarmos uma ligação também com o Lugnasad, então também a groselheira e a uva-do-monte, assim como o trigo e a cevada.

Animais: Bastante provável que ele tenha uma relação com cavalos por conta de sua ligação com a guerra, e acredito que possa ter tido alguma relação com bois e javalis – na sua casa, é oferecido para Conn das Cem Batalhas a carne desses dois animais.

Lugares: Uisnech, Tara, Emain Ablach, Tír Taírnge (acredita-se que esses dois lugares sejam na verdade a Ilha de Man), a Ilha de Man e Loch Lugborta.

Instrumentos/armas: A Lança de Lug que veio de Findias (ou Gorias, em outras versões), a lança Luin do Rei da Pérsia, o estilingue, “a capa da filha de Flidais”, a espada Freagarthach, a cota de malha e o peitoral – ambos emprestados por Manannán, assim como o barco Scuabtuinne e o capacete com duas pedras preciosas. 

Símbolos: Nenhum que se saiba, mas seus instrumentos citados acima podem ser usados para simbolizá-lo, especialmente a lança e o estilingue.

Festivais: Embora o foco seja sua mãe adotiva Tailtiu, como o Lugnassad foi um festival criado por ele em honra à sua mãe, ele possui uma forte ligação com a festa.

Oferendas: Qualquer tipo de arte feita por você ou não, dedicar a ele um trabalho manual ou o seu ofício, cumprir com a sua palavra e honrar seus compromissos, cerveja vermelha irlandesa, groselhas, uva-do-monte, trigo, cevada e moedas e ramos de teixo - talvez. O creideamh-sí também prescreve leite, mel, pães, manteiga, carne, ovos, poesia, flores, e etc. para todos os seres encantados. 


Bibliografia

Fontes primárias

Lebor Gabala Erenn: O Livro das Invasões da Irlanda. Tradução e edição por R. A. S. Macalister. Disponível em: <http://www.maryjones.us/ctexts/leborgabala.html>. Acesso em 26 de julho de 2017.

Cath Maige Tured: A Segunda Batalha de Moytura. Tradução por Whitley Stokes para a “Revue Celtique, volume 12”. Tradução para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2015/08/a-segunda-batalha-de-magh-tuiredh.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Como o Dagda conseguiu seu bastão mágico. Tradução por Osborn Bergin em “Medieval Studies in Memory of Gertrude Schoepperle Loomis”. Tradução para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2015/08/como-o-dagda-conseguiu-seu-bastao-magico.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Tuatha De Danand na set soim: As Quatro Joias dos Tuatha Dé Danann. Tradução por Vernam Hull. Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2015/08/as-quatro-joias-dos-tuatha-de-danann.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Tochmarc Étaine: O Cortejo de Etain. Tradução por A. H. Leahy em “Heroic Romances of Ireland”. Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2015/07/o-cortejo-de-etain.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Ar an doirseoir ris an deaghlaoch: O porteiro disse ao nobre guerreiro. Tradução por Gofraidh Fionn Ó Dálaigh. Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2016/02/o-porteiro-disse-ao-nobre-guerreiro.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Báile in Scáil: O Frenesi do Fantasma. Tradução por Myles Dillon em “The Cycle of the Kings”. Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2016/02/o-frenesi-do-fantasma.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Compert Con Culainn: O Nascimento de Cu Chulainn. Tradução por Mary Jones em “Celtic Literature Collective”. Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2016/02/o-nascimento-de-cu-chulainn_1.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017. 

Táin Bó Cúalnge: O Roubo do Gado de Cúalnge – verão do Livro de Leinster. Tradução por Cecile O’Rahilly em “CELT – Corpus of Electronic Texts”. Disponível em: < http://celt.ucc.ie/published/T301035/index.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017. 

Táin Bó Cúalnge: O Roubo do Gado de Cúalnge – Revisão I. Tradução por Cecile O’Rahilly em “CELT – Corpus of Electronic Texts”. Disponível em: < http://celt.ucc.ie/published/T301012/index.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017. 

Os Métricos Dindshenchas, volume 3: Poema 4, Cnogba. Tradução por Edward Gwynn em “CELT – Corpus of Electronic Texts Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: <http://tirtairnge.blogspot.com.br/2015/10/os-metricos-dindshenchas-4-cnogba.html >. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Os Métricos Dindshenchas, volume 3: Poema 5, Nás. Tradução por Edward Gwynn em “CELT – Corpus of Electronic Texts. Disponível em: < http://celt.ucc.ie/published/T106500C/text005.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.
 
Os Métricos Dindshenchas, volume 3: Poema 40, Carn Hui Neit. Tradução por Edward Gwynn em “CELT – Corpus of Electronic Texts. Disponível em: < http://celt.ucc.ie/published/T106500C/text040.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Os Métricos Dindshenchas, volume 4: Poema 33, Taltiu. Tradução por Edward Gwynn em “CELT – Corpus of Electronic Texts Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: <http://tirtairnge.blogspot.com.br/2015/08/os-metricos-dindshenchas-taltiu.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Os Métricos Dindshenchas, volume 4: Poema 86, Loch Lugborta. Tradução por Edward Gwynn em “CELT – Corpus of Electronic Texts Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2016/02/loch-lugborta.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Fontes secundárias

The Coming of Lug. Reescrito por Lady Gregory em “Gods and Fighting Men”. Disponível em: < http://www.sacred-texts.com/neu/celt/gafm/gafm05.htm>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Finn’s Household. Reescrito por Lady Gregory em “Gods and Fighting Men”. Disponível em: < http://www.sacred-texts.com/neu/celt/gafm/gafm28.htm>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

O Destino dos Filhos de Turenn. Reescrito por Lady Gregory em “Gods and Fighting Men”. Tradução do inglês para o português por Leonni Moura. Disponível em: < http://tirtairnge.blogspot.com.br/2015/07/o-destino-dos-filhos-de-tuireann.html>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Myths Concerned with the Legendary History of the Isle of Man. Escrito por A. W. Moore em “Folklore of the Isle of Man.” Disponível em: < http://www.sacred-texts.com/neu/celt/fim/fim04.htm>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Lug and the Weather. Escrito por Maire MacNeill em “The Festival of Lugnasad”. Disponível em: <https://heelancoo.wordpress.com/2013/07/31/Lug-and-weather/>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

O Deus Multi-Habilidoso. Escrito por Condeuios Andilixtos em “Celtocrabiion”. Disponível em: <https://celtocrabion.wordpress.com/noibii-os-sacros/deuses/deus-multi-habilidoso/>. Acesso em: 02 de agosto de 2017.

Lùnastal, escrito por Annie Loughlinn para seu site “Tairis.” Tradução para o português por Leonni Moura. Disponível em: <http://tirtairnge.blogspot.com.br/2012/08/lunastal_8587.html>. Acesso em: 26 de julho de 2017.

Lugus: The Many-Gifted Lord, escrito por Alexei Kondratiev para o site “IMBAS”. Disponível em: < http://www.imbas.org/articles/lugus.html>. Acesso em: 03 de agosto de 2017. (*Recomendo ler esse texto com algumas ressalvas; ainda que Kondratiev tenha um bom embasamento histórico e mitológico, suas conclusões podem não ser as mais exatas.)






[1] Uma gnose pessoal é um termo usado pelos reconstrucionistas em geral (não só pelos gaélicos) para designar uma informação que foi encontrada através de inspiração, meditação ou rituais, que não tem atestação histórica, isto é, que nunca foi encontrado. Quando essa informação é confirmada pela arqueologia, mitologia ou folclore, ela se torna uma gnose pessoal verificada.
[2] Uma das quatro tribos de deuses que chegaram à Irlanda, o título é traduzido como “A tribo dos deuses de Anu” ou “A tribo dos deuses das artes”. Eles personificam a civilização, a ordem, as práticas humanas de subsistência e os ofícios, como a tecelagem, metalurgia e medicina. Ao chegarem à Irlanda, lutaram contra os Fír Bolg, e depois, contra os fomorianos para se apossar da ilha, até serem derrotados pelos milesianos, onde se refugiaram debaixo da terra arruinando as colheitas dos homens até um pacto ser feito entre as duas tribos. Divindades dessa tribo incluem Dagda, Bóann, Goibniu, Angus, etc.
[3] Também conhecidos como Fomoire, é uma classe de deuses que personificam os aspectos sinistros e devastadores da natureza, incluindo a morte, o frio e o inverno. Seu nome pode ser traduzido como “Aqueles que vêm de baixo do mar” ou “Gigantes do submundo”, e muitos dessas tribos não são cultuados. Eles já estavam na Irlanda antes de todas as tribos chegarem, e são entendidos como as forças primordiais do planeta. Seu deus e rei mais conhecido é Balor Béimnech, que se acredita que seja o deus das pragas e da seca, representando também um aspecto devastador do sol.
[4] Ver “Lugus: The Many Gifted Lord” de Alexei Kondratiev na bibliografia.
[5] Ver “Deus Multi-habilidoso” do site “Celtocrabion” na bibliografia.
[6] Ibidem.
[7] É um dos principais textos mitológicos da religião gaélica, e relata as histórias das invasões das tribos de deuses que chegaram à Irlanda. Tem um alto teor de elementos cristãos adicionado pelos escribas católicos, e as histórias pagãs frequentemente se fundem com acontecimentos bíblicos.
[8] Os métricos dindshenchas são um corpo de histórias em formato de poesia que contam como determinado lugar foi criado ou como surgiu, a partir de forças sobrenaturais que o deram origem ou simplesmente através de atos realizados por humanos famosos. Acredita-se que os métricos dindshenchas foram criados para dois propósitos: o primeiro para educar a elite militar sobre o conhecimento necessário dos lugares da Irlanda, e o segundo para ser um conhecimento essencial para a casta bárdica, que se esperava recitar os poemas como forma de entretenimento ou sabedoria, ao serem questionados sobre as origens e histórias de determinada paisagem.
[9] O conto folclórico foi coletado por John O’Donovan em 1835. A Ilha de Tory é uma ilha localizada no oeste da Irlanda e possui uma tradição muito fortemente associada com Balor e os fomorianos.
[10] A Segunda Batalha de Moytura foi uma épica batalha entre os Tuatha Dé Danann e os fomorianos. Acredita-se que essa seja uma batalha cósmica entre duas tribos de deuses que representam a ordem e o caos, respectivamente. A batalha foi vencida pelos Tuatha Dé Danann e os fomorianos foram expulsos da Irlanda.
[11] Ver o poema “O porteiro fala ao nobre guerreiro” na bibliografia.
[12] Máire MacNeill, “The Festival of Lughnasad”.
[13] Ver o artigo “Lùnastal” de Annie Loughlinn na bibliografia.
[14] Um alfabeto cuja criação é atribuído a Ogma, o deus gaélico da fala, da escrita e da eloquência. Possui vinte letras chamadas de fedas, divididas em 4 grupos de 5 fedas chamados de aicme. Um quinto aicme foi adicionado posteriormente para suprir os sons fonéticos que não existiam na língua irlandesa, mas muitos praticantes não o consideram em seus estudos e práticas por ter tido uma origem externa. Cada feda representa uma árvore e tem associações com rios, animais, ofícios e outros correlatos. Acredita-se que o Ogham possa ter tido usos divinatórios no passado, pois há relatos que os pagãos gaélicos usavam uma técnica de divinação conhecida como fidlanna, ‘adivinhação pela madeira’, ou ainda, que seja parte de um sistema mágico-religioso, onde cada feda representa um atributo mágico diferente.
[15] É traduzido como a “Fé das Fadas”, e é um conjunto de crenças e práticas que perdura até hoje em algumas áreas rurais da Irlanda. Consiste em vários contos e práticas folclóricas como ofertar leite e manteiga para o Povo Encantado, ou o Povo das Fadas, e tomar medidas para se proteger deles.       

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