domingo, 27 de dezembro de 2015

O progresso dos filhos de Mil da Espanha até a Irlanda


Tochomlad mac Miledh a hEspain i nErind
O progresso dos filhos de Mil da Espanha até a Irlanda

                I. (...) diligentemente¹ observando o firmamento e enumerando seus (...) amplas e gulosas armas de uma madeira de ramificações encaracoladas. Então uma terrível ansiedade mental apoderou-se dele e tudo o que Ith tinha visto de longe naquele dia festivo o fez meditar em profunda perplexidade: o uivo dos cães, o barulho das armas, os choros que inspiram admiração dos reis, rainhas, príncipes e grandes senhores ao ver as tropas marchando firmemente nas cortes do alto-rei. Olhando para o oceano a noroeste foi uma causa de surpresa para sua mente. Ith voltou em seu curso para seus fieis e leais guardiões e para sua grande cidade, que é a mansão de calcário. Seus amigos e companheiros vieram saudá-lo e ele descreveu cortesmente e verdadeiramente tudo o que ele tinha visto de longe naquele dia festivo: o uivo dos cães, etc. “Foi há muito tempo, ó guerreiros,” disse Ith, “desde que seus profetas previram² enfaticamente para seus lamentosos ancestrais que uma bastante agradável ilha de ar puro, uma fértil, nobre e habitada ilha ocidental, será seu território e seu descanso. Minha opinião é que essa seja a terra de planos inclinados, de ondas verdes e de colinas de assembleia da qual eles falaram. Eu vos aconselho, ó guerreiros, a encherem seus navios e procurar essa ilha.” Ele recitou o poema:

“Vejo picos rochosos bem longe, no lugar de minha morte,
Uma acidentada montanha com o pico enevoado.
Lancem seus navios no oceano fomoriano
Ó filhos...”

                “Mas não decida,” disse Donn³, o belo filho de mente firme de Mil, da fama alegre, “sem a preparação e o planejamento adequado de Ir, Emer, Eremon, Airach, Amirgin e Arannan, pois estou muito duvidoso que nenhuma moradia estará tão longe de nós no mundo quanto essa.” “Na verdade, o que é isso,” disse Ith, “senão uma astuta contradição vingativa, uma profecia enfatuada e hipócrita e um golpe clandestino, pois a porção é claramente minha.” Aqueles homens partiram furiosos e Ith marchou furioso para sua propriedade e ofereceu um sacrifício em um sólido e alto altar ordenado. Os barcos foram levados corretamente até o mar para os heróis e eles oraram tristemente para Netuno, para que o alto mar pudesse ser mais calmo. Ele foi oferecer seus serviços no grande navio de madeira nervurada. Ele o cobriu suavemente com piche das duas bordas até o casco para que nenhum lugar pregado fosse inseguro. Cinquenta guerreiros vieram até a fortaleza e preencheram a popa com provisões. Eles trouxeram para o bom navio camas para cada casal. Ith veio rapidamente até a ponte (?) de seu navio para exercê-lo inteligentemente. Ele pegou no grande e pesado leme despido e prontamente o colocou em ação naquele dia. Ele confiou suavemente o mastro ao seu reto e despido aro. Eles içaram a luminosa, alegre e ampla vela  aquele dia. Ele permitiu beber em honra de seu sacrifício, ele, o bom sábio, gracioso, honrável e rigoroso Ith, em seu castelo bem proporcionado e bem planejado no sudeste (também chamado de Ivini).4 Ele de repente retornou, até o rude, cortante, puro e frio vento bater na vela com seus emblemas variados e linhas curvas acima da proa do navio... Mas o navio audaciosamente respondeu aquela linha de vento, de forma que deixou o agitado porto de praias claras localizado no canto ocidental da Espanha com um movimento vacilante e incerto como um pássaro, e velejou com isso direto para Eire, sem dificuldade, até chegar ao porto da fértil e maravilhosa Magh Itha.5 Aqueles heróis saíram felizes de seus navios e colocaram seus nobres e bem nascidos corpos na superfície da planície de bordas verdes e suavemente aparadas. O vale arborizado foi como um manto para os homens depois do mar – fadiga que os deprimiu. Eles começaram a cochilar pacificamente ao zumbido das abelhas, sussurrando enquanto ocupadamente coletavam quando chegavam à ponta das flores. Ele começou a dividir suas provisões com os guerreiros e sacrificou6 em um alto e sólido altar sacrifical para descobrir a verdade sobre sua viagem nessa ocasião. Ith não ficou satisfeito com o oráculo e seus seguidores perceberam seu efeito, e os guerreiros perguntaram qual era a real causa. Ith repetiu sua profecia e compôs essa retórica:

“Vocês procuraram bênção e prosperidade. Vocês encontraram a terra ocidental.
Vocês foram tão tristemente sobre o oceano – lagoa de Netuno.
Vocês pegaram a força do vento. Clann Golaim cedeu.
Profetas diligentemente, druidas severamente, testemunharam.”7

                2. Mas dor e tristeza preencheram os seguidores de Ith após aquele oráculo. Ith disse para eles, “mas como vocês chegaram nessa ilha?” Eles disseram, “vagando em nosso curso e uma névoa mágica nos fez chegar.”

                Não demorou muito depois para eles encontrarem vários vaqueiros e pastores. Eles perguntaram, “que terra é essa para qual viemos?” “Ai,” disseram os vaqueiros, “vocês foram levados para uma caverna, uma ilha ou um deserto, ou sendo cego, surdo ou tolo, vocês foram levados para além (...) que não saibam o nome dessa ilha e os nomes dos reis que a governam.” “Mas não sabemos”, disseram eles. (Que é, Eriu, Fotla e Banba.8 Esses são os nomes das esposas dos três reis que governam, Mac Cuill, Mac Cecht e Mac Greine, os três filhos de Cermad Midbeoil, o filho do Dagda. Eles foram obrigados a governar Eire em turnos e no ano em que um era rei, o nome de sua esposa era dado à ilha.) “Onde verdadeiramente estão os reis?” disse Ith. “Eles estão em Cathair Crobinn,” disseram os vaqueiros, “no centro da planície (?) de Eire.” Todavia, os vaqueiros os indicaram como ir diretamente para Cathair Crobinn9 (que agora é chamada de Tara). Quando chegaram no lugar onde estavam os três reis, eles foram acolhidos e recebidos com respeito. Eles fizeram um dormitório para eles e os serviram bem com bebida e comida de sua escolha por três dias e noites, e então pediram a eles informação. Ith disse que uma névoa mágica e errante em seu curso os trouxeram relutantemente para a terra. Eles ficaram uma quinzena naquele lugar, e a cada dia, Ith explorava os bosques, os lugares ermos, os desertos e os lugares difíceis da terra, e vinha toda noite para sua casa descrever sua experiência e reporta-la para seu filho (que é Lugaid).

                Então surgiu uma disputa entre os três reis de Eire (Mac Cuill, Mac Cecht e Mac Greine) sobre a riqueza e as joias de seu avô. Mac Cuill estava pedindo a parte dos outros dois e eles buscaram a decisão do guerreiro desconhecido que estava no local para decidirem para eles. Eles foram até Ith para dar o julgamento, e este foi o julgamento que Ith deu a eles: dividir as joias assim como dividiam o governo, e eles aceitaram. “Vocês são irracionais, ó guerreiros,” disse Ith, “ao terem má vontade e disputas entre vocês nessa ilha, pois esta terra é adorável e abundantes são seus frutos e peixes. Sua cobertura é sadia e agradáveis são suas costas e portos.” Ele começou a louvar a ilha tão grandemente e a inveja, o ciúme e a suspeita se apoderaram dos três reis com o louvor de Ith a Eire, e eles saíram juntos da casa. Ith percebeu imediatamente o pensamento ruim que os reis tiveram e contou para seu filho e seguidores. Eles ficaram com muito medo e terror, e levantaram-se de repente deixando o lugar e indo encontrar seus navios. Isso foi dito para os reis de Eire. “Dou minha palavra de honra,” disse Mac Cuill, “se esse homem que esteve conosco irá declarar que não nos deixarão quietos ou em paz. Na hora que ele vier será com uma convocação de tropa e exército.” Ele pediu a seus irmãos para seguir Ith com ele e mata-lo, e como ele falhou em convencê-los, o próprio Mac Cuill reuniu trezentos guerreiros armados e perseguiu Ith. Apesar de eles terem alcançado Ith, ele defendeu a retaguarda de seu povo e os conduziram em uma perigosa viagem até chegarem à Magh Itha ao norte.10 Alguns autores dizem que lá Ith foi ferido e enterrado, outros dizem que Mac Cuill o feriu com um hostil gancho de teixo em Druim Ligen.¹¹ Seus seguidores o levaram para o navio após ele ter sido ferido e quando chegaram na nona onda, sua alma tinha partido. Eles levaram seu corpo com eles até o topo de Tur Breogan na Espanha e o enterraram lá.

                3. No entanto, após a morte e extinção do grande Ith, o perspicaz filho de Breogan, pelos impulsivos, fervorosos e mágicos Tuatha De Danann, seus filhos, seguidores, irmãos e parentes começaram a satirizar aqueles belos e corajosos filhos de Mil dizendo que eles deveriam vingar o bom irmão nos Tuatha De da nobre forma. Lugaid, o filho de Ith, os incitou a fazer a expedição bravamente e nobremente, trazendo e ordenando a frota, e ele disse: “não¹² sofram verdadeira oposição com o ataque dos guerreiros de nossa terra nativa. Vão para a alta maré do mar negro com um grande batalhão. Vocês desembarcaram na planície famosa de Eire protegida pela paz. A verdadeira oposição não será tolerada.”

                “¹³Vinde lá com força, astúcia e urgência, ó homens,” disse o alto-rei Donn, o filho do rosto corajoso de Mil. “Pois nunca o assassinato ou a morte foi feita para nós sem retribuição e verdadeira vingança, e esse ato não escapará de nós sem ser seguido e vingado nessa ocasião. Preencham seus navios e barcos. Preparem suas armas e ferramentas. Afiem suas lanças e dardos. Adornem seus capacetes e limpem suas vestes.” Ele recitou o poema:

“Ó homens, prossigam no mar. Deixem seus destinos serem tristemente realizados.
Deixem os ventos agradáveis vos servirem para seus portos, para Eire.
Não abandonem a lança, ó jovens. Corpos de heróis ficarão sem cabeças.
Haverá (...)
Haverá aflição para crianças vivas, devemos chegar com o número de seus navios.
Haverá ataque violento sobre os ombros de homens, devemos alcançar os mares.
A vingança para Ith deverá ser uma dura contenta sobre as cabeças dos feiticeiros de Banba.
Severamente exaltem suas mentes sobre o mar, todos que vêem e escutam,
Escutem a improvisação de seu rei. Eu pressagio um assunto que se tornará verdadeiro.
Deixem suas lâminas serem bem mortais. Acautelem-se. Levantem, ó homens.”

                “Maldade, inquietação e um grande e intolerável sofrimento virá dessa história,” disse Aimirgin do Joelho Branco. “Lancem seus amplos navios bem tripulados da tempestuosa e incerta terra da Espanha diretamente para o exterior.” Eles tinham trinta galés para a raça respeitável dos filhos de Mil e três batalhões masculinos em cada galé, sem incluir os alegres jovens, vitoriosos mercenários e as tropas de mulheres, crianças, jovens e adolescentes das raças e terras sobre as quais aqueles reis tinham saído apressadamente.

                4. No entanto, eles moveram as pontas de rebites esculpidos para os mastros,  encheram as secas e suaves velas com cordas, esticaram a forte pele de touro, pegaram os cordames e esticaram as longas e duras cordas. O rápido e impaciente vento surgiu do sudoeste e foi diretamente até eles sobre o infinito, frio e profundo oceano, sobre o canal com suas arenosas bordas marítimas até chegarem aos portos claros de bordas azuis de Eire. Eles pensaram em parar em Inber Dea14 dessa vez, mas o (…) não os deixaram desembarcar lá: que são, os medonhos deuses druídicos. Surgiram então os druidas e peritos dos Tuatha De no mistério e arte de seu conhecimento, informação e aprendizado, de forma que criaram ventos mágicos em nuvens de chuva dos céus e nos poderosos e derramadores ventos tempestuosos e assim veio uma grande neblina e uma intensa escuridão negra sobre os filhos de Mil, até um grande medo de asfixia se apoderar dos guerreiros com as rajadas de vento da ilha de forma que os eles ficaram ainda mais aterrorizados. Por esse motivo, a partir desse dia o nome “Ilha da Asfixia”15 foi dado para a ilha de Eire. Então os filhos de Mil enviaram e dispuseram em ordem seus druidas e homens sábios e foi dito que era uma vergonha para eles que a magia da outra tropa os conduziu de volta. “Não será uma vergonha,” disse Fulman, o filho de Mil, druida dos milesianos, e ele disse:16

                “Façam um poderoso e corajoso esforço,” disse Fulman, “remem e impulsionem seus navios rapidamente, forçosamente e audaciosamente ao redor da terra até alcançarmos um início de magia e ciência para avançar até as estrelas, para acalmar o mar e atacar os ventos mágicos do volume maligno.” Eles então circularam17 a ilha alertamente e rapidamente sem o conhecimento ou as notícias chegarem aos Tuatha Dé, salvo as zelosas, rancorosas, arrogantes e infelizes feiticeiras de Eire. Estas mataram, através de rajadas de vento mágicas sobre ela, a nobre e doce flor Scéni18, esposa do gentil e alegre rei Amergin, o erudito, matando-a no entardecer. Eles então cavaram seu túmulo, lamentaram por ela e ergueram uma pedra sobre seu este de forma que o lugar foi posteriormente chamado de “Tuber Sceni”. Eles então a deixaram e seguiram audaciosamente para a montanha Senna19, que é chamada de montanha rochosa de Mes20, pois é a pior (mesa) montanha que eles encontraram em Eire, pois lá eles tiveram sua primeira batalha após chegarem, até encontrarem a vitoriosa Banba entre sua tropa mágica de fadas junto com ela. O erudito e poeta Amergin perguntou hostilmente a donzela, “Qual é seu nome, ó donzela?” “Banba é meu nome,” disse ela, “e por minha causa essa ilha é chamada de ‘Inis Banba’. Mas também,” disse ela, “vocês não aproveitarão essa terra para a qual vieram até que haja uma grande perda e prejuízo para seus nobres e oposição aos seus homens, queda para seus chefes, morte para seus filhos e destruição para suas esposas. Vocês encontrarão um mal enorme, inquietação e um agudo sofrimento,” disse a donzela. “Isso não será verdade, ó donzela,” disse Amergin, “pois nem fantasmas, fadas, idiotas de batalha e nenhuma destruição caçarão esses campeões do solo que vieram.” Eles então a deixaram e depois seguiram para a Montanha Naini²¹ que é chamada de montanha de Ebliu²² (pois foi nomeada a partir de Ebliu, a filha de Breogan, quando essa história foi composta).

                Então Fotla os encontrou com suas rápidas tropas de fadas ao seu redor e o sutil Amergin perguntou, “qual é seu nome, ó donzela?” disse ele. “Fotla é meu nome e é por minha causa que essa ilha é chamada de ‘Inis Fotla’. Mas verdadeiramente,” disse ela, “sua expedição para essa terra não será vantagem para seus heróis e nem auspiciosa para eles. Vocês não podem apreender o território, aceitar uma propriedade ou ocupar as casas até que tenham problemas e um doloroso sofrimento nessa posse.” “Isso não se tornará verdade, ó donzela,” disse Amergin, “pois nenhuma conversa de mulheres vivazes e tolas acabará com essa raça forte e viril da terra bem arada e frutífera da qual vieram.”

                Eles deixaram Fotla e seguiram rapidamente para a Colina de Uachdar Erca23 (que é chamada de a nobre Uisnech de24 Meath) até chegar a adorável e maravilhosa donzela, Eriu, para encontra-los com suas tolas e animadas donzelas. O ruivo poeta bélico, Amergin, perguntou, “Qual é seu nome, ó donzela?” disse ele. “Eriu é meu nome,” disse ela, “e é por minha causa que essa ilha é chamada de ‘Inis Erenn’. Mas verdadeiramente sua obstinada exploração dessa terra para a qual vieram não trarão paz, riqueza ou prosperidade, até seus corpos estarem vermelhos com rápidas lacerações feitas pelas longas e brilhantes lâminas de seus inimigos,”25 disse Eriu. “Essa sentença não se tornará verdadeira, ó donzela,” disse Amergin, “pois seus homens não suportarão a carga fulminante desses campeões vingando o amado irmão em vocês, imprudentes, e tomarão a terra contra seus guerreiros.”

                Eles a deixaram rapidamente e foram até Tara (Cathair Crobinni) até os nobres dos Tuatha Dé os encontrarem no amplo gramado verde. Os mais nobres desses senhores eram os três reis bélicos de lâmina vermelha de Eire, que são, Mac Cuill, Mac Cecht e Mac Greine, os nomes estabelecidos dos altos reis. Se eles tivessem outros nomes, eles não seriam nomeados assim, mas a partir dos nomes de seus ídolos venerados. Coll era o deus que Mac Cuill adorava. Cecht era o deus de Mac Cecht. O sol era o deus a quem o grande rei Mac Greine cultuava, como disse o poeta: 

“Nós encontramos o grande Etheoir, severo é o homem,
Coll (aveleira) é seu deus, o neto do Dagda.”26

                “Por que vocês vieram para essa ilha, ó Filhos de Mil?” disseram os Tuatha Dé. “É fácil responder,” disseram os Filhos de Mil, “para ocupar essa terra com nossos campeões, nossos filhos e nossas esposas até o fim do Dia do julgamento e o fim do mundo.” “Concedam o direito de uma decisão legal nesse distrito, em Munster,” disseram os Tuatha De, “pois sua posse não irá para suas mãos e a feitiçaria não dá uma posse prévia de propriedade para batalhões e guerreiros. Se nós tivermos dez dias de descanso de magia, eles não ganharão grandes aquisições (...) ou vasta inspeção dessa ilha,” disseram os Tuatha Dé. “Todos os seus jovens e guerreiros perecerão se derem batalha injustamente. Estarão lá uma família encerrada pelo Clann Miled de forma feia, não será lícito vocês entrarem nessa terra, ao leste ou oeste, para a qual vieram. Foram nós que lutamos contra os Fir Bolg pela terra para fazer uma decisão, dar (?) a cada guerreiro o direito de sua espada para defesa. Não achamos maldade, ou a raça de Elade27 sua destruição nessa ilha, sem discórdias e insultos de Sil Nuadad28. Eles cortaram nossos nobres (...) e nossa destruição veio rapidamente na grande batalha de Moytura. Foi fazendo para nós uma injustiça além da fala acusadora ou da colonização, haverão muitos na terra se vocês não nos concederem justiça (...).”A

                “Garanta-nos o prêmio de seus nobres eruditos e sábios, ó Filhos de Mil,” disseram os Tuatha De. “Se eles derem um habitual e falso julgamento e fizerem (...), vocês não habitarão a terra e não aproveitarão o solo.” Eles então deixaram a decisão com Amergiu do Joelho Branco, o filho de Mil, e ele deu uma decisão lícita: os Filhos de Mil se retirariam até o limite da nona onda de Eire e os Tuatha De impediriam a sua volta com adulação ou força: as esposas dos Filhos de Mil conquistariam a terra em sua injúria pela força ou pela astúcia e a teriam em batalhas posteriormente; e ele disse isso:

29“Aqui está a verdadeira aquisição de posse”, disse Aimergin,
“Vocês não devem ultrapassar as nove ondas verdes.”

                Foi então que os Filhos de Mil deram sua primeira decisão em Eire. “Essa é uma decisão lícita,” disse Amirgin, “e todos admitem que esteja em meu controle e assim será no geral.” “Nós sabemos, ó médico sábio,” disseram eles, “que você sabe qual opinião devemos tomar.” “Mas eu sei,” disse Amergin, “a menos que eu negocie legalmente com esse povo, vocês não serão mais fortes nessa luta. Eu não darei a minha barganha ou a determinação, mas agora não serão seus filhos e sua prole que aproveitarão a prosperidade dessas terras nos longos tempos que virão se vocês lutarem injustamente ou coagi-los nessa ocasião.” “Então não faremos isso,” disseram os Filhos de Mil, “mas nós teremos o restante da terra (...).”

                6. Então aqueles fortes homens foram diretamente para o mar até os comandantes chegarem a Inber Sceni naquela agitação. Eles rapidamente entraram a bordo em seus navios e barcos e os tiraram da terra até as nove ondas. Quando os druidas e homens sábios dos Tuatha Dé viram aquilo, eles recorreram aos mistérios, artes e magia de seu conhecimento, informação e ciência, de forma que ergueram ventos mágicos e cruéis atrás deles e virou tudo de cabeça pra baixo de forma que o mar levantou-se em uma massa escura e em uma clara, verde e medonha coluna arenosa entre eles e as bordas e portos de Eire para que eles não pudessem ver distintamente a terra, porto ou enseada em Eire. “Isso é verdadeiramente um vento mágico,” disse o bom rei Donn do semblante destemido. “Vejam agora,” disse Amergin, “se está sobre a vela perfurando o mastro.” Quando Arannan (o mais jovem dos filhos de Mil) escutou aquela conversa, ele fez a corrida do guerreiro e pulou no mastro, como um gato selvagem surge ao lado de uma suja e áspera rocha, e colocou sua força energeticamente no mastro. “Também não está sobre o mastro,” disse Arannan. Duro foi o grito que o príncipe deu quando o destrutivo e funesto vento ricocheteou sobre o guerreiro de forma que o arremessou para o meio do navio fazendo com que seus membros se quebrassem e suas costelas se esticaram ao redor do leme e cordames do grande navio. Essa foi a morte de Arannan de acordo com o relato e a narrativa.

                30No entanto, aqueles heróis foram dispersos, divididos, separados e varridos juntos de seus navios naquela ocasião. Em uma investida, sete guerreiros ficaram juntos na separação de seus navios e barcos. O rude, feroz e funesto vento tempestuoso quebrou sua formação. Essa era a tripulação do navio: quatro campeões, doze nobres damas, oito assalariados para o manejo do navio, quatro serventes e cinquenta belos meninos, filhos adotivos do bom rei. Todos eles foram afogados nas margens arenosas que são chamadas de ‘Casas de Donn’31 no oeste de Eire, pois elas foram assim nomeadas após Donn ter sido enterrado lá. Ir, o filho de Mil, também foi separado da tripulação de seu navio e afogado no rochedo que é chamado de Scelleg.32Foi chamado de Scelleg pois a morte de Ir foi uma causa de pesar (scelleg). Então os Filhos de Mu seguiram até verem Eire bem longe, e Amergin cantou essas palavras:

“Eu invoco a terra de Eire. Que de muitos cursos seja o fértil mar.
Que seja fértil a montanha espalhada de frutos. Que espalhado de frutos seja o bosque chuvoso.
Que chuvosos sejam os rios das cachoeiras, de cachoeiras seja o lago de piscinas profundas.
De piscinas claras sejam os muros dos topos das colinas. Que um poço esteja no cume da assembleia.
Que uma assembleia de reis esteja em Tara. Que Tara seja um cume de tribos,
As tribos dos Filhos de Mil, de Mil dos navios e galés.
Eire é uma grande galé, sublime e impetuosa Eire.
O mais sutil encantamento, a sutileza das esposas de Bres,
As esposas de Bres e Buach – ele não era rei poderoso.
Eu invoco Eremon, assim como Ir e Emer.”

                ³³“Tenham paciência, tenham paciência com Amergin, ó guerreiros,” disse Airech Feabra, pois ele era o piloto no navio de Donn e filho adotivo de Amergin. De todos que esticaram as fortes e vigorosas cordas, nenhum foi tão corajoso ou forte como Amergin. Ele disse:

“Tenham paciência, tenham paciência se quiserem terminar com Amergin.
Não existe em terra ou em onda um herói mais bravo no navio.
Escutem a sua proclamação, a sua voz. Permaneçam com o (...) que não voam.
Sem o perigo de flechas curtas – se elas faltarem é lamentável.
Se elas faltarem (será um azar), cabeças e corpos serão mutilados.
A luta de uma única mão é severa: sem perigo. Melhor ser paciente.
Prisioneiros ficarão sem guerreiros, nós ficaremos sem nossos muitos campeões.
Marchem rapidamente, ó Emer e Eremon – isso é um bom aviso.
Eu fico com o poderoso sábio. Com ele está a paciência.”

                Então Amergin do Joelho Branco veio34 rapidamente sobre o mar e defrontou Eire, dando seu julgamento que iria puni-los com lança e espada se ele se aproximasse de suas quatro partes. Ele começou a se louvar e depreciar os Tuatha Dé. Ele disse:

35 “Eu sou um satirista inteligente, um vento no mar.
Eu sou uma onda no oceano, um veado no mar.
Eu sou um nobre e vigoroso veado, um falcão no penhasco.
Eu sou um javali de bravura. Eu sou um salmão em um lago.
Eu sou um lago no mar. Eu sou uma praga venenosa na prosperidade.
Eu sou a manutenção para os cinco. Eu sou um caminho no precipício.”

                36Então Eremon, filho de Mil, veio para a terra e assim que colocou seu pé direito lá, ele começou a profecia do peixe nas falésias, estuários e cataratas na terra de Eire, e disse: 

37“Peixe no mar, uma terra fértil, um dilúvio de águas,
Uma vasta terra de pântano calmo, uma narceja no mar.

                7. Então todos os Filhos de Mu desembarcaram para se beneficiarem das dezessete planícies conforme foi contado. Fial, a esposa de Lugaid, o filho de Ith, veio para Inber Mor38 (que agora é chamado de Inber Fele), e a rainha foi vencida por um grande calor, tirou suas roupas e foi nadar na água clara. Suas criadas viram seu marido Lugaid se aproximando e contaram a ela, e ela nadou rapidamente para a terra onde suas roupas estavam. Seu marido viu a tímida e a donzela morreu de timidez e vergonha39 e o estuário foi nomeado por sua causa, ‘Inber Fele’. Todos os Filhos de Mil vieram e ficaram sobre ela, cavando seu túmulo, e Amergin começou a lamentar por ela e disse, “tivemos grandes perdas nos territórios de Eire nessa expedição: oito de nossos líderes40 incluindo o alto rei Donn, Airech Feabra, Bres, Buas, Buaicni, Ir, Arannan, e quatro entre as rainhas, Buan, esposa de Bil, Dil, filha de Mil, Scene, esposa de Amergin, e Fial, esposa de Lugaid.” Ele recitou a seguinte retórica:

41“Sentados aqui na grande praia.
Não haverá fim para meus (...)
A mulher Fial morreu de frio.”

                Os Filhos de Mil o seguiram e acamparam. Eles42 organizaram uma caçada para matar suínos, vacas, bois e bezerros. Outros se voltaram para a pescaria nas cataratas, rios e estuários de forma que mataram um belo salmão de bordas azuis e o adorável peixe listrado. Toda aquela caça foi colocada junta em um local de descanso e dividida justamente. Eles fizeram banhos claros e puros, locais para banhos e buracos laboriosamente escavados na terra e sentaram-se lá por três dias e noites. Eles foram de lá até as montanhas do Senna (que agora é chamada de suave e adorável montanha de Mes, pois é a pior – mesa – montanha que encontraram em Eire), até a maravilhosa e a mais bela donzela, Eriu, vir para se opor a eles e a tropa promoveu uma briga, conflito e uma terrível batalha, onde Fas, a esposa de Ith, foi enterrada naquele local, onde está o Glen Fais entre a montanha e o mar, e também Scota da beleza radiante, a elegante e formosa esposa de Mil, que por sua causa foi nomeado Fert Scota no mesmo vale selvagem. Foi nessa noite que o grande Lago Luigdech43 de amplas ondas transbordou no sudoeste de Munster, conforme é dito:

44“Glen Fais: qual leitura é conhecida para vocês, estudiosos?
Me parece (a menos que mandem um emissário) que ‘Glen Fois’ não é totalmente certo.
Glen Fais é a leitura correta sem pergunta ou atenção.
Fas é o nome da mulher que morreu (uma façanha astuta) no adorável vale.
A primeira e famosa batalha dos Filhos de Mil após a saída da ousada Espanha
É Sliabh Mis; uma grande dor, uma confirmação do conhecimento, verdadeiramente.
A batalha foi pesada – lutada entre o sul e o norte
Pelos Tuatha De (uma raça afortunada) com demônios e feitiçaria.
Naquela batalha (uma clara cessação) foi o local da mulher Fas.
Ali, a lamentação continuou. Por essa causa o vale é assim nomeado.
Por isso, ao norte está o túmulo de Scota, no puro e frio vale.
Após Donn vim para a terra ocidental muitos de nosso sangue caíram.
Essa noite (um cruel assalto) eles caíram, com as duas grandes esposas de Lugaid.
Eles rodearam a terra, me parece. Sem família ruim naquele grande vale.”

                8. No entanto, os Filhos de Mil foram mortos sustentando a batalha, eles foram derrotados e muitos de seus nobres foram mortos incluindo os dois sábios druidas, Uar e Ethiar45. Todos eles vieram rapidamente e habilmente para a batalha com Eriu, que protegeu a retirada de seu povo daquele lugar e foram para a assembleia de Tailltiu para mostrar e contar aos Tuatha De que os Filhos de Mil haviam desembarcado e de sua derrota pelos nobres, e que foi ela que lutou a primeira batalha com os Filhos de Mil defendendo Eire, e que ela os deixou após os Filhos de Mil terem triunfado. Até agora, essa é a história de Eriu.

                Quanto aos filhos de Mil: eles cavaram os túmulos de seus heróis e permaneceram lá aquela noite. Levantaram-se cedo pela manhã do dia seguinte e começaram a lamentar os guerreiros de uma forma sublime (?), e marcharam para Uisnech depois disso, conforme diz o poeta: 

46“Deixamos Sliabh Mis pela manhã. Ganhamos maldade e desafio
Dos filhos do feroz Dagda com lâminas bravas e bélicas.
Trezentos de nossa companhia da enorme tropa espanhola
Esse é o massacre de nossa tropa com a perda de nossos bons druidas,
Uar e Ethiar, os cavaleiros; um adorável par, corajoso e justo.
Pedras [nos colocamos] em ira em seus túmulos. Deixe-os em seus túmulos.”

                Foi Amergin do Joelho Branco e da face brilhante que falou essas palavras na incumbência e vitória da frutífera montanha de Mes da crina verde e declives suaves para os impetuosos e agitados Filhos de Mil a respeito dos ardentes, mágicos e belos Tuatha De Danann.

                47No entanto, quando eles invadiram o pantanoso distrito, eles foram até um certo local particular, até as colinas arenosas da argilosa, fria e sublime Uisnech. Os guerreiros não demoraram na marcha quando viram uma solitária, corada e alta mulher de sobrancelhas escuras e olhos astutos miseravelmente ilegais aproximando-se deles. As tropas se maravilharam vendo seu comportamento e conduta. Uma hora ela era uma bela rainha com o rosto largo e outra hora uma horrível feiticeira de rosto feroz com um nariz fino cinza esbranquiçado, lábios grossos e inchados e olhos pálidos viciados em batalha. Ela sentou-se sob a proteção de Eremon e fez com que Emir a protegesse. “De que terra viestes, com qual companheiro você vive e qual nome é o mais afortunado para ti, ó donzela?” “Verdadeiramente venho dos zelosos Tuatha De,” disse ela, “e o herói Mac Greine é meu nobre companheiro e Eriu é meu nome,” disse a donzela (...)

                “Mas o que você deseja, ó donzela de muitas formas?” disse Amergin. “Que meu nome seja dado para essa terra, para a minha ilha,” disse a donzela. “Você terá o que deseja,” disse Lugaid, Emir e Eremon. “Essa será sua parcela na perpetuação de sua prosperidade, sendo nomeada por sua causa,” disse Amergin. (Pois daquelas graciosas rainhas daqueles três reis dos Tuatha De vieram os três famosos, veneráveis, majestosos e louváveis nomes: Fonn Fotla, Brugh Banba e Iath nErenn).

                9. Eremon então implorou por um tempo de conversa com Eriu e perguntou, “de qual local especial e a localidade exata desse miserável país você vem, ó donzela?” disse ele, “pois não existe um caminho agradável com rochas ou planície mesquinha onde cavalheiros se importariam em morrer.” Aquela fala não a agradou, e ela respondeu a pergunta ferozmente, e foi isso o que a rainha disse, “Venham bem cedo amanhã de manhã para Cailli Cuan em força total, chamado hoje em dia de luxuosa Tailltiu da superfície verde e de agradáveis lados verdes, pois Caill Cuan – bosque da matilha de lobos – era seu sinônimo sem questionamentos até o grande bosque ser cortado por Tailltiu em suas preparações. Ela era a esposa de Eochaid Garb e mãe adotiva de Lug da Mão Longa, conforme o historiador atestou no verso:

“Tailltiu, filha do imponente Magmor, esposa de Eochaid Garb, o filho do cego Dui, veio com a tropa de Firbolg para Caill Cuan após a grande batalha.”

                “Haverá uma marcha sem preguiça, uma invasão sem sorte e haverão mortes abundantes para a raça do semblante hostil, ó donzela,” disse Amergin.

                Eriu não gostou daquela resposta flamejante de reprovação de Eremon. Ela falou essas palavras perversamente, ferozmente e vigilantemente:

                “Na verdade, não para vocês, ó guerreiros,” disse ela, “deverá ter (...) pois haverá abundância de feridas, armas sangrentas e haverá feridas de lança em seus reis nessa invasão. Todos dos seus senhores que não caírem nessa batalha cometerá traição e fratricídio em sua vida. “ Com sua boca hostil e contenciosa, ela pronunciou essas palavras:

“Somos uma boa raça (...)
Eu combati uma raça ativa. Nós vencemos a tropa dos fomorianos.
Nós combatemos os Fir Bolg. Nós ferimos o povo de Lug.
Uma terra para raças aparentadas. É uma boa raça.”

                “Deixe-nos, ó feiticeira,” disse Amergin. “Pois o destino de nosso povo não será dessa forma e você não limitará a recompensa de nossos chefes. Não foi nas vermelhas montanhas rochosas de Ripe que os gaélicos vigorosamente atacaram os Gaethlaide, e esses heróis invadiram para pilhar, seus campeões encheram seus barcos com padrões estampados e listrados, travaram muitas batalhas bélicas e terríveis na Espanha e eu possuo (...)” disse Amergin. “Se não fosse a destruição de um santuário santificado que você infligiria nesses chefes, você não retornaria novamente para o seu reinado. É certo que seus feitiços cairão sobre seu marido e, quanto a você, seu retorno para Tailltiu é provável que seja uma viagem perturbadora.”

                O belicoso e ilustre poema proferiu essa retórica:

“Vocês buscaram bênção e prosperidade. Vocês simultaneamente deram batalha (...)
Vocês subjugaram a raça de Colam. Vocês vingaram a ofensa de Ith
Vivem na planície de Elga.
Eu incito o feroz Lugaid
Destemido, arrojado, obstinado, ele baniu os Tuatha De.
Vocês expulsaram os De Danann. Vocês venceram a rota de Mes.
Assegure-se que a vitória de Tailltiu seja um dia auspicioso para vocês.
Bênção e prosperidade serão suas. Vocês buscam o mesmo (...)”

                No entanto, os Filhos de Mil marcharam49 para a agradável Tailltiu dos lados verdes, o local da assembleia, e acamparam lá. Eles enviaram videntes e mensageiros aos Tuatha De. Eles foram instruídos a pedir metade de Eire. “Eu mesmo declaro,” disse Eremon, “que eu não partilharei com os Tuatha De.” “Eu irei e conversarei com eles,” disse Amergin do Joelho Branco. Ele então seguiu para onde os Tuatha De estavam.50 Eles perguntaram seu negócio e ele contou.

                10. “Ó Amergin, conte-nos sem melancolia ou despeito, toda a sua famosa história vindo para Cathair Crobind.” “Vou-lhe dizer, Mac Cuill, como nós saímos da terra em direção aos mares. Nós lançamos nossos navios sobre as nove ondas no mar vivaz. Me parece que um vento mágico surgiu ao sudoeste da ilha de Eire de forma que abruptamente, não conseguíamos ver terra ou ilha em Eire. ‘Esse vento é realmente um vento mágico’, disse o rei Donn da face destemida. ‘Olhe’, disse Donn, ‘se não está acima do mastro’. Nosso alto irmão mais novo, Arannan, escalou o mastro – um movimento doloroso, até ele ver o negro vento mágico com um movimento maligno. Arannan, o bravo, disse, ‘é um vento mágico, ó Donn do aspecto nobre.’ Depois disso, Arannan foi arremessado para o navio em pedaços. Severa e rápida feitiçaria decepou a cabeça do feroz bom rei. Donn e a companhia de seu navio foram afogados a oeste em Teach Duind; Donn, Bil, o legislador, Bres, Buaichni, Buas e Airech, cinco líderes robustos em nossa terra foram afogados com o rei. A esposa de Ir morreu junto com ele. A esposa de Murtemne matou seis homens. No terceiro dia – sem encontro adorável – nós lutamos as batalhas de Sliabh Mis. Eu te disse Mac Cuill, do dia em que saímos para o mar, nossa exata história em fragmentos, exaustivo Amergin.”

                “Você lutará nessa batalha amanhã, Mac Cuill?” disse Amergin. “Irei, de fato,” disse Mac Cuill, “pois nenhum emissário de uma terra deserta algum dia estará nesse país, não haverá consumo do crescimento verde ou não haverá patrimônio de nobres bosques de aveleira para as vacarias de rebanho e gado. Seus túmulos estarão com os de seus irmãos. Sua história será contada por autores em nossas bebedeiras. Suas mulheres estarão em miséria, choro e tristeza.” Ele recitou o poema:

“Vocês encontrarão vergonha e maldade, violência e morte à força.
Vocês não habitarão a terra em paz e luta justa.
Seus senhores serão desgastados completamente, seus guerreiros subjugados (uma façanha feroz).
Seus corpos estarão em luta, caindo inertes, em poças de sangue.
Muitos serão os túmulos de homens nessa expedição ultramar.
Haverá colinas e montes por causa disso, pedras-pilares e lajes para os heróis.
Então sua história será contada. Suas mulheres estarão em uma miséria penosa.
Haverá choro sem fim. Haverá tremor, horror e doença.
Amergin veio um dia sobre o lago de Lir nessa expedição.
Vocês não habitarão qualquer coisa boa, mas encontrarão desgraça.”

                51Então os Tuatha De Danann perguntaram aos seus druidas e homens sábios que tropa (?) seria vencida nessa batalha. Então se levantaram as duas vigorosas feiticeiras da fala rápida: Be Cuill e Danann, nobre discurso em relação aos deuses nesse processo. “Não sabemos, na verdade,” disseram elas, “qual de vocês serão vencidos nessa batalha, mas sabemos quantos reis e senhores dessa grande invasão morrerão e quantos heróis serão mortos ao redor de cada chefe e cada nobres.” Ela disse: “O que vamos lhe dizer não é fonte de fraqueza (...).”

                “Dezesseis senhores dessa expedição cairão por vocês. Será uma fonte de conhecimento. Dois mil ao redor de cada campeão cairão por vocês – uma comida amarga – prostrados em seu (...). Eu não sei (uma frase desfavorável) qual de vocês serão vencidos na batalha, ou se nossas perdas serão pequenas nessa batalha que travamos. Um grande herói em uma pilha sangrenta estará nessa batalha – não é mentira (...)”

O começo da história no Leabhar Gabhala em LL.
LL, facs. N7.

Ith mac Bregoin atchonnairc hErinn artus fescor a mulluch Tuir Bregoin. Dâig is amlaid (12a) is ferr radhare duine glanfhescor gaimridh. Tanic Ith tri trichait laech dochurn hErinn 7 gabsat Brentracht Irruis Chorco Duibne in tan sain tancatar. Bai imorro comdal fer nhErenn ic Ailiuch Neit jar marbad Néit mac Indûi Ailig la Fomore. Batar na tri rig ic roind chruid 7 set rig Ailig. In tan sin tanic Ith m. Bregoin a Corco Duibne i Ciarraige 7 i ILuachair Dedad, i mMachaire Cliach as Fothuaid i nElib, i Tír Fer Cell, forfut Mide, i Crích Luigne, tar Slíabh nGúaire, dar Feda Fernmaige, i fossud Clair Fernmaige, dar cend Sleibe Bethach, i Sliab Toad, sin mbocach Tire Sírluim i Crích Modorne i mMág nItha, do Ailiuch Néit. Is and batar na tri rig . r. Mac Cuill, Mac Cecht, Mac Grene. Ferait failte fris. r. fri Ith m. Bregoin. Ruc Ith de brithemnaib hErenn ar amainse 7 arthach 7 ro choraig can canhgin 7 cen n—imresain ro bói acco, 7 is and atbert Ith denaid rechtge choir daig maith in ferand i n—aittrebtai. Irnda a mess 7 a mil 7 a chruithnecht 7 a iasc. Is merraigthe a thess 7 a uacht. "Is andsin ro cocrad leo Ith do marbadh 7 ro diomsat dó a hErind. Agus tanic uadib a hAiliuch co Mag nItha. Tancas na diaid co nicesin co torcair leo i mMaig Itha. Unde Mag nItha nomenatur. Conid dia digail Itha tancatar Meic Miledh. i. Gaedil. 

Notas de rodapé de Maighread Ni C. Dobs

Abreviações:
LG – Leabhar Gabhala em 23 k 32 R.I.A.
LL – Livro de Leinster
KK – A história de Keating, edição ITS

1. Como o início se perdeu, não há evidência se ele inclui a visão da Irlanda a partir de Tur Breogain como está no LG. Keating desacredita esse último incidente dizendo que as autoridades diferiam. O relato aqui dado é da visão de Ith; seu poema e sua partida não estão no LG ou na KK.
2. O LB menciona uma profecia de Caicher três séculos antes da qual essa passagem evidentemente se refere.
3. No LB, é Breg mac Breogain que se opõe a expedição de Ith.
4. Esse nome pode ser entendido como Vianna, um porto marítimo ao norte de Portugal, que pode ter sido familiar aos navegadores irlandeses.
5. No LG e na KK, Ith desembarca em Brentracht Maighe Itha. No LL, em Brentracht Irruis Corco Duibne em Kerry. O LG em D IV 3 dá duas versões, uma concordando com a primeira afirmação, e a outra com uma versão de Munster concordando com a segunda. Existia uma Magh Itha em Munster assim como em Tir Conaill, e era perto de Limerick. A Magh Itha de Tir Conaill é geralmente identificada com o leste e o lado interior daquele país, mas essa história toma como certo ela alcançando o mar no oeste. “Bentracht” sugere uma terra de lama de natureza suja como ocorre em portos baixos.
6. Esse sacrifício e os maus presságios estão na KK.
7. Esse poema não está no LG nem na KK.
8. O LG e a KK dá o nome: Inis Elga.
9. Outros nomes para Tara eram Druim Cain e Liathdruim. Druim Cain e Cathair Crobinn são alegados serem os nomes dados pelos Tuatha De Danann. Esse é o único texto que localiza os Tuatha Dé em Tara quando Ith desembarcou. O LG e a KK ambos indicam eles em Oilech Neit ao norte. Na DIV 3, Ith marcha de Kerry para Oilech.
10. Essa passagem é praticamente a mesma na KK, que também sabia das diferentes versões da morte de Ith.
11. Esses detalhes não estão no LG ou na KK.
12. Essa retórica é…
13. Essa fala é…
14. Inber Des é Arklow na costa leste. O LG e a KK localiza o desembarque em Inber Slainge, no porto Wexford também ao leste.
15. No LG, a morte de Ir é narrada nesse ponto. Keating diz que não havia relato da viagem até chegarem em Wexford, então ele evidentemente não conhecia a versão como a presente em MS, nem estava familiarizado com a morte de Ir nesse ponto. * cp. ZCP, XIX, p. 156 “nis-leig in deiltre” e nota 11, pág. 157, no mesmo. Keatings dá “Ilha do Porco” como a interpretação do nome de sua aparência na névoa.
16. O apelo dos druidas e a retórica de Fulman não estão no LG ou na KK.
17. No LG, eles circularam a Irlanda três vezes.
18. A morte de Sceni não é contada aqui no LG ou na KK. Inber Sceni = rio Kenmare.
19.  Esse nome para Slieve Mis ocorre em outro lugar, mas não no LG ou KK.
20. Slieve Mish em Dingle, Condado de Kerry.
21. Esse nome para a Slieve Eblinni ocorre em outro lugar, mas não no LG ou KK.
22. As montanhas Slieve Felim no Condado de Limerick. No LG e KK, Eblinn é um filho de Mil.
23. Esse nome para Uisneach ocorre em outro lugar, mas não no LG ou KK.
24. O suposto centro da Irlanda.
25. Essa e as duas profecias de dor anteriores não estão no LG ou KK.
26. Esses versos são dados em outro lugar no LG. A versão dada aqui é através da comparação, corrupta. Veja o LG (editado por Macalister-McNeill), pág. 168 e D IV fo. 14, reverse.
27. Cland De. = Bres, Elloith, Daghda, etc. ancestral dos Tuatha Dé Danann.
28. Nuada Airgetlamh, rei dos Tuatha De Danann em Moyture.
29. Essa retórica é encontrada no LL, 13. Uma tradição conflituosa está em H. 3. 17, col. 841. Veja Irish Texts, fasc. i.
30. No LG, o encantamento de Amergin corre aqui e acalma a tempestade, Keating não dá o encantamento.
31. Bull Island, Dursey Island, na foz de Kenmare.
32. Os Skellegs, Bolus Hd. Kerry. Veja a nota 14 para a morte de Ir.
33. Essa fala e poema não estão no LG ou na KK. Veja o LL, 136.
34. No LG, Donn profere as ameaças e é afogado posteriormente.
35. No LG, essa retória ocorre quando Amergin desembarca em Inber Colpa.
36. Nesse ponto, o LG dá as mortes de Dil e Fial, e então declara que Eremon velejou ao redor de Inbher Colpa, o estuário do Boyne, e desembarcou lá.
37. Atribuído para Amergin no LG. Não dado na KK.
38. O estuário do rio Feale ao norte de Kerry.
39. No LG, Fial more de vergonha ao ver seu marido nu.
40. O oitavo nome que está perdido aqui é Bile. O nome ocorre em um poema na pág. 17 e também no LG. A versão aqui editada faz de Airech Feabra o piloto para Amergin e sobrevivente da tempestade, apesar de inclui-lo em duas outras passagens na companhia de Donn. Veja o LL, 16.
41. No LG, um poema começa com a primeira linha mas continua diferentemente. A versão aqui está muito corrompida.
42. Esse episódio de caça não está no LG ou na KK, mas é referida em H. 3.17 na passagem do primeiro julgamento de Amergin (veja Irish Texts, I, p. 63. 1931).
43. No LG, a inundação do Lago Luigdech é colocado anteriormente, na noite que desembarcaram. Ele é identificado com o Lago Curran em Waterville, Kerry.
44. Keatings cita uma estrofe sobre a morte de Fas, mas o assunto é diferente. Ele cita duas estrofes sobre a morte de Scota que tem pontos em comum com o poema dado aqui. As diferenças são tão grandes, no entanto, que eles são virtualmente duas composições separadas.
45. Esses dois não estão na KK ou no LG.
46. Keatings dá quarto versos desse poema, inserindo um extra após o ‘comloinn’.
47. Aqui é dado um episódio que não está no LG ou na KK. A chegada em Uisnech, o segundo encontro com Eire lá e sua conversa não são encontrados em outros lugares.
48. Cp. LG. par. 98 (editado por Macalister-McNeill)
49. De acordo com Keatings, Eremon estava em Tuber Colpa (o estuário do Boyne) e Eibher, subindo de Sliabh Mis o juntou lá antes do desafio com os Tuatha De.
50. A embaixada de Amergin até Tara, a resposta de Mac Cuill e o poema seguinte não estão no LG nem no KK.
51. O último parágrafo não estão no LG ou na KK. O relato da batalha em si e as mortes dos três reis e rainhas dos Tuatha De Danann se perderam. Não há o relato detalhado da batalha no LG ou na KK.

Fonte: Ní C. Dobs, Maighréad. Tochomlad mac Miledh a hEspain i nErind: no Cath Tailten?. Études Celtiques. VII. Paris: Librairie E. Droz, 1937.    
             
Notas de tradução
A. Esse parágrafo foi bastante difícil de traduzir, e muitas frases ainda me parecem obscuras.

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