sábado, 1 de agosto de 2015

Os métricos dindshenchas: Taltiu

Poema/história 33
Taltiu

1. Ó nobres da terra do gracioso Conn, escutem por um tempo para uma bênção, até eu vos contar a lenda dos anciões, da arrumação da Feira de Taltiu!

2. Trezentos anos e mais três, desde a primeira Feira em Taltiu até o nascimento de Cristo, escutem!

3. Taltiu, a filha do gentil Magmor, esposa de Eochu Garb, o filho de Dui Dall, veio para cá conduzindo a tropa dos Fir Bolg até Caill Chuan após uma forte batalha.


4. Caill Chuan era um matagal de árvores desde Escir até Ath Drommann, desde o Grande Pântano – uma longa jornada – desde Sele até Ard Assuide.

5. Assuide, o lugar da caça, o destino que reunia o veado de pele vermelha; frequentemente a corneta era ressoada primeiro no leste do bosque, e pela segunda vez na borda de Clochar.

6. Commur, Currech, Crích Linde e Ard Manai onde as lanças costumavam estar; os cães-de-caça de Cairpre matavam sua presa na terra de Tipra Mungairde.

7. Grande foi essa façanha feita por Taltiu com a ajuda do machado, a reivindicação da terra de cultivo do até então bosque, por Taltiu, a filha de Magmor.

8. Quando o nobre bosque foi cortado por ela, com raízes e tudo fora da terra, antes do final do ano isso se tornou Bregmag, isso se tornou uma planície florescendo com trevos.

9. Seu coração explodiu em seu corpo, a partir da tensão debaixo de suas vestes reais; não saudável, verdadeiramente, é uma face como o carvão, pelo motivo dos bosques ou orgulho da madeira.

10. Longa foi a tristeza, longa foi a fraqueza de Taltiu, doente após a pesada labuta; os homens da ilha de Erin, a quem ela estava em dependência, vieram receber sua última ordem.

11. Ela lhes contou em sua doença (fraca ela estava, mas não sem palavras) que eles deviam realizar jogos funerários para lamentá-la – zeloso era o ato.

12. Por volta das Calendas de Agosto ela morreu, em uma segunda-feira, no Lugnasad de Lug; redondo era seu túmulo, a partir daquele forth¹ de segunda-feira é realizada a Feira chefe da nobre Erin.

13. Taltiu dos flancos brancos proferiu em sua terra uma verdadeira profecia, que desde que cada príncipe a aceite, Erin nunca ficaria sem uma perfeita canção.

14. Uma feira com ouro, com prata, com jogos, com a música de bigas, com adornos do corpo e da alma por meio do conhecimento e da eloquência.

15. Uma feira sem ferir ou roubar qualquer homem, sem problema, sem disputa, sem destruição, sem competição de propriedade, sem processos, sem sessões de lei, sem evasão, sem prisão.

16. Uma feira sem pecado, sem fraude, sem reprovação, sem insulto, sem contenção, sem apreensão, sem roubo, sem redenção:

17. Nenhum homem indo para os lugares das mulheres, nenhuma mulher indo aos lugares dos homens, feira brilhante, mas cada um em sua devida disposição através de sua classe no seu lugar na grande Feira.

18. Trégua ininterrupta da feira, ao mesmo tempo em Erin e Alba semelhantemente, enquanto os homens vêm e vão sem qualquer hospitalidade rude.

19. Grãos e leite em cada lugar, paz e tempo bom por sua causa, eram garantidos às tribos pagãs dos gregos para a manutenção da justiça.

20. Da lamentação para Tailtiu de Sele até o reinado de Loegaire mac Neill, uma feira era realizada pela tropa de fadas a cada ano.

21. Pelos Fir Bolg, que estavam lá, pelos Tuatha De Danann, pelos Filhos de Mil e depois disso por Patrício após a chegada da Fé.

22. Disse Patrício, “Vitoriosa foi a profunda lei da natureza; ainda que isso não seja feito em obediência a Deus, o Senhor a exalta.”

23. Até Patrício chegar depois de Cristo, era realizada a feira de Tailtiu que vence as maldições; muitos companheiros choram pelos homens mortos no cemitério dos ricos Féni.

24. Uma tumba com uma porta para um homem da arte; uma tumba com duas portas para uma mulher; um túmulo sem portas [...] sobre rapazes e donzelas.

25. Anotações em pilares sobre as tumbas cobertas com armas, carregamento de velas para observar os mortos, montes sobre estrangeiros nobres, e muros construídos sobre os mortos de grandes pragas.

26. Perdura para sempre o muro de Tailtiu, onde numerosas mulheres foram enterradas, e o muro que esconde muitos mortos, onde Eochu Garb foi enterrado.

27. No muro de Eochu, compacto de pedras, vinte assentos dos reis de Tara; e no liso muro de sua esposa, vinte assentos de suas rainhas.

28. Uma câmara real para a poderosa Munster a esquerda dos reis de Tara; as três partes de Connacht, não estreita, sobre os assentos dos homens de Olnecmacht.

29. Os guerreiros de Leinster, terra de fama, entre eles e a província de Ulster; vamos nomeá-los, a partir do lado da mão direita: Erin, que pertencia a seu rei em taxa,

30. Os homens de Ulster, antes da fé da Cruz, que vinham com suas bigas para os primeiros jogos, os homens de Leinster antes dos homens de Munster, e Connacht, na bem lembrada ordem.

31. A Pedra de Grop, a Pedra de Gar, a Pedra dos Doentes, a Pedra do Leproso está ao lado dos assentos: as Rochas da Contagem, a Roda de Fal Fland, o Pilar de Colman, o Cairn2 de Conall.

32. Proibido para Tailtiu é um lançamento aleatório; é proibido cavalgar por ela sem desmontar; é proibido, ao sair para uma refeição, olhar para ela sobre o ombro esquerdo.

33. O local possui um nobre jardim com três maravilhas: um homem sem cabeça andando, o filho de um menino de sete anos, segurado em um dedo, um padre caindo do alto.

34. Os três saques hediondos que Patrício proibiu nela; roubar um boi no jugo, abate de vacas leiteiras, queimar uma vacaria vazia – sem tradição primitiva [ele ensinou].

35. Patrício pregou – então é um julgamento – que quem não fizesse tais coisas encontraria paz, enquanto Tailtiu perdurasse sempre, enquanto seus raths3 reais durassem.

36. O Rath Oriental, o Rath do malvado Oeste, o Rath de Lugaid, o Rath de Lort, o Rath de Lorc, o Rath de Cú, o Rath de Canu – saudações! O Rath da Descendência de Tadg, o triplo baluarte de Tailtiu.

37. O triplo baluarte de Tailtiu, famoso além de todas as terras, o local onde os reis costumavam jejuar, com leigos, com clérigos, com centenas de chefes, para que nenhuma doença pudesse visitar a terra de Erin.

38. O triplo baluarte de Tailtiu, sobre a terça parte, Jesus garantiu a Mac Eirc tirar as três pragas de Erin – isso é desconhecido.

39. Que o costume do gall-cherd4 deveria ser posto de lado, o afundamento de navios em Bregmag, e a peste dos filhos de Aed Slaine: para Mac Eirc isso não era desgraça.

40. Apesar de Tailtiu ter sido um santuário para o rebanho, Deus deu amigos para protegê-la: Patrício, Brigit, o branco Becan, Mac Eirc, Eithne e Adamnan.

41. Vamos falar sobre o que chegou após o estabelecimento da fé na Trindade; as triplas faixas de Taltiu, as companhias que vão fazer uma prova dos guerreiros dos jardins nobres.

42. Homens no dun5, primeiro, para visita-la; homens entre dois duns, após eles; homens atrás do dun, para ratificar a trégua; aqueles são os três chefes primordiais.

43. Patrício, a quem todos os reis invocam após atravessar Tailtiu três vezes; Mac Eirc, Ciaran de Carn de Mag Ái, esses são seus três fiadores.

44. Quinhentas feiras, andam a sua volta, que é, certo com incerto, da Feira de Patrício de Macha até a Feira Negra de Donchad.

45. Duas vintenas de reis realizavam a feira, por quarto reis ela era dedicada: toda linhagem nobre de reis que vieram de Niall, exceto apenas Ailill.

46. Um rei descende de Loegaire, um rei da raça de Cairpre, nove príncipes da descendência real do nobre Aed, sete príncipes da família de Colman.

47. Dezesseis reis de Meath que vieram de Eogan estavam na Feira, e dez reis – esses vieram do território de Conall, ó nobres!

48. Quatro vintenas de anos (isso é verdade), todos exceto um ano, Tailtiu ficou deserta, que longo, ai! E o jardim de Cormac ficou sem uma biga.

49. Pará cá veio o gracioso neto barbado do rei em suas vestes compactas, e o filho, que bebe um forte hidromel, da filha do rei que impediu a Feira.

50. O Rei de Temair, daí escolhido, Maelsechlainn da protegida Slemun – como o Rio Eufrates surge na altura, o único campeão da Europa.

51. A glória do nobre Oeste do mundo para meu auxílio! Um novo Cormac ua Cuinn, prole de Domnall filho de Donchad, veio para cá até o principesco assento.

52. Ele colocou fora de perigo o trigal dos gaélicos, ele tirou os naufrágios de Erin, ele levantou a Feira de Tailtiu de um relvado; apesar de uso ancestral, isso era desconhecido.

53. Muito pouco ele conta, o que nos foi dado de bom; pouco, o que ele nos deu de grãos, de leite, de malte; o que de tesouro, de provisões, de vestimentas; o que de ouro, de prata.

54. Muito pouco, ele acha, tudo o que ele planejou para nosso proveito; muito pouco todo o peixe, o mel, o mastro; muito pouco, o que temos, quando a pilha de grãos é coberta, uma feira para cada tribo.

55. Muito pouco, ele acha, que aproveitamos do contínuo mundo; muito pouco, ele acha, para tornar cada um de nós um rei; muito pouco, cada multidão lotada que o segue, até ele nos trazer para a Feira de Tailtiu.

56. Ele deseja, apesar de nossa vida aqui dever ser longa antes de irmos para outro lugar, nos levar até a casa de Deus após alcançar seu desejo.

57. Cristo está com Maelsechlainn dos sábios! Cristo está com ele contra o infortúnio, contra a tribulação! Cristo está com ele para proteger e prosperá-lo contra a guerra, contra a batalha!

58. Os reis que não participaram de nossos encontros não ousarão nos evitar: Maelruanaid, Flaithbertach, Fland, Aed, Cathal, Donnchad e Domnall.

59. Ua Lothchain está cheio de bons desejos para vocês, ó jovens da nobre Feira! Assim eu saúdo vocês após uma tensão sortuda, enquanto a Feira for realizada, ó nobres!


Notas de tradução

1. Forth. Refere-se provavelmente a um dólmen.
2. Cairn. Segundo o site “Wikipédia”, cairn é o termo designado para uma pilha ou monte de pedras, usado para diversos propósitos, como referência, defesa ou para honrar os mortos.
3. Rath. Um montículo de terra remanescente de habitações circulares na Irlanda.
4. Gall-cherd. De acordo com o livro “Anglo-Saxon England”, de Michael Lapidge, o gall-cherd (traduzido como “arte estrangeira”) é um tipo de tortura praticada pelos irlandeses, que se acredita terem herdado dos Vikings.
5. Dun. Segundo o site “Wikipédia”, dun é um termo genérico para designar uma fortaleza antiga, frequentemente construída em um montículo de terra.

Fonte: GWYNN, Edward J. The Metrical Dindshenchas: vol. 4. Disponível em: < http://www.ucc.ie/celt/published/T106500D/index.html>. Para verificar a versão em Gaoidhealg (Irlandês médio), disponível em < http://www.ucc.ie/celt/published/G106500D/index.html>.

Para ter a versão em .pdf, clique aqui.

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