domingo, 16 de agosto de 2015

Como o Dagda conseguiu seu bastão mágico


Como o Dagda conseguiu seu bastão mágico
O Livro Amarelo de Lecan

 “Eu sou Aed Abaid de Ess Rúaid, isto é, o Bom Deus da feitiçaria dos Tuatha Dé Danann, o Rúad Rofhessa¹, e Eochaid Ollathair são meus três nomes.”

 E assim ele estava com Cermait Milbél, um de seus filhos, em suas costas, pois tinha caído em luta e combate pelo Alto Rei da Irlanda, Lug, o filho de Cian. O Dagda recorreu ao seu conhecimento e aprendizado, e assim, olíbano, mirra e ervas foram colocadas ao redor do corpo de Cermait, e ele o levantou em suas costas, e carregando Cermait² ele procurou o mundo até chegar ao grande oriente.

 Ele encontrou três homens na estrada com os tesouros de seu pai. O Dagda perguntou notícias e eles disseram, “Nós somos os três filhos de um pai e uma mãe, e estamos dividindo os tesouros de nosso pai.”
 “O que vocês tem?” disse o Dagda.

 “Uma camisa, um bastão e uma capa,” disseram eles.

 “Que virtudes eles tem?” disse o Dagda. 

 “Esse grande bastão que você vê,” disse ele, “tem uma extremidade lisa e uma extremidade áspera. Uma extremidade mata o vivo, e a outra, traz o morto à vida.”

 “O que é a camisa e a capa,” disse o Dagda, “e que virtudes eles têm?”

 “Aquele que usar a capa terá qualquer contorno, forma e figura e qualquer cor que escolher, enquanto ele a usar. Quanto a camisa, dor ou doença não poderá tocar a pele que ela cobre.”

 “Ponha o bastão em minha mão,” disse o Dagda. Eles o emprestaram o bastão e o Dagda colocou o bastão sobre eles três vezes, eles caíram, e ele pressionou (?) a extremidade lisa sobre seu filho, que levantou em força e saúde. Cermait colocou sua mão em sua face, levantou-se e olhou para os três homens mortos diante dele.

 “Quem são esses três homens mortos diante de ti?” disse Cermait.

 “Três que eu conheci,” disse o Dagda, “dividindo os tesouros de seu pai. Eles me emprestaram o bastão, eu os matei com uma extremidade e lhe trouxe à vida com a outra extremidade.”

 “É um triste feito,” disse Cermait, “que eles não possam ser trazidos à vida pela forma que você me trouxe.”
 O Dagda colocou o bastão sobre eles e os três irmãos levantaram em saúde e força.

 “Vocês não sabem que foram mortos,” disse ele, “com seu próprio bastão?”

 “Sabemos,” disseram eles, “e você levou de nós uma vantagem injusta.”

 “Tenho conhecimento de seu bastão,” disse o Dagda, “e eu lhes dei suas três vidas, e vocês me emprestarão o bastão (para levar) para a Irlanda.”

 “Que garantias e vínculos teremos que nosso bastão voltará para nós?”

 “O sol e a lua, a terra e o mar, me proverão que eu possa matar meus inimigos com isso e trazer meus amigos à vida.” Sob essa condição de empréstimo, o bastão foi dado a ele. 

 “Como dividiremos o tesouro que temos?” disseram eles. 

 “Dois de vocês com os tesouros e um sem, fazendo revezamento.”

 Ele então levou o bastão e seu filho para a Irlanda, e com o bastão ele matou seus inimigos e trouxe seus amigos à vida, e tomou o reinado da Irlanda através daquele bastão.

 “Contudo,” disse ele, “eu sou um filho do Dagda, e toda a feitiçaria e magia que ele possui, eu tenho, e todo o conhecimento que ele aprendeu com aquela tropa, eu tenho. Eu irei contigo, jovem, contra esse campeão³ (?) para que eu possa virar suas pontas e bordas,” etc. 

 Buach, a filha de Daire Donn, esposa de Lug, o filho de Eithliu, se deitou com Cermait, o filho do Dagda, e por isso Cermait foi morto por Lug.

Notas da tradução para o inglês
1. Ruad rofessa .i. nomen don Dagdu, “senhor do grande conhecimento, um nome para o Dagdae”, Stokes, Bodleian Cormac.
2. Ou “procurou no mundo todo”.
3. Ou talvez, “tropa”.

Fonte: BERGIN, Osborn. “How the Dagda got his Magic Staff”. Medieval Studies in Memory of Gertrude Schoepperle Loomis. NY: Columbia University Press, 1927. Disponível em: <http://www.maryjones.us/ctexts/dagda.html#english>.   

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