domingo, 16 de agosto de 2015

A fundação do palácio de Emain Macha


A fundação do palácio de Emain Macha
O Livro de Leinster

 De onde Emain Macha foi nomeada? Não é difícil dizer. Existiam três reis em Eire que estavam em co-soberania e eles eram da raça de Ulster: Dithorba, o filho de Diman, de Usniuch de Midhe (Meath); Aedh Ruadh, o filho de Bádhurn, o filho de Argatmar, de Tír Aedha e Cimbaeth, o filho de Fintan, o filho de Argatmar, de Finnabhair de Magh Inis. Esses reis fizeram um acordo de que cada um deles devesse reinar durante sete anos [em turnos].

 Existiam três vezes sete garantias entre eles: sete druidas, sete poetas e sete líderes militares [ou capitães]. Os sete druidas os queimariam através de encantamentos, os sete poetas iriam satirizá-los e denunciá-los e os sete capitães os machucariam e os queimariam se cada um deles não desocupasse a soberania no final de sete anos; e para manter a [evidência da] justiça de seu reinado: abundância de frutas a cada ano, sem falha de corantes de todas as cores e nenhuma mulher morrendo durante o parto. Cada um deles girou três ciclos na soberania, que são sessenta e três [anos, no total]. Aedh Ruadh foi o primeiro deles a morrer; ele morreu afogado em Eas-Ruaidh e seu corpo foi enterrado naquela colina [Sidh] sob o Sidh Aedha [a Colina de Aedh] e Es-Ruaidh [ou, a Catarata do Homem Ruivo]. Aedh não deixou filhos, exceto uma filha: Macha Mong-Ruadh [que é, a Ruiva Macha] era seu nome. Ela pediu a vez de seu pai na soberania, mas Cimbaeth e Dithorba disseram que não dariam a soberania para uma mulher.

 Uma batalha foi travada entre eles e Macha venceu. Ela passou sete anos na soberania. Dithorba foi morto em Corann naquela época. Ele tinha cinco bons filhos: Baeth, Bras, Betach, Uallach e Borbchas. Esses pediram a soberania, mas Macha disse que não a entregaria para eles, pois ela não a obteve a partir de seguranças, e sim no campo de batalha com sua força. Uma batalha foi travada entre eles e Macha venceu os filhos de Dithorba de forma que deixaram uma chacina de cabeças com ela, e ela os baniu posteriormente para as inóspitas regiões de Connacht. Depois disso, Macha tomou Cimbaeth como seu marido para colocá-lo no comando de seus solados.

 Quando Macha e Cimbaeth tinham formado a união, Macha partiu para encontrar os filhos de Dithorba, na forma de uma mulher leprosa, isto é, tendo esfregado em si mesma massa de centeio e rota [algum tipo de corante vermelho]. Ela os encontrou em Bairinn de Connacht, cozinhando um porco selvagem. Os homens perguntaram as notícias, ela contou a eles e eles lhe deram comida. Um dos homens disse: “O olho da bruxa é bonito: vamos coabitar com ela.” Ele a levou para o bosque, e ela o amarrou com sua força, deixando-o no bosque e voltou para a fogueira. “O que aconteceu com o homem que foi com você?” disseram eles. “Ele ficou envergonhado,” disse ela, “de voltar até vocês depois de ter coabitado com uma mulher leprosa.” “Isso não é vergonha,” disseram eles, “pois todos nós faremos o mesmo.” Cada um deles a levou até o bosque e ela amarrou cada um deles com sua força e os levou amarrados em um nó para Ulster. Os homens de Ulster sugeriram mata-los. “Não,” disse ela, “pois para mim isso seria a profanação da justiça da soberania, mas eles serão condenados à escravidão e erguerão um rath ao meu redor, que deverá ser a cidade chefe de Ulster para sempre.” Ela marcou para eles o dún com seu broche dourado [Eó óir] de seu pescoço [ou em seu pescoço], isto é, Emuin, ou seja, Eomuin, isto é: Eó [broche] de Macha em seu pescoço. [Eó e muin, broche e pescoço].

Nota: essa é uma breve anedota de uma longa brochura (Do Flathiusaib Hérend), que segue o Lebor Gabala Érenn.

Fonte: O’CURRY, Eugene. Lectures on the manuscript materials of ancient Irish history. Dublin: 1861. Páginas 527-528. Disponível em: <http://www.maryjones.us/ctexts/macha.html>.

Para ter a versão em .pdf, clique aqui.             
               

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