quinta-feira, 30 de julho de 2015

O destino dos filhos de Tuireann


O destino dos filhos de Tuireann
Oidhe Chloinne Tuireann

 Lugh estava em Teamhair com o Rei da Irlanda, e lhe mostraram que os Fomor estavam desembarcando em Eas Dara. Quando soube disso, ele preparou o cavalo de Manannan, o Aonbharr, e foi até onde o rei Nuada estava, lhe dizendo como os Fomor tinham desembarcado em Eas Dara e saquearam a província de Bodb Dearg. "O que eu quero," ele disse, "é ajuda-lo a travar batalha contra eles." Nuada não estava disposto a vingar a destruição que foi feita para Bodb Dearg e nem para ele mesmo, e Lugh não ficou satisfeito com sua resposta, indo embora de Teamhair em direção ao oeste. Dentro de pouco tempo, ele viu três homens armados vindo em direção a ele: seu pai Cian com seus irmãos Cu e Ceithen – os três filhos de Cainte – e estes o saudaram. "Por que se levantou cedo?" eles disseram. "Tenho uma boa causa," disse Lugh, "pois os Fomor estão vindo para a Irlanda e saquearam Bodb Dearg. Em que vocês poderão me ajudar?" ele disse.

 "Cada um de nós manteremos longe de você uma centena deles," disseram eles. "Esta é uma boa ajuda," disse Lugh, "mas tem uma ajuda que é mais necessária: que vocês reúnam os Cavaleiros do Sidhe de todos os cantos."

 Cu e Ceithen seguiram então rumo ao sul, e Cian seguiu para o norte, não parando até chegar à Planície de Muirthemne. Conforme andava pela planície, viu três homens armados diante dele – os três filhos de Tuireann, filho de Ogma. Os filhos de Tuireann e os filhos de Cainte tinham ódio e inimizade entre eles, então era certo que seja lá quem for que encontrassem, haveria briga.

 Cian disse: "Se meus dois irmãos estivesse aqui, faríamos uma corajosa luta, mas como ele não está é melhor eu voltar." Ele viu uma grande vara de porcos perto dele, e batendo em si mesmo com uma varinha druídica, ele se transformou em um dos porcos do grupo, e começou a cavar o chão como os outros.

 Brian, um dos filhos de Tuireann, disse para seus irmãos: "Vocês viram aquele homem armado que caminhavam pela planície há um tempo?" "Nós o vimos," disseram eles. "Vocês sabem o que o tirou do caminho?" disse Brian. "Não sabemos," disseram eles. "É uma pena vocês não observarem melhor as planícies abertas de um país em tempos de guerra," disse Brian, "pois eu sei bem o que aconteceu com ele – ele se bateu com sua varinha druídica e se transformou em porco, cavando o chão como os outros porcos. Quem quer que seja ele, não é nosso amigo." "Isso é ruim," disseram os outros dois, "pois os porcos pertencem a alguém dos Tuatha de Danann, e mesmo se matássemos todos eles, o porco druida podia escapar."

 "É triste que vocês tenham aprendido na cidade do conhecimento," disse Brian, "mas não conseguem nos dizer qual é o porco encantado." Quando dizia isso, ele bateu em seus dois irmãos com sua varinha druídica os transformando em dois velozes e magros cães-de-caça, que começaram a farejar a trilha do porco encantado.

 O porco então caiu entre os outros e foi correndo para a entrada de um bosque, e Brian arremessou sua lança, atravessando seu corpo. O porco gritou e disse: "É uma coisa ruim você ter me lançado uma vez que me conhecia." "Me parece que você fala como um homem," disse Brian. "Eu sou um homem, na verdade," disse ele, "sou Cian, filho de Cainte, e me dê sua proteção agora." "Eu juro pelos deuses do ar," disse Brian, "que se a vida voltar para ti sete vezes, eu tirarei cada uma." "Se será assim," disse Cian, "me conceda um pedido: deixe-me voltar para minha forma verdadeira." "Lhe concederemos," disse Brian, "pois é mais fácil matar um homem do que um porco."

 Cian então voltou para sua forma e disse: "Dê-me misericórdia, agora." "Não a daremos," disse Brian. "Bom, consegui o melhor de vocês por tudo isso," disse Cian, "pois se vocês me matarem na forma de um porco, haverá apenas o dinheiro para um porco em mim; porém, como é em minha forma que vocês estão me matando, nunca existiu e nunca existirá qualquer pessoa que pagará uma multa tão pesada quanto vocês. E as armas que me matarem," ele disse, "contarão o ato para meu filho."

 "Não vai ser com armas que você será morto, e sim com as pedras do chão," disse Brian. Com isso, eles o apedrejaram, rudemente e ferozmente, até restar dele apenas um monte pobre, miserável e quebrado; eles o enterraram na profundidade de um corpo humano, e a terra não recebeu o assassinato, lançando-o de volta. Brian disse que ele seria enterrado novamente, e eles o colocaram pela segunda vez, e pela segunda vez, a terra não o aceitou. Seis vezes os filhos de Tuirenn enterraram o corpo, e seis vezes a terra o lançou de volta; porém, na sétima vez, a terra manteve o corpo. Eles então seguiram para se encontrarem com Lugh da Mão Longa para a batalha.

 Quanto à Lugh, depois de deixar seu pai, ele saiu de Temhair em direção ao oeste e foi até as colinas que posteriormente seriam chamadas de Gairech e Ilgairech, até o vau do Shannon que hoje é chamado de Athluain, até Bearna nah-Eadargana, a Fenda da Separação, sobre Magh Luirg, a Planície do Séquito, para Corr Slieve na Seaghsa, a Montanha Redonda do Poço do Poeta, para o topo de Sean Slieve, para o local de Corann da face brilhante, e de lá, para Magh Mor an Aonaigh, a Grande Planície da Feira, onde os Fomor estavam junto com os objetos roubados de Connacht.

 Bres, o filho de Elathan, levantou-se e disse: "É uma surpresa ver o sol levantando-se no oeste hoje, e nos outros dias, no leste." "Seria melhor para nós se fosse o sol," disseram os Druidas. "O que é então?" disse ele. "É o brilho da face de Lugh, filho de Ethlinn," disseram eles.

 Lugh então foi até os Fomor e os saudou. "Por que vem como um amigo até nós?" disseram eles. "Há uma boa causa para isso," ele disse, "pois sou uma parte da raça Tuatha De Danann e a outra parte da raça de vocês. Devolva-me as vacas leiteiras dos homens da Irlanda," ele disse. "Que a antiga boa sorte não chegue até ti, até você conseguir uma vaca leiteira ou uma seca aqui," disse um homem deles, com raiva.

 Lugh parou perto deles por três dias e três noites, e no fim desse tempo, os Cavaleiros do Sidhe vieram até ele. Bodb Dearg, o filho do Dagda, veio com dois mil e novecentos homens e disse: "Por que adiou a batalha?" "Eu estava esperando por vocês," disse Lugh.

 Então, os reis e chefes dos homens da Irlanda colocaram suas armaduras, levantaram as pontas de suas lanças sobre suas cabeças, e fizeram uma barreira com seus escudos. Eles atacaram seus inimigos em Magh Moran Aonaigh, seus inimigos responderam ao ataque tacando suas lanças uns aos outros, e quando suas lanças quebravam, eles sacavam suas bainhas de bordas azuis e começaram a cortar um ao outro, e as moitas de chamas marrons surgiram sobre eles, vindo da armagura de suas armas de muitos gumes.

 Lugh viu o lugar onde Bres, filho de Elathan, estava, e fez um feroz ataque nele e nos homens que estavam o protegendo, até ele acabar com duzentos deles. 

 Quando Bres viu isso, ele se colocou na proteção de Lugh. "Poupe minha vida dessa vez," disse ele, "e eu trarei toda a raça de Fomor para lutar com você em uma grande batalha; comprometo-me a isso, pelo sol e pela lua, pela terra e pelo mar," ele disse.

 Nisso, Lugh poupou sua vida, e os Druidas que estava com Bres pediram proteção. "Pela minha palavra," disse Lugh, "se toda a raça dos Fomor estiver sob minha proteção, eles não serão destruídos por mim." Então Bres e seus Druidas voltaram para seu próprio país.

 Quanto à Lugh e aos filhos de Tuireann, após a batalha de Magh Mor em Aonaigh, Lugh encontrou-se com dois de seus parentes e os perguntou se eles haviam visto seu pai na luta. "Não vimos," disseram eles. "Estou certo de que ele não está vivo," disse Lugh, "e eu dou a minha palavra, de que não entrará comida e nem bebida em minha boca até eu ter conhecimento da morte do meu pai."

 Ele então partiu com os Cavaleiros do Sidhe até chegarem ao lugar onde ele e o seu pai se despediram, e daquele lugar até o lugar onde estava seu pai na forma de um porco quando viu os filhos de Tuireann.

 Quando Lugh chegou até o local, a terra disse a ele: "Seu pai estava em grande perigo aqui Lugh, quando ele viu os filhos de Tuireann diante dele, e ele se transformou em um porco para fugir, mas foi em sua própria forma que eles o mataram."

 Lugh disse isso ao seu povo, encontrou o lugar onde seu pai havia sido enterrado, e fez com que eles cavassem, e ele então descobriria como os filhos de Tuireann o mataram.

 Eles tiraram o corpo do túmulo e olharam para ele, que estava cheio de feridas. Lugh disse: "Os filhos de Tuireann deram ao meu querido pai uma morte de inimigo." Lugh lhe deu três beijos e disse: "Estou mal após sua morte, pois não posso escutar nada com meus ouvidos, não posso ver nada com meus olhos e não há uma pulsação viva em meu coração com a dor do meu pai. E vocês, deuses a quem cultuo," ele disse, "é uma pena eu não ter estado aqui na hora em que isso foi feito. Uma grande coisa foi feita aqui," ele disse, "o povo dos deuses de Dana traíram um ao outro, eles perderão por isso, e serão enfraquecidos por isso. A Irlanda não ficará livre desse problema, de leste a oeste."

 Eles então colocaram Cian debaixo da terra novamente, e depois disso, fizeram lamentações sobre seu túmulo, uma pedra foi levantada e seu nome foi escrito em Ogham. Lugh disse: "Essa colina terá o nome de Cian, pois ele foi apedrejado e quebrado. Foram os filhos de Tuireann que fizeram isso," ele disse, "dor e angústia abaterá sobre eles e nos filhos deles. Não é mentira o que vos digo, é uma pena eu estar dessa forma, meu coração está partido em meu peito, pois Cian, o homem corajoso, não está mais vivo." 

 Ele então fez com que seu povo fosse atrás dele até Teamhair, "Mas não contem a história até que eu a conte," ele disse.

 Quando Lugh chegou à Teamhair, ele sentou-se no alto assento do rei, e olhando ao redor, viu os três filhos de Tuireann. Esses três estavam além de todos os que estavam em Teamhair àquela época, devido à rapidez e habilidade deles, pois eles tinham uma boa mão em batalha, beleza e um nome honrado.

 Lugh fez com que o povo fizesse silêncio, e assim todos fizeram, e o escutaram. Lugh disse: "Em que estão pensando agora, Homens de Dea?" "Em você, na verdade," disseram eles. "Eu tenho um pergunta para vocês," ele disse. "Que vingança cada um teria para o homem que matasse seu pai?"

 Eles ficaram grandemente espantados ao ouvirem isso, e um dos chefes que estava em Tara disse: "Nos diga, seu pai que foi morto?" "Foi, na verdade," disse Lugh, "e posso ver agora nessa casa," ele disse, "os homens que o mataram, e eles sabem melhor do que eu como o mataram." O rei então disse: "Não seria a morte de um dia que daria para o homem que matou meu pai, se ele estivesse em meu poder, eu cortaria cada parte de seus membros a cada dia, até não restar nada dele." Todos os chefes disseram o mesmo, assim como os filhos de Tuireann.

 "Já existe a resposta," disse Lugh, "que os homens que mataram meu pai paguem a multa agora, uma vez que todos eles estão aqui. E se eles não pagarem," ele disse, "não quebrarei a proteção da casa do rei, mas eles não tentarão sair dessa casa até se acertarem comigo."

 "Se fosse eu que tivesse matado seu pai," disse o rei, "eu ficaria contente em pagar uma multa."

 "É para nós que Lugh está dizendo isso," disseram os filhos de Tuireann entre eles. "Vamos falar para ele sobre a morte de seu pai," disseram Iuchar e Iucharba. "Estou com medo," disse Brian, "mas pagaremos a ele a multa como se o tivéssemos matado." "Eu quero uma multa que vocês não imaginam," disse Lugh, "e lhes direi qual é, e se for muito para vocês, deixo vocês compartilharem." "Deixe-nos ouvir de você," disseram eles. "Aqui está," disse Lugh, "três maçãs, a pele de um porco, uma lança, dois cavalos, uma carruagem, sete porcos, o filhote de um cachorro, um espeto de cozinhar e três gritos em uma colina. Esta é a multa que peço," disse ele, "e se for muito para vocês, uma parte será retirada de vocês, e se vocês não pensarem nisso muito, vocês a pagarão."

 "Não é muito," disse Brian, "e uma centena de vezes também não seria. E achamos que é provável que você irá nos trair devido ao diminuto tamanho dessa multa." "Eu não acho que essa multa seja pequena," disse Lugh, "e eu lhes darei a garantia dos Tuatha De Danann que não pedirei outra coisa, serei leal a vocês, e vou deixar vocês darem a mesma garantia para mim." "É uma pena você pedir isso," disse Brian, "pois nossas garantias são tão boas como quaisquer outras no mundo." "Suas garantias não são suficientes," disse Lugh, "pois assim como prometeram pagar a multa, poderão virar as costas depois."

 Os filhos de Tuireann então foram obrigados pelo Rei da Irlanda, por Bodb Dearg, filho do Dagda, e pelos chefes dos Tuatha De Danann, à pagarem a multa para Lugh.

 "Seria melhor agora," disse Lugh, "lhes dar um melhor conhecimento da multa." "Seria bom, na verdade," disseram eles. 

 "Vou lhes dizer então," disse Lugh. "As três maçãs que peço de vocês são as três maçãs do Jardim do Leste do Mundo, e não aceitarei nenhuma outra, pois estas são as mais bonitas e mais virtuosas maçãs do mundo inteiro. Elas têm a cor de ouro queimado e são do tamanho da cabeça de um recém-nascido, tem gosto de mel, não deixa a dor de feridas ou o aborrecimento de doenças em quaisquer um que as comerem, e elas não diminuem quando são comidas. A pele que pedi de vocês," disse ele, "é a pele do porco de Tuis, Rei da Grécia, que cura todas as feridas e todas as doenças do mundo, e seja qual for o perigo que um homem estiver, se ele usar essa pele, ela o curará; os Druidas da Grécia viram que as virtudes não estavam no porco, e sim na pele, pois cada rio de água que passasse através dela se transformaria em um rio de vinho depois de nove dias, e cada ferida que este tocava, era curada, e então, eles tiraram a pele do porco, e ela está lá desde então. Eu acho, que também não será fácil vocês consegui-la, com ou sem permissão."

 "Vocês sabem qual é a lança que peço?" ele disse. "Não sabemos," disseram eles. "É uma lança bem mortal, chamada de Luin, que pertence ao Rei da Pérsia; cada escolha é feita por ela, sua ponta está mergulhada em um vaso de água para que ela não queime o lugar onde estiver, e será bem difícil consegui-la. Vocês sabem quais são os cavalos e a carruagem que peço? É a carruagem e os dois maravilhosos cavalos de Dobar, o Rei de Siogair; para estes, o mar é como se fosse terra e não existe cavalos mais rápidos que eles e nem carruagem igual à esta seja em forma ou em força."

 "Vocês sabem quais são os sete porcos que peço de vocês? São os porcos de Easal, Rei dos Pilares Dourados; se eles forem mortos uma noite, eles serão encontrados vivos no dia seguinte, e não existirão doença nem enfermidade na pessoa que comerem a carne deles."

 "A cachorrinha que peço de vocês é Fail-Inis, a cachorrinha que pertence ao Rei de Ioruaidh, o País Frio. Todas as bestas selvagens do mundo caem quando a vêem, ela é mais bonita que o sol em suas rodas flamejantes, e será bem difícil obtê-la."

 "O Espeto de Cozinhar que peço de vocês é o espeto das mulheres de Inis Cenn-fhinne, a Ilha de Caer do Cabelo Loiro. Os três gritos na colina precisam ser dados na Colina de Miochaoin, ao norte de Lochlann. Miochaoin e seus filhos não permitirão que qualquer um grite na colina; meu pai ganhou seu conhecimento com eles, e se eu esquecer sua morte, eles certamente não esquecerão. Se vocês conseguirem se safar em suas viagens antes de chegar até eles, minha opinião é que eles vingarão meu pai. Esta é a multa que peço de vocês," disse Lugh.

 Silêncio e escuridão se abateram sobre os filhos de Tuireann quando escutaram isso. Eles foram até seu pai e lhe contou a multa que havia sido colocada sobre eles. "São más notícias," disse Tuireann, "procurando por essas coisas, vocês estão indo ao encontro de sua morte e destruição. Por tudo isso, se Lugh quiser ajudar vocês, vocês poderão solucionar isto, e todos os homens do mundo não poderão, exceto pelo poder de Manannan ou de Lugh. Vá até ele e peça emprestado à Lugh o cavalo de Manannan, o Aonbharr, e se ele desejar obter a multa, ele o dará para vocês, mas se não tiver, ele dirá que o cavalo não é dele, e que ele não emprestará um empréstimo. Peça então emprestado o curragh de Manannan, o Scuabtuinne, o Varredor das Ondas. Ele o dará, pois ele não pode recusar um segundo pedido, e o curragh será melhor para vocês do que o cavalo," ele disse.

 Os filhos de Tuirenn então foram até Lugh, o saudaram, e disseram que não poderiam trazer a multa sem sua ajuda, e que por essa razão, seria melhor para eles pedir o Aonbharr emprestado. "O cavalo foi emprestado para mim," disse Lugh, "e eu não emprestarei um empréstimo."

 "Se é assim, nos empreste o curragh de Manannan," disse Brian. "Farei isso," disse Lugh. "Onde está?" disseram eles. "No Brugh na Boinn," respondeu Lugh.

 Eles então voltaram até seu pai, e sua filha Ethic, a irmã deles, estava lá, e eles lhes contaram que haviam conseguido o curragh. "Vocês não ficarão melhor por isso," disse Tuireann, "embora Lugh queira obter cada parte dessa multa para que ele possa usar antes da batalha com os Fomor, ele gostaria que vocês morressem procurando por ela."

 Eles então deixaram Tuireann triste e lamentando, e Ethne foi com eles até o curragh. Brian entrou e disse: "Só há lugar para mais uma pessoa aqui comigo." Ele começou a encontrar falhas com a pequenez do barco. "Não procure falhas no curragh," disse Ethne, "oh meu querido irmão, vocês fizeram uma coisa ruim matando o Pai de Lugh da Mão Longa, e qualquer mal que vier sobre vocês, será justo." "Não diga isso, Ethne," eles disseram, "pois estamos com um bom coração e faremos atos corajosos. E preferimos morrer uma centena de vezes do que ter a morte de covardes." "Minha dor," disse Ethne, "é que não há nada mais triste do que isso, ver vocês sendo expulsos de seu próprio país."

 Os três puxaram o curragh da bela praia clara da Irlanda. "Qual curso tomaremos primeiro?" disseram eles. "Procuraremos pelas maçãs," disse Brian, "pois são as primeiras coisas que devemos trazer. E nós lhe pedimos, curragh de Manannan abaixo de nós, que nos leve até o Jardim no Leste do Mundo." 

 O curragh não negou aquela ordem, e velejou sobre as ondas verdes e lugares profundos até chegar ao porto no leste do mundo.

 Brian perguntou para seus irmãos: "Vocês tem ideia de como entrar no jardim? Pois eu penso," disse ele, "que os campeões do rei e lutadores do país estão sempre o protegendo, e o rei em si chefia eles." "O que devemos fazer é," disseram seus irmãos, "ir diretamente até eles e os atacarem, vamos trazer as maçãs ou morreremos, uma vez que não podemos escapar desses perigos que estão diante de nós sem encontrar a morte em algum lugar." "É melhor," disse Brian, "que contem sobre nós uma história de bravura e astúcia do que uma história de tolice e covardice. O que devemos fazer é ir até lá na forma de rápidos falcões; os vigias atirarão suas leves lanças em nós, e é melhor desviarmos delas. Quando eles atirarem todas, faremos um voo rápido até as maçãs e cada um trará uma maçã em suas garras; eu trarei a terceira."

 Eles disseram que este era um bom aviso, e Brian bateu nele e em seus irmãos com sua vara druídica, que os transformaram em belos falcões. Eles voaram em direção ao jardim, os vigias os perceberam e começaram a gritar de todos os lados, atirando chuvas de lanças e dardos, mas os falcões apenas desviavam como Brian havia dito, até todas as lanças acabarem, e eles então mergulharam bravamente até as maçãs, trazendo-as com eles, sem uma ferida.

 As notícias correram por todo o distrito, e o rei tinha três sábias e astutas filhas, que se transformaram em três águias marinhas e seguiram os falcões até o mar, lançando relâmpagos neles que os chamuscaram grandemente.

 "É piedosa a forma que estamos agora," disseram os filhos de Tuirenn, "pois seremos queimados com esses relâmpagos se não conseguirmos socorro." "Se eu pudesse lhe dar socorro, eu daria," disse Brian. Com isso, ele bateu nele e em seus irmãos com a vara druídica, que os transformaram em três cisnes, e estes desceram rapidamente para o mar, com as águias marinhas atrás deles, e logo, os filhos de Tuireann conseguiram chegar no barco.

 Eles se consultaram e decidiram ir para a Grécia trazer a pele do porco, com ou sem permissão. Eles seguiram até se aproximarem da corte do Rei da Grécia.

 "Em que aparência devemos ir?" disse Brian. "Qual aparência melhor se não a nossa própria?" disseram os outros. "Não acho que seja a melhor," disse Brian, "mas vamos na aparência de poetas da Irlanda, e assim a alta sociedade da Grécia nos receberão com respeito e honra." "É difícil para nós fazermos isso," eles disseram, "não temos um poema e mal sabemos como criar um."

 No entanto, eles colocaram o laço de poeta em seu cavalo e bateram na porte da corte; o porteiro que estava lá respondeu. "Nós somos poetas da Irlanda," disse Brian, "e nós viemos com um poema para o rei."

 O porteiro entrou e contou ao rei que haviam poetas da Irlanda na porta. "Deixe-os entrar," disse o rei, "pois eles vieram de tão longe para ver um bom homem." O rei deu ordens para que tudo fosse arrumado, para que eles dissessem que não viram um lugar tão magnífico em suas viagens.

 Os filhos de Tuireann entraram, com a aparência de poetas, e sem demora caíram na bebedeira e na diversão, e eles pensavam que não tinha visto no mundo uma corte tão boa ou uma casa tão grande, ou um lugar onde eles receberam melhor tratamento.

 Os poetas do rei então se levantaram para cantarem seus poemas e músicas. Brian, filho de Tuireann, disse para seus irmãos dizerem um poema para o rei. "Não temos um poema," disseram eles, "e não peça um poema de nós, pois o único que sabemos é tomar através de nossa força se somos fortes aquilo que queremos, ou morrer por aqueles que estiverem contra nós, se eles forem mais fortes." "Esta não é uma boa forma de fazer um poema," disse Brian. Com isso, ele se levantou e pediu silêncio. Todos estavam escutando, e ele disse:

 "Oh Tuis, não escondemos sua fama; te louvamos como o carvalho entre reis; a pele de um porco, bondade sem dureza, essa é a recompensa que pedimos a ti.

 A guerra de um vizinho contra uma orelha; a nobre orelha de seu vizinho estará contra ele; ele que nos dará o que tem, sua corte não ficará escassa por isso.

 Um furioso exército e um abrupto mar são um perigo para quem quer que vá contra eles. A pele de um porco, bondade sem dureza, essa é a recompensa que peço, oh Tuis."

 "Esse é um bom poema," disse o rei, "mas não entendo uma palavra de seu significado." "Eu lhe direi seu significado," disse Brian. " 'Oh Tuis, não escondemos sua fama; te louvamos como o carvalho entre reis.' Isto é, o carvalho está além de todas as árvores reais da floresta, então, assim está você entre os reis do mundo devido a sua mão aberta e grandeza.

 'A pele de um porco, bondade sem dureza.' Isto é, eu desejo a sua pele de porco como recompensa pelo meu poema.

 'A guerra de um vizinho contra uma orelha, a nobre orelha de seu vizinho estará contra ele.' Isto é, você e eu seremos as orelhas sobre a pele, a menos que eu a consiga com o seu consentimento. E este é o significado do poema," disse Brian.

 "Eu louvaria o seu poema," disse o rei, "se não houvesse tanta coisa sobre minha pele de porco nele; e tu não tem bom senso, homem da poesia," ele disse, "em pedir isso, pois eu não daria para todos os poetas, eruditos e grandes homens do mundo, uma vez que eles não podem levá-la sem o meu consentimento. Mas eu lhe darei três vezes o interior da pele de ouro como o preço de seu poema," ele disse.

 "Que a bondade esteja com você, rei," disse Brian, "e sei que não é fácil o que estou pedindo, mas saiba que eu tenho uma boa razão para isso. Eu sou cobiçoso," ele disse, "e não ficarei satisfeito sem ver o ouro sendo medido na pele."

 O rei mandou seus serventes com eles para a casa de tesouros para medir o ouro. "Meça a dos meus irmãos primeiro," disse Brian, "e depois me dê uma boa medida, pois fui eu que fiz o poema." 

 Quando a pele foi levada para fora, Brian agarrou rapidamente sua espada com sua mão esquerda e fez um golpe no homem mais próximo a ele, cortando-o em dois. Ele então pegou a pele e a colocou sobre ele, e os três irmãos saíram correndo da corte, cortando cada homem armado diante deles de forma que ninguém escapasse da morte ou de ferimentos. Brian foi até onde o rei estava, e o rei não demorou em atacá-lo; eles fizeram uma árdua briga pela pele, e no final, o Rei da Grécia caiu pelas mãos de Brian, filho de Tuireann.

 Após o evento, os três irmãos descansaram um pouco e então decidiram ir procurar pela outra parte da multa. "Vamos para Pisear, Rei da Pérsia," disse Brian, "para pedir a lança."

 Eles então saíram com seu barco, deixando os rios azuis da costa da Grécia e disseram: "Estamos bem ungidos com as maçãs e a pele." E eles não pararam até chegarem nas fronteiras da Pérsia.

 "Vamos para a corte na aparência de poetas," disse Brian, "como fomos até o Rei da Grécia." "Ficaremos contentes em fazer isso," disseram os outros, "como tudo ocorreu bem da última vez que usamos a poesia, não será fácil para nós pegar aquilo que não nos pertence."

 Eles então colocaram o laço de poeta em seus cabelos e foram muito bem tratados quando chegaram à corte, e quando chegou a hora dos poemas, Brian se levantou e disse:

 "Qualquer lança parecerá pouca para Pisear; a batalha dos inimigos foi travada, e não será difícil para Pisear ferir cada um deles.

 Um teixo, a árvore mais bonita da floresta, é chamada de rei, esta não é grossa. Que a lança possa levar todo o povo para as feridas da morte."

 "É um bom poema," disse o rei, "mas não entendo por que minha lança está nele, oh Homem da Poesia da Irlanda."

 "É porque eu a quero como recompensa pela minha poesia," disse Brian. "Não faz sentido o que você está me pedindo," disse o rei, "e o povo de minha corte nunca mostrou tanto respeito pela poesia como agora, uma vez que eles ainda não te colocaram para a morte."

 Quando Brian ouviu isso do rei, ele lembrou da maçã que estava em sua mão e a lançou diretamente na testa do rei, de forma que seu cérebro saiu por trás de sua cabeça; ele pegou sua espada e atacou o povo ao seu redor. Os outros dois não falharam em fazer o mesmo, e deram sua ajuda tão bravamente até acabarem com todas as pessoas da corte. Quando encontraram a lança, sua cabeça estava em um caldeirão de água, para que ela não pudesse colocar fogo no lugar.

 Depois de um tempo, eles disseram que era hora de ir e procurar pelo resto da grande multa, e se perguntaram qual seria a próxima. "Iremos para o Rei da Ilha de Siogair," disse Brian, "pois é com ele que estão os dois cavalos e a carruagem que o Ildánach pediu."

 Eles seguiram e trouxeram a lança com eles, e os três estavam orgulhosos depois de tudo que haviam feito. Eles então seguiram até chegar à corte do Rei de Siogair.

 "Dessa vez," disse Brian, "iremos na aparência de soldados pagos da Irlanda, ficaremos amigos do rei até sabermos onde estão os cavalos e a carruagem." Quando se acertaram, eles seguiram até o gramado da casa do rei.

 O rei e os chefes que estavam com ele se levantaram e andaram pela feira que estava acontecendo lá; eles saudaram o rei e este perguntou quem eles eram. "Nós somos treinados lutadores da Irlanda," eles disseram, "e estamos recebendo salários dos reis do mundo." "É de vosso desejo ficar comigo por um tempo?" disse o rei. "É o que queremos," eles disseram. Eles então fizeram um acordo e pegaram serviços com ele. 

 Eles ficaram na corte por um mês e quinze dias, e não viram os cavalos durante esse tempo. Brian então disse: "Estamos na pior, pois não temos não mais notícias do cavalo do que no primeiro dia que chegamos." "O que seria melhor fazer agora?" disseram seus irmãos. "Faremos isso," disse Brian, "peguem vossas armas e reúnam suas coisas, e vão até o rei e digam que deixaremos o país e essa parte do mundo a menos que ele nos mostre seus cavalos."

 Naquele mesmo dia eles foram até o rei, e ele perguntou por que eles estavam prontos para uma viagem. "Você saberá, alto rei," disse Brian, "é porque treinados lutadores da Irlanda, como nós, tem sempre a confiança dos reis, e qualquer pessoa costuma contar segredos e sussurros para nós, e não estamos sendo tratados desse jeito desde que chegamos. Pois você tem dois cavalos e uma carruagem que são os melhores no mundo, pelo que nos disseram, e ainda não os vimos." "Seria uma pena se vocês forem por isso," disse o rei, "pois eu os mostraria desde o primeiro dia, se eu soubesse que vocês queriam vê-los. E se vocês querem vê-los agora," ele disse, "poderão, pois acredito que nunca vieram para cá soldados da Irlanda que eram melhores que vocês."

 Eles então foram até os cavalos, que estavam amarrados na carruagem, e seu andar era tão rápido como o frio vento da primavera, e para eles, o mar era o mesmo que a terra. Brian observava os cavalos de perto e de repente, ele pegou as rédeas da carruagem, atirou para fora o cocheiro arremessando-o contra a pedra mais próxima, pulando em seu lugar, e então, lançou a lança da Pérsia no rei, atravessando seu coração. Depois, ele e seus dois irmãos fez pedacinhos das pessoas em volta deles, levando embora a carruagem.

 "Iremos agora para Easal, o Rei dos Pilares Dourados," disse Brian, "procurar pelos sete porcos que o Ildánach nos disse para levar." Eles viajaram sem demora ou desvantagens até aquele país. O povo daquele país estava observando em seus portos com medo dos filhos de Tuireann, pois a história deles havia sido contada em todas as partes, de como eles tinham sido expulsos da Irlanda à força e como eles estavam roubando todos os tesouros dotados do mundo inteiro.

 Easal estava nos portos esperando por eles, e ele perguntou se era verdade que ele tinha escutado que todos os reis do mundo haviam sido mortos por eles. Brian disse que era verdade, não importasse o que eles queriam fazer com eles. "O que te faz fazer isso?" disse Easal. Brian lhe contou a opressão e a sentença que haviam colocado sobre eles, lhe contou o que aconteceu, e como eles matavam aqueles que ficavam contra eles.

 "O que te faz vir para esse país?" perguntou o rei. "Os porcos que lhe pertencem," disse Brian, "pois levá-los conosco é uma parte da multa." "Como você acha que irá consegui-los?" disse o rei. "Se obtermos de boa vontade," disse Brian, "estamos prontos para levá-los agradecidamente, mas se não, estamos prontos para lutar com você e com seu povo, pois vocês irão cair e traremos os porcos da mesma forma." "Isso seria o fim," disse o rei, "seria uma pena levar meu povo à uma batalha." "Realmente, seria uma pena," disse Brian.

 O rei então decidiu-se com seu povo, e concordaram em dar os porcos por livre vontade aos filhos de Tuireann, uma vez que eles não viram ninguém que fosse capaz de lutar contra eles até aquela hora.

 Os filhos de Tuireann agradeceram Easal, e ficaram maravilhados em ter os porcos sem ter que lutar por eles. Mais do que isso, eles tinham que deixar uma parte de seu sangue em cada lugar, até agora.

 Easal os levou aquela noite para sua própria casa, foram servidos com comida, bebida, boas camas e tudo o que eles desejassem. Eles se levantaram pela manhã e foram até a presença do rei, e os porcos foram dados à eles. "Fez bem em nos dar esses porcos," disse Brian, "pois não conseguimos pegar uma parte da multa sem lutar, até agora." Ele então fez um poema para o rei, louvando-o, e colocando um grande nome nele por aquilo que ele tinha feito. 

 "Para onde estão indo agora, Filhos de Tuireann?" disse Easal. "Estamos indo," ele disseram, " para o país de Ioruaidh, por conta de uma cachorrinha que está lá." "Me conceda um pedido," disse Easal, "leve-me com vocês até o Rei de Ioruaidh, pois minha filha é sua esposa, e eu posso persuadi-lo a lhes dar a cachorrinha sem uma batalha." "Isso nos agradaria muito," eles disseram.

 O barco do rei foi preparado, e não temos conhecimento do que aconteceu até chegarem à deliciosa e maravilhosa costa de Ioruaidh. O povo e os exércitos estavam nos portos esperando por eles, eles os reconheceram e gritaram. 

 Easal foi então pacificamente até a praia, indo em direção ao seu genro, o rei, e lhe contou a história dos filhos de Tuireann, do início ao fim. "O que os trouxe à esse país?" disse o Rei de Ioruaidh." "Pedir uma cachorrinha que você tem," disse Easal. "Foi um mal pensamento você vir aqui e me pedir isso," disse o rei, "pois os deuses não darão tanta boa sorte para esses três campeões para eles tomarem minha cachorrinha à força ou pela minha própria vontade." "Seria melhor para você dá-los a cachorrinha," disse Easal, "uma vez que muitos reis do mundo foram mortos por eles." 

 Mas tudo o que ele dizia, era fútil ao rei. Ele então voltou até os filhos de Tuireann e deu todo o relato. Quando ouviram a resposta do rei, não demoraram para colocar as mãos em suas armas e oferecer uma batalha ao exército de Ioruaidh. Quando seguiram, uma brava batalha foi travada em ambos os lados. Quanto aos filhos de Tuireann, eles começaram a matar e golpear cada homem em Ioruaidh até eles se separarem na luta, de forma que Iuchar e Iucharba ficarem em um lado, e Brian em outro. Um vácuo de perigos e destruição estava diante de Brian em cada caminho que ele tomava, até ele chegar ao Rei de Ioruaidh. Os dois campeões começaram a lutar ferozmente, não poupando um ao outro. Por fim, Brian derrotou o rei e o amarrou, levando-o pelo meio do exército até chegar onde Easal estava e disse: "Aqui está seu genro, e eu juro pela minha mão corajosa, que eu acharia mais fácil matá-lo três vezes do que trazer ele aqui para você mais uma vez."

 O cachorrinho então foi dado aos filhos de Tuireann e o rei foi desamarrado, e paz foi feita entre eles. Quando tudo isso terminou, eles se despediram de Easal e de todo o resto.

 Quanto à Lugh da Mão Longa, contaram a ele que os filhos de Tuireann estavam conseguindo tudo o que ele querida para a batalha contra os Fomor; ele então lançou um feitiço druídico neles para fazê-los esquecer o resto da multa que eles não tinham conseguido. Ele colocou um grande desejo e saudade de voltar para a Irlanda; eles então esqueceram-se da parte da multa e voltaram mais uma vez para casa. 

 Lugh estava em um encontro do povo em uma feira nos jardins de Teamhair, e o Rei da Irlanda estava com ele. Lugh então foi avisado que os filhos de Tuireann desembarcaram no Brugh na Boinne. Ele entrou para a cidade de Teamhair, chutando o portão atrás dele, e colocou a suave armadura de Manannan, a capa das filhas de Flidais, e pegou suas armas.

 Os filhos de Tuireann então foram até o rei, e foram recebidos por ele e pelos Tuatha de Danann. O rei perguntou se eles tinham conseguido a multa. "Conseguimos," disseram eles, "e onde está Lugh para darmos a ele?" "Ele estava aqui há um momento," disse o rei. Toda a feira procurou por ele, mas não o encontraram.
 "Eu sei onde ele está," disse Brian, "pois ele sabia que estávamos vindo para a Irlanda, e com todas essas armas mortais, ele foi para Teamhair para nos evitar."

 Mensageiros foram enviados até ele, e ele respondeu que não viria, mas que a multa devesse ser dada ao rei.

 Os filhos de Tuireann fizeram isso, e quando o rei tinha pegado a multa, todos eles foram para o palácio de Teamhair; Lugh saiu para o gramado e a multa foi dada a ele, e disse:

 "Há aqui um bom pagamento para qualquer um que foi morto ou que será morto. Mas, está faltando algo que não posso deixar pra lá. Onde está o espeto de cozinhar?", perguntou ele, "e os três gritos na colina que ainda não deram?"

 Quando os filhos de Tuireann escutaram isso, nuvens de fraqueza vieram sobre eles. Eles deixaram o lugar e foi até seu pai naquela noite, e lhe contaram tudo o que tinham feito e como Lugh havia os tratado.

 Tuireann estava triste e sombrio, e então eles passaram a noite juntos. Na manhã seguinte, eles foram até o seu barco, e Ethne, sua irmã, foi com eles, chorando e lamentando, e disse:

 "É uma pena, Brian de minha vida, que não seja para Teamhair que está indo, depois de todos os problemas que você teve antes disso, mesmo que eu não possa te seguir.

 Oh Salmão do mudo Boinne, Oh Salmão do Rio Lifé, uma vez que não posso te manter aqui, estou relutante em te deixar ir.

 Oh Cavaleiro da Onda de Tuaidh, o homem que é o melhor na luta, se você voltar novamente, acho que não será agradável para seu inimigo.

 Há piedade em você pelos filhos de Tuireann inclinados agora em seus escudos verdes? Sua ida é uma causa de piedade, minha mente está cheia dela.

 Você estará essa noite em Beinn Edair até, a triste chegada da manhã, que vocês tomarão multas de corajosos homens, é você que aumentou nossa dor.

 É uma pena que vocês estejam saindo de Teamhair e das colinas agradáveis, e da grande Uisnech de Midhe; não há nada mais doloroso que isso."

 Depois daquela reclamação, eles seguiram para as rudes ondas do mar verde; eles ficaram um quarto de um ano no mar sem conseguir notícias da ilha.

 Brian então colocou sua roupa de água e deu um salto, e após um longo tempo no mar procurando pela Ilha das Mulheres Loiras, ele a encontrou. Quando ele procurou pela corte, ele encontrou uma tropa de mulheres costurando e fazendo bordados. Entre todas as coisas que estavam com elas, estava o espeto de cozinhar.

 Quando Brian o viu, ele pegou o espeto em sua mão e o carregou até a porta. Todas as mulheres começaram a rir quando o viram fazendo aquilo, e disseram:

 "É um ato corajoso você colocar sua mão nisso, pois mesmo que seus irmãos estivessem com você, pelo menos cento e cinquenta mulheres de nós não deixaria o espeto ir com você ou com eles. Mas por isso," elas disseram, "leve um espeto desses espetos com você, uma vez que você ousou pegá-lo."

 Brian então se despediu delas e foi procurar pelo barco. Seus irmãos pensaram que ele tinha ido muito longe do barco, e assim que eles estavam deixando o lugar, eles o viram em direção a ele, levantando grandemente sua coragem. 

 Ele entrou no barco e foram procurar pela Colina de Miochaoin. Quando chegaram lá, Miochaoin estava guardando a colina e foi em direção a ele; quando o viu, Brian o atacou e a luta desses dois campeões era como a briga de dois leões, até finalmente, Miochaoin ser derrotado.

 Após Miochaoin cair, seus três filhos vieram para lutar com os três filhos de Tuireann. Se qualquer um viesse do leste do mundo para olhar qualquer briga, esta briga seria a luta desses campeões, devido a grandeza de seus golpes e a coragem de suas mentes. Os nomes dos filhos de Miochaoin eram Corc, Conn e Aedh, que lançaram suas três lanças nos corpos dos filhos de Tuireann, mas isso não os desencorajou, pois eles também cravaram suas três lanças nos corpos dos filhos de Miochaoin, de forma que eles caíram nas nuvens e finalmente, morreram.

 Brian disse: "Como vocês estão, meus queridos irmãos?" "Estamos perto da morte," disseram eles." "Vamos nos levantar," ele disse, "e dar três gritos na colina, pois eu vejo os sinais da morte vindo até nós." "Não somos capazes de fazer isso," eles disseram. Então Brian se levantou e levantou cada um deles com uma mão, e todos sangravam ferozmente a todo o tempo, até eles darem os três gritos. 

 Depois disso, Brian os levou com ele até o barco; eles viajaram pelo mar por um longo tempo, e Brian disse: "Eu vejo Beinn Edair, e o dun de nosso pai, e Teamhair dos Reis." "Nós teríamos saúde se pudéssemos ver isso," disseram os outros, "e pelo amor de seu bom nome, irmão," eles disseram, "levante nossas cabeças em seu peito até vermos a Irlanda novamente, e vida e morte serão os mesmos para nós após isso. E oh, Brian, Chama de Coragem sem traição, nós preferimos morrer a ver você com essas feridas, com nenhum médico para lhe curar." 

 Eles então chegaram em Beinn Edair, e dali foram para a casa de seu pai, e Brian disse para Tuireann: "Vá, querido pai, até Teamhair e dê esse espeto para Lugh, e nos traga a pele que cura para nosso socorro. Peça-o por conta da amizade, pois nós temos o mesmo sangue, e não deixe-o dar dureza por dureza. Oh querido pai, não demora em sua viagem, ou você não nos encontrará vivos."

 Tuireann foi até Teamhair e encontrou Lugh da Mão Longa diante dele, deu-lhe o espeto e pediu pela pele para curar seus filhos, mas Lugh disse que não a daria. Tuireann voltou até eles e lhes contou que não havia conseguido a pele. Brian disse: "Leve-me até Lugh, para ver o que eu conseguirei dele."

 Eles foram até Lugh e Brian pediu a pele. Lugh disse que não daria, e mesmo se eles lhe dessem a largura da terra em outro, ele não a daria, a menos que ele tivesse certeza que a morte viria para eles por conta do que eles fizeram.

 Quando Brian escutou isso, ele voltou até seus irmãos, se deitou entre eles e a vida o deixou, junto com a vida dos outros dois na mesma hora.

 Seu pai chorou e lamentou sobre seus três belos filhos, que tinham feitos atos de rei da Irlanda, e sua força o deixou e ele morreu; eles foram todos enterrados em uma única tumba.

Fonte: GREGORY, Lady. “Gods and Fighting Men”. Disponível em: <http://www.sacred-texts.com/neu/celt/gafm/gafm06.htm>.
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