domingo, 5 de abril de 2015

A Grande Batalha de Magh Tuireadh



"A Segunda Batalha de Moytura", Jim Fitzpatrick.

Parte I, livro III
A Grande Batalha de Magh Tuireadh

 Não se passou muito tempo depois que Lugh pegou a multa dos filhos de Tuireann que os Fomor desembarcaram em Scetne.

 Toda a tropa dos Fomor veio desta vez, e junto com eles, estavam seus reis: Balor dos Golpes Fortes e do Olho Maligno, Bres, Indech filho de De Domnann – um rei dos Fomor, Elathan filho de Lobos, Goll, Ingol, Octriallach filho de Indech e Elathan filho de Delbaeth.
 Lugh então enviou o Dagda para espionar os Fomor e atrasá-los até chegar a hora que os homens da Irlanda chegassem para a batalha.


 O Dagda foi até o acampamento deles, pedindo-lhes por um adiamento e eles disseram que ele poderia ter isto. Eles então começaram a zombar dele, fazendo para ele um mingau, pois ele era conhecido por ter um grande amor pelo mesmo. Eles preencheram o caldeirão do rei com quatro vezes vinte galões de leite fresco e a mesma quantidade de gordura e aveia, colocaram também cabras, ovelhas e porcos, cozinhando tudo junto, e depois derramaram a mistura em um grande buraco no chão. Eles então o chamaram dizendo-lhe que teria que comer o mingau, para que os Fomor não fossem acusados de inospitalidade, da mesma foram que Bres estava sendo. “Nós daremos um fim a você se sobrar mingau,” disse Indech filho de De Domnann.

 O Dagda pegou então um colherão grande o suficiente para um homem e uma mulher deitarem em sua concavidade, e com isso ele pegou os bocados: metade de um porco salgado e um quarto de banha. “Se o mingau tem o sabor desses bocados, é uma boa comida,” disse ele. Ele foi colocando o colherão na boca até todo o buraco ficar vazio, e quando tudo havia acabado, ele colocou sua mão e raspou as sobras que estava entre a terra e o cascalho.

 Após comer o mingau, ficou sonolento, e os Fomor ficaram rindo dele pois sua barriga estava do tamanho de um caldeirão de um casarão. Ele se levantou depois de um tempo, e, pesado como estava, fez seu caminho para casa; e na verdade, suas vestimentas não estavam delicadas: uma capa até os cotovelos, um casaco marrom – longo no peito e curto atrás -, em seus pés brogues¹ de pele de cavalo com a crina para fora, e em sua mão, uma forquilha com rodas que levava oito homens para carrega-la, de forma que ele deixou um caminho atrás dele profundo o suficiente para ser a trincheira que separa uma província. Em seu caminho, ele viu a Corvo de Batalha, a Morrigu, lavando-se no rio Unius de Connacht, e um de seus pés estava em Ullad Echne, ao sul da água, e o outro em Loscuinn, no norte da água, e em seu cabelo prendiam nove tranças frouxas. Ela disse ao Dagda que levaria o sangue do coração de Indech filho de De Domnann – que havia o ameaçado – aos homens da Irlanda.

 Enquanto o Dagda estava fora, Lugh reuniu os Druidas, ferreiros, médicos, legisladores e cocheiros da Irlanda, para planejar a batalha.

 Ele perguntou ao grande feiticeiro Mathgen o que ele poderia fazer para ajuda-los. “O que posso fazer é,” disse Mathgen, “através de meu poder, posso derrubar todas as montanhas da Irlanda nos Fomor, até seus picos estiverem rolando no chão. E as doze montanhas chefes da Irlanda vos trarão sua ajuda,” continuou ele, “e lutarão por vocês: Slieve Leag, Denda Ulad, Bennai Boirche, Bri Ruri, Slieve Bladma, Slieve Snechtae, Slieve Mis, Blai-Slieve, Nemthann, Slieve Macca Belgodon, Segois e Cruachan Aigle.”

 Ele perguntou aos copeiros o que podiam fazer. “Nós lançaremos uma grande sede nos Fomor,” disseram eles, “e então nós traremos os doze grandes lagos da Irlanda diante deles, e de qualquer maneira, por maior que seja sua sede, não encontrarão água neles: Derc-Loch, Loch Luimnech, Loch Orbsen, Loch Righ, Loch Mescdhae, Loch Cuan, Loch Laeig, Loch Echach, Loch Febail, Loch Decket, Loch Riach e Mor Loch. E iremos,” continuaram, “aos doze rios chefes da Irlanda: o Buas, o Boinn, o Banna, o Nem, o Laoi, o Snionnan, o Muaid, o Sligech, o Samair, o Fionn, o Ruirtech e o Siuir, e todos estarão escondidos dos Fomor para que eles não encontrem uma gota d’água neles. Quanto aos homens da Irlanda,” eles disseram, “haverá bebida para eles como se estivessem na batalha até o fim de sete anos.”

 Foi perguntando a Figol filho de Marnos, o Druida, o que ele faria, e ele disse: “O que vou fazer é: farei chover três chuvas de fogo nas faces do exército dos Fomor, tirarei deles dois terços de sua bravura e força, colocarei doenças em seus corpos e nos corpos de seus cavalos. Quanto aos homens da Irlanda,” continuou ele, “cada fôlego que tomarem aumentará sua força e bravura, e mesmo que estivessem sete anos em batalha, eles nunca estarão cansados.”

 Lugh perguntou as suas duas bruxas, Bechulle e Dianan: “Que poder vocês trarão para a batalha?” “É fácil dizer,” disseram. “Encantaremos as árvores, pedras e torrões de terra para que se tornem um exército armado contra os Fomor, colocando terror e levando-os para a derrota.”

 Lugh perguntou a Carpre, o poeta, filho de Etain, o que ele faria. “Não é difícil dizer,” disse Carpre, “Eu farei uma sátira a eles na alvorada, e o vento do norte, e eu no pico da colina e minhas costas viradas para um espinheiro, e uma pedra e um espinho em minha mão. Com essa sátira,” continuou, 
“lançarei vergonha e encantamento de forma que eles não sejam capazes de enfrentar lutadores.”

 Ele então perguntou a Goibniu, o Ferreiro, o que ele seria capaz de fazer. “O que farei é,” disse ele, “se os homens da Irlanda parassem a batalha até o final de sete anos, para cada espada que for quebradas e cada lança que perder sua ponta, colocarei uma nova em seu lugar. E cada lança que for feita pelas minhas mãos,” ele disse, “não perderá seu alvo, e nenhum homem que a toque, aproveitará a vida novamente. Isso é mais que Dolb, o ferreiro dos Fomor, pode fazer,” ele disse.

 “E você, Credne,” Lugh disse para seu bronzeiro, “que ajuda você dará a nossos homens em batalha?” “Não é difícil dizer,” disse Credne, “Irei fornecê-los rebites para suas lanças, cabos para suas espadas, aros e ornamentos para seus escudos.”

 “E você, Luchta,” ele disse para seu carpinteiro, “o que você fará?” “Os darei o que precisam para escudos e cabos de lanças,” disse Luchta.

 Ele perguntou a Diancecht, o médico, o que ele faria, e disse: “Cada homem que for ferido lá, a menos que sua cabeça seja cortada fora, ou cérebro ou sua medula cortada, o deixarei são e salvo para a batalha no dia seguinte.”

 Então o Dagda disse: “Essas grandes coisas que vocês estão se vangloriando, eu farei todas elas apenas eu mesmo.” “É por isso que você é o bom deus!” eles disseram, e deram um grande grito de risadas.

 Lugh falou com todo o exército, encorajando-os para que cada um tivesse o espírito de um rei ou grande senhor.

 Quando o adiamento acabou, os Fomor e os homens da Irlanda foram em direção um ao outro até chegarem à planície de Magh Tuireadh. Essa não era a mesma Magh Tuireadh onde a primeira batalha foi travada, mas sim estava ao norte, próximo a Ess Dara.

 Os dois exércitos se ameaçaram. “Os homens da Irlanda estão ousando o suficiente ao nos oferecer batalha,” disse Bres para Indech filho de De Domnann. “Darei minha palavra,” disse Indech, “que seus ossos se tornarão pequenos pedaços se eles não desistirem e pagar seus tributos.”

 Os Homens de Dea determinaram não deixar Lugh ir para a batalha, pois sua morte seria uma grande perda para eles, e então deixaram nove homens dos seus o vigiando. No primeiro dia, nenhum dos reis ou príncipes foram para a batalha, apenas os lutadores comuns – ferozes e orgulhosos.

 A batalha aquele dia seguiu sem grande vantagem para um ou outro lado, mas algo espantou os Fomor. Se suas armas fossem quebradas ou embotadas na batalha, ficavam como estavam, assim como seus homens que fossem mortos não mostravam sinais de vida na manhã seguinte; mas não era assim com os Tuatha De Danann, pois se seus homens fossem mortos ou suas armas quebradas hoje, amanhã eles estariam bons como antes.

 E isso acontecia por uma coisa: o poço de Slaine ficava à oeste de Magh Tuireadh, e à leste de Loch Arboch. Diancecht e seus filhos Octruil e Airmed cantaram feitiços sobre o poço e colocaram ervas nele. Os homens que fossem feridos mortalmente na batalha eram levados até o poço e colocados lá como cadáveres, para que pudessem ficar completos e saudáveis novamente através do poder dos feitiços. E eles não eram apenas curados, mas era como se fosse colocado fogo neles, de forma que ficavam mais rápidos na luta como nunca.

 Quanto às armas, era dessa forma que eram feitas todos os dias. O ferreiro Goibniu costumava forjar as espadas e lanças, fazendo a ponta da lança três vezes. Então o carpinteiro Luchta fazia o cabo em três cortes – o terceiro corte era o final – e colocava no anel da lança. Quando as pontas das lanças eram presas ao lado da forja, ele atirava o cabo e os anéis de forma que iam diretamente para a ponta. Então o bronzeiro Credne fazia os rebites três vezes e colocava aos anéis das lanças neles, e com isso, elas estavam prontas.

 Tudo isso era contra os Fomor, e eles enviaram um de seus jovens para espionar o acampamento e descobrir o que pudesse sobre como essas coisas eram feitos. O enviado foi Ruadan, filho de Bres e de Brigit, filha do Dagda, pois ele era um filho e neto dos Tuatha De Danann. Ele viu como tudo era feito e voltou para os Fomor.

 Quando eles ouviram a história confirmavam o que achavam: o ferreiro Goibniu era o homem que mais os prejudicavam. Eles então enviaram Ruadan de volta, mandando matar Goibniu.

 Ele então voltou à forja e pediu que Goibniu lhe desse uma ponta de lança. Ele então pediu três rebites para Credne e um cabo de lança para o carpinteiro: tudo foi dado conforme ele pediu. Havia uma mulher lá que lustrava as lanças: Cron, uma mãe para Fianlug.

 Após a lança ser dada para Ruadan, ele a virou e arremessou contra Goibniu, o ferindo. Goibniu tirou a lança e a arremessou de volta contra Ruadan, atravessando-o e o matando. Bres, seu pai, e todo o exército dos Fomor viu sua morte. Brigit então veio e lamentou seu filho, com gritos e choros.

 Quanto a Goibniu, ele foi até o poço e se curou. Depois disso, Octriallach filho de Indech, chamou os Fomor e ordenou que cada homem deles trouxesse uma pedra das pedras de Drinnes e jogasse no poço de Slane. Fizeram isso até que o poço secou e um cairn se ergueu, sendo chamado de Cairn de Octriallach.

 Enquanto Goibniu estava fazendo pontas de lanças para a batalha de Magh Tuireadh, uma acusação veio contra sua esposa. Isso lhe pareceu más notícias e um grande ciúme se abateu sobre ele. Ele segurava um cabo de lança quando escutou a história: Nes era o nome. Ele cantou feitiços sobre a lança e qualquer um que fosse atingido pela lança queimaria como fogo.

 No final do dia, a grande batalha chegou, e os Fomor saíram de seus acampamentos e pararam em grandes fileiras. Não havia um líder ou lutador deles que estava sem uma boa armadura contra sua pele, um elmo em sua cabeça, uma ampla lança em sua mão direita, uma pesada espada em seu cinto e um forte escudo em seu ombro. Atacar o exército dos Fomor aquele dia era como bater a cabeça contra uma pedra ou lutar contra o fogo.

 Os Homens de Dea levantaram-se e deixaram Lugh e seus nove companheiros o vigiando, e foram para a batalha; Midhir, Bodb Dearg e Diancecht estavam com ele. Badb, Macha e Morrigu chamaram para que todos fossem com elas.

 Uma árdua batalha foi travada, e por um momento, ia contra os Tuatha De Danann. Nuada da Mão de Prata, seu rei, e Macha filha de Emmass, caíram por Balor, Rei dos Fomor. Cassmail caiu por Octriallach, e o Dagda levou um ferimento terrível de uma lança atirada por Ceithlenn, esposa de Balor.

 Quando a batalha estava acontecendo, Lugh escapou daqueles que estavam o vigiando e correu para frente dos Homens de Dea. Foi travada então uma feroz batalha, e Lugh animava os homens da Irlanda para lutarem bem para que eles não ficassem mais presos. Era melhor para eles, ele dizia, morrer protegendo seu país do que viver sob prisão e tributo. Ele cantou uma canção de coragem e as tropas deram um grande grito conforme foram para o campo de batalha, e quando se encontraram, um começou a atacar o outro.

 Houve grande matança, túmulos e muitos homens agradáveis morreram lá na tenda da morte. Orgulho e vergonha estavam lado a lado, assim como dureza e fúria vermelha, e a pele branca dos jovens lutadores estava coberta de sangue vermelho. A colisão da lança contra escudo, de espada contra espada, o grito dos lutadores, o assovio de lanças arremessadas e o barulho de bainhas era como um árduo trovão durante a batalha. Muitos deslizaram no sangue debaixo de seus pés, e caíram, batendo com suas cabeças uma contra as outras, e rios carregavam os corpos de amigos e inimigos.

 Lugh e Balor se encontraram em batalha, e Lugh o reprovou. Balor se encheu de fúria e disse aos homens que estavam com ele: “Levantem minha pálpebra para que eu possa ver este palrador que fala comigo.” Eles então levantaram a pálpebra de Balor, mas Lugh arremessou sua lança vermelha nele de forma que seu olho atravessou por de trás da cabeça caindo em seu próprio exército, matando três vezes nove Fomor, que olharam para o olho. E se Lugh não tivesse extinto o olho conforme fez, toda a Irlanda queimaria em um lampejo. Após isso, Lugh cortou sua cabeça.

 Quanto à Indech filho de De Domnan, ele caiu e foi massacrado na batalha, e com o sangue saindo de sua boca, ele chamou Leat Glas, seu poeta, enquanto ele estava caído, mas este não foi capaz de ajuda-lo. Então a Morrigu veio para a batalha, animando os Tuatha De Dannan para lutarem bem, e, como o prometido ao Dagda, ela encheu suas duas mãos com o sangue de Indech e deu para os exércitos que esperavam na base de Unius, e daquele dia em diante, o vau foi chamado de Vau da Destruição.

 Depois disso, não houve mais batalha, mas fuga, e os Fomor foram expulsos para o mar. Lugh e seus companheiros o seguiram até encontrarem-se com Bres, filho de Elathan, com nenhum guarda, e disse: “É melhor para vocês pouparem minha vida do que me matarem. Se me pouparem,” ele disse, “as vacas da Irlanda nunca secarão.” “Me aconselharei com nossos homens sábios,” disse Lugh. Ele então contou a Maeltine Mor-Brethach, dos Grandes Julgamentos, o que Bres tinha dito, mas Maeltine disse: “Não o poupe por isso, pois ele não tem poder sobre a prole das vacas, ele só terá poder sobre elas enquanto viverem.”

 Bres então disse: “Se você me poupar, os homens da Irlanda terão uma colheita de grãos todo trimestre.” Maeltine disse: “A primavera é para o arado e semeio, o início do verão para o fortalecimento do grão, o início do outono para sua colheita e o inverno para o uso dos grãos.”
 “Isso não te salva,” disse Lugh para Bres. Então, para arrumar uma desculpa para poupá-lo, Lugh disse: “Conte-nos qual o melhor meio para os homens da Irlanda ararem, semearem e colherem.”

 “O arado deverá ser na terça-feira, o semeio no campo em uma terça-feira e sua colheita em uma terça-feira,” disse Bres. Lugh disse então que assim faria, e o deixou ir.

 Foi em batalha que Ogma encontrou Orna – a espada de Tethra, um rei dos Fomor – ele pegou a espada na bainha e a limpou. Quando a espada foi tirada da bainha, ela contou todas as façanhas que havia feito, pois as espadas costumavam ter esse poder.

 Lugh, Dagda e Ogma seguiram os Fomor, pois estes haviam levado a harpa do Dagda – que era chamada de Uaitne. Eles chegaram até uma casa de festas, onde estavam Bres e seu pai Elathan, junto com a harpa pendurada na parede. Foi nessa harpa que o Dagda prendia a música, de forma que ela não cantasse a menos que ele a chamasse. Às vezes, ela era chamada de Dur-da-Bla, o Carvalho de Duas Flores, e às vezes, Coir-cethar-chuin, a Música de Quatro Ângulos.

 Quando ele a viu pendurada na parede, disse: “Venha verão, venha inverno, da boca das harpas, gaita de foles e flauta.” Então a harpa se desprendeu da parede e foi até o Dagda, matando nove homens no caminho.

 Ele então tocou para os homens três melodias que os harpistas entendem: a melodia sonolenta, a melodia do riso e a melodia do choro. Quando ele tocou esta última, suas mulheres choronas choraram, e depois, tocou a melodia do riso até suas mulheres e crianças rirem, e por último a melodia sonolenta até toda a tropa adormecer. Com isso, eles foram embora passando pelos Fomor que ficariam felizes em machuca-los. Quando tudo acabou, o Dagda trouxe a novilha que tinha ganhado como salário de Bres na época que estava construindo seu dún. Ela chamou seu bezerro e o som de seu chamado fez com que todo o gado da Irlanda que os Fomor levaram como tributo, voltassem para seus campos novamente.

 Ce, o Druida de Nuada da Mão de Prata, foi ferido em batalha e caminhou para o sul até chegar em Cam Corsslebe. Lá ele sentou-se para descansar, cansado com suas feridas e com medo. Ele viu uma suave planície diante dele, cheia de flores, e um grande desejo se abateu sobre ele de chegar até aquela planície; ele seguiu até chegar na planície, e quando chegou, morreu. Quando seu túmulo foi feito, um lago explodiu e inundou toda a planície, nomeando o lugar como Loch Ce. Só restaram quatro homens dos Fomor na Irlanda após a batalha, e costumavam ir de país em país, roubando os grãos, leite, frutos e tudo o que vinha do mar, até serem expulsos em uma noite de Samhain pela Morrigu e Angus Og, de forma que os Fomor nunca mais pisassem na Irlanda novamente.

 Depois da batalha ser vencida e os corpos serem tirados dos campos, a Morrigu deu a notícia da grande vitória às tropas, às montanhas reais da Irlanda, rios-chefes e estuários, e isso foi o que ela disse: “Paz para os céus, os céus descem para a terra, a terra abaixo dos céus; força para todos.”

 E quanto ao número de homens que caíram em batalha, isso não será conhecido até numerarmos as estrelas do céu, flocos de neve, orvalho na grama, grama debaixo do gado ou os cavalos do Filho de Lir em um mar tempestuoso.

 Lugh então foi feito rei sobre os Homens de Dea, e foi em Nas que ele tinha sua corte.

 Enquanto ele era rei, sua mãe-adotiva Taillte, filha de Magh Mor, a Grande Planície, morreu. Antes de sua morte, ela mandou seu marido Duach, o Negro, - ele que construiu o Forte dos Reféns em Teamhair – limpar a floresta de Cuan, de forma que pudesse ter um encontro de pessoas ao redor de seu túmulo. Ele então chamou os homens da Irlanda para limpar o bosque com suas facas afiadas, podadeiras de árvores e machados, e dentro de um mês, toda a floresta havia sido cortada.

 Lugh a enterrou na planície de Midhe, levantou um monte sobre ela que pode ser visto até hoje. Ele ordenou que fogueiras fossem acesas, lamentos fossem feitos, jogos e esportes fossem realizados no verão de cada ano em respeito à ela. E o lugar ganhou seu nome devido à ela: Taillten.

 Quanto à própria mãe de Lugh, a bela e alta Ethlinn, veio até Teamhair após a batalha de Magh Tuireadh e foi dada em casamento para Tadg, filho de Nuada. Dessa união nasceram dois filhos: Muirne, mãe de Finn, o Chefe dos Fianna da Irlanda, e Tuiren, a mãe de Bran.        

Fonte: GREGORY, Lady Augusta. "Gods and Fighting Men: The Story of the Tuatha De Danann and of the Fianna of Ireland". 1904. Disponível em: <http://www.sacred-texts.com/neu/celt/gafm/> 

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