quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O nascimento dentro do Politeísmo gaélico



 Há muitas informações nos países gaélicos sobre o nascimento de criança. A maior preocupação era, entretanto, com as “fadas”, que eram visto como o maior perigo para a mãe e para o bebê.  Acreditava-se que as mamães deviam ser protegidas contras as fadas, pois as mesmas podiam pegar o espírito delas e levar para as colinas, para alimentar os bebês fadas, uma vez que as mães-fadas eram incapazes de amamentar sua prole. Da mesma forma, os bebês humanos eram substituídos por bebês fadas chamados de “changelings”, crianças feias, dementes, e que nunca cresciam em idade ou tamanho. Existia uma tradição nas partes rurais da Irlanda, que quando uma criança nascesse, o pai ou alguma outra pessoa, imergia a criança três vezes em água ou leite. O uso da água em cerimônias de batismo pode soar cristão, mas o uso do leite, talvez ecoe com a tradição de que a St. (Deusa) Brigit foi lavada com leite por sua mãe na soleira da porta assim que ela nasceu. O uso do leite, portanto, pode ser algo que tenha suas raízes nos tempos pagãos.


 Na Escócia e na Irlanda, acreditava-se que se uma mulher grávida presenciasse o trabalho de parte de uma outra mulher, ela teria as mesmas dores que ela, em adição as suas próprias dores na hora de seu parto. Antigamente, a parteira que tinha feito o parto da criança, ficava tomando conta da mãe e do bebê três ou oito dias após o parto, para vigiá-los e protege-los contra as fadas. Era também uma questão prática: a mãe, inexperiente, aprenderia como cuidar do seu bebê com a parteira, uma vez que esta já tinha prática e conhecimento no assunto.

 Para a proteção contra as fadas, diversas medidas podiam ser tomadas: uma vez que o Povo Pequeno tinha aversão por ferro, era colocado o mesmo debaixo de janelas, na cama ou no berço, para proteger a criança. Com a mesma finalidade, urina velha era engarrafada e borrifada nas soleiras da porta. Queimar couro (um velho sapato, por exemplo) também afastava as fadas. Plantas como sorveira e pearl-wort [NT: não encontrei a tradução, mas o nome científico é Sagina spp.] garantiam a segurança. Para o bebê, um colar de coral vermelho era usado para protegê-lo contra o Olho Maligno. Uma fita vermelha (lembrem-se que o vermelho era uma cor usada para proteção na Escócia) era amarrada no berço, e manteiga dessalgada era colocada na boca da criança. Saliva também continha propriedades protetoras.  

 Na Irlanda, existia o costume de colocar uma brat Bhríde (pano de Brigit) – um pedaço de pano branco que devia ter sido colocado pra fora na noite de Imbolc para Brigit abençoar – na testa da mulher na hora do trabalho de parto, ou até mesmo de usar aquele pano em alguma parte do corpo. Vigorava também a crença de que as dores do parto podiam ser compartilhadas com o marido, se a mulher usasse alguma roupa do seu marido ou através de encantamentos que as parteiras conheciam. Na Escócia, as mulheres também seguravam um Encanto para facilitar o parto, que consistia em uma semente, que devia ter sido lavada anteriormente, na praia, e depois, colocada junto com algum item de prata, dando para a mulher segurar. Na Escócia, a parteira parava na soleira da porta para convidar Brìde para auxiliar no parto.

 Tomava-se cuidado também com o cordão umbilical e a placenta, que eram ambos queimados pela parteira. Fogo e água eram cruciais para a proteção da mãe e da criança. Produtos lácteos também eram de igual importância, e quando o nascimento da criança estava perto, a família comprava queijo, que devia ser guardado até o nascimento, sem máculas, e só cortado pela parteira quando a criança nascesse sã e salva.

 E por fim, os nomes eram passados pela família de geração em geração. O filho primogênito era nomeado pelo pai, enquanto o segundo filho, era nomeado pela mãe, e assim sucessivamente.

Fonte: www.tairis.co.uk

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