sábado, 24 de agosto de 2013

Encantamentos para cura

 Reuni nessa postagem diversos encantamentos coletados oralmente dos países gaélicos. Embora a grande maioria desses encantamentos contenham elementos cristãos (ou foram "cristianizados" como alguns dizem), o objetivo desse artigo é oferecer diretrizes para que você possa criar seus encantamentos baseados nesses modelos gaélicos já existentes e adaptá-los (ou "repaganizar" como alguns chamam). Note que alguns não dão para serem adaptados, enquanto outros, talvez nem seja necessário tanta mudança (como o encantamento que invoca as três filhas de Flidais). Vale a pena lembrar também, que os encantamentos aqui não devem substituir cuidados médicos - tome estes como uma forma "alternativa" de cura - E pesquise os ingredientes antes de você sair por ai ingerido qualquer bebida que foi colocada aqui - o autor não se responsabiliza. Como o artigo é um pouco
grande, boa leitura e bons estudos.

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Fonte: "Witchcraft and Second Sight in the Highlands and Islands of Scotland: Tales and traditions collected entirely from Oral sources", de John Gregorson Campbell.

ENCANTAMENTO PARA ENTORSES
(Eòlas an t-sìochaidh)
 Este encantamento para ser eficaz também deve ser repetido três vezes. As variações da versão se encontram com as omissões de algumas linhas em algumas versões que são encontradas em outras:

"Um verdadeiro encantamento,
O encantamento que Collum-Kil aplicou
No joelho de um jovem homem
Na colina
Para o tormento, para o inchaço,
Para a ferida, para a lesão,
Para as partes, para as divisões,
Para a varicosa veia, para o osso deslocado;
Cristo saiu,
No início da manhã,
Ele encontrou as pernas de um cavalo,
Quebradas em partes;
Quando ele pousou no chão,
Ele curou a perna do cavalo;
Ele ligou medula à medula,
E osso à osso,
Ele colocou o sangue até o sangue,
E a carne até a carne,
Sumo até o sumo, e veia até veia,
Como ele curou aquilo,
Que ele possa curar isso,
Devido a Cristo junto de Seus Poderes.
Um terço hoje,
Dois terços amanhã,
E completamente depois de amanhã."

 

 Parte do encantamento consiste em um punhado de terra de uma monte cinza [NT: repare aqui que a palavra glas também é usada para a cor verde em gaélico escocês] (làn an dùirn an ùir a cnoc glas). O paciente deve ir três vezes em deosil (em direção ao sul) ao redor do monte em uma Segunda-feira. À extremo oeste de Tiree há uma colina chamada Cnocan an t-sìochaidh (a colina da entorse), mas a prática de usá-la para esse tipo de cura ficou fora de uso.

ENCANTAMENTO PARA CONTUSÕES
(Eòlas Bruthaidh)

"Pátera Maria um, pátera Maria dois, etc. pátera Maria nove,
Tu fluirá como uma mulher,
Tu fluirá como um homem,
Tu fluirá como um peixe real;
E as nove veias de teu corpo,
Juntas em um único fluxo."

ENCANTAMENTO PARA DORES REUMÁTICAS
(Eòlas Galar Tholl) [lit. "doença penetrante"]

"Feche Deus perto de ti,
Olhe o povo acima de ti,
Para Cristo, ou outro -.
Leve as nossas forcas,
Para longe, para longe,
Teu veneno no chão,
E tua dor na pedra."

 Uma versão diferente:

"Uma flecha lançada com terror súbito,
Forte para curar a ferida,
Jesus Cristo para manter a flecha fada quieta,
O encantamento de Deus sobre ti,
Cego está o povo sobre ti,
Seu revestimento sobre Collum-Kil,
E o revestimento de Collum-Kil sobre ti,
Para te proteger e te vigiar,
Contra o povo desse mundo,
E o do próximo."

(...)

PARA AFECÇÕES DO PEITO
(Air Son Iomairt Cléibh)

"Eu pisarei em você, aperto,
Como na poeira da montanha essa noite,
Em ti está teu enegrecimento, poder fada,
Malvado e doloroso é isso.
O encantamento que Patrício colocou
Na mãe do filho do Rei de Iver,
Para matar as vermes,
Ao redor das veias do coração,
Para as vinte e quatro aflições,
Em sua estrutura;
Para a água da corredeira de sua fronteira,
Para as pedras das ondas da terra,
Para a fraqueza de seu coração,
Para a icterícia e enfermidades [NT: distemper também pode significar 'cinomose']
Para a perca de vigor e para a asma."
-


Eolas na Ruaidhe ou Vermelhidão

 A ruaidhe ou a 'vermelhidão' era um inchaço nos seios de uma mulher ou nas tetas de um animal, causando a retenção de leite, e consequentemente, causando dor. Existiam vários encantamentos para a cura dessa doença. Começarei com uma versão que me foi dada por um arrendatário de Uist. A forma era a seguinte: - O executante, em primeiro lugar, pegava uma pequena pedra redonda, e esfregava no inchaço com a parte que estava virada para o chão. Na mesma hora, ele repetia o encantamento:

"Seall Thusa, Chriosd,
A' chioch so 's i air at;
Innis sin do Mhoire,
O'n 's i rug am Mac.
Ruaidhe eadar atan,
Fag an leabaidh so;
Thoir leabaidh eile ort;
Cuir ann bainne anns 'a chich,
Cuir an Ruaidhe anns 'a chloich,
'S cuir a' chloich anns a lar."

Tradução: -

"Veja, oh Cristo,
Esse peito e esse inchaço;
Conte isso para Maria,
Ela quem gerou o Filho.
Vermelhidão entre inchaços,
Deixem essa cama;
Vão para outra cama,
Mandem o leite da peito,
Levem a vermelhidão para a Terra,
E da pedra para o chão."

 A ideia aqui era, por meio do encantamento, a doença é transmitida do seio para a pedra, e da pedra para o chão.¹ Na feitiçaria cigana, exemplos similares podem ser encontrados, onde a dor é enviada para sua afinidade médica, e assim por diante, até chegar à fonte de onde ele veio.
 Uma das formas de curar a ruaidhe no gado era a seguinte: - Pegue uma pedra de um March-burn (?) -- allt criche -- esfregue a teta avermelhada com ela e diga essas palavras:

"A Chriosda, leigheis am mart.
Leigheis fhein i, 'Mhoire -
'S tu rug am Mac.
Gu'm a slan an t-ùgh;
'S gu'm a crion an t-at;
'S a ruaidhe mhor atar iotar,
Fag an t-aite so 's as!"

Tradução:

"Oh Cristo, cure a vaca.
Cure isso, oh Maria.
Tu deu a luz ao Filho;
Que a teta seja curada;
Que o inchaço pare;
E que o grande e seco inchaço vermelho
Deixe esse lugar, e vá embora!"

 Um outro método para curar a ruaidhe em uma vaca era a seguinte: -
 Um tufo em brasa era segurado debaixo da teta da vaca, as tetas eram apertadas em sucessão, e o leite tinha que pingar até a brasa apagar. A fumaça causada pelo leite e a brasa era considerada medicinal. Enquanto a vaca era ordenhada, o seguinte encantamento era dito:

"Fhaic thu, Chriosd, a' chioch
Gur a h-i tha goirt;
Innis sin do Mhoire mhin,
Bho 'n 'si-fhein a rug am Mac.
Gu 'm bu slan a' chioch,
Gu 'm bu crion an t-at.
Teich! teich! a ruaidhe!"

Tradução:

"Cristo, veja a teta -
Na qual há uma grande dor -
Conte isso para a gentil Maria,
Pois ela deu a luz ao Filho.
Que a teta fique inteira novamente,
Deixe que a vermelhidão vá embora -
Vermelhidão! Vá! Vá!"

 A seguir, está um encantamento irlandês para curar a vermelhidão, que me foi dado pelo Sr. O'Faherty: -

"Ruadh ramhar cùl connáideach.
D'iarr Collum Cille de Chathach:
Cia'rd a leigheasfas an Ruadh?
Nimh a chuir air g-cùl agus an t-at a chuir air lár,
Gan de bhrigh 's an Ruadh, an oiread a bheith slán."

 Antigas superstições tem uma vitalidade maravilhosa. Desde que este aí de cima foi escrito, uma impressionante ilustração da crença em Encantamentos nos dias presentes ficou sob a minha atenção. De acordo com o Ulster Examiner de 17 de dezembro de 1892, Owen M'Ilmurray foi acusado diante da Ulster Winter Assizes, pois ele, no dia 27 de julho de 1892 criminosamente matou David Archer, Lurgan. De acordo com as evidências, Archer sofria de bronquite e erisipela, ou vermelhidão, pois algumas vezes ele foi atendido por dois médicos. O tratamento médico não satisfez Archer e seus amigos, pois eles foram até M'Ilmurray, um famoso "Encantador" do distrito. O "Encantador" desfez as ataduras que o médico colocou na perna de Archer, e esfregou na mesma manteiga e farinha. "Enquanto fazia isso, ele murmurava um feitiço, cuja testemunha (Rebecca Jane Archer, irmã do doente) não pôde escutar." "Seu irmão (o doente) pediu a M'Ilmurray pelo amor de Deus para tentar o feitiço, e o prisioneiro disse que ele estava fazendo isso em nome de Deus." Archer, no entanto, morreu, e os médicos atribuíram a causa da morte à interferência do tratamento médico. O júri discordou, e o prisioneiro foi solto.
(...)
 Eolas na seilg, ou a Cólica

 Consegui este a partir de uma mulher em Lochbroom há 25 anos atrás. Colocarei agora para vocês a história desse eolas, conforme o escutei recentemente nas Outer Hebrides: - "Uma noite", disse meu informante, "Jesus e a Abençoada Virgem Maria foi até uma casa entre as colinas para escapar da perseguição. A dona de casa deu comida à eles. Estava começando a ficar escuro, e a Virgem Maria propôs se eles poderiam ficar lá a noite inteira. A dona de casa (Bean-an-tighe) respondeu que não poderia dar abrigo à eles, pois seu marido não era hospitaleiro e ficaria furioso se encontrasse estranhos debaixo de seu teto. A Virgem Maria pediu para serem favorecidos com qualquer canto quieto da casa até o amanhecer, e a dona de casa consentiu. Jesus e a Virgem Maria (Iosa 's Moire 'Mhathair) foram permitidos deitar na palha que estava em um canto, e a dona de casa colocou uma cobertura sobre eles. O dono de casa então chegou, jantou e foi para a cama. Durante a noite, ele sentiu uma dor violenta ao lado da barriga. Sua esposa desesperada pediu ajuda aos visitantes (e como meu visitante pateticamente adicionou, Bu mhath iad a bhi ann). Cristo então foi ajudar o homem doente, dizendo "Leighisidh mise thu - 's e greim na seilge 'th' ort." (Eu lhe curarei - você sofre de dor aguda ou cólica ou apreensão do intestino). Jesus então disse: -

"Bean shoirbh.
'S fear doirbh;
Criosd 'na laidhe air a' chalg,
Caisgidh e dhiot an t-sealg."
Tradução: -
"Uma gentil esposa,
Um grosseiro marido,
Cristo deitando na palha dos grãos,
Que parará a sealg [cólica]."

Outra versão de Uist: -

"Bhean fhial, 's duine borb,
Criosd 'na  laidhe air a' chalg -
Eirich a's leighis an t-sealg.¹"

Rodapé:
1. O Professor O'Growney me informou que no Condado de Meath, ele escutou as seguintes linhas:
"Bhean mhín, fear borb,
Mac Dé 'na luidhe 'san g-colg."

Tradução: -

"Uma esposa hospitaleira, um homem grosseiro;
Cristo dormindo na palha -
Levante-se e cure a cólica."

 A versão da história dada no volume VIII é substancialmente a mesma que foi narrada. Vale a pena notar, no entanto, que na protestante Lochbroom não há menção à Virgem Maria, enquanto que na versão adquirida na católica Uist, a Virgem Maria tem um papel proeminente. A versão de Lochbroom do encantamento é a que se segue: -

"An ainm an Athar, a' Mhic 's an Spiorad Naoimh!
Duinte fiat a muigh,
Bean fhial a stigh,
Criosd 'na laidhe air calg an lìn -
'S math an leigheas air an t-seilg sin."

Tradução:

"Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Um feroz e grosseiro homem fora,
Uma esposa hospitaleira dentro,
Cristo deitado em um relevo de linho -
Que é uma boa cura para a cólica."

 Será notado que um dos encantamentos irlandeses dado acima lida com o sealg. Existe também um encantamento para a "Dor Aguda" em um manuscrito do século XI dado no Lechdoom and Wort-cunning de Cockayne da Antiga Inglaterra:

"With gestice. Writh Cristes mael and sing, thriwe thaer on this and pater noster longinus miles lancea poxit dominun et restitit sanguis et recessit dolor. Para uma dor aguda. Escreva uma cruz de Cristo e cante sobre o lugar três vezes."

Casgadh Fola, ou Estancando o Sangue

 Prevaleceu a crença de que alguns dos velhos Highlanders podiam estancar o sangue. Acreditava-se que cavalos castrados eram particularmente habilidosos nessa arte; mas eu falhei em conseguir qualquer amostra dos Encantamentos em Uist.
 Darei, no entanto, um que consegui a partir de Duncan Campbell, um velho homem de Strathconan, que agora vive em Beauly. Ele aprendeu com a irmã de Donald MacDonald, o Bardo Conanach.
 Parece que o bardo era famoso pelos seus feitiços e encantamentos¹ e ensinou o mostrado a seguir para sua irmã. Ela o ensinou para meu informante, que firmemente acredita em sua eficácia, e que em muitas ocasiões, ele diz ter estancado o sangue através desse feitiço. A fórmula é a que se segue: - Tendo mencionado o nome e o sobrenome da pessoa a ser curada, o "Encantador" repete o Ortha:

"Paidir Mhoire - h-aon.
Paidir Mhoire - dha.
Paidir Mhoire - tri.
Paidir Mhoire - ceithir.
Paidir Mhoire - coig.
Paidir Mhoire - sia.
Paidir Mhoire - seachd.

Ciod e is brigh dha na seachd Paidrichean?
Is brigh dha na seachd Paidrichean -
Obainn fala air feirg, fala deirg.
Reoithidh t'fhuil, 's duinidh do lot
Mar shileadh Moire air Criosd."

Tradução:

"O pater da Virgem Maria - um.
O pater da Virgem Maria - dois.
O pater da Virgem Maria - três.
O pater da Virgem Maria - quatro.
O pater da Virgem Maria - cinco.
O pater da Virgem Maria - seis.
O pater da Virgem Maria - sete.

Rodapé:
1. Na tradição local, ele é representado tanto deixando o sangue sair como estancando o mesmo. Em uma ocasião, na colheita em Lothians, ele se alojou com um tecelão, que também era um conhecido flebotomista. Uma donzela do distrito chamou o tecelão para que ele pudesse fazer com que seu sangue saísse. Ele tentou com toda a sua habilidade, mas o sangue não saía. Nisso, o bardo pegou a mão da donzela, e apertando seu pequeno pulso, pressionou uma artéria, e como resultado, o sangue esguichou na cara do tecelão. O tecelão quis que o bardo lhe mostrasse seu método. O bardo respondeu, em verso: --
"Cha tugainn eòlas mo lamh fhein
Dh' fhear bhualadh slinn no chuireadh i;
Lot thu gairdean na nighean dhonn
'S cha 'n fhac thu steall de 'n fhuil aice;
'S an uair a theannaich mi caol a dùirn
Mu 'dha shuil bha 'n fhuil aice."

Qual o significado dos sete Pater?
O significado dos sete Pater é -
A ferocidade do sangue (correndo) -
O (sangue) em fúria,
O vermelho sangue (fluindo).
Teu sangue congelará; tua ferida fechará,
Como a gota de Maria em Cristo!"

 Aqui está um encantamento irlandês para estancar o sangue, que recebi do Sr. O'Faherty. É chamado de Ortha Coisgthe Fola. Anteriormente, não encontrei um encantamento gaélico com palavras em latim: -

"Is beannuighthe ainm an fhir a sgoilt croidhe an laoigh ghil;
Is maith an nidh thainic as, fuil, fion, agus fioruisge.
An ainm a n-Athar, stop an fhuil; Sancti, taraidh dá chobhair.
Spiritus Sancte, stop an fuil ta ag teacht go treun."

Tradução:

"Abençoado é o nome dele que partiu o coração do Bezerro Branco;
Precioso é aquilo que saiu de lá - sangue, urina e água pura.
Em nome do Pai, pare o sangue; Santos, venham ajudar.
Espírito Santo, pare o sangue que está jorrando tão fortemente."

 Nossos primos manêses também tem diversos encantamentos assim, e um deles será utilizado como amostra aqui, citado a partir do livro do Sr. Moore: -

Pishag dy Sthappal Roie Foalley
"Three deiney chranee haink voish y Raue - Chreest, Peddyr, as Paul. Va Creest y Chrosh, yn uill echey shilley, as Moirrey er ny glioonyn yn ec liorish. Ghow for jeu yn er-obbe ayns e lau yesh, as hayrn Creest crosh¹ harrish eh. Three mraane aegey haink harrish yn ushtey, dooyrt unnane jeu, 'seose'; dooyrt nane elley, 'fuirre'; dooyrt yn trass-unnane 'sthappyms fuill dooinney ny bem. Mish dyn ghra eh, as Chreest dy yanno eh, ayns ennym yn Ayr, as y Vac as y Spyrryd Noo."

Tradução: -

Encantamento para Parar o Sangue Saindo
"Três homens divinos vieram de Roma - Cristo, Pedro e Paulo. Cristo estava na cruz, seu sangue fluindo, e Maria ajoelhada. Alguém pegou o encantado em sua mão direita, e Cristo fez o sinal da cruz diante dele. Três jovens mulheres vieram sobre a água, uma delas disse 'suba', a outra 'fique', e a terceira, 'Eu vou parar o sangue de um homem ou mulher'. Eu digo isso, e Cristo fará, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."

Rodapé:
1. Quando disser o crosh, você deve fazer o sinal da cruz com o dedo de sua mão direita sobre a parte que está sangrando.

 Outro encantamento para estancar o sangue entre os manêses está em latim, como o que se segue: -

Um encanto para Parar a Hemorragia
"Sanguis mane in te,
Sicut Christus in se;
Sanguis mane in tua vena,
Sicut Christus in sua poena,
Sanguis mane fixus,
Sicut erat Christus,
Quando fuit crucifixus."

 Nosso Toisgeal para a dor de dente não estava em outro relato para ser visto pelo doente. Similarmente, o encantamento acima não podia ser traduzido, pois se assim fizesse, perderia sua eficácia!
 Em Orkeny, o seguinte par de versos, repetidos três vezes, era a fórmula para parar o sangue:

"Estaminais, estaminais do sangue! Eu digo para ti!
Em nome Dele que se pendure em uma árvore!

A Mordida de um Cachorro Louco

 A mordida de um cachorro louco era, naturalmente, muito temida. Na verdade, a mordida de qualquer cachorro era. O cachorro louco era invariavelmente destruído. No caso de outro cachorro, bastava colocar água no dente do animal, e a mordida era lavada com essa água, ou como era chamada, Ioc-shlainte (Restaurador da Saúde). Nossos primos irlandeses lidavam com o caso da mordida do cachorro louco em suas Leis Antigas. No livro de Aicill, diz-se "Não há benefício em publicar isso (o cachorro louco - cu confaid) a menos que ele seja morto; nem se ele for morto, a menos que ele seja queimado; nem que ele seja queimado, a menos que suas cinzas sejam lançadas em um rio."
 O assunto também é encontrado nos encantamentos irlandeses. Aqui está uma amostra usada em West Connaught: -

"Coisgim cu air mire,
Cuirim nimh air neimh-bhrigh,
'Se dubhairt Padruig uair no tri,
In nomine Patris, et filii."

Tradução: -

"Eu examinei um cachorro louco,
Fiz o veneno dele não ter efeito,
Disse São Patrício duas ou três vezes,
In nomine Patris, et filii."

Eolas nan Sul

 Existiam eolas não apenas para curar dor nos olhos, mas também para remover grãos de areia. Martin menciona que, "existia mulheres", que tinham essa arte, "ainda que estivessem algumas milhas longe". O eolas para a dor nos olhos era praticado até recentemente em muitas partes do país. O modus operanti era esse: - Colocava-se água limpa em um prato, e o praticante se curvava sobre ele e cuspia na água, enquanto dizia:

"Obaidh nan geur shùl,
An obaidh 's fearr fo 'n ghrein;
Obaidh Dhe, an t-Uile Mhor.
Feile Mhairi, feile Dhe,
Feile gach sagairt 's gach cleir,
Feile Mhicheil nam feart,
'Chairich anns a' ghrein a neart."

Tradução: -

"Um encantamento para os sofredores olhos doentes,
O melhor encantamento debaixo do sol;
O Encantamento de Deus, o Todo Grande;
Encantamento de Maria, encantamento de Deus,
Encantamento de cada padre e de cada clérigo,
O encantamento de Miguel, o vigoroso
Que concedeu ao Sol sua força."

 A história a seguir, relativas às experiências de um certo candidato parlamentar à um eleitorado nos Highlands, e que não tinha sido publicado antes, é bem interessante: -
 No curso de uma propaganda eleitoral de casa em casa, o candidato aprendeu de um certo eleitor o Eolas nan sùl. O candidado mencionou ao seu eleitor o caso de um parente que sofria de dor nos olhos. O oftalmologista rural ofereceu seus serviços, e logo começou a preparar uma "loção". Derramando uma quantidade de água em um prato, o encantador se curvou diante do mesmo, e repetiu um encantamento nove vezes - e a cada vez ele cuspia na água. A "água encantada" foi então colocada em uma garrafa e dada de presente ao candidato, que seria usada para lavar os olhos de seu parente doente.
 É grandemente temido que quaisquer possíveis virtudes que continha na água nunca fosse provada.
 Em conexão com o ato de cuspir na água, veja a história da cura de um homem que nasceu cego, como é narrado no Nono capítulo do Evangelho de São João. O sexto verso do capítulo é o que se segue: -
 "Quando ele [Jesus] falou, ele cuspiu no chão e fez barro com a cuspida, e ele untou os olhos do homem cego com a lama."

(...)

Roinn a' Mhaim, ou "Repartição" das Glândulas Inchadas

 O màm, ou como é chamado em alguns distritos, màn, é um inchaço das glândulas da axila ou na extremidade superior da coxa - glaic na sleide.¹ A forma correta é provavelmente mam - o inchaço sendo assim chamado pela semelhança com o mam, um montículo redondo.
 O método popular de curar o màm era dividir ou repartir - roinn - a glândula em um número diferente de mams ou montículos em diferentes partes do país. A forma de se lidar ou repartir o roinn é a que se segue: - A pessoa que praticará o eolas pega uma agulha de cerzir e a coloca sobre o mam ou inchaço. Ele então pega um machado e coloca suas beiradas na agulha, formando assim uma cruz, dizendo ao mesmo tempo - "So air mam" - (nomeado um particular mam ou montículo). Virava-se então a agulha e o machado era colocado sobre ela novamente, e aquela parte do inchaço atribuído a outro montículo; e assim por diante, por nove ou vinte e sete vezes, de acordo com o executante.
 O roinn ou a repartição nove vezes era o suficiente para fazer com que o inchaço retrocedesse - dol air ais. Nove vezes era o número que era praticado tanto no Continente como nas Ilhas Ocidentais, mas o número correto, de acordo com um homem de Colonsay, era três ou vinte e sete vezes. Dividindo o inchaço vinte e sete vezes, o sinal da cruz era feito no chão no nono, no décimo oitavo e no vigésimo sétimo mam enumerado abaixo, com o executante dizendo ao mesmo tempo - "Tha so air a' Mham Mhor Dhiurach, 's e 's an deicheamh."
 Estou em débito com meu amigo, o Professor Mackinnon, da Universidade de Edimburgo, pela seguinte lista dos mams mencionados no mesmo rito que é feito em Colonsay. Este foi recentemente anotado pela narrativa de Alexander Macneill, um velho homem de Colonsay, que achou que isto tinha sido pedido pelo professor para algum caso desesperado que desafiou a habilidade de todos os médicos de Edimburgo!
 O executor, pegando a agulha e o machado, fazendo o ato descrito acima, passava pelos vinte e quatro mams -

"1. So air Màm a' Scriodain. [Mull]
2. So air Màm an t-Snodain.
3. So air Màm Dhoire Dhuaig [Mull].
4. So air Màm Chloiche Duinn.

Rodapé:
1. Màm = uma certa bílis, ou um inchaço ulceroso na axila; ulcus quoedam, ulcus in axilla - Highland Society's Dictionary.
 Màm = uma bílis, ou um inchaço ulceroso no braço. - Macfarlane's Dictionary.

5. So air Màm an t-Struthain.
6. So air Màm an t-Siosair.
7. So air Màm an t-Seilisteir.
8. So air Màm Shiaba [Mull].
9. (cruz no chão) So air 'a Mhàm Mhor Dhiurach, 's e-'san Deicheamh.
10. So air Màm Astal. [Islay]
11. So air Màm Choireadail [Islay].
12. So air Màm a' Bhatain.
13. So air Màm Shraoisnich.
14. So air Màm an t-Siobarsaich.
15. So air Màm Chataib [muito pronunciado em Colonsay, onde Caithness também é entendido]
16. So air Màm na Mororaig.
17. So air Màm Chloiche Gile.
18. So air 'a Mham Mhor Dhiurach, etc.
19. So air Màm na Doire Uaine [Doire é feminino em Colonsay].
20. So air Màm na Doire Liath (léith).
21. So air Màm Arichdhuairich [muito pronunciado pelo recitador. Airidh Ghuaire em Mull é sugerido].
22. So air Màm Choire-na-h-eirea's [Jura].
23. So air Màm Ghribinn [Mull].
24. So air Màm Aisginis [South Uist?].¹
25. So air Màm Chlachaig [Mull].
26. So air Màm Choire Chriostal.
27. So air 'a Mhàm Mhor Dhiurach, etc.

 Membros dessa Sociedade devem ser capazes de identificar a localidade de muitos desses Mams.
 Macneill acredita firmemente na eficácia desse método para curar o mam, e ocasionalmente, ele põe à teste sua habilidade em Colonsay.
 Um homem de Arisaig me informou que seu pai costumava "repartir" o mam, e tinha sempre sucesso fazendo as curas. "Eu nunca vi seu método falhar," disse meu informante, "e muitas vezes eu vi o inchaço estourar com a machadinha!"
 Donald Maceachan, um velho caseiro em South Morar, ainda diz que ele pode curar tais inchaços que eu descrevi. Recentemente eu o encontrei, e ele foi bom o suficiente para me dizer seu método. Ele aprendeu a arte com um velho homem em sua juventude, e tem praticado desde então. Um pouco antes da minha entrevista com ele, ele tinha curado um rapaz que tinha um mam na coxa - am bac na sleisde - e aquilo foi tão rápido, que no dia seguinte não havia vestígios do mam!
 Em Airisag e Morar, o número de mams mencionado é nove, e não vinte e sete como em Colonsay. Não há referência ao Grande Màm de Jura, o qual é muito importante na fórmula de Colonsay. Todos os mams mencionados estão em Knoydart; e Maceachan, a fim de me convencer da precisão dessa lista, disse que ele havia morado por um bom tempo naquele distrito, e colocou uma nota especial dos Mams mencionados em sua fórmula. Suas próprias palavras foram - "Bha mi-fhein a' fuireach fada ann an Cnoideart 's chum mi beachd air na Màim." Como o salmista, ele poderia ter dito: -

"Na colina eu levantei meus olhos,
De onde o acaso veio me ajudar."

 O método de "dividir o màm" em Airisag e Morar é o seguinte: - A borda de um machado é colocado no inchaço, em nome da Trindade. Levantando o machado, o operador então golpeia um bloco de madeira - geralmente a soleira da porta (maide-buinn ou stairsneach) - ao mesmo tempo dizendo, "So air Màm-Chlach-ard." - ou seja, "Eu divido essa parte do inchaço para Màm-Chlach-ard." - e assim por diante, até cada uma das nove colinas mencionadas na fórmula receberem sua devida porção! Se o rito não funcionar uma vez, ele pode ser repetido duas ou três vezes.

  A seguir está a fórmula praticada por Donald Maceachan:

"1. Tha mi 'cur so air Màm-Chlach-ard [acima de Loch Nevis].
2. Tha mi 'cur so air Mam-Uchd [Knoydart].
3. Tha mi 'cur so air Mam-Uidhe [Knoydart].
4. Tha mi 'cur so air Mam-Bharasdail [Knoydart].
5. Tha mi 'cur so air Mam-Eadail [Knoydart].
6. Tha mi 'cur so air Maman-Odhar [Knoydart].
7. Tha mi 'cur so air Mam-Suidheag [Knoydart].
8. Tha mi 'cur so air Mam-Unndulainn [Knoydart].
9. Tha mi 'cur so air Mam-Lìdh [Knoydart].

Entorses

 São numerosos os eolais para entorses, e são conhecidos como Eolas an t-sniomh ou Eolas air sgiuchadh feithe. Eles são aplicados tanto em homens como em animais pequenos. O executante coloca um fio de lã em sua boca, fala o Encantamento e amarra o fio na parte ao redor do membro doente, e é deixado lá até aquela parte se curar. Na mitologia nórdica, nós temos um relato das aventuras de Wotan com seu cavalo, que desloca suas juntas, até diversos Galdersongs, ou Encantos, o restaurarem. A mesma ideia está presente nos Encantamentos dos Highlands, e Cristo, ou as vezes São Columba e Santa Brígida sendo mencionados como o autor da cura. A seguir, uma amostra de Uist: -

"Dh' eirich Criosda moch,
Maduinn bhriagha mach;
Chunnaic e cnamhan 'each
Air am bristeadh ma seach;
Chuir e cnaimh ri cnaimh,
Chuir e smuais ri smuais,
Chuir e feoil ri feoil,
Agus feith ri feith;
Chuir e craicionn ri craicionn:
Mar a shlanaich Criosda sin,
Gu 'n slanaich mise so."

Tradução: -

"Cristo levantou-se cedo e saiu,
Em uma bela manhã,
Ele viu os ossos de seu cavalo
Quebrados transversalmente.
Ele colocou osso até osso;
Ele colocou medula até medula;
Ele colocou carne até carne;
Ele colocou articulação até articulação;
Ele colocou pele até pele.
Como Cristo curou aquilo,
Que possa eu curar isto."

 A seguir, está uma versão do Eolas de Lochbroom: -

"Chaidh Criosda mach
'S a' mhaduinn mhoich,
'S fhuair e casan nan each,
Air am bristeadh mu seach.
Chuir e cnaimh ri cnaimh,
Agus feith ri feith,
Agus feoil ri feoil,
Agus craicionn ri craicionn;
'S mar leighis Esan sin,
Gu 'n leighis mise so."

Tradução: -

"Cristo saiu
Pela manhã
E encontrou as patas de seu cavalo,
Quebradas transversalmente,
Ele colocou osso até osso,
Articulação até articulação,
Carne até carne,
E pele até pele,
Como Ele curou aquilo,
Que eu possa curar isto."

 Aqui está uma outra versão de Uist: -

"Dh' eirich Calum-Cille moch,
Fhuair e cnamhan a chuid each
Cas mu seach
Chuir e cnaimh ri cnaimh,
Feoil ri feoil.
Feithean ri feithean,
Seiche ri seiche,
Smuais ri smuais;
A' Chriosd mar leighis Thu sid,
Gu 'n leighis Thu so."

 Não é necessária a tradução para este Encantamento. O efeito é o mesmo que os dois anteriores, com a diferença que neste São Columba toma o lugar de Cristo. Vale a pena notar que a cura de ossos quebrados por São Columba também é mencionado por Adamnan em sua Life of the Saint. A virgem sagrada Maugina, filha de Daimen, que viveu em Clochur, quando estava voltando da Missa, tropeçou e quebrou sua coxa. Columba pediu que um discípulo chamado Lugaid fosse visitá-la. Quando Lugaid se preparava para sua viagem, o Santo lhe deu uma pequena caixa feita de pinheiro, dizendo: - "Deixe que o presente abençoado que está nessa caixa seja colocado em uma vasilha de água quando tu chegar até Maugina, e deixe que essa água abençoada seja derramada na coxa dela; então, invocando o nome de Deus, o osso de sua coxa irá se ligar e ficará forte, e a virgem abençoada irá recuperar sua saúde." Lugaid cumpriu as tarefas, e num instante, Maugina se recuperou completamente. - (Veja Vita Sancti Columbae, Livro II, capítulo V).

 Em conexão com as instruções de São Columba, a "Prayer" de Roy Stuart será mencionada. Stuart torceu seu tornozelo depois da batalha de Culloden, e, enquanto se escondia dos Red Coats, compôs os versos conhecidos como "Urnaigh Iain Ruaidh" ("A Oração de John Roy"). De acordo com essa oração, seu tornozelo foi curado pelo encantamento que São Pedro fez para São Paulo. Sete paters, em nome do Padre e do Papa, era aplicado como um gesso, enquanto um outro encantamento era aplicado em nome de Maria, a toda poderosa que cura o verdadeiro crente.

"Ni mi 'n ubhaidh rinn Peadar do Phàl
'Sa luighean air fas-leum bruaich;
Seachd Paidir 'n ainm Sagairt a's Pàp
Ga chu ris na phlasd mu 'n cuairt.
Ubhaidh eile as leath Moire nan Gras
'S urrainn creideach dheanamh slan ri uair." - veja "Beauties of Gaelic Poetry", página 268. 

 Nossos vizinhos nórdicos em Orkney e Shetland também tinham seus encantamentos para a cura de Entorses. O fio era chamado de "o fio de pulso"e o encantamento era o seguinte: -

"Our savior rade.
His fore-foot slade,
Our Savior lighted down;
Sinew to sinew - joint to joint.
Blood to blood, and bone to bone,
Mend thou in God's name!"
 Outra fórmula de Orkney era a seguinte: -
 Um fio, tendo dado nove nós, era amarrado em volta da parte prejudicada. Enquanto o fio estava sendo amarrado, o encantamento era dito:

"Nove nós sobre esse fio,
Nove bênçãos em tua cabeça,
Bênçãos para levar embora tua dor,
E ilka tinter (NT: ?) de tua tensão." 
-

Para a Noite de Fogo (Febre)
 "Deus te salve, Miguel, arcanjo! Deus te salve!
O que te aflige, oh homem?"
 "Uma dor de cabeça, doença e fraqueza no coração. Oh Miguel, arcanjo, você não pode me curar, oh anjo do Senhor?"
 "Que três coisas possam te curar, oh homem. Que a sombra de Cristo caia sobre ti! Que as vestes de Cristo lhe cubram! Que Cristo respire sobre ti! E quanto eu voltar, tu será curado."
 Essas palavras devem ser ditas sobre o paciente enquanto seus braços estão levantados em forma de cruz, e água deve ser borrifada em sua cabeça.

Para uma dor na parte lateral
 "Deus salve vocês, meus três irmãos, Deus salve vocês! O quão longe vocês iriam, meus três irmãos?"
 "Para o Monte das Oliveiras, para trazer ouro para uma taça para guardar as lágrimas de Cristo."
 "Vão, então. Pegue o ouro; e que as lágrimas de Cristo possam cair sobre, e vocês serão curados, tanto o corpo como a alma."
 Estas palavras devem ser ditas enquanto uma bebida é dada para o paciente.

Para o Sarampo
 " 'A criança tem sarampo', disse São João Batista.
 'O tempo encurtará até ele ficar bem,' disse o Filho de Deus.
 'Quando?' disse São João Batista.
 'Domingo de manhã, antes do nascer do sol,' disse o Filho de Deus."
 Isto deve ser repetido três vezes enquanto se ajoelha diante de uma cruz, durante três manhãs antes do nascer do Sol, e a criança será curada no Domingo seguinte.

Para a Febre Louca
 Três pedras devem ser encantadas pelas mãos de um sábio médico-fada, e devem ser atiradas, enquanto ele diz: "A primeira pedra para a cabeça na febre louca; a segunda pedra eu lanço para o coração na febre louca; a terceira pedra eu lanço para as costas na febre louca. Em nome da Trindade, que a paz venha. Amém."

Para tirar um Espinho
 "A sarça que se espalha, o espinho que cresce, o afiado prego que penetrou na testa de Cristo, dê o seu poder para tirar esse espinho da carne, ou que ele desapareça dentro; em nome da Trindade, Amém."

Para a Dor nos Olhos
 "Leve embora a dor, oh Maria, mãe, e espalhe a névoa dos olhos. Pois todo poder é dado para a mãe de Cristo para dar luz aos olhos, e lançar de volta a névoa vermelha para o oceano, de onde isso veio."

Para dores no corpo

 Esfregue a parte afetada com linho e estopa, aquecido no fogo, repetindo em irlandês: - 
"Em nome de um rude homem e de uma meiga mulher, e do Cordeiro de Cristo, seja curado de suas dores e de seus pecados. Assim seja. Amém."
 Esse costume se refere à tradição de que um dia, o Senhor Cristo, estando bastante cansado, pediu para descansar em uma casa, mas foi rejeitado pelo mestre da casa, um rude homem. Então sua esposa, uma mulher meiga, sentiu pena do viajante, trouxe-o para dentro para descansar, lhe deu um copo de água para beber, falando gentilmente com ele. Após isso, o homem da casa começou a sentir dores, e parecia que ele ia morrer de agonia. 
 Cristo então pediu linho e estopa, respirou sobre isto, e colocou na parte afetada, e então o homem foi curado. O Senhor Cristo então seguiu o seu caminho, mas não antes do homem rude humildemente pedir perdão por ser tão rude com um estranho. 
 A tradição dessa cura permaneceu desde então, e um emplastro quente de linho e estopa é usado pelos camponeses para curar todas as dores, e é uma cura eficaz.

Para erupções vermelhas

 "Aquele que irá me curar da fria, vermelha e da sedenta doença que veio de longe e mata as pessoas com sua venenosa dor?" "A oração de Maria para seu filho, a oração de Columba para Deus; estes irão lhe curar. Amém."

Outro.
 Diga essa oração três vezes sobre o paciente, fazendo o sinal da cruz a cada vez: -
 "Bridget, Patrício, Salomão e a grande Maria, irão banir essa erupção de você."
 Então pegue manteiga, respire perto dela, e dê para a pessoa se friccionar.  
 Para ter a certeza de que ele será curado, ponha um punhado de milefólio em sua mão enquanto ele estiver dormindo; se este estiver murcho pela manhã, ele morrerá, mas se permanecer fresco, a doença deixará ele.

Um encantamento muito antigo contra feridas e venenos
 "O veneno de uma serpente, o veneno de um cão, a agudeza da lança, não fica bem em um homem. O sangue de um cão, o sangue de muitos cães, o sangue do cão de Fliethas - estes eu invoco. Não é sobre uma verruga que minha saliva é aplicada. Eu golpeio doenças; eu golpeio feridas. Eu golpeio a doença do cachorro que morde, do espinho que fere, do ferro que golpeia. Eu invoco as três filhas de Fliethas contra a serpente. Bênção nesse corpo para ser curado; bênção na saliva; bênção Nele que expulsa a doença. Em nome de Deus. Amém."

Para dor no peito
 Para ser dito em irlandês, enquanto um pedaço de manteiga é friccionada sobre o peito -
 "Oh filho, veja o quão inchado está o peito dessa mulher! Oh, tu que teve um filho, olhe para isto! Oh Maria! Oh Rei do Céu, que essa mulher seja curada! Amém."

Para um ferimento
 Feche a ferida com os dois dedos, e repita lentamente essas palavras: -
 "Em nome do Pai, do Filho, e da Santa Maria. A ferida era vermelha, o corte era profundo, a carne estava doente, mas não haverá mais sangue, não mais dor, até a Virgem Maria ter um filho novamente."

Para dores
 "Eu mato o mal; eu mato a minhoca da carne, a minhoca na grama. Eu coloco um encantamento venenoso na mortífera dor. O encantamento que foi colocado por São Pedro e São Paulo; o encantamento que mata a minhoca na carne, no dente, e no corpo."
 Essa oração deve ser dita três vezes enquanto manteiga é friccionada na parte dolorida do corpo.
Outra.
 Um encantamento bem meigo, um encantamento que Cristo descobriu. O encantamento que mata a minhoca na carne.
 "Que Pedro leve, que Paulo leve, que Miguel leve, leve a dor embora, a dor cruel que mata as costas e a vida, e enegrece os olhos."
 A oração escrita e amarrada na pata de uma lebre deve ser sempre usada pela pessoa aflita, ao redor do pescoço.

Para uma entorse
 Nas Ilhas Ocidentais, o seguinte encanto é usado para entorses: -
Um fio de lã negra é amarrado em volta do tornozelo, enquanto o operador recita em voz baixa:
 "O Senhor cavalgou e o potro tropeçou,
Ele o levantou, ele o tropeçou.
Colocou junta até junta, e osso até osso,
E articulação até articulação. 
Em nome de Deus e dos Santos,
De Maria e de Seu Filho,
Que esse homem seja curado. Amém."
 Um encantamento similar era usado na Alemanha no século X, de acordo com Jacob Grimm.
Para a mordida de um cachorro louco
 Um encantamento que Columba fez para uma ferida cheia de veneno: -
 "Levante, oh Carmac, oh Clunane, através de Cristo seja curado. Pela mão de Cristo, que tu seja curado no sangue, na medula e no osso. Amém."
 Essa oração deve ser pronunciada sobre um homem ou uma mulher, um cavalo ou uma vaca, mas nunca sobre um porco ou um cão. A ferida deve ser friccionada com manteiga durante a operação.
Para uma Queimadura
 Existe uma boa e secreta cura para queimadura sem deixar cicatrizes: "Pegue sebo de ovelha e casca de sabugueiro, cozinhe-os, e a pasta curará uma queimadura sem deixar cicatrizes." 

Para Epilepsia

 Pegue um novelo de linha cinza, uma mecha do cabelo do paciente, algumas podas de suas unhas, e enterre tudo bem fundo na terra, repetindo em irlandês, como um serviço de enterro, "Que a grande doença fique enterrada aí para sempre. Pelo poder de Maria e pela alma de Paulo, que a grande doença fique enterrada na argila, e nunca mais saia do chão. Amém."

 Se o paciente, ao acordar de um sono, dizer o nome da pessoa que proferiu essas palavras, ele certamente irá se recuperar.

 Se uma pessoa cruzar pelo paciente enquanto ele estiver em um encaixe (NT: ?), ou ficar entre ele e o fogo, a doença então abrirá caminho até ele e deixará uma outra pessoa que está doente.

Para Coqueluche

 Um bolo de aveia deve ser dado, não comprado ou feito, e sim um bolo dado com amor e caridade, não mendigando, um bolo dado de bom grado, com uma oração e uma bênção, um bolo do café da manhã de um homem e de sua esposa que tinha o mesmo nome antes de se casarem. Essa é a cura.

 O toque de um cavalo malhado. Até mesmo um cavalo malhado dando patadas diante da porta é uma cura.

 Uma criança deve ser passada sete vezes por cima e por baixo de um burro [NT: ass também traduzido como 'asno' ou 'traseiro'] enquanto uma linha vermelha é amarrada na garganta do paciente.

 Nove pelos do rabo de um gato preto, picado e colocado na água, que deverá então ser engolida.

 "Um dia quando sai para atirar em narcejas," um cavalheiro escreve, "eu vi um terrível e horrível inseto olhando para mim. Eu chamei um homem que estava perto de mim e o perguntei o nome do inseto. Ele me disse que aquilo se chamava Thordall e era tido como uma grande cura para a coqueluche, pois se alguém o colocasse dentro de uma garrafa e deixasse ele lá até ele morrer, a doença iria embora. Eu tentei a cura, pois meu filho caiu de cama com essa epidemia. Eu então engarrafei o bicho e observava o estado de sua saúde. Ele durou por quinze dias, e no fim desse tempo, meu filho se recuperou e o inseto horrível jazia morto."

Para Reumatismo

 O operador faz passos, como um hipnotizador, sobre o membro com a dor reumática, nunca tocando aquela parte, e sim movendo sua mão lentamente sobre ela há uma certa distância, enquanto ele murmura uma forma de palavras em voz baixa.

Para um terçol na pálpebra

 Aponte um espinho de groselheira sobre ela nove vezes dizendo "Vá embora, vá embora, vá embora!" e o terçol desaparecerá dentro de pouco tempo.

Para curar verrugas

 Quando ver um funeral, pegue um pouco da terra debaixo do pé dos homens que carregam o caixão e coloque na verruga, desejando fortemente que ela desapareça, e assim será feito.

Para uma dor aguda na parte lateral do corpo

 Friccione a parte afetada com manteiga sem sal, e no mesmo tempo, faça o sinal da cruz sete vezes na parte.

Para olhos frágeis

 Uma decocção de flores de margaridas é um excelente remédio, que deve ser usado constantemente.

Para água no cérebro

 Cubra bem a cabeça com lã, coloque óleo de pele sobre ela e a água será tirada da cabeça. Quando a lã estiver encharcada, o cérebro ficará livre e a criança será curada.

Para a doença de quadril

 Pegue três pedras verdes de um córrego, entre a meia noite e o amanhecer e não diga uma palavra. É preciso fazer silêncio. Descubra então o membro e esfregue cada pedra várias vezes sobre ele, do quadril até o dedão, dizendo em irlandês: -

 "Desgaste, desgaste,
Você não deve ficar,
Dor cruel - vá embora, vá embora!"

Para Caxumba

 Enrole a criança em um lençol, leve-a até o chiqueiro, esfregue a cabeça da criança nas costas de um porco, e a doença irá deixá-la passando para o porco.

Outro.

 Recolha nove pedras antes do nascer do sol, e leve o paciente com uma corda amarrada no pescoço até um poço sagrado - não fale nada. Lance então três pedras em nome de Deus, três em nome de Cristo e três em nome de Maria. Repita esse processo por três manhãs e a doença será curada.

Para Epilepsia

 Pegue nove galhos de um sabugueiro jovem; coloque uma linha de seda de três fios em volta dos galhos, cada galho medindo uma polegada. Amarre esse colar no pescoço do paciente. Se o fio de partir e o amuleto cair, ele deve ser enterrado no solo e um outro amuleto deve ser feito, pois se este tocar o chão, o amuleto se perde.

Outro.

 Pegue nove pedaços do crânio de um homem morto, faça-os virar pó, e misture com uma decocção de arruda. Dê ao paciente uma colherada toda manhã em jejum, até toda a porção ser engolida. Nada pode ser deixado, pois o homem morto pode voltar e pegar as partes de seu crânio.

Uma cura para o gado

 Pegue nove folhas de estrepe masculina colhidas em um domingo à noite; esmague-as em uma pedra que nunca foi movida desde que o mundo se formou, e que nunca poderá ser movida. Misture com sal e saliva, e aplique a pasta na orelha do animal doente. Repita isso três vezes se for para um humano, e nove vezes se for para um cavalo.

Para a mordida de um cachorro louco

 Cinco onças de arruda, quatro onças de alho, duas onças de melaço de Veneza e duas onças de limalha de estanho. Cozinhe por duas horas em uma panela fechada, em dois quatros de ale, e dê uma colherada a cada manhã em jejum até a cura ser feita. O licor deve ser coado antes do uso.   
-
Fim do texto.
Bênçãos de Dian Cécht, o Médico dos Deuses.


 


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