segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ritos de Casamento

Tirado de: "Ancient legends, mystic charms and supersticions of Ireland", Lady Wilde.
Ritos de Casamento
 Nos velhos tempos na Irlanda, acreditava-se que era certo e adequado usar a força sequestrar uma mulher para ser esposa. Ela era colocada em um rápido cavalo diante do noivo, enquanto toda a sua família começava a perseguição com gritos e choros. Doze donzelas cuidam da noiva, e cada uma delas era colocada em um cavalo na frente dos jovens rapazes que cavalgavam atrás dos noivos. Chegando a sua futura casa, a noiva era recebida na soleira pela mãe do noivo, que partia um bolo de aveia sobre sua cabeça como um bom augúrio de abundância no futuro.

Nas montanhas onde os cavalos não podem caminhar, a festa dos noivos caminha em procissão; os jovens rapazes carregam tochas de árvores que crescem próximos a pântanos para iluminar a noiva sobre as ravinas, pois no inverno, os rios da montanha são rápidos e perigosos para se atravessar.

 A cerimônia céltica de casamento se assemelha ao ritual grego em alguns pontos. Um viajante na Irlanda a cerca de cinquenta anos atrás, antes da política assassinar o romance e a antiga tradição no coração do povo, descreveu um rústico festival de casamento que ele entrou por acaso em uma noite, nos lugares selvagens de Kerry –

 Um grande espinheiro estava no meio de um campo perto de um rio, e ele estava cheio de coisas coloridas penduradas nele, onde velas apressadamente iluminavam os lugares entre os ramos, para simbolizar, sem dúvidas, a nova vida brilhante preparada para o casal. Então vinha uma procissão de meninos marchando lentamente com flautas e gaitas de foles feitas de juncos ocos, e um dos meninos bate em uma lata com uma vara em intervalos, com uma forte cadência rítmica. Isso representava o plectro. Outros sacudiam ardósia e ossos entre seus dedos, na hora da batida, seguindo a maneira do Crotolistrai – uma rude tentativa de música, que aparece entre todas as nações da terra, até mesmo entre as mais selvagens. Um menino seguia, segurando uma tocha acesa de madeira do pântano. Evidentemente, ele era o hímen, e a chama do amor era seu conhecimento. Atrás dele vinha o par de noivos com as mãos dadas, e um grande dossel quadrado negro sendo segurado sobre suas cabeças; o emblema, é claro, do mistério do amor, envolto e velado da curiosa luz do dia.

 Atrás do par seguia duas atendentes segurando sobre a cabeça do jovem casal uma peneira cheia de aveia; um sinal de abundância que estaria em sua casa, e um presságio de boa sorte e bênçãos para os filhos.

 Um coro selvagem de dançarinos e cantores fechavam a procissão; o coro de epitalâmicas e grotescas figuras, provavelmente os tradicionais faunos e sátiros, ninfas e bacantes, todos juntos com risos loucos, gritos e segurando ramos verdes.

 A procissão ia então até uma fogueira, evidentemente, o antigo altar; tendo girado em volta três vezes, a capa negra era tirada do par de noivos, enquanto eles se beijavam diante de todos, que gritavam e sacudiam seus ramos verdes em aprovação.

 Então, as preparações para o jantar do casamento começam, da qual, no entanto, o viajante deixa o lugar, deixando um pouco de dinheiro no altar como uma oferenda de bons desejos para o casamento. No jantar do casamento havia sempre uma abundância de comidas e bebidas, a dança e as festas se prolongavam até a manhã seguinte, quando o canto do casamento era cantado por todos os amigos que estavam presentes, enquanto a noiva e o noivo ficavam sentados no centro da mesa. O refrão de um desses antigos sons pode ser traduzido assim literalmente do irlandês –

“Não é dia, ainda não é dia,
Não é dia, ainda não é manhã,
Não é dia, ainda não é dia,
Pois a lua está cintilando brilhantemente.”   

 Outro canto de casamento era frequentemente cantado, cada verso terminava com essas linhas: --

“Há uma doce música encantadora, e as harpas douradas estão vibrando; e as doze graciosas donzelas enfeitam a cama da noiva para ela.”

 O noivo presenteava a noiva com um lindo vestido novo na festa do casamento; na qual também, o pai pagava o dote dela diante de todos os convidados; todo o lugar ao redor da casa era colocado tochas acesas quando a noite chegava, os sons e a dança continuavam até o dia seguinte, com muitas conversas e bebedeiras de uísque irlandês. Brigas eram evitadas no casamento, pois uma briga é considerada o presságio mais azarado. Um dia úmido também era visto como azar, pois era como se a noiva fosse chorar de tristeza o ano inteiro. Um dia quente de brilhante luz do sol era alegremente bem visto, de acordo com o velho ditado –

“Feliz será a noiva se o sol brilhar;
Mas abençoado será o corpo que a chuva molha.”    
 

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