segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

As Mulheres Cornudas

Texto extraído do livro Ancient Legends, Mystic Charms and Superstitions of Ireland, de Lady Wilde. Traduzido por mim.
As Mulheres Cornudas

Uma rica mulher sentou-se tarde da noite carteando e preparando a lã enquanto toda a família e os serventes estavam dormindo. De repente, um bater foi dado na porta, e uma voz chamou – “Abra! Abra!”
“Quem está ai?” disse a mulher da casa.
“Eu sou a Bruxa de Um Chifre,” ela respondeu.

A dona de casa, supondo que era um de seus vizinhos que tinha chamado e pedia ajuda, abriu a porta e a mulher entrou, tendo em sua mão um par de cartões de lã, e tendo um chifre em sua testa, como se este crescesse lá. Ela sentou-se diante do fogo em silêncio, e começou a cartear a lã com uma pressa violenta. De repente, ela parou e disse alto: “Onde estão as mulheres? Elas estão demorando muito.”
Então, uma segunda batida veio da porta, e uma voz chamou como antes: -- “Abra! Abra!”
A dona de casa sentiu-se forçada a levantar e abrir ao chamado, e imediatamente uma segunda bruxa entrou, tendo dois chifres em sua testa, e em sua mão uma roda para fiar a lã.
“Me dê espaço,” ela disse, “Eu sou a Bruxa dos Dois Chifres,” e ela começou a fiar tão rapidamente quanto um raio.
Então, os barulhos passaram, e os chamados foram ouvidos, e as bruxas entraram, até que doze mulheres se sentaram ao redor do fogo – a primeira com Um chifre, e a última com Doze chifres. Elas carteavam o fio, giravam suas rodas de fiar, fiavam e fiavam, todas cantando juntas uma antiga rima, mas não falavam nenhuma palavra com a dona de casa. Estranho era escutar, e assustador era olhar para essas doze mulheres, com seus chifres e suas rodas, e a dona de casa sentia que estava perto da morte, ela tentou se levantar para poder pedir ajuda, mas ela não podia se mover, nem podia proferir uma palavra ou um grito, pois o feitiço das bruxas estava sobre ela.
Então, uma delas a chamou em irlandês e disse –
“Levante-se mulher, e nos faça um bolo.”
Então, a dona de casa procurou por uma tigela para trazer água do poço para que ela pudesse misturar os ingredientes e fazer o bolo, mas ela não achava nenhuma. Elas disseram: --
“Pegue uma peneira e traga água nela.”
Ela pegou a peneira e foi até o poço, mas a água escorria por ela, e não podia pegar nada para o bolo, ela sentou-se diante do poço e chorou. Então, uma voz veio até ela e disse –
“Pegue lama amarela e musgo e misture-as, tampe a peneira e você conseguirá segurar a água.”
Assim ela fez, e a peneira segurou a água para o bolo. A voz disse novamente –
“Volte e quando você chegar no canto norte da sua casa, grite três vezes, ‘A montanha das mulheres Fenian e o céu sobre ela está pegando fogo’.”
E assim ela fez.
Quando as bruxas lá dentro escutaram o grito, um grande e terrível grito saiu de seus lábios e elas se apressaram com lamentações e gritos, e fugiram para Slieve-namon, onde o chefe delas habitavam. O Espírito do Poço advertiu a dona de casa a entrar e preparar sua casa contra os encantamentos das bruxas, se elas voltassem novamente.
File:Slievenamon 2006-07-01.jpg
Slieve namon, Sliabh na mBan, ou 'A Montanha das Mulheres'
teve esse nome de uma mulher-fada, Feimhin, que encantou o
guerreiro Fionn mac Cumhall.
Primeiro, para quebrar os feitiços dela, ela borrifou a água que tinha lavado o pé de seu filho (a água do pé) do lado de fora da porta, na soleira; depois, ela pegou o bolo que as bruxas tinham feito em sua ausência, misturado os ingredientes com o sangue tirado da família que dormia. Ela então partiu o bolo em pedaços, e colocou um na boca de cada um que dormia, e eles foram restaurados; ela então pegou o pano que elas tinham tecido e colocou metade para dentro e metade para fora de um baú com um cadeado; e por fim, ela assegurou a porta com uma grande trave presa nos batentes, para que elas não pudessem entrar. Tendo feito essas coisas, ela esperou.
Não demorou muito para as bruxas voltarem, elas assolaram e gritaram por vingança.
“Abra! Abra!” elas gritavam. “Abra, pé de água!”
“Eu não posso,” disse o pé de água, “Estou espalhada no chão e meu caminho está indo para o Lago.”
“Abra, abra, madeira, árvore e viga!” elas gritaram na porta.
“Eu não posso,” disse a porta, “pois a viga está fixada nos batentes e eu não tenho poder para movê-la.”
“Abra, abra, bolo que nós fizemos e misturamos com sangue,” elas gritaram novamente.
“Eu não posso,” disseram os bolos, “pois estou quebrado e ferido, e meu sangue está nos lábios das crianças que estão dormindo.”
Então, as bruxas se apressaram pelo ar com grandes gritos, e fugiram de volta para Slieve-namon, proferindo estranhas maldições no Espírito do Poço, que desejava a ruína delas, mas a mulher e a casa foram deixadas em paz, e um manto deixado por uma das bruxas em seu voo foi pendurado pela dona da casa como um sinal da terrível disputa da noite, e esse manto está na posse da mesma família, de geração em geração, por quinhentos anos depois disso.    

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