sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Histórias


 Para o 15° dia, o tema é ‘Histórias’. No passado das Ilhas Gaélicas, como todos sabem, os sacerdotes não escreviam nada, tudo era passado de forma oral. Mas se era mesmo assim, como então saberíamos dos mitos e das lendas desses antigos povos? Simples, tudo foi passado oralmente até uma certa época, quando os monges e até mesmo alguns bardos começaram a escrever suas lendas e mitos.

 Como em sempre digo, quando se conta uma história, a magia dela é despertada – e é por isso que recontamos mitos e lendas dentro de nossos rituais, para trazer aquela magia para a nossa cerimônia. Hoje, como o tema é História, proponho algo diferente, assim como farei com o tema sobre Poesias. Postarei uma história, uma lenda da Escócia colhida por J. F. Campbell. Leia a história atentamente e depois reflita. No final, escreverei alguns comentários.

IV.
A DONZELA DO MAR.
De John Mackenzie, pescador, próximo à Inverary.
 Existia um pobre e velho pescador que nesse ano, não estava conseguindo muito peixe. Em um de seus dias, quando estava pescando, surgiu uma donzela do mar em seu bote e ela lhe perguntou se ele estava conseguindo peixes. O velho respondeu que não. “Que recompença você me daria para eu lhe mandar uma abundância de peixes?” “Ai!” disse o velho, “eu não tenho muitas coisas disponíveis.” “Você me daria o primeiro filho que tens?” disse ela. “Isto era o que eu lhe daria, se eu tivesse um filho; eu não tenho, e nunca terei um filho meu,” disse ele, “eu e minha esposa estamos muito velhos.” “Diga tudo o que tens.” “Eu tenho uma velha égua, um velho cão, eu mesmo e minha esposa. Essas são todas as criaturas do grande mundo que são minhas.” “Aqui estão, então, três grãos para ti que deverás dar para sua esposa essa noite, três outros para o cão, três outros para a égua e essas três você deverá plantar em sua casa, e no seu devido tempo, tua esposa terá três filhos, tua égua terá três potros, teu cachorro terá três filhotes e crescerá três árvores atrás de sua casa, e essas árvores serão um sinal para quando um dos filhos morrer, uma das árvores irá murchar. Agora vá para casa, e lembre-se de mim quando seu filho tiver três anos de idade, e você terá uma abundância de peixes depois disso.” Tudo aconteceu como a donzela do mar disse, e o pescador tinha abundância de peixes, mas conforme o fim dos três anos se aproximava, o velho pescador ficava triste e com o coração pesado, enquanto falhava em cada dia que passava. No homônimo do dia, ele foi pescar como era costume, porém não levou seu filho com ele.
 A donzela do mar surgiu em seu bote e perguntou, “Não trouxestes teu filho para mim?” “Ai! Eu não o trouxe. Esqueci que esse era o dia.” “Sim! Sim! Então,” disse a donzela do mar, “terás mais quatro anos, pois será mais fácil para ti deixa-lo. Ele terá que ser dessa idade,” e ela levantou um vigoroso e grande bebê. “Seu filho é tão bom quanto esse?” Ele foi para casa cheio de alegria e prazer, pois ele ainda teria outros quatro anos com seu filho. Ele continuou pescando e pegando muitos peixes, mas no fim dos próximos quatro anos, lágrimas e dor o atacaram, e ele não comia, não andava, e sua esposa não imaginava o que estava o deixando tão triste assim. Dessa vez ele não soube o que fazer, mas ele decidiu que não levaria seu filho dessa vez. Ele foi pescar como costumava fazer, e a donzela do mar surgiu em seu barco e perguntou, “Não trouxestes teu filho para mim?” “Ai! Eu o esqueci dessa vez também,” disse o velho homem. “Vá para casa então,” disse a donzela do mar, “e no fim de sete anos, terás certeza que se lembrará de mim, mas então não será mais fácil para ti deixa-lo, porém terá peixes como tinha antes.”
 O velho homem foi para casa cheio de alegria, ele teria mais sete anos com seu filho, e antes dos sete anos passarem, o velho homem acharia que estaria morto e que não veria mais a donzela do mar. Mas não importou, pois o fim daqueles sete anos também estava perto, e com isso, o homem estava sem cuidado e problema. Ele não descansava nem dia nem noite. O filho mais velho perguntou um dia se algo estava o perturbando. O velho homem disse que alguém estava, mas que não pertencia nem a ele e nem a mais ninguém. O rapaz disse que precisava saber quem era. Seu pai lhe contou a história entre ele e a donzela do mar. “Não deixe isso lhe dar problemas,” disse o filho, “Eu não irei me opor contra você.” “Não irás, você não deve ir, meu filho, e eu não terei peixe para sempre.” “Se você não me deixar ir com você, vou até o ferreiro e pedirei para me fazer uma grande e forte espada, e irei para o fim do destino.” Seu pai foi até o ferreiro, e o ferreiro lhe fez uma valente espada. Seu pai foi para casa com a espada. O rapaz a pegou e a balançou uma ou duas vezes, fazendo a espada se quebrar em uma centena de lascas. Ele pediu para seu pai ir novamente ao ferreiro e pegar outra espada que fosse duas vezes mais pesada; assim fez seu pai, e aconteceu a mesma coisa com a próxima espada – ela se quebrou em duas partes. O velho homem voltou ao ferreiro, e o ferreiro lhe fez uma grande espada, como nunca tinha feito antes. “Há uma espada para você,” disse o ferreiro, “e o punho que irá segurá-la precisa ser bom.” O velho homem deu a espada para seu filho, que deu um ou dos golpes. “Essa servirá,” disse ele, “está na hora de eu seguir meu caminho.” Na manhã seguinte ele colocou uma sela no cavalo preto que a égua teve, colocou o mundo debaixo de sua cabeça,1 e seu cachorro preto ao seu lado. Quando andou um pouco, caiu com a carcaça de uma ovelha ao lado da estrada. Na carniça estava um grande cão, um falcão e uma lontra. Ele desceu do cavalo e dividiu a carcaça entre os três. Três terços para o cão, dois terços para a lontra e um terço para o falcão. “Por isso,” disse o cão, “se a rapidez dos pés ou a agudeza dos dentes lhe derem ajuda, lembre-se de mim, e eu estarei ao seu lado.” A lontra disse, “Se a natação dos pés em uma poça afrouxar, lembre-se de mim, e eu estarei do seu lado.” O falcão disse, “se a dificuldade vier sobre ti, onde a rapidez da asa ou a curva da garra for boa, lembre-se de mim, e eu estarei ao seu lado.” Nisso, ele seguiu seu caminho até chegar na casa de um rei, tendo como serviço pastorear, e seus salários seriam de acordo com o leite do gado. Ele foi embora com o gado, e estes não pastaram muito. Quando entardeceu, ele os levou para casa, mas não tinham muito leite pois não pastaram muito, e sua carne e bebida duraria aquela noite.
 No dia seguinte, ele foi mais longe com o gado, e por fim, chegou a um local excessivamente gramado, em um vale verde que nunca tinha visto antes.
 Na hora em que ele foi atrás do gado para leva-los para casa, ele viu um grande gigante vindo com sua espada na mão. “HIU! HAU! HOGARAICH!!!” disse o gigante. “Há muito meus dentes se enferrujam procurando sua carne. O gado é meu, eles estão em minha direção, e você é um homem morto.” “Eu não diria isso,” disse o pastor, “você não sabe, mas deve ser mais fácil dizer do que fazer.”
 Então, eles começaram a brigar. Ele viu que estava longe de seu amigo, e próximo de seu inimigo. Ele sacou a grande e ampla espada, se aproximando do gigante, e na batalha, o cão negro pulou nas costas do gigante. O pastor sacou sua espada e a cabeça caiu do gigante em uma piscadela. Ele pulou no cavalo negro e foi procurar pela casa do gigante, chegando até uma porta que, na pressa que o gigante teve, deixou aberta. O pastor entrou, e naquele lugar havia uma magnífica abundância de dinheiro, e vestes de todos os tipos no guarda-roupa com ouro e prata, e cada coisa era mais bonita que a outra. No meio da noite, ele foi para a casa do rei, mas não levou nada da casa do gigante, e quando o gado foi ordenhado essa noite, havia leite. Ele teve uma boa sensação essa noite, com comida e bebida sem restrição, e o rei estava grandemente satisfeito com o pastor que tinha arrumado. Ele ficou assim por um tempo, mas por fim, não crescia mais grama no vale, e o pastoreio não era tão bom.
 Ele então achou que devesse ir mais além, na terra do gigante, e viu um grande parque de grama. Ele foi até o gado e o levou para o parque.
 Eles ficaram um grande tempo pastando no parque, até que um grande e selvagem gigante chegou cheio de ódio e loucura. “Hiu! Haw! Hoagraich!!!” disse o gigante. “Beber do seu sangue saciará minha sede essa noite.” “Você não sabe,” disse o pastor, “mas é mais fácil dizer do que falar.” E então os dois correram um contra o outro, houvendo o balancer de lâminas! Por fim, parecia que o gigante teve vitória sobre o pastor, mas então ele chamou seu cão, que agarrou o gigante pelo pescoço, e rapidamente o pastor cortou fora sua cabeça.
 Ele foi para casa muito cansado essa noite, mas foi uma surpresa o gado do rei não ter leite. A família inteira estava agradecida por terem arrumado esse pastor.
 Ele ficou pastoreando dessa forma por um tempo, porém, uma noite quando ele foi para casa, ao invés de receber as “boas vindas” de todos e a “boa sorte” da donzela da ordenha, todos estavam chorando e lamentando.
 Ele perguntou qual era a causa do choro. A donzela da ordenha disse que uma grande besta com três cabeças estava no lago, e que ela vinha para pegar alguém todo ano, e dessa vez foi a filha do rei, “e que no meio dia de amanhã, ela irá encontrar a Uile Bheist no lado superior do lago, mas há um grande pretendente que está indo resgatá-la.”
 “Que pretendente é esse?” perguntou o pastor. “Oh, ele é um grande General de armas,” disse a donzela, “e quando matar a fera, ele se casará com a filha do rei, pois o mesmo disse que aquele que salvar sua filha, irá se casar com ela.”
 Mas pela manhã, quando a hora estava chegando, a filha do rei e o herói das armas foram se encontrar com a besta, e então alcançaram a parte superior do lago. Não demorou muito até a besta se mexer no meio do lago, mas quando o general viu o terror daquela besta com três cabeças, ele ficou com medo e correu. A filha do rei ficou com muito medo e tremia, não tendo ninguém para salvá-la. Em um relance ela viu um valente e belo jovem, cavalgando em um cavalo negro, indo em direção onde ela estava. Ele estava maravilhosamente vestido, todo armado, e com seu cachorro negro atrás dele. “Há medo em seu rosto, menina,” disse o jovem. “O que faz aqui?” “Oh! Isso não importa,” disse a filha do rei. “Não tem muito tempo que venho aqui para eventos.” “Eu não disse isso,” disse ele. “Um digno fugiu como você também poderá fazer, e não foi há muito tempo,” disse ela. “Ele é um digno que está na guerra,” disse o jovem. Ele sentou-se ao lado dela, e ele lhe disse que se ele adormecesse, ela teria que acordá-lo para ver a besta saindo do lago. “O que é estimulante para ti?” perguntou ela. “Estimulante para mim seria colocar o anel dourado que está em teu dedo em meu pequeno dedo.” Eles não permaneceram lá muito tempo até ela ver a besta saindo do lago. Ela tirou um anel de seu dedo e o colocou no pequeno dedo do rapaz. Ele levantou-se e foi ao encontro da besta com sua espada e seu cão. Houve arranhões e batidas entre ele e a besta. Uma hora um estava por cima, e outra, estava por baixo, mas por fim, o rapaz cortou um das cabeças da fera. A besta deu um rugido, Raivic, e o filho da terra, Mactalla das rochas (o eco), respondeu ao seu guincho, e a besta então entrou para o lago de ponta a ponta, e em um lampejo ela desapareceu. “Boa sorte e vitória estão lhe seguindo, rapaz!” disse a filha do rei. “Estou salvo por uma noite, mas a besta virá novamente, e para sempre, até as outras duas cabeças caírem.” Ele pegou a cabeça da besta e amarrou com um junco, dizendo a moça para trazer a cabeça com ela amanhã. Ela foi para casa com a cabeça em seus ombros, e o pastor foi para as vacas, porém, o grande General logo viu a filha do rei, e ele lhe disse que a mataria se ela não dissesse que tinha sido ele quem arrancou a cabeça da besta. “Oh!” disse ela, “eu direi isso, quem mais tiraria a cabeça da besta senão você!” Eles foram até a casa do rei, e a cabeça estava nos ombros do General. Havia grande alegria pois a filha do rei voltara para casa sã e salva e o grande capitão estava com a cabeça da besta cheia de sangue em sua mão. Na manhã seguinte, eles seguiram seu caminho e não havia dúvidas que tinha sido aquele herói que salvara a vida da filha do rei.
 Eles chegaram no mesmo lugar, e não demorou muito quando a medonha Uile Bheist saiu do meio do lago e o herói correu como tinha feito ontem, mas também não demorou muito para o rapaz do cavalo negro chegar, com outras vestes. Não importava, ela sabia que era o mesmo rapaz. “Estou feliz em te ver,” disse ela. “Espero que pegue tua grande espada hoje como você fez ontem. Venha e respire.” Não ficaram muito tempo até virem a besta no meio do lago.
 O rapaz sentou-se no lado da filha do rei e lhe disse, “Se eu adormecer antes da besta chegar, me estimule.” “O que é estimulante para ti?” “Estimulante para mim é colocar o brinco que está em tua orelha, na minha.” Não demorou muito quando ele adormeceu e a filha do rei gritou, “Acorde! Acorde!” mas ele não acordava, e então ela pegou o brinco de sua orelha e colocou na orelha do rapaz. Ele então acordou e foi ao encontro da besta, mas lá estava Tloopersteich e Tlaperstich, e ele rugiu, bateu, cortou a besta! Eles ficaram assim por um longo tempo, e no meio da noite, cortou fora a cabeça da besta. Ele a amarrou com um junco e saltou no cavalo negro, indo então pastorear. A filha do rei foi para casa com as cabeças. O General a encontrou e pegou as cabeças com ele, e ele lhe disse que ela teria que dizer que foi ele quem matou a cabeça dessa vez também. “Quem mais cortaria a cabeça senão tu?” disse ela. Eles chegaram até a casa do rei com as cabeças, e então, houve alegria e felicidade. Se o rei estava esperançoso essa noite, ele agora estava certo que esse grande herói tinha salvado sua filha, e não havia dúvidas que a outra cabeça seria tirada da besta na manhã seguinte.
 Na mesma hora da manhã seguinte, os dois seguiram. O oficial fez o mesmo que tinha feito antes. A filha do rei ficou na margem do lago. O herói do cavalo negro veio e sentou-se ao lado dela. Ela acordou o rapaz e colocou outro brinco em sua outra orelha, e ele foi em direção a besta. Mas se a besta tinha duas cabeças nos dias que passaram, esse dia ela estava horrível, mas não importa, ele tiraria a cabeça da besta, e assim fez, mas isso não aconteceu sem uma briga. Ele amarrou a cabeça com um junco, e a menina foi para casa com as cabeças. Quando eles chegaram na casa do rei, todos estavam sorrindo, e o General se casaria com a filha do rei no dia seguinte. O casamento estava acontecendo, e todos no castelo estavam ansiosos para o padre chegar. Quando o padre chegou, ela disse que se casaria com aquele que tirasse as cabeças dos juncos, sem cortar o junco. “Quem tirará as cabeças do junco se não o homem quem a colocou lá?” disse o rei.
 O General tentou, mas ele não conseguia afrouxar, e por fim, todos na casa tentaram tirar as cabeças dos juncos, mas nenhum deles conseguiram. O rei perguntou se havia alguém mais na casa que tentaria tirar as cabeças do junco. As pessoas disseram que o pastor ainda não tinha tentado. Uma palavra foi então enviada ao pastor, e ele não demorou para tirá-las. “Pare um pouco, meu rapaz,” disse a filha do rei, “o homem que cortou as cabeças da besta, tem meu anel e meus dois brincos.” O pastor colocou sua mão em seu bolso e os atirou na mesa. “Você é o homem,” disse a filha do rei. O rei não ficou tão satisfeito quando viu que era um pastor que se casaria com sua filha, e ordenou que ele devesse colocar uma roupa melhor, mas sua filha disse que ele tinha a roupa mais bonita que qualquer um no castelo, e assim aconteceu. O pastor colocou as vestes douradas do gigante, e eles se casaram na mesma noite.
 Agora que estavam casados, tudo estava indo bem. Um dia eles estavam passeando nas bordas do lago e lá surgiu uma besta maravilhosamente mais terrível que a outra, e o levou para dentro do lago, sem medo ou sem permissão. A filha do rei ficou pesarosa, triste e chorando pelo seu marido, e sempre ficava de olho no lago. Ela se encontrou com um velho ferreiro, e ela lhe disse tudo o que tinha acontecido. O ferreiro lhe deu um conselho de espalhar tudo o que fosse bonito no local onde a besta tinha levado seu marido, e assim ela fez. A besta colocou seu nariz para fora e disse, “Boa é tua joalheria, filha do rei.” “Mais bonito do que qualquer joia é o que tu levastes de mim,” disse ela. “Dê-me uma visão de meu marido, e terás uma dessas joias que vê.” A besta o trouxe. “Entregue-o para mim, e terá tudo o que vê,” disse ela. A besta então fez o que ela disse, e o atirou são e salvo na margem do lago.
 Pouco tempo depois disso, quando eles caminhavam nas margens do lago, a mesma besta pegou a filha do rei. Triste estavam todos na cidade essa noite. Seu marido estava pesaroso, triste, chorando e vagando pelas margens do rio, dia e noite. O velho ferreiro o encontrou. O ferreiro lhe disse que não havia outra forma de matar a Uile Bheist se não essa – “Na ilha que está no meio do lago mora Eillid Chaisfhion – a corça de patas brancas, de pernas finas e passo veloz, se você a pegar, saltará uma gralha da corça, e se você pegar a gralha, saltará uma truta da gralha, e há um ovo na boca da truta que nesse ovo está a alma da besta, e se o ovo quebrar, a besta morrerá.”
 Agora, não havia meios de chegar na ilha, pois a besta afundava cada barco e jangada que entrasse no lago. Ele pensou que poderia saltar o estreito com seu cavalo negro, e assim ele fez. O cavalo negro pulou o estreito e o cão negro pulou após. Ele viu a Eillid, e então deixou o cachorro correr atrás dela, mas quando o cachorro chegava em um lado da ilha, a Eillid chegava em outro lado. “Oh! Bom seria agora se o grande cachorro da carcaça estivesse aqui!” Não demorou muito após ele falar e um generoso cachorro apareceu em seu lado e após ele pegar a Eillid, os méritos não foram longos em trazê-la para o chão, mas assim que ele a pegou, uma gralha saiu voando dela. “Agora, seria bom o falcão cinza, dos olhos penetrantes e das asas velozes!” Não demorou muito para ele dizer isso e o falcão apareceu voado atrás da gralha, e não demorou para o falcão colocar a gralha na terra, e assim que a gralha caiu nas margens do lago, uma truta pulou. “Oh, seria bom se a lontra estivesse aqui agora!” Não demorou muito quando ele disse isso, e a lontra saltou no lago, e trouxe a truta, mas não demorou muito para a lontra chegar nas margens e a truta atirar um ovo de sua boca. Ele colocou o ovo debaixo de seu pé. A besta então rugiu e disse, “Não quebre esse ovo, e terá tudo o que pedir.” “Entregarás minha esposa?” E em um piscar de olhos, a esposa dele estava em seu lado. Quando ele segurou a mão de sua esposa, ele deixou seu pé descer sobre o ovo e a besta morreu.
 A besta estava morta agora, e fora de vista. Ela era algo horrível de se ver. Suas três cabeças estavam fora dela, sem dúvida, mas mesmo se estivesse lá, seria cabeças por cima e por baixo dela, com olhos e quinhentos pés. Mas não importava, eles a deixaram lá e foram para casa, e lá, havia prazer e sorrisos na casa do rei aquela noite. E até agora, ele não tinha contado ao rei como tinha matado os gigantes. O rei colocou grande honra sobre ele, e ele era um grande homem com o rei.
 Ele e sua esposa estavam caminhando um dia, quando perceberam um pequeno castelo ao lado do lago em uma floresta, e ele então perguntou à sua esposa quem poderia estar morando lá. Ela disse que ninguém ia para aquele castelo, pois ninguém havia voltado para contar a história.
 “Isso não ficará assim,” disse ele, “essa noite verei quem habita lá.” “Não vá, não vá,” disse ela, “todo homem que entra nesse castelo não volta.” “Seja como agrada,” disse ele. Ele então foi até o castelo. Quando chegou na porta, uma lisonjeira anciã  estava lá. “Todas as saudações e boa sorte para ti, filho do pescador, estou agradecida em lhe ver, grande é sua honra para esse reinado, tu és capaz de entrar – tua vinda está na fama dessa pequena cabana, vá, honre o povo, entre e respire fundo.” Ele entrou, e quando estava caminhando, ela bateu com a Slachdan druidhach nas costas de sua cabeça e ele caiu.
 Essa noite, havia choros no castelo do rei, e na manhã seguinte, havia lamentos na casa do pescador. A árvore estava murchando, e então eles sabiam que o filho mais velho do pescador estava morto, e então, o filho do meio fez uma promessa e um voto: ele iria e saberia onde estava o corpo de seu irmão. Ele colocou uma sela no cavalo negro e seu cão negro ia atrás, pois os três filhos do pescador tinha um cavalo negro e um cão negro, e indo para lá e cá, ele seguiu os passos do seu irmão até chegar na casa do rei.
 Esse irmão era tão parecido com seu irmão mais velho, que a filha do rei achou que fosse seu próprio marido. Ele ficou no castelo, e eles lhe contaram o que tinha acontecido com seu irmão, e para o pequeno castelo da anciã, ele foi. Assim como aconteceu com o irmão mais velho, aconteceu com o filho do meio, e com um golpe da Slachdan druidhach, a anciã o fez cair ao lado de seu irmão.
 Vendo a segunda árvore murchando, o filho mais jovem do pescador disse que agora seus dois irmão estavam mortos, e que ele precisava saber que morte foi sobre eles. Em um cavalo negro ele foi com o cachorro lhe seguindo, chegando até a casa do rei. O rei estava feliz em vê-lo, mas o castelo negro (como é chamado) não o deixou ir. Mas para o castelo ele precisava ir, e então foi até lá. “Boas vindas e boa sorte a ti, filho do pescador: estou agradecida em lhe ver, entre e respire fundo,” disse ela, a anciã. “Na minha frente está você, anciã. Eu não gosto de lisonja do lado de fora das portas, entre e me deixe ouvir seu discurso.” Quando ela entrou e ficou de costas, ele sacou sua espada e cortou fora sua cabeça, mas a espada caiu de sua mão. Rapidamente, a anciã pegou sua cabeça com as mãos e a colocou em seu pescoço como antes. O cão voou na anciã, e bateu no generoso cão com uma vara de magia, e lá ele morreu, mas isso não deixou o jovem mais lento. Para matar a anciã, ele pegou a Slachdan Druidhach, e com um golpe na cabeça, ela caiu no chão em um piscar de olhos. Ele subiu um pouco no castelo e viu seus dois irmãos deitados um ao lado do outro. Ele deu um golpe em cada um com a Slachdan druidhach, e os dois ficaram de pé, vendo também, os saques no castelo! Ouro e prata, cada coisa era mais bonita que a outra no castelo da anciã. Eles voltaram para casa do rei e houve muita alegria! O rei estava envelhecendo. O filho mais velho do pescador foi corado rei, e o par de irmãos permaneceram um dia e um ano na casa do rei, e então os dois seguiram sua jornada para casa com ouro e prata da anciã, e com muitas outras coisas que o rei havia lhes dado, e se estes não morreram desde então, estão vivos até hoje.
 
 Escrito em Abril de 1850, por Hector Urquhart, do ditado de John Mackenzie, pescador, Kenmore, perto de Inverary, que diz ter aprendido esse conto de um velho homem em Lorn muitos anos atrás. Ele viveu por trinta e seis anos em. Ele contou a história fluentemente no início, mas depois, a contou devagar.
Notas de Rodapé:
1. Pegar o mundo para seu travesseiro. -
 Lendo a história toda, podemos ver que se trata de um contrato com seres sobrenaturais, mas, o que essa história passou a você? Vimos na história que contratos com seres sobrenaturais podem ser perigosos – especialmente se você não cumprir o proposto. Para os que não entenderam a história, o fim da história não teve nada a ver com o começo, e que “a donzela do mar não teve participação no fim”. Ilusão. Todo o desenrolar da história foi causado pela donzela do Mar. A história começa com ela, e a história termina com ela, com o papel da Anciã. Como o pescador não entregou seus filhos, a donzela do Mar busca por ele, na forma da Uile Bheist, ou a Besta da Água, e apesar das tentativas, ela falhou, o que normalmente não acontece muito quando o assunto são Seres do Outro Mundo.

 Sobre o conto, foi colhido por J. F. Campbell de um pescador perto de Inverary. No livro, ‘PopularTales in the West Highlands’ (Volume 1), o autor também dá 4 versões diferentes deste mesmo conto, e uma versão em Gàidhlig (Gaélico Escocês) do conto original, porém, eu não coloquei aqui, mas posso colocar em futuros posts. Espero que tenham tido uma boa leitura e aprendido muito, como eu.   

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