quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ritual


O 10º dia eu tinha pulado e escrito antes do 9°. Me desculpem :( Mas aqui está ele: Espíritos da Natureza.
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 Para o 11º dia, o tema é ‘Ritual’. Para falar sobre esse tema, vou explicar passo a passo de como um ritual druídico Reconstrucionista acontece. Mas antes de explicar passo a passo, vamos começar por definições. Afinal, o que é um Ritual? Você provavelmente já está cansado de saber que os Celtas não escreviam nada de suas crenças. Devido a isso, é impossível saber como os antigos sacerdotes celtas faziam seus rituais. Nada sobreviveu, uma grande parte dos conhecimentos sobre eles se perderam. A palavra ‘ritual’ tem muitos significados, porém, a que mais define o assunto de hoje é o seguinte: ‘conjunto de ações, invocações e objetos que são unidos em determinadas circunstâncias.’ Um ritual invoca e/ou agradece a presença de alguma entidade.

 No início de cada ritual, é feito um relaxamento coletivo. Em seguida, é necessário um reconhecimento da terra que pisamos. Esta é a primeira parte de cada ritual. Você notará que, diferente dos rituais wiccanos, nós não traçamos ‘círculos mágicos’ para tornar o local sagrado, pois para nós, todo lugar é sagrado. Apenas o reconhecemos como sagrado. Nesta etapa, é feita uma invocação de reconhecimento e uma oferenda à alguma divindade ctônica que possa estar relacionada ao propósito do ritual, como Ériu, Banba e Fótla, a tríplice de irmãs que deram seu nome á Irlanda, Tlachta, a deusa-terra filha do Senhor da Roda Solar, Tailtiu, que morreu após limpar uma planície para torna-la propícia ao cultivo, Momu a deusa-mãe escocesa, e muitas outras. Após essa etapa, chega a hora da Concentração e Fusão. Normalmente, muitos grupos usam a tão conhecida ‘Meditação da Árvore’. Mas qual é o objetivo disso? Simples: se conectar com as forças da Terra e do lugar. Outros afirmam que essa é a hora de nos conectarmos com os três mundos – terra, céu e mar – mas eu gosto de deixar “essa parte” para depois.

 Depois disso, uma parte comum a maioria das religiões atuais, como no Romuva, por exemplo. É a hora da ignição de uma fogueira sagrada. A maioria das pessoas que não podem acender uma fogueira, ou fazem os ritos dentro de suas casas, acendem uma vela ou uma chama dentro de um caldeirão. Para os mais afortunados, ainda usa-se também a lareira, se esta funcionar como altar. Neste momento, é invocada a deusa guardiã do Fogo, normalmente Bright. É invocada a presença dela para tender ao fogo e facilitar a comunicação com os Deuses. Deposita-se também as oferendas nesse Fogo Sagrado, que será enviada ao Outro Mundo, o mundo dos Deuses.

 Continuando, é chegada a hora de invocar o guardião dos Portais, que normalmente é Manannan. Este é o Deus que transita facilmente entre esse e o Outro Mundo. Tradicionalmente, o deus invocado para esse propósito deve ser de sexo oposto à divindade protetora do fogo sagrado, a fim de estabelecer equilíbrio. Se você invocou Brigit como a protetora do fogo, Manannán deve ser invocado nessa parte. Se você invocou Cliodna para tender os portais, invoca-se Bodb Dearg, por exemplo, também uma divindade ígnea. Após a invocação da divindade, abre-se os portais para os Três Mundos – mais uma vez, terra, céu e mar. Outros apenas fazem o reconhecimento dos Três Mundos e omitem essa parte do Ritual, acreditando que o Fogo já “sirva” como o Portal para as Oferendas e “ponte” entre esse e o Outro Mundo. Consequentemente, o deus guardião dos Portais não é invocado.

 Depois, faz-se a invocação das Tríades – ancestrais, espíritos da natureza e deuses. Outros, como eu, fazem apenas um reconhecimento e uma oferenda. Então, é hora da invocação da(s) divindade(s) “principais” do ritual, a quem o rito está sendo dirigido. Após a invocação, faz-se oferendas. Cada membro do grupo vai diante do fogo e deposita lá sua oferenda. Honra-se a divindade através de poesias, cantos e danças. Após as oferendas, faz-se a leitura dos presságios para saber se nossas oferendas foram aceitas pelas divindades. Esta parte cabe ao fáith – vidente – do grupo. Se a oferenda não for aceita, faz-se novamente. Se for aceita, segue o ritual.

 Se as oferendas foram bem aceitas, esta é a parte dos pedidos e das orações. Mais uma vez, os membros do grupo ficam diante do fogo, enquanto fazem seus pedidos através de orações, poesias e até mesmo mais oferendas. Após isso, normalmente uma taça com alguma bebida, geralmente o hidromel, é passado para todos os presentes, a fim de receberem as bênçãos da divindade. Essa também é a parte para fazer qualquer outra atividade, como lançar feitiços, confeccionar objetos mágicos e ritos de passagem. Após isso, é feita uma afirmação, como ‘Os Deuses nos abençoaram mais uma vez’.

  Depois, quando tudo já estiver sido feito, agradece então a todas as divindades invocadas. Nós não as mandamos embora, ou nos despedimos delas. É feita apenas uma oração de agradecimento, com a frase, ‘Vá se precisar, fique se desejar’. Reverte-se então a meditação da árvore, e por último, faz-se uma última libação à Terra, e o rito termina. Após isso, tradicionalmente segue-se um banquete. Os membros dos grupos trocam suas experiências durante o rito, conversam, riam e até mesmo fazem críticas – boas ou ruins. E por fim, citando Isaac Bonewits da ADF, “os Deuses estão nos observando, então, vamos dar à Eles um bom show”. Abençoados sejam teus ritos, assim como são os meus. 

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