quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Buggane da Cachoeira de Glen Meay

Conto extraído do livro de Sophia Morrison, Manx Fairy Tales e traduzido por mim. (Logo logo vou disponibilizar o livro completo traduzido!) Boa leitura.
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O BUGGANE DA CACHOEIRA DE GLEN MEAY

Havia uma mulher que vivia perto de Glen Meay, e ela era a esposa de um decente, quieto e esforçado homem do local. Lá não morava mais ninguém, a não ser ela e o homem, e tinham um bom e pequeno chalé e tinham um cercado no qual eles tinham vacas, ovelhas e cresciam batatas suficientes para eles no inverno. O homem ia pescar quando não tinha muito o que fazer na terra. Mas apesar de tudo isso, eles não eram confortáveis, pois o homem trabalhava muito na fazenda e na pescaria, e sua esposa era bastante preguiçosa.

Era mais comum encontrar a mulher deitada na cama pela manhã do que sentada ordenhando vacas, na verdade, os vizinhos diziam que ela usava mais cobertores do que sapatos. Muitos dias, seu marido saia cedo faminto como um falcão, pois não tinha uma refeição ou um cear para ele. Uma manhã, quando ele chegou de seu trabalho, não havia fogo – sua esposa estava dormindo. Bem, meu pobre homem não tinha nada a fazer a não ser preparar seu próprio café da manhã e voltar para seu trabalho. Quando ele voltou para o jantar, aconteceu a mesma coisa.

‘A preguiça dela é uma má sorte,’ ele pensou, ‘isso não é conforto para um pobre homem, mas eu farei uma travessia com ela.’

Com isso, ele pegou um feixe de palha e colocou nas duas janelas da casa. Então, voltou ao seu trabalho.

O sol não tinha ido ainda quando ele voltou para casa no entardecer. Sua esposa estava deitada na cama, esperando pelo dia.

‘Aw, mulher,’ ele gritou, ‘se apresse e você verá o sol nascer no oeste.’

A esposa pulou da cama e correu para a porta quando o sol estava indo embora, e a visão a aterrorizou. Todo céu parecia como fogo, e ela pensou que o fim do mundo estava próximo. Na manhã seguinte aconteceu tudo de novo, e ele disse à ela:

‘Kirry, é o Buggane, sem dúvidas, que irá lhe levar esses dias se você não corrigir os caminhos dele!’

‘Qual Buggane?’ disse ela.

‘Não me faça perguntas,’ disse ele, ‘e eu não lhe contarei mentiras. Mas é o companheiro grande, negro, peludo que fica debaixo de Spooyt Vooar que falo.’  

‘Má é a língua que tu tens, homem; não me assustará com teus Bugganes,’ gritou a mulher.

Ao entardecer, o homem deixou a casa para ir pescar. Assim que ele se foi, a mulher teve uma ideia de assar pães, pois ela só tinha restos para o café da manhã. Os Pequenos Companheiros não podem ficar em caminhos preguiçosos, e assar pães após o por do sol é algo que eles não toleram. Ela que fez isso encontrará a vingança deles – é certo que algo será levado por eles, raramente pior do que algum animal do gado. Bem, a mulher foi assar pão de cevada e bolo de farinha. Primeiro, ela saiu para pegar tojo para colocar sobre a grelha, e deslizando a maçaneta para entrar, algum dos Vizinhos a pegaria para chorar por sua vergonha em fazer bolo após o por do sol. Ela pegou alguns ingredientes no barril e colocou na mesa redonda, colocando sal e água nela, e então, ela amassou os ingredientes formando um bolo fino com suas mãos. Mas ela era apenas uma cozinheira pobre e medíocre, aquela do tipo que usa uma faca para deixar o bolo redondo. Ela virou o bolo duas vezes, e limpou a grelha com uma asa de ganso branco preparando-a para o bolo que ela estava ocupada, tornando-o redondo com a faca. Bem naquele momento, ela ouviu o som de algo pesado na porta. Depois de alguns segundos, algo bateu na porta, e uma voz espessa e rude de um gigante foi ouvida dizendo, ‘Abra, abra para mim.’ Ela não respondeu. Novamente, escutou-se um alto bater na porta e uma grande voz foi escutada, gritando: ‘Mulher da casa, abra para mim.’ Então a porta foi arrombada e veja! Ela viu uma grande e feia besta, um Buggane apressado com raiva. ‘Com sua licença’, ele disse, e agarrou-a pelo seu avental, lançou-a sobre seu ombro e foi embora com ela. Antes dela saber onde estava, ele atravessou campos e desceu a colina, até a levar para o topo de Spooyt Vooar, a grande cachoeira de Glen Meay. Conforme o Buggane derrubava a colina, a mulher sentia o chão tremer sobre os pés dele, e o barulho da cachoeira encheu seus ouvidos. E, lá na frente dela, ela viu o fluxo de água que espirrava espuma branca sobre as rochas.  Quando o Buggane a arremessou no ar para atirá-la no lago profunda, ela pensou que sua última hora havia chegado. Então, ela se lembrou da faca que estava em sua mão. Rápida quanto o pensamento, ela cortou seu avental que a segurava no Buggane e caiu no chão, rolando e rolando, descendo a colina.

E antes de saber onde ela estava, o Buggane com sua velocidade, desceu correndo de Spooyt Vooar. Conforme ele corria para alcançar a moça, ela escutou a menos de uma milha ele gritando:

Rumbyl, rumbyl, sambyl, Eu achei que tinha uma mulher preguiçosa, mas tenho apenas um pedaço de seu avental.’

E essa foi a última fez que foi visto aquele Companheiro!      

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