terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ancestrais


9°. dia - Ancestrais
 Dando continuidade aos 30 dias druídicos, o tema de hoje é ‘Ancestrais’. De uma forma resumida, ancestrais são aqueles que já viveram aqui antes de nós, que se reproduziram, e enfim chegamos nós. No Druidismo, é muito importante o culto aos ancestrais, apenas para começar, vocês lhes devem o fato de estar vivo! Além disso, estes são detentores de grandes conhecimentos, pois já viveram muito mais que nós. Eu gosto de usar a classificação de três tipos de ancestrais: os de sangue, os de fé e os de terra. Seus ancestrais de sangue são seus avós, bisavós, tatatara..vós, e assim por diante. Os de fé, se você segue o Druidismo, são aqueles que já viveram há muito, muito tempo. Estes eram os antigos Druidas (e você pode aprender muito com eles); por último, os ancestrais de Terra, que são aqueles que embora não tenham nenhum vínculo com você, foram aqueles que já viveram na mesma terra que hoje você vive, e você também lhes deve respeito. Antes de começar a falar sobre os Ancestrais, é impossível não falar também sobre Morte e Pós Vida.

 É indiscutível o fato de que os Celtas acreditavam em reencarnação! Para eles – assim como para a maioria das religiões pagãs – a alma não morre: ela vai passando, passando, por várias vidas e formas, pois para nós, viver é uma grande dádiva dos deuses! Podemos ver isso claramente em alguns achados arqueológicos, “tumbas Celtas” e até mesmo na mitologia, como no mito de Étáin Echraide por exemplo, onde a ciumenta esposa de Midhir, Fuamách, tenta várias vezes tirar Étáin desse mundo, mas ela sempre volta de uma forma diferente, ainda mais deslumbrante que antes. No Conto de Tuan mac Carril, há um outro exemplo ainda mais interessante! No início, este era um homem; o homem envelheceu, e se transforma em um animal. Ele vive então todas as emoções do animal, uma vida inteira, envelhece, e se transforma em outro animal, e assim acontece durante toda a história.

 Em antigas tribos Celtas, reconhecer sua ancestralidade era algo importantíssimo! Algumas tribos alegavam ser descendentes diretos de próprias divindades ou até mesmo de árvores!

 E onde vem a pós vida nisso tudo? Para onde iremos, segundo os Celtas? Há um paraíso como na Bíblia? Sim, há um paraíso. Ou melhor, vários! Podemos ver nos mitos que existiam Ilhas além do Oeste, muito além onde o Sol deitava. São as ditas ‘Ilhas Afortunadas’, as Ilhas de Manannán mac Lir. Para os Celtas, quando morríamos, era para lá que íamos, onde descansávamos para retornar novamente para esse mundo. Outras crenças afirmam que os mortos iam para o País das Fadas, debaixo das Terras – ou as Colinas Ocas – onde acreditava-se ficarem festejando até o fim dos tempos. Em determinadas partes do ano, portais para estes “Outros Mundos” ficam abertos, e qualquer um pode entrar ou sair. Tal época é a chamada “parte escura do ano” – Samhain e Mean Geimridh (o inverno). A crença de que os mortos vinham visitar seus parentes na parte escura do ano não é algo exclusivo da tradição Celta, aparecendo também na religião “Romuva” – o paganismo lituano, e no Asatrú – o paganismo nórdico.

A Rocha do Touro. Acredita-se que por
aquele portal passam os mortos antes de seguirem para
o Outromundo.
 Mas e então, vamos para essas ilhas para pagar nossos “pecados”? Não, até por que não há “pecados” no Druidismo. Acreditamos que tudo que fazemos de ruim para nós mesmos, para o próximo ou para a comunidade pagamos aqui mesmo. A própria vida em si já cobra. Porém, há alguns que acreditam que as pessoas que sempre fizeram o mal aqui, passarão pela casa de Donn, o Negro, o terrível deus da Morte. Essa casa é a Tech Duinn, localizada na Irlanda perto da dita “Rocha do Touro”.

 Com isso em mente, honre sua terra, honre sua tribo, honre sua família, sua casa, e principalmente, seus Ancestrais.      

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