quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A Roda do Ano


 O assunto do 12° dia é a ‘Roda do Ano’. Nesse texto, vou falar sobre os principais festivais que acontece no decorrer do ano. Não vou entrar em muitos detalhes em cada um dos festivais para não ficar um texto cansativo – e chato. A Roda do Ano é uma das formas de nós podermos nos conectar com os poderes e as mudanças da Natureza ao nosso redor, é uma das forma de nós celebrarmos os Deuses e honrá-los em determinadas épocas. Mas daí surge aquela velha história: celebrar pelo Sul ou pelo Norte? Isso vai de cada um. O objetivo do texto não é esse. Particularmente, sigo a chamada ‘Roda Mista’ que consiste basicamente em: celebro todos os festivais de acordo com o Hemisfério Norte, e as estações do ano celebro normalmente de acordo com a Natureza aqui. Por exemplo, quando chega o verão, faço o reconhecimento, dando boas-vindas à estação e várias oferendas aos espíritos dessa Terra.

 O ano começa em Samhain. Esta é a data oficial do ano novo Celta, celebrada nas vésperas do dia 1 de Novembro. Neste momento, a natureza está definhando, e o que ficou não foi colhido no Outono, permanece nos campos, pois é de Cailleach. Esta é a hora em que o mundo dos vivos e dos mortos ficam mais próximos, e o País das Fadas está aberto e todos podem transitar livremente. É a hora de lembrarmos dos nossos ancestrais, daqueles que já se foram. Para comemorar o Samhain, tradicionalmente é deixado um prato de comida do lado de fora para os mortos. As tradicionais ‘lanternas de Halloween’ feitas de abóbora (que originalmente eram feitas de nabo) são colocadas nas janelas para afastar os maus espíritos – que podem estar a solta nessa noite mágica.

 Em sua decadência, a natureza morre completamente no Inverno, onde então acontece o festival chamado Mean Geimridh ou Meio de Inverno. Em algumas áreas da Escócia onde a influência nórdica é grande, o festival também é conhecido como Yule e tem uma duração muito longa, se dividindo em outros “sub-festivais”. Nessa data, os mortos também vêm visitar seus entes queridos e sentar-se com eles de frente ao fogo. É uma época onde a família se senta em frente à lareira para a contar histórias, mitos, lendas e feitos dos seus ancestrais. É também a época em que o Novo Sol nasceu, simbolizado pelo jovem deus Angus. A partir daí, as noites ficam mais curtas e consequentemente, os dias mais longos, pois o Sol está ganhando forças. Tradicionalmente, na Escócia, as famílias saiam para procurar uma tora para queimar a noite inteira.

 Conforme os dias vão ficando mais longos e as campânulas começam a florescer, sem dúvidas chega a hora do festival da deusa Brigit, ou Imbolc. Este é o festival onde se comemora a chegada da deusa Bride, na tradição escocesa. A partir daqui, os rios começam a descongelar, algumas plantas começam a florescer. A neve está indo embora, mas o frio ainda é um problema. Tochas são acesas em honra à Brigit. As atividades mais conhecidas nessa época do ano é a confecção da Boneca de Brigit e da Cruz de Brigit. Pedaços de panos são amarrados em árvores para Brigit passar, tocar neles e enchê-los com seu poder de cura. Esse é um festival exclusivamente feminino, pois a maioria de suas atividades são atividades caseiras – reservadas apenas às mulheres. Para comemorar a data, acenda uma vela ou fogueira em honra a Brigit.

 O inverno já se foi e a primavera finalmente chega. Nessa data, na Escócia, se celebra o Latha na Cailleach. É uma data onde Bride triunfa sobre Cailleach, e esta desiste definitivamente de prolongar o inverno. Enquanto o Imbolc já é uma festa centrada principalmente em torno de Brigit, alguns neo-pagãos decidem honrar exclusivamente Cailleach nessa data, despedindo-se dela e do Inverno.

 Os dias vão ficando mais quentes e mais longos, e quando o pilriteiro começa a florescer, definitivamente Beltane chegou. É uma das épocas mais mágicas do ano – e também perigosas, uma vez que as Fadas estão à solta nesse dia, podendo fazer tudo que desejarem, como roubar seu gado, azedar seu leite e pregar outras peças em você. Para proteger-se delas, é tradicional a confecção das cruzes de sorveira, amarradas com lã vermelha. Dentro de casa, a lareira é apagada somente nessa única data do ano, e acendida novamente a partir das brasas do fogo comunitário. As donzelas banham suas faces no orvalho da manhã dessa data para garantir a beleza e a juventude. É costume enfeitar-se com folhagens e flores para estar em sintonia com a natureza. Poços mágicos também são visitados nessa data, e o culto à deuses do fogo também acontecem.

 Conforme os dias vão ficando ainda mais quentes, chega a vez do Verão. Acontece então o festival de Fheill Sheathainn como é conhecido na Escócia. Cristianizado como o ‘Dia de São João’, grandes fogueira são acesas nessa época do Ano. É o festival de todas as divindades Solares e Reis e Rainhas Fadas. Nessa data mágica, acredita-se que todas as ervas estão com um poder mágico e mais potentes – crença reminiscente do mito de Miach e Airmid, pois os deuses das ervas e da Cura também são celebrados nesse dia. Na Irlanda, é o festival de Áine, enquanto na Ilha de Mann, é a festa de Manannán.

 Uma vez que tudo que tem seu ápice tem que diminuir, acontece também com o Verão, e a partir desse dia, os dias vão ficando mais curtos e as noites mais longas. Chega então a época do Lughnassadh, ou a Festa de Lugh. Alguns pagãos celebram exclusivamente Lugh nessa data, e sua vitória sobre Crom Dubh, ganhando para o povo as Colheitas. Esta é a Primeira Colheita, e é a época para agradecermos às deusas da Terra, principalmente à Tailtiu, mãe de Lugh. Um dos costumes tradicionais desse dia é a colheita de frutas, principalmente o mirtilo. Pessoas enterram flores amarelas em altas colinas para anunciar oficialmente que o verão acabou.

 Conforme os dias vão ficando mais curtos, o Outono dá suas graças. Nessa data, acontece o Mean Fomhair, ou o Festival de Outono, conhecido ‘cristianizadamente’ como O Feriado de Miguel. Como é a segunda colheita, é um período de grande fartura. Na Irlanda, é conhecido como a temporada de caça. Alguns dos costumes tradicionais é a corrida de cavalos, um banquete bem abundante e a colheita de cenouras – e dar as outras pessoas cenouras como presentes. Conforme o Outono vai embora, chega novamente o Samhain. O ano acaba, e outro se inicia. É o Ciclo da Vida, o Nascimento, Vida e Morte da Natureza. O Ciclo que não pode parar. Era assim e assim será para sempre. Abençoados sejam vocês pelos Ciclos da Vida.           

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