quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Samhainn

Fonte: Site ‘Tairis’, Samhainn, disponível em: <http://www.tairis.co.uk/festivals/samhainn/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Samhainn

Introdução

            Assim como os outros Dias Trimestrais, é difícil resumir o festival de Samhainn em uma única frase. De um lado, o festival tradicionalmente marca o fim do verão e a transição para o inverno e tudo o que ele implica – de uma forma prática – em uma sociedade pastoral. Por outro lado, o Samhain é marcado por um forte elemento do sobrenatural, quando os seres do outro mundo andam livremente pela terra, e há uma forte sensação de perigo presente – mais do que qualquer um dos outros festivais, de acordo com os registros existentes.


            O volume de material que chegou até nós sobre o Samhainn pode ser visto como um testamento de sua importância e popularidade no mundo gaélico. Esse festival é mencionado mais que qualquer outro por toda a mitologia irlandesa; clérigos, antiquários e folcloristas do século XVI em diante parecem ter sido fascinados pela variedade de celebrações e práticas que encontraram nas comunidades mais rurais da Escócia e Irlanda, das quais mesmo durante essas épocas foram vistos como reminiscências de um passado pagão, lentamento morrendo conforme a sociedade industrial moderna se espalhava e a cultura gaélica começava a desaparecer.

            No entanto, há uma única fonte que é notavelmente silenciosa ao se tratar do Samhainn, sendo que normalmente é rica em informações sobre os outros festivais. É o Carmina Gadelica do Alexander Carmichael, onde quase que inteiramente não há qualquer menção sobre o dia (com exceção de breves e rápidas referências onde for inevitável). Evidentemente, os notórios elementos sobrenaturais do festival, que podem ser vistos tão obviamente comparados aos outros Dias Trimestrais, não eram compatíveis com as sensibilidades cristãs de Carmichael – ele sentia que o dia era muito pagão para ser levado ao povo decente.

            Em algumas partes da Escócia, a percepção do festival como sendo tão inerentemente pagão (predominantemente pela igreja protestante) foi o suficiente para as igrejas locais tentarem banir quaisquer celebrações do dia, particularmente a ignição de fogueiras associadas com o festival. Este relacionamento inquieto com os elementos ‘pagãos’ do Samhainn, que coincide com o festival do Dia de Todos os Santos, pode ser visto mesmo antes de 1589, quando ‘as fogueiras de hallowmas’ (NT: hallowmas é o termo usado pela igreja católica para o tríduo da véspera do Dia de Todos os Santos, o próprio Dia de Todos os Santos e o Dia dos Finados) que eram acesas para celebrar o festival em Stirling foram banidas pelo presbitério (o órgão regulador local para a igreja presbiteriana da área). Ordens similares foram feitas em 1648 em Fife e Slains, e em Elglin em 1641 qualquer um que fosse visto vendendo avelãs (para propósitos divinatórios) ao entardecer do Halloween poderia ter problemas com o presbitério daquela área. Dada a persistência das celebrações – apesar de ser em partes cada vez mais isoladas da Escócia e Irlanda – boa parte no século XX, tais ordens da igreja a nível local parecem ter tido pouco efeito.1

A data do Samhainn

            O Samhainn cai no dia 1º de novembro, e portanto, como os celtas comumente consideravam que seus dias começavam à noite,2 o festival é tecnicamente celebrado nas vésperas, no dia 31 de outubro. Normalmente, no entanto, as coisas não são tão simples assim.

            O calendário como o conhecemos hoje foi estabelecido na Grã-Bretanha apenas em 1751. Antes da introdução desse calendário gregoriano, a Grã-Bretanha usava o antigo e clássico calendário juliano. O Papa Gregório XIII tinha originalmente alterado o calendário juliano em 1582 adicionando alguns dias para impedir que as estações ficassem ‘atrasadas’ – alinhando o calendário com a órbita da Terra ao redor do sol de aproximadamente 365 dias. A Grã-Bretanha resistiu inicialmente à mudança e manteve o calendário juliano por aproximadamente duzentos anos após o resto da Europa ter aceitado o calendário gregoriano. Isso resultou em uma diferença de 11 dias entre o calendário juliano e gregoriano na época em que foi adotado na Grã-Bretanha. Na realidade, quando o novo calendário foi adotado, o dia 1º de janeiro no calendário juliano (ou Velho Estilo) se tornou o dia 12 de janeiro no calendário gregoriano (ou Novo Estilo). Tal mudança não foi tão popular entre as pessoas, e muitas áreas resistiram à mudança, não desejando perder os seus dias. Mesmo no final do século XIX, alguns escoceses (especialmente das áreas rurais), ainda mantinham seus festivais de acordo com o Velho Estilo – durante a época em que os calendários se separaram dos doze dias.3 Como resultado, quando o calendário gregoriano passou a ter efeito, o dia 13 de novembro se tornou o dia 1º de novembro. Muitas pessoas, que não entendiam completamente o porquê dessa mudança ser feita, ficaram bastante chateadas em “perderem” seus doze dias. Além do mais, isto era uma simples inconveniência, então enquanto as datas do “Novo Estilo” foram oficialmente abraçadas pelo estado, muitas pessoas continuaram com as datas do “Velho Estilo”.

            As datas dadas nas fontes antiquárias para a celebração do Samhainn, portanto, podem se referir ao Velho ou ao Novo Estilo. John Gregorson Campbell comentou que os dias eram sempre contados de acordo com o Velho Estilo nas Terras Altas e nas Ilhas da Escócia.4 Na maioria das comunidades rurais da Escócia, então, é mais provável que o Samhainn tenha se fixado no dia 13 de novembro (de acordo com o nosso cálculo moderno) durante o século XIX. Ronald Black sugere que foi somente quando a escola de educação primária foi introduzida para todas as crianças em 1872 que as coisas começaram a mudar significativamente, e o Novo Estilo começou a ser amplamente utilizado pelas gerações mais jovens. Desse ponto em diante, os festivais como o Ano Novo e o Samhainn teriam sido ‘oficialmente’ mudados para o primeiro dia do mês, e o uso do Velho Estilo morreu lentamente com a geração mais antiga.5 Em alguns casos – especialmente na Escócia – conforme o calendário do Novo Estilo foi se tornando gradualmente aceito por mais e mais pessoas, algumas pessoas observavam as datas do Velho e Novo Estilo para os festivais “só para garantir”, dando origem ao “Grande” e o “Pequeno” Samhainn.

            No entanto, apesar de vermos o dia 1º de novembro como a “real” e fixa data para o Samhainn, com um pouco de ambiguidade entre a data do Velho e Novo Estilo, a natureza fixa desse festival pode não ser assim tão óbvia. Ao discutir sobre Bealltainn, Alexander Carmichael nota que enquanto a data para o festival era normalmente considerada sendo no dia 1º de maio, as celebrações para receber o verão poderiam começar a qualquer época em que se sentisse apropriada – isto é, quando estivesse quente o suficiente para os animais serem levados para as pastagens de verão onde teriam acesso à uma abundância de grama fresca. Dado o fato de que o Samhainn geralmente marcava o fim da colheita e o início do inverno, ele naturalmente coincidia com o fim do pastoreio de verão. Assim, é concebível de que pelo menos em algumas áreas, a data do Samhainn também possa ter sido originalmente bem flexível, sendo observada sempre que a colheita estava sendo feita ou terminada, ou sempre que era a época do fim do pastoreio de verão. Dessa forma, talvez o dia 1º de novembro seja a última data possível de celebração, como sugerido por algumas crenças folclóricas que coloca uma proibição na coleta de frutas ou nas colheitas após o Samhainn (ver abaixo).

A natureza sobrenatural do Samhainn

            Há um elemento sobrenatural e transcendental em todos os Dias Trimestrais, uma vez que é uma crença comum que o outro mundo fica temporariamente bagunçado nessas épocas quando um trimestre muda para outro. Além disso, a véspera dos Dias Trimestrais age como um tipo de zona liminar (tempo ou espaço ambíguo) entre um trimestre e o próximo, onde os portais entre esse e o outro mundo estão abertos e os habitantes de ambos os mundos podem interagir livremente. No Samhainn, no entanto, essa ‘bagunça’ é mais uma perturbação complexa. O caos e a confusão reinam, e os habitantes do outro mundo passeiam pelo mundo físico livremente. O perigo desses cidadãos do outro mundo é um elemento sempre presente para qualquer um que se aventura a sair de casa na véspera do Samhainn.

            Diz-se que as fadas passeiam pela terra na véspera do festival, assim como nas sextas-feiras à noite e no Hogmanay. Elas passam (‘emigram’) de um monte encantado para outro, acompanhadas pelo som de sinos e chifres élficos. Qualquer um azarado o suficiente para encontrá-las enquanto elas realizam sua procissão pode ser levado para seu mundo, e diz-se que esses mortais azarados só podem ser resgatados após um ano e um dia, quando os encantamentos forem considerados potentes o suficiente para derrotar as fadas.6

            Estas procissões também acontecem na Irlanda, e registros anteriores ao século XIV mostram que o Brugh na Boinne era o local de jogos e festas de avelãs feitas pelos daoine sìth nesse dia, sendo talvez um eco dos muitos exemplos de festas e jogos que aconteciam nessa época nos mitos irlandeses, e que historicamente também aconteciam em muitas cidades e aldeias nessa época do ano. Em outras partes da Irlanda, o Samhainn é a época em que as tropas de fadas travam batalhas umas contra as outras, e diz-se que o líquen vermelho encontrado nas rochas é o sangue que foi derramado durante tais brigas.7

            Também na Irlanda, é dito que aqueles que foram abduzidos pelas fadas podem ser frequentemente vistos pelos amigos enquanto as tropas passam por eles nessa época. A fim de forçar as fadas a devolverem os humanos abduzidos, a poeira debaixo de seus pés deveria ser atirada nelas; para desviar a atenção dos daoine sìth e evitar o risco de ser levado por eles, diz-se que virar o casaco de dentro para fora é o suficiente para agir como um disfarce e manter-se em segurança.8

            Na Escócia, um galho de sorveira com lã vermelha era carregada no bolso como um encantamento para proteção.9 Na Irlanda, carregar uma faca de punho preto ou uma agulha de aço preso na manga ou gola do agasalho é considerado uma precaução igualmente eficaz.10 Evitar os cemitérios é uma necessidade, a menos que a pessoa queira encontrar os mortos – ou pior – e também é indispensável para o viajante nunca olhar para trás se ele ouvir passos atrás de si, pois isso significa que os mortos estão atrás dele.11 Se tudo isso falhar, os viajantes sempre podem relaxar se estiverem em números, com uma boa dose de fé e esperança. Ou, é claro, há a opção de se vestir em um disfarce mais elaborado (ver abaixo).

            Dada a época do ano, quando o inverno começava e as árvores estarem agora nuas e a terra estéril, é inevitável talvez que o festival tenha se tornado associado com os mortos. Assim, acredita-se que os mortos caminham livremente nessa época, e na véspera do Dia dos Finados (1º de novembro) eles visitam seus antigos lares e suas famílias. É costumeiro deixar comida e bebida do lado de fora durante a noite, após você ter ido para a cama e todas as portas da casa serem deixadas (idealmente) destrancadas para que eles possam entrar facilmente:

“It’s te nicht atween the Sancts and Souls
When the bodiless gang aboot,
An’ it’s open hoose we keep the nicht
For ony that may be oot.”12

            Velas podem ser acesas para cada parente morto na família enquanto orações são feitas para eles. Em Limerick, lugares à mesa também são colocados para eles e um atiçador e um tenaz eram colocados na lareira no formato da cruz. No Condado de Tyrone, diz-se: “Após o piso ter sido varrido e um bom fogo ter sido abafado na lareira, a família se retira cedo para a cama, deixando a porta destrancada e um recipiente com água de uma fonte na mesa, para que qualquer parente morto pudesse encontrar um lugar preparado para ele na lareira.”13

            Além das tropas de fadas e das almas dos mortos, acredita-se que bruxas e feiticeiros andam para lá e para cá, voando em suas vassouras (conforme a crença escocesa), flutuando em cascas de ovos ou galopando em corcéis negros (que são, na verdade, gatos malhados que foram transformados para a noite). Eles cavalgam para se encontrarem e celebrarem seu festival diabólico, e como uma proteção para sua malevolência e travessura, tanto na Escócia como na Irlanda, turfas, madeira e qualquer outro tipo de carvão eram coletados nas casas a fim de construir uma fogueira para ‘queimar as bruxas’, apesar de em muitos lugares (na Escócia e na Irlanda do Norte) essas fogueiras terem migrado para a Noite de Guy Fawkes, no dia 5 de novembro.14

            Outros seres sobrenaturais também são ditos serem uma ameaça para as pessoas que se aventuravam a sair durante a noite na véspera do Samhain. Na Escócia:

            “No meio da noite, entre o amanhecer e a escuridão, sai da terra, do ar, da água e do submundo todo o tipo de coisas malignas... O meio da noite é a hora escolhida da Sluath, a Tropa dos Mortos, cujos pés nunca tocam a terra enquanto eles flutuam pelo vento... do Fuath, o Espírito do Terror, que assusta as pessoas até a membrana de seus corações; da Lavadeira, que senta-se no crepúsculo; dos esguios e vestidos de verde, o Cavalo da Água, e o que não é. A luz que não tem sombra, não tem cor, que é mais suave que o luar, é sempre a luz dessas criaturas. No meio da noite, ao longo dos cursos de água cujos caminhos é melhor você evitar na hora do crepúsculo, é onde provavelmente você os encontrará; eles passam pelo oeste das casas – o que fazem, o que dizem? Seus caminhos não são humanos de modo algum...”15

            Na Irlanda, diz-se que uma das mais terríveis criaturas que perambula nessa época é o púca, comumente imaginado como tendo a forma de um cavalo ou cachorro demoníaco. Ele é normalmente descrito sendo negro com os olhos vermelhos ou pode ser também um cavaleiro negro cavalgando em um cavalo negro. Qualquer plantação que não tivesse sido colhida ainda ou as frutas que ainda estivessem nas árvores e arbustos, são ditas terem sido pisadas pelo púca a fim de estragá-las, e portanto, estão ‘contaminadas’ e inapropriadas para o consumo humano. Em um nível prático, quaisquer frutas que fossem deixadas nas árvores e arbustos durante essa época provavelmente tinham perdido suas propriedades e deixariam qualquer um doente, então essa ideia da produção dos campos estar contaminada pelo púca era uma possibilidade aterrorizante para as crianças experimentá-las. Portanto, quaisquer frutas deviam ser deixadas para apodrecer e quaisquer colheitas remanescentes deviam ser destruídas.16

            As lendas contam, na Irlanda em particular, que os daoine sìth controlam a colheita das plantações nos campos, e quando o rendimento é baixo, diz-se ser um reflexo da perturbação no outro mundo. Ao falar da grande fome de batatas de 1846-7, John Glynn, um funcionário da cidade de Tuam, disse:

            “O velho Thady Steed uma vez me falou sobre as condições até então predominantes, ‘Claro, não poderia ser de nenhuma outra forma; e eu vi o bom povo e centenas deles ao meu lado, os vi lutando no céu acima de Kock Ma e indo em direção à Galway.’ Eu ouvi falar de outras pessoas que também os viram lutando.”17

            Em algumas partes, as casas e fazendas podiam deliberadamente deixar uma porção da colheita de batatas ou de grãos no chão, ou do lado de fora das casas, como um presente para as fadas a fim de garantir sua benevolência para o ano vindouro, assim como garantir uma boa colheita no ano que vem.18 Qualquer comida ou bebida deixada a noite para o Bom Povo não podia ser comida por qualquer pessoa ou animal – “nem mesmo por um porco” – pois apesar da comida em si permanecer no lugar, a toradh, ‘substância’ ou ‘essência espiritual’, era levada pelas fadas, assim “deixando para trás os elementos mais grosseiros”.19 Talvez as oferendas eram colocadas com a intenção de distrair ou apaziguar os daoine sìth, encorajando-os a deixar a casa em paz durante a noite.

            De acordo com Alexander Carmichael, a primeira segunda-feira de cada trimestre tem perigos similares ao do próprio Dia Trimestral (qualquer um deles). Acredita-se que esta seja uma hora perfeita para o mau olhado ser lançado em outras pessoas e para as bruxas roubarem o leite das vacas ou a prosperidade da família (como o leite das vacas representa). Tradicionalmente, as pessoas não emprestam nada para ninguém em um Dia Trimestral (ou na segunda-feira após o dia), para que a sorte da família não fosse embora com o item a ser emprestado, conforme é ilustrado no seguinte poema:

“A primeira segunda-feira do trimestre,
Tome cuidado para que a sorte não abandona tua morada.
A primeira segunda-feira do trimestre primaveril,
Não se descuide de tuas vacas.”20

            Precauções extras eram portanto tomadas contra tais coisas, como o mau olhado, e no passado, cada membro da família era abençoado “com água adquirida de uma mulher sábia, ou com a água adquirida de uma mulher que tinha as rédeas de um cavalo da água.”21

Os costumes do Samhainn

            O Samhainn pode ser visto como uma contrapartida do Bealltainn – como F. Marian McNeill coloca, “enquanto que o Beltane celebrava a renovação da vegetação, o Samhainn solenizava sua decadência.”22 Na época do Samhainn, supunha-se que as colheitas já deviam ter sido feitas, e nos dias em que a transumância ainda era grandemente praticada, supunha-se que os animais deviam ser trazidos de volta das pastagens de verão e o povo retornava para suas fazendas de inverno nas áreas mais baixas. As tradições históricas associadas com o Samhainn estão inextricavelmente entrelaçadas com esse modo de vida, e vamos dar uma olhada nessas tradições agora...

            Assim como no Bealltainn, um elemento comum dessas celebrações comunitárias tradicionalmente se focava na ignição de fogueiras pelas comunidades e fazendas locais. Enquanto que no Bealltainn as fogueiras eram normalmente acesas no amanhecer, no Samhainn as fogueiras (chamadas de Samhnagan na Escócia, de acordo com Gregorson Campbell23) eram acesas no entardecer. Com a escuridão sendo uma parte inevitável do inverno, as fogueiras podem ser vistas como uma tentativa de segurar os ‘poderes da escuridão’ que agora são os elementos dominantes sobre o dia.24 As fogueiras também tinham qualidades protetoras contra os elementos sobrenaturais que acreditava-se estarem a solta nessa noite – as fadas, bruxas ou seres demoníacos. Na tradição local de Skye, no entanto, as fogueiras eram acesas nos promontórios a fim de atrair arrenques e garantir uma boa “colheita” deles.25

            Anne Ross sugere que as fogueiras do Samhainn eram acesas com o teine-eigin, ou ‘needfire’ (NT: termo usado para se referir ao fogo aceso através da fricção de madeiras), que é produzido através da fricção – dois pedaços de madeira sendo friccionados, as vezes variando na quantidade de pessoas envolvidas (normalmente múltiplos de três ou nove) no processo.26 McNeill também coloca que os needfires eram, em uma época, o método comum para a ignição das fogueiras, mas nota que conforme o tempo foi se passando, o needfire caiu em desuso em favor de pedras mais convenientes, e depois disso, dos fósforos enquanto estes se tornavam disponíveis.27 O escritor viajante Thomas Pennant, no entanto, ao escrever no século XVIII, contradiz essa noção (pelo menos em termos de argumentar que esta era ‘a norma’ na Escócia, talvez) em sua descrição de como a Samhnag era acesa em uma comunidade oriental das Terras Altas:

            “Uma pessoa coloca fogo em uma bucha de giesta amarrada ao redor de uma estaca; e auxiliado por uma multidão, corre ao redor da aldeia. Ele então enterra a estaca no chão, amontoa uma grande quantidade de coisas combustíveis nela e faz uma grande fogueira. Um trato inteiro é então iluminado de uma só vez e dá uma boa aparência.”28

            Igualmente, enquanto que as fogueiras possam ter sido constituídas originalmente de alguns tipos particulares de madeira, os registros tardios mostram que qualquer material vagamente combustível poderia ser empilhado. Madeiras quebradas, plantas secas, tojo, turfa, palha e até mesmo barris de alcatrão eram coletados para a fogueira e as comunidades locais frequentemente faziam competições amigáveis com seus vizinhos para ver quem faria a maior fogueira. Walter Gregor registra que, “Nas aldeias, os meninos iam de casa em casa e pediam um pouco de turfa para cada família, comumente com as palavras, ‘Ge’s a peat t’burn the witches.’ Em algumas aldeias, os meninos adquiriam um carrinho para coletar as turfas. Parte deles puxavam o carrinho, e a outra parte recolhia as turfas.”29 Cada fazenda também tinha uma fogueira, que era queimada da mesma forma que aquelas das aldeias.

            Uma vez que as fogueiras tivessem sido apagadas naturalmente, as cinzas eram colhidas e espalhadas ou chutadas e atiradas uns contra os outros em uma competição amigável de meninos e homens jovens para ver quem poderia chutar as cinzas mais longe – assim como para ver quem mais bravamente enfrentaria os perigos das brasas ainda quentes. Os fazendeiros espalhavam suas cinzas pela sua fazenda para garantir a fertilidade no próximo ano e proteger contra as influências malignas, ou então, as cinzas poderiam ser espalhadas em um círculo e pedras eram colocadas ao redor da circunferência deste círculo, cada pedra representando uma pessoa diferente. Na manhã seguinte, se alguma pedra tivesse sido movida, era um sinal de que a pessoa associada com a pedra movida não sobreviveria no ano que vem. John Ramsay, escrevendo em 1888, descreveu uma prática similar onde as pedras eram colocadas ao redor da própria fogueira. Ao ser acesa, as pessoas (normalmente os mais jovens) dançavam ou corriam ao redor do fogo com tochas de samambaias ou varas. Na manhã seguinte “...eles reparavam na fogueira, onde a situação das pedras era examinada com muita atenção. Se qualquer uma delas estivesse fora do lugar, ou se uma pegada pudesse ser vista perto de qualquer pedra, imaginava-se que a pessoa a quem a pedra tinha sido colocada não viveria durante aquele ano...”30   

            Além das fogueiras, as pessoas acendiam outros fogos durante as celebrações do Samhain. Tochas de abeto-do-pântano ou urze, dependendo do que estava mais disponível, eram acesas a partir das fogueiras e levadas ao redor das fronteiras de fazendas e campos a fim de proteger de influências malignas no ano seguinte. Conforme as fogueiras foi se tornando incomum, as tochas eram acesas a partir de fogos domésticos até a prática morrer completamente na metade do século XIX.31 De forma similar, nabos eram frequentemente escavados, entalhados em faces assustadoras e colocados nas janelas com velas dentro para repelir as influências malignas da casa – um costume que ainda é observado em muitas partes da Irlanda, Escócia e Ilha de Man hoje em dia, apesar da crescente adoção popular de abóboras para substituir os nabos difíceis de se escavar.32

            Outras medidas de proteção para a família e o gado também eram tomadas na Irlanda. Cruzes de madeira eram colocadas no sapé acima da porta para espantar os espíritos ruins, bem semelhante aos galhos ou cruzes de sorveira e lã vermelha usados na Escócia. Danaher também descreve a confecção de uma Parshell, uma cruz de galhos e palha, que era usada para repelir a má sorte, as doenças e bruxaria, embora era colocada diretamente do lado de dentro, acima da porta:

            “Isto era feito colocando duas varetinhas, de sete polegadas de comprimento, cruzadas, começando então a sua junção enrolando uma palha de trigo sob uma vareta, sobre a outra, e assim em diante (adicionando mais palha quando a outra acabassse) até restar cerca de uma polegada nas extremidades das varetas, quando o nó final era feito rápido.”33

            Após ser colocada no local, era deixada lá até o ano seguinte, quando então era removido e colocado em outro lugar na casa ou nas construções externas da fazenda e estábulos, com a palavra ‘Fonstarensheehy’ quando era removido; enquanto que é incerto o que essa frase significa, parece provável de que seja uma tentativa deformada do irlandês, sendo possivelmente algo como Fan istigh ar an sídhe, significando “Fique dentro de casa contra (para impedir ou parar) as fadas.” Uma Parshell nova era então feita para substituir a velha sobre a porta da casa.34

            Após as fogueiras terem se apagado e as cinzas espalhadas sobre os campos ou usadas para propósitos divinatórios, as pessoas voltavam para suas casas para se banquetear e festejar.35 Uma vez que a chegada do inverno anunciava colheitas magras em termos de disponibilidade de comidas frescas, as pessoas aproveitavam o máximo da colheita recém feita e das bebidas frescas fermentadas, aumentando a diversão e a festividade – talvez por esse motivo, o Samhainn era talvez o mais celebrado e festivo de todos os Dias Trimestrais.

            Assim como nos outros Dias Trimestrais na Escócia, os especiais bannocks festivos eram feitos – no caso do Samhainn, era chamado de bonnach Samhthain. Além do comum bannock grande que era feito para toda a família, bolos de aveia eram também feitos para cada membro individual da família. Qualquer bannock que quebrasse durante seu preparo era visto como má sorte, e o bannock era jogado fora.36 Os sauty bannocks – um bannock feito com bastante sal – eram feitos para propósitos de divinação do amor. Esse bannock devia ser comido com três mordidas, em absoluto silêncio, antes de ir para cama. A pessoa também não poderia beber água, então quando a pessoa adormecesse, seu futuro esposo viria até ele em seus sonhos e lhe ofereceria água para saciar sua sede.37

            Na maior parte do país, a tradição do bannock de Samhainn parece ter sido transferido para a festa de S. Miguel, o festival outonal que acontecia no dia 29 de setembro, e Alexander Carmichael descreve o método da feitura do struan da festa de S. Miguel em grandes detalhes. Em outros lugares, há uma menção feita por Martin de um grande bannock triangular sendo feito pelos habitantes de S. Kilda no Dia de Todos os Santos (1º de novembro), enquanto que em Strathclyde a tradição da feitura de bolos azedos na véspera da Feira de S. Lucas foi registrada.38

            Pratos envolvendo kail (um tipo de repolho), batatas – tais como o colcannon ou batatas amassadas com manteiga –, farinha de aveia – como o crowdie (um prato de manteiga e aveia, normalmente servido no café da manhã)39 –, e sowens (um prato feito com as cascas internas do grão de aveia, água e sal),40 eram servidos com uma generosa porção de manteiga como descrito por Robert Burns em seu poema “Hallowe’en”:

“Till butter’d sow’ns, wi’ fragrant lunt,
Set a’ their gabs a-steerin;
Syne, wi’ a social glass o’ strunt,
They parted aff careerin
Fu’ blythe that night.”41

            Frutas da estação – especialmente maçãs e avelãs – também faziam parte das comidas do festival, e nas tradicionais feiras do hallowmas, o pão de gengribre era um divertimento comum.42 As crianças muitas vezes passavam o dia coletando avelãs para ritos divinatórios no entardecer, assim como para o simples consumo.

            Na Irlanda, Danaher lista o colcannon como o prato preferido do Hallowe’en, frequentemente servido em um grande prato com uma generosa quantidade de manteiga derretendo no meio, para que todos pudessem pegar uma colher do purê e mergulhar na manteiga derretida antes de comer. As carnes normalmente não eram servidas devido à tradição católica dos dias sagrados serem um dia de abstinência. No entanto, isso não significa que outras ricas e deliciosas comidas estivessem fora do menu: “‘Stampy’ (bolos feitos a partir de uma mistura de batata crua ralada e farinha, temperada com açúcar, sementes de alcaravia e creme), ‘boxty’ (bolos similares, mas feito com purê de batata cozida), bolos de aveia e panquecas também eram favorecidos, assim como tortas, bolo de maçã, tortas de amoras e pudins de diversos tipos.”43 Mingau também era feito e oferecido do lado de fora para o Bom Povo, onde era derramado em um buraco cavado na terra.44 O bairín breac (barmbrack) ainda é um favorito dessa época do ano na Irlanda, e você pode comprar um bairín breac nos supermercados com uma moeda dentro;  aquele que conseguir o pedaço com a moeda dentro teria sorte no ano seguinte.

            Jogos e divinações, muitos dos quais foram detalhados por Robert Burns em seu poema “Hallowe’en”, eram realizados e se focavam em temas pertinentes associados com a chegada do inverno. A morte não era um assunto remoto na mente das pessoas nessa época do ano, mas questões sobre amor e casamento eram frequentemente investigadas e formavam a base principal da divinação nessa época. Os meses de inverno eram considerados como a época mais apropriada para casamentos pois uma criança concebida no inverno estava mais suscetível a nascer em uma época que oferecia as melhores chances de sobrevivência tanto para a mãe como para o bebê – em uma época em que houvesse calor e comida em abundância.45

            No entanto, se o Samhainn caísse em uma quarta-feira, os presságios eram considerados particularmente ruins, de acordo com o ditado “Nuair as Di-Ciadain an t-Samhainn is iargaineach ‘na déidh – Quando o hallowmas cair em uma quarta-feira, após ele será aflição.” Isso significava que o inverno seria particularmente rigoroso, e também não era um bom sinal para os maridos: “Nuair as ciadaoineach an t-Samhainn/Is iargaineach fir na domhain – Quando o hallowmas cair em uma quarta-feira/Os homens do mundo ficarão preocupados.” Conforme Gregorson Campbell explica, a implicação era que o marido enfrentaria um impotente inverno e um outono sem filhos, e portanto, eles ficariam preocupados se suas esposas fossem buscar afetos em outros lugares – notavelmente, nos braços de homens sobrenaturais.46

            Os tipos de divinação realizados tendiam a aproveitar os materiais que estivessem disponíveis naquela época. As maçãs e avelãs são os materiais mais conhecidos, e talvez eram considerados os mais apropriados devido as suas conexões com o outro mundo, como atestado no folclore e na mitologia.47 O “sacudir-se para as maçãs” – ou dookin’, na Escócia – era sempre popular. McNeill descreve um método para o dookin’ em detalhes:

            “Uma grande banheira de madeira enchida com água pela metade ficava no meio do chão. Dentro da banheira eram colocadas maçãs polidas e vermelhas. O mestre das cerimônias segurava uma vara de mingau... e com ela, ele deixa as maçãs em constante movimento. Cada um do grupo, na sua vez, ajoelha diante da banheira... e tenta pegar uma maçã em seus dentes sem a ajuda de suas mãos... Se ele não for bem sucedido após três tentativas, ele precisa esperar até todos os outros terem a sua vez.”48

            As vezes, uma moeda de prata era colocada na água, e se alguém conseguisse pegá-la (sem usar os dentes), estava pessoa era vista como sendo especialmente sortuda com dinheiro – e tinha também que guardar a moeda.49

            Outro tipo de divinação consistia de amuletos escondidos em um grande prato de comida, como o fuarag (crowdie) nas Terras Altas, sowans nas Terras Baixas, ou em tempos mais recentes, champit tatties – uma grande pilha de purê de batatas com manteiga. As vezes, apenas um amuleto era colocado no prato, normalmente um anel. Era dado uma colher para cada pessoa presente, com a qual eles tiravam uma colherada (ou o que tivesse no prato até o amuleto ser encontrado). Aquele que encontrasse o anel seria o primeiro do grupo a se casar. Outros amuletos, como uma moeda, significava que a pessoa que a encontrasse seria rica; um botão significava o bacharelado, enquanto que um fuso significava especialização em tecelagem; uma fúrcula indicava que a pessoa teria seus desejos realizados; a ferradura era boa sorte. Em famílias mais sofisticadas, os amuletos podiam ser colocados em um bolo, que era então cortado e distribuido de uma forma mais sofisticada e menos confusa.50 Mais adivinhações são descritas no próximo capítulo.

            Enquanto muitos consideravam que era mais sensato ficar dentro de casa e evitar os perigos sobrenaturais presentes nessa noite, inevitavelmente existiam aqueles que se aproveitavam da natureza sobrenatural da noite para seus próprios propósitos de diversão para fazer travessuras. Fantasiar-se era comum nos festivais invernais – não apenas no Samhainn, mas também no Natal e no Hogmanay.51

            Na Irlanda, o Hallowe’en era as vezes chamado de oídhche na h’aimléise – “A noite da travessura (ou do contra)”. Tipicamente, os mais jovens se aventuravam no ar livre, e para evitar que fossem reconhecidos pelos espíritos dos mortos, e para confundi-los, eles se fantasiavam com máscaras, pintavam seus rostos de preto, ou assumiam uma identidade diferente – como meninos se vestindo de menina ou o contrário. Gangues de jovens se reuniam e andavam pelas fazendas, batendo nas portas e cobrando “um tipo de chantagem” para ajudar suas celebrações mais tarde. As crianças pediam maçãs ou nozes em cada casa também, dando em troca um pouco de entretenimento para a família, um costume que inevitavelmente evoluiu para o moderno “doces ou travessuras”.52

             Tirando proveito do fato de suas fantasias ou máscaras o tornarem irreconhecíveis para as outras pessoas, fazer travessuras eram uma atividade comum para os fantasiados. Repolhos podiam ser atirados na porta das pessoas (roubados de um terreno próximo), chaminés eram bloqueadas com turfas, as maçanetas eram cobertas de melaço ou os equipamentos da fazenda podiam ser levados para o campo de outra pessoa.53

Referências

1. Hutton, Stations of the Sun, 1996, p336/380.
2. Por exemplo, César, Comentários sobre a Guerra gálica: [6 18] Todos os gauleses afirmam descenderem de Dis Pater e dizem que esta é a crença druídica. Por essa razão, eles contam os períodos de tempo não pelos números de dias, mas pelo número de noites; e ao contar aniversários, luas cheias e anos novos, sua unidade de cálculo é a noite seguida pelo dia.
3. McNeill, The Silver Bough Volume 1, 1957, p15.
4. Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p529.
5. Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p574.
6. Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p10; McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p14.
7. Hutton, Stations of the Sun, 1996, p362. O líquen fica vermelho após uma geada, o que teria provavelmente começado nessa época, então a crença era especialmente apropriada para esse período do ano.
8. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p207.
9. McNeill, The Silver Bough Volume 1, 1957, p78.
10. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p207.
11. Rees and Rees, Celtic Heritage, 1961, p89-90.
12. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p13.
13. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p228.
14. Rees and Rees, Celtic Heritage, 1961, p165; Gregor, The Folklore of the North-East of Scotland, 1881, p167-168.
15. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p13.
16. Danaher, The Year in Ireland, 1972; Rees and Rees, Celtic Heritage, 1961, p92; ver também Evans-Wentz, The Fairy-Faith in Celtic Countries, p38-39: “Na véspera de novembro não é correto colher ou comer amoras ou o fruto do abrunheiro, nem após essa época enquanto eles durarem. Na véspera de novembro, as fadas passam por cima dessas coisas e as torna inapropriadas para o consumo. Se alguém ousar comê-las, ele posteriormente terá sérias doenças.” – citado por um padre irlandês.
17. Evans-Wentz, The Fairy-Faith in Celtic Countries, p43.
18. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p200.
19. Evans-Wentz, The Fairy-Faith in Celtic Countries, p44.
20. Carmichael, Carmina Gadelica, 1992, p642-643.
21. Carmichael, Carmina Gadelica, 1992, p642-643.
22. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p11.
23. Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p559.
24. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p17.
25. Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p134.
26. Ross, Folklore of the Scottish Highlands, p149.
27. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p18.
28. Hutton, Stations of the Sun, 1996, p366.
29. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p18; Gregor, The Folklore of the North-East of Scotland, 1881, p167.
30. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, pp17-18; Hutton, Stations of the Sun, 1996, p366-367.
31. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p19.
32. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p26. Ver também F. Marian McNeill, Hallowe’en: Its Origin, Rites and Ceremonies in the Scottish Tradition. Meu marido diz que quando ele era criança, era comum as crianças irem até a vizinhaça para tentar roubar os nabos dos campos dos fazendeiros, tentando não ser pegos.
33. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p207-208.
34. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p207-208. Ver aqui. (NT: o link está quebrado)
35. De uma citação de John Ramsay de Ochtertyre, Hutton, Stations of the Sun, 1996, p366-367.
36. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1957, p…
37. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1957, p34.
38. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1957, p21.
39. McNeill, The Scots Kitchen, 1929, p200.
40. McNeill, The Scots Kitchen, 1929, p202.
41. A tradução: “Até sowans amanteigados, com fumaça fragante/ Deixa todas as suas línguas abanando;/ Então, com um copo social de licor,/ Eles repartiam uma corrida/ Cheia de alegria aquela noite.”
42. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1957, p23.
43. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p204.
44. Sjoestedt, Celtic Gods and Heroes, p40 – cf. o episódio do mingau na Segunda Batalha de Moytura.
45. Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p603-604.
46. Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p559;603-604.
47. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1957, p31.
48. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1957, p32.
49. Ibid; Black, The Gaelic Otherworld, 2005, p560.
50. Black, p560; McNeill, vol 3, p34; McNeill, The Scots Kitchen, 1929, p190.
51. Hutton, Stations of the Sun, 1996, p380.
52. McNeill, The Silver Bough Volume 3, 1961, p24; Danaher, The Year in Ireland, 1972, p211.
53. Rees and Rees, Celtic Heritage, 1961, p90. 



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