quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Lùnastal


Lùnastal

Fonte: Site “Tairis: Lùnastal”, por Annie Loughlinn. Disponível em: <http://www.tairis.co.uk/festivals/lunastal/>.

                Graças ao trabalho de Maire MacNeill, Lùnastal é provavelmente um dos Dias Trimestrais mais bem documentados do calendário gaélico. Sua obra Festival of Lughnasa (“O Festival de Lughnasa”) é, por excelência, uma referência a qualquer um aspirante à reconstrucionista, folclorista ou celticista (apesar dela ter principalmente uma perspectiva irlandesa), porém, existem muitas outras fontes para tirarmos informações, e, esperançosamente, essa página juntará alguns dos pontos mais notáveis. Não é preciso dizer que, dada à riqueza de informações dada apenas pelo trabalho de MacNeill, essa página nunca será tão completa como seu livro, e como qualquer outra coisa, vale a pena você fazer sua própria pesquisa.


                Meu objetivo aqui é traçar um esboço de Lùnastal a partir das mais antigas referências documentadas nas fontes históricas e mitológicas, antes de examinar os costumes e crenças associadas com a festa na Irlanda e na Escócia:

·         Introdução
·         Nomes, datas e propagação
·         Mito e história
·         O festival na Irlanda
·         O festival na Escócia
·         Sumário

Introdução

                Em termos mais simples, o Lùnastal marcava o início do outono e da estação da colheita. Ele inaugurava o bem vindo fim da fome e anunciava um tempo de grande abundância de frutas frescas, vegetais e grãos maduros para a colheita – ou como se pode esperar – se tornou então uma celebração aos primeiros frutos da estação.

                Existia um aspecto muito social no festival, permitindo talvez um pouco de relaxamento e socialização antes do árduo trabalho da colheita começar. Historicamente, o festival era a época de uma das principais assembleias da Irlanda, que supostamente era realizada pelos reis e o povo da túath participava. Aqui, negócios legais eram feitos, gado, comida e outros bens eram comprados e vendidos, jogos eram realizados nas festividades, assim como corridas de cavalo, festejos, bebedeiras, narrativas e música.1 Há também evidências, a partir dos Dindshenchas e do folclore, que sugere que existiam rituais comemorativos realizados nessa época.2

                Anos mais tarde, as assembleias perderam seus aspectos políticos e legais (exceto pelo fato de que os alugueis ainda eram pagos) e se tornaram feiras comerciais, mantendo os mercados, jogos e festividades, e então mais tarde, mantendo apenas os aspectos mais festivos.3 Os mercados proporcionavam a oportunidade para o povo vender suas mercadorias, a fim de ganhar dinheiro para pagar seus aluguéis; o que no início pode ter sido uma associação secundária dos principais aspectos religiosos e sócio-políticos do festival, se tornou o foco principal.4 Os casais podiam se unir em casamentos experimentais nessa época, que poderia ser terminado no Bealltainn seguinte sem quaisquer recriminações legais para ambas as partes se as coisas não tivessem funcionado – se não tivessem sido gerados filhos, por exemplo;5 salários eram dados à mulher pelo seu serviço durante o casamento, e terras não precisavam ser dadas pelo divórcio.6 Dado ao fato de que esperava-se que a paz fosse mantida durante o festival, contudo, só era permitido que os homens procurassem sua primeira esposa (uma vez que poligamia era permitida nas leis irlandesas) – caso contrário, atritos e brigas poderiam surgir com competições entre homens, assim como entre esposas oficiais e futuras esposas.7

                Subjacentes às festividades, estavam uma mistura comum de esperança e medo de sutis perigos e ameaças sobrenaturais e o desejo de se proteger contra elas. Na Irlanda, uma grande festa de todas as variedades de frutas, vegetais e colheitas era preparada e as comunidades se encontravam no topo de colinas ou perto de lagos e rios para jogos e corridas, danças e colheita de uva-do-monte (NT: Vaccinium myrtillus, também conhecido como “mirtilo”). Na Escócia, poucas evidências de grandes encontros comunitários sobreviveram, mas festas similares eram realizadas, junto com jogos e corridas, bebedeiras e música, e tanto na Irlanda como na Escócia, os animais – invariavelmente os cavalos ou o gado – eram purificados de uma forma ou de outra para protegê-los no ano vindouro.

Nomes, datas e propagação

                Enquanto que a maioria das fontes já coletadas apontarem o Lùnastal como sendo um festival bastante gaélico, há evidências vindas da Gália de que um tipo similar de festival tenha sido celebrado no continente. Acredita-se que o nome Lugduno, a capital da província romana da Gália Lugdunense e no território gaulês da tribo dos segusiavos, deriva a primeira parte de seu nome do deus gaulês Lugus. Durante o reinado de Augusto, por volta do ano 10 a.C., o imperador instituiu um festival no Templo dos Três Gauleses na capital provinciana (que era dedicado ao culto do estado), em uma aparente tentativa de transferir ou igualar um festival gaulês existente – que pode ter sido marcado no calendário de Coligny – à um festival do estado.8

                Se Lugus foi associado com os mesmos papeis que Lugh era na antiga literatura medieval irlandesa (notavelmente com a colheita e aspectos da soberania), os esforços de Augusto fazem bastante sentido. Ao associar-se com um festival existente, em um mês que ele nomeou com seu próprio nome, ele evidentemente esperava declarar seu próprio poder sobre a província através da prática religiosa, implicando algum tipo de conexão entre ele e a deidade que compartilhava o mesmo festival.

                Se o festival era celebrado mais amplamente em toda a Gália e até mesmo na Grã-Bretanha nessa época, é impossível dizer, mas a época e a associação com Lugus, cujo nome é cognato com o do deus irlandês Lugh, certamente não é coincidência. Vale a pena notar também que o festival anglo-saxão de Lammas é provável de ter sido adotado de uma prática britônica existente, de acordo com alguns estudiosos.9

                Em toda a Irlanda e Escócia, o Lùnastal foi conhecido por muitos nomes. Na Irlanda, temos registros de Lugnasad, Lúnasa, Bron Trogain (“a tristeza da terra no outono”),10 Feira de Lewy, Feiras Puck (NT: também pode ser traduzido como “feiras dos gnomos”), Domnach Chrom Dubh (Domingo de Crom Dubh), Domingo do Alho, da Guirlanda, do Mirtilo, da Colina ou dos Montes, ou Domhnach Deireannach (Último Domingo).11 Na Escócia, parece que foi conhecido simplesmente como Lùnastal ou Dia de Lammas.

                Muitos desses nomes são descrições dos costumes ou seres mitológicos associados com o festival, e o fato de muitos deles serem explicitamente nomeados como caindo em um domingo (o último domingo de Julho antes do Lùnastal em si) é importante. Danaher sugere que a mudança das festividades para o domingo era devido a duas razões – primeiramente devido ao período ocupado na preparação para a colheita, junto com a possibilidade de um clima imprevisível, os dias de trabalho eram muitos importantes para serem “desperdiçados”. Como o domingo de qualquer forma era um dia de descanso, faz sentido realizar as celebrações nesse dia. Em segundo lugar, a mudança no calendário juliano para o calendário gregoriano separou as festividades de sua data “adequada” e assim, os costumes sobreviveram em um sentido secular, separado de suas origens dos Dias Trimestrais12, e muitas dessas práticas perderam a âncora da tradição que fazia com que elas fossem observadas para seu propósito particular, ano após ano. Sem nenhuma boa razão, muito simplesmente se perdeu. Na Escócia, isso mais tarde foi agravado pelo fato de que enquanto a maioria dos festivais mudou com o calendário para suas datas do Novo Estilo, a nova lei que inaugurou o novo calendário fez exceções específicas para as feiras, mercados e comércios. Estas feiras eram para ser realizadas em suas datas “naturais”, de acordo com o calendário do Antigo Estilo.13

                MacNeill argumenta que, originalmente, a data do festival possa ter caído em uma particular fase da lua ao invés do início do mês:

                “A conexão lunar pode ser vista no termo ‘luan’ usado em ‘aidchi luain in Lugnasaid’, e em ‘Luain Loga Lugnasa’... O ‘Luan’ nessas expressões é mais provável de significar ‘a lua nova, o primeiro dia do mês’ do que ‘segunda-feira’, como às vezes é traduzido.”14

                Bealltainn foi referido em termos similares em irlandês, e comparativamente falando, se olharmos para a Cornualha, MacNeill nota que a Feira de Morvah ainda é celebrada na primeira lua nova de Agosto (ou na segunda lua nova após o solstício de verão, como pode ter sido nos tempos pré-cristãos).15 Dado ao fato de que essa data podia variar grandemente se fosse contada através da lua ao invés do sol, é possível que o festival possa ter sido realizado em um tom mais simbólico de celebração à colheita e aos primeiros frutos em antecipação, ao invés da realidade, e isso é frequentemente visto nos registros modernos da Escócia, em particular. 16   

Mito e história

                O Glossário de Cormac, provavelmente escrito por volta do final do século IX d.C., define o festival como:

                “Lughnasad, isto é, o nasád de Lugh filho de Ethle, ou seja, uma assembleia dada por ele no início da colheita de cada ano, na chegada do Lughnasa. Násad é um nome para jogos ou para uma assembleia.”17

                Enquanto que as etimologias de Cormac frequentemente são um pouco... imaginativas... parece haver algum peso no que ele dia aqui – as associações do festival com Lugh são fortes nos mitos e no folclore. De todos os festivais, o Lùnastal é o único que carrega o nome de uma deidade (os nomes em irlandês antigo), e a razão para as associações íntimas de Lugh com o festival pode ser encontrado no conto do Ciclo Mitológico conhecido como Cath Maige Tuired (A Segunda Batalha de Mag Tured).

                Apesar de ter acontecido por volta da época de Samhainn, o conto mostra como Lugh desempenhou seu papel na derrota dos fomorianos pelas mãos dos Tuatha Dé Danann. Tendo se encontrado cara-a-cara com Bres, o antigo rei e agora cativo dos Tuatha Dé Danann, Bres implora por sua vida e oferece à Lugh uma abundância de colheitas e leite, não importando a estação. Não impressionado, Lugh recusa a oferta e responde que tudo o que ele precisa é saber quando se dever arar, semear e colher. Bres de bom grado lhe dá sua sabedoria sobre o assunto, e a partir de então, os Tuatha Dé Danann se tornam autossuficientes.18

                Pela sua parte em tudo isso, Lugh se torna indelevelmente associado com Lùnastal, uma vez que essa era a época quando as colheitas da cevada e do trigo começavam na antiga Irlanda medieval.19 No entanto, em termos de folclore local e tradições associadas com o festival por toda a Irlanda, Lugh é quase inteiramente ausente de menções. Ao invés dele, é Patrício que ganha alguma proeminência, em alguns partes lutando contra a figura de Crom Dubh, o “Negro Torto”.20 Crom Dubh, diferente de Patrício, até mesmo dá seu nome para o festival em algumas partes da Irlanda, onde é conhecido como Domhnach Crom Dubh. No nordeste de Limerick, nós temos o nome Domingo Negro e Curvado, que parece ser uma tradução relativamente literal do gaélico.21

                Crom Dubh não é conhecido em quaisquer mitos, mas ele pode ter ligações com os nomes Coirpre, Cairbre e Cormac, uma vez que o epíteto “Crom” é frequentemente associado com eles, ou ainda, vemos “Cormac Dubh”, ao invés de Crom, na literatura.22 É difícil dizer se isso é simplesmente coincidência, ou é significativo, no entanto, ao levamos em consideração essas associações.

                O conto envolvendo Crom Dubh geralmente envolve pelo menos dois motivos: um touro (que pode ou não ser morto, destruído, esfolado e comido, e depois ressuscitado por alguns meios ou outros, fazendo alusões a um sacrifício ritualístico, talvez),23 e uma luta entre Crom Dubh e outra figura – normalmente Patrício:

                “A tradição representa Crom Dubh como um potentado pagão, dominante na terra até a chegada de um missionário (mais frequentemente, São Patrício). A lenda o retrata como um senhor territorial, às vezes dotado de poderes mágicos, e, em alguns exemplos, explicitamente o chamando de deus falso (dia bréige). Ele é derrotado pelo poder superior do cristianismo sobre o paganismo, que a tradição alega comemorar desde então no Domhnach Crom Dubh.”24

                Como MacNeill coloca, Patrício toma o lugar de Lugh, como o vitorioso no conto, e Crom é claramente um deus: “...ele parece ser um deus dos fazendeiros, com as preocupações de um fazendeiro com o seu gado e colheitas, e a relutância de um fazendeiro em partilhar seus bens.”25 Por sua vez, isso faz algum sentido pelo fato de Lugh, tradicionalmente sendo associado com a luz, se opor à um deus cujo nome significa o Negro Torto, e a comparação pode ser traçada com a ideia de um tempo ensolarado e sombrio ou um clima chuvoso – um sendo benéfico para as colheitas, e o outro obviamente não. Como MacNeill nota, esse fato não está explicitamente mencionado nos contos,26 mas existe o folclore relacionado com o clima durante a colheita tanto na Irlanda como na Escócia que vê a chuva como sendo um bom ou mau sinal dependendo da localidade.27 Adicionalmente, em um conto relacionado à Crom Dubh, ele recebe o batismo (e consequentemente, a salvação) mas apenas após ser enterrado até seu pescoço, com apenas sua cabeça acima do solo, durante um tempo no qual houve uma terrível tempestade.28

                Por um lado, uma comparação tentadora pode ser traçada entre a ideia de Lugh e Crom Dubh originalmente estando em competição um contra o outro, e o episódio entre Lugh e Bres em Cath Maige Tuired. Crom Dubh é uma memória popular de uma simbologia agora perdida, interpretado e reinterpretado em uma estrutura cristã mais palatável para a época? Pode-se argumentar que o triunfo de Patrício sobre Crom Dubh simplesmente fornece uma nítida história mostrando o triunfo do cristianismo sobre o paganismo, e em tal época de celebração de origem pagã, não é de se admirar que tenha ganhado um foco. Mas então novamente, MacNeill sugere:

                “... o tema dominante de Lughnasa é a luta entre dois deuses, um dos quais, Crom Dubh, é um habitante da colina, dono de um touro e de um celeiro, ele é o portador dos grãos e um cultivador, ele dá festas, é o chefe dos elementos, dono de uma luz maligna, um possuidor e conservador de suas posses. Seu oponente, Lugh... é um recém-chegado, um viajante, hábil, com poderes ou habilidades superiores, capaz de recrutar a ajuda de um gigante, dono de um maravilhoso cavalo, desprovido e doador dos bens dos outros para seus seguidores, ele ganha a carne e os grãos.”29

                A associação de Lugh com Patrício não é assim tão exagerada. Nem a ideia de que Crom Dubh possa ter sido associado com muitos dos deuses dos mitos, dos quais todos foram provedores de uma forma ou de outra – o Dagda, Elcmar, Balor e Cormac, por exemplo.30

                Legalmente, de acordo com o texto jurídico Críth Gablach, supunha-se que Lùnastal era o dia em que o rei dava uma grande assembleia, ou óenach, para sua túath,31 e há menções de feiras sendo realizadas em Crúachain (em Connacht), Carman (em Leinster), Ráith Ua nEchach (do Éogonacht Raithlind), Raigne (de Osraige) e Colmán Lann Ela (dos Uí Cheinnselaig).32 A principal assembleia acontecia em Tailltenn, presidida pelo rei de Tara (ou, pelos Uí Néill), e enquanto presumia-se que fosse comparecida por todos os reis da Irlanda, nunca seria provável que essa tenha sido a realidade – como a ideia de que o rei de Tara era o alto-rei da Irlanda também nunca foi realidade.33

                Há um grande debate sobre quando que a assembleia acontecia – anualmente, a cada três anos, uma vez durante o reinado de um rei, e assim em diante... Enquanto o Glossário de Cormac coloca claramente que se esperava que o rei desse uma assembleia em todo mês de agosto, o poema dos Dindshenchas sobre a feira de Carmun (uma feira realizada possivelmente em algum lugar ao redor de Kildare) menciona que ela acontecia apenas a cada três anos,34 assim como o poema sobre a feira de Laigin também declara.35 Binchy, por sua vez, mostra que de acordo com os anais, as assembleias foram apenas realizadas esporadicamente a partir do final dos anos 900 em diante, apesar das terríveis consequências que supunha-se cair sobre aqueles que não compareciam, e conclui que (nessa altura, pelo menos) a maioria dos reis teriam realizado apenas uma assembleia durante seu reinado, como uma forma de consolidar seu poder político.36 Kelly, por outro lado, sugere que elas eram realizadas anualmente, e apenas sob circunstâncias excepcionais que uma óenach não acontecia até os ataques dos vikings começarem e romper com muito da ordem política da Irlanda.37

                Diz-se que foi Lugh que inaugurou a feira de Tailltenn em honra à sua mãe adotiva, Tailtiu, que era uma rainha dos Fir Bolg38 – a raça que trouxe o conceito de reinado para a Irlanda, de acordo com o Lebor Gabála Érenn. De tal maneira, as assembleias eram uma época para acertar assuntos legais e políticos – quando os alugueis e dívidas eram calculadas, mas também, significantemente, onde os subordinados do rei vinham para formalmente reconhecer sua autoridade39 e provavelmente, faziam-se oferendas para garantir uma boa colheita, tornando a associação com Tailtiu muito apropriada, a partir dessa perspectiva. Sendo a principal assembleia da Irlanda, os reis mais poderosos eram então associados com os ancestrais do próprio reinado.

                No entanto, outras mulheres também apareceram nas lendas registradas de outros lugares onde as assembleias locais eram comumente realizadas. Um tema comum em todas essas lendas é que os lugares eram escolhidos para comemorar a morte de mulheres, normalmente sob trágicas circunstâncias. Enquanto que a mãe adotiva de Lugh, Tailtiu, é o exemplo mais conhecido (ela morreu após seus esforços monumentais em limpar planícies – dando-lhe também uma conexão com a agricultura e com a agricultura pastoral – e assim, talvez esse fato possa ter sido associado de alguma forma com a limpeza e o preparo do lugar pelo povo a favor do rei40), o poema dos Dindshenchas para Carmun também nos diz que a feira era realizada como jogos funerários. E assim:

                “A representação de um monumento funerário em um local da assembleia como um túmulo de um rei pode ser inspirado pelo desejo de uma tardia elite sócio-política para demonstrar o status real e a antiguidade da óenach. Além disso, a associação dos lugares das assembleias com monumentos funerários pré-históricos pode ter sido planejada para tornar explícitos os laços genealógicos entre o ocupante (alegado) de um túmulo e seu sucessor (alegado), o rei atual que hoje preside a óenach. Dessa forma, a legitimidade da óenach e do rei que a preside é promovida pela transmissão da aura mística e imemorial da assembleia e do reinado.”41

                Parece, então, que pode ter existido alusões de algum tipo de conexão ancestral com a escolha do local para as assembleias – seja pela associação direta com um túmulo pré-histórico (e pré-céltico) ou fortificações,42 ou por lendas locais como mostrado nos Dindshenchas de Tailtiu ou Carmun, por exemplo. É fácil apontar para as tradições mais tardias onde as guirlandas feitas por jovens solteiras eram frequentemente penduradas nos cemitérios de igrejas no início de uma dança que normalmente marcava o final do festival: “Ritos em honra aos mortos parece ter marcado o antigo festival de Lammas, de forma que novamente podemos observar a associação dos espíritos ancestrais com a fertilidade da fazenda e da família.”43

                Enquanto que a óenach pode ser definida como uma assembleia – uma assembleia tanto política como social – o termo também se refere a uma reunião.44 Portanto, parece que um dos propósitos ocultos da assembleia era principalmente o rei juntar seu povo a fim de demonstrar e reafirmar a lealdade deles à ele, e Aitchison nota que, legalmente, “...o comparecimento em uma ‘casa de banquetes de ale’ do rei e em uma óenach são classificados juntos,” e que, “...o ato de entrar na casa de um rei constitui um ato simbólico de submissão.”45 Recusar-se a comparecer à assembleia de um rei seria, portanto, um ato de rebelião e desafio, que naturalmente incorreria em sérias consequências, e assim, como os irmãos Rees colocam: “As assembleias... representam tanto um retorno à unidade original como à recriação da ordem.”46

                Nesse aspecto, então, as festividades da ocasião não eram apenas políticas, mas também refletiam simbolicamente a hospitalidade e generosidade do rei; a celebração de uma colheita refletiria seu reinado justo e correto sobre seu povo, e então, justificaria a submissão do povo sob sua autoridade. Não é de surpreender então que a paz era uma condição sagrada da assembleia, como os Dindshenchas de Carmun ilustra:

“1. Cortejo, rigorosa cobrança de dívidas,
Sátiras, brigas, mau comportamento,
Não é permitido durante as corridas [...]:
Fuga com um depósito, nem arresto.”47

                Da mesma forma, o Dindshenchas de Tailtiu ecoa o mesmo princípio:

                “Uma feira sem pecado, sem fraude, sem censura, sem insulto, sem contenção, sem apreensão, sem roubo, sem redenção: Nenhum homem indo para os assentos das mulheres, nenhuma mulher indo para os assentos dos homens, feira brilhante, mas cada em sua condição pelo sua classe em seu lugar na grande Feira. Trégua ininterrupta da feira, durante toda Erin e Alba igualmente, enquanto os homens irem e virem sem qualquer rude hospitalidade. Grãos e leite em todo lugar, paz e tempo bom para sua causa, eram garantidas às tribos pagãs dos gregos pela manutenção da justiça.”48

                Com o encontro de muitas túatha diferentes em assembleias maiores, que pode ter sido organizada pelos reis mais importantes e influentes da região, essas condições apenas davam uma vantagem adicional de garantir pelo menos uma harmonia nominal para as festividades, enquanto que rivalidades inevitáveis entre diferentes grupos eram colocados de lado porcausa das cerimônias. Presumivelmente, todas as apostas acabavam quando a assembleia acabava... No mínimo, os assuntos delicados de dízimas e dívidas, junto com as disputas políticas que seriam mediadas pelo rei, poderiam ser trabalhados sem recorrer à violência para ilustrar o desacordo com o que poderia ser visto como um preço injusto (preço-de-honra ou aluguel) a pagar.

                Por último, as assembleias de Lùnastal não apenas garantia a continuação da ordem e do bem-estar da túath, mas também a renovava.

O festival na Irlanda

                Os relatos tardios do Lùnastal na Irlanda o associam fortemente com o início da colheita e da coleta dos primeiros frutos; de fato, o festival foi tão fortemente associado com tais colheitas, que era considerado impróprio para muitos colher quaisquer grãos ou cavar batatas antes do Lùnastal começar.49

                Uma vez que o início da colheita era o tema primordial do festival, era considerado extremamente infeliz o fato de uma pessoa ficar com fome durante as celebrações. Supunha-se que uma refeição calorosa garantia que o ano vindouro ficasse livre da fome, enquanto que uma festa simples predizia o contrário.50 Em uma época em que as pessoas dependiam do que os campos poderiam fornecer para eles, esta época do ano era considerada tanto alegre como preocupante, caso o verão tivesse sido ruim para as plantações. Apesar dessa alegria associada com o dia, frequentemente pressagiava-se a preocupação de que a colheita não fosse o suficiente para ver a família até a colheita do próximo ano.

                Antes da batata se tornar a comida principal da dieta irlandesa, é provável que os primeiros grãos colhidos dos campos, que eram entãos preparados para uma refeição ou moídos para fazer mingau ou pão, eram usados como o prato celebratório. Danaher nota que nos lugares em que essa prática sobreviveu, supunha-se que as plantações devessem ser colhidas pela manhã e cozidas ou assadas antes do entardecer – bastante parecido com as práticas de colheita encontradas na Escócia.51

                Outras tradições associadas com as colheitas podem ser uma sugestão de práticas mais antigas que foram preservadas – no Condado de Tipperary, a décima parte do primeiro feixe colhido era enterrado na Rocha de Barnane, e em vários lugares, um décimo da colheita era deixado para as fadas. Ao invés das ofertas serem feitas nos campos onde as colheitas em si tinham sido realizadas, elas eram levadas para as montanhas, onde os encontros aconteciam. Isso é porque, como MacNeill sugere: “As montanhas eram o melhor lugar para as ofertas serem feitas caso o deus habitasse nas alturas. Dessa forma, é interessante que as oferendas da décima parte devessem ser feitas não nos campos, mas em uma montanha, pois como sabemos, o topo de uma colina poderia ser alcançado através de várias horas de escalada. Foi concebido que a deidade tinha sua casa na colina – na verdade, dentro da colina.”52

                Ou talvez, mais ao ponto, a colina era a casa de uma deusa, dado o fato de que a planície era geralmente associada com uma deusa local, provavelmente ligada com a soberania do povo daquela área.

                Esses encontros nas colinas caíram em desuso por uma série de razões – não apenas pelos tempos que mudaram, e portanto, suas necessidades (a passagem da dependência de uma economia pastoral, por exemplo, com o aumento da industrialização e urbanização e a mudança de foco fora da vida rural) – mas também o fato de que os aspectos políticos e religiosos começaram a perder o foco, enquanto que os aspectos mais sociais e comerciais aumentaram, assim como a violência. Certamente, a violência foi grandemente registrada por toda a Irlanda e foi a razão comum para os encontros serem banidos.53 Em 1845, o Parliamentary Gazetteer (NT: um jornal irlandês da época) condenou a Feira de Donnybrook em termos inequívocos:

                “Durante a semana, iniciando-se no dia 26 de agosto, é realizada a notória Feira de Donnybrook, declaradamente para a compra de cavalos e gado negro, mas na verdade, é para a devassidão vulgar, e primeiramente para o ultraje criminoso e a mais revoltante devassidão. Foi, por gerações, um perfeito prodígio de horrores morais – uma concentração de desgraça sobre, não apenas a Irlanda, mas também sobre a Europa civilizada. De longe, ultrapassava todas as outras feiras na multidão e vulgaridade de seus repugnantes incidentes do vício; e, no geral, ela exibia tais contínuas cenas de tumulto, derramamento de sangue, devassidão e brutalidade, como somente o gosto mais grosseiro e o coração mais endurecido poderia testemunhar sem dor. Isso era durante o dia; as orgias da noite podem ser mais bem imaginadas do que descritas.”54  

                Dessa forma, até mesmo os aspectos comerciais da feira foram corroídos, e assim, o foco ficou cada vez mais nos primeiros frutos; os aspectos sociais cada vez mais se tornaram preservados pelos jovens, que ainda podiam promover longas caminhadas para os lugares altos onde os encontros tradicionalmente aconteciam, e tinham a oportunidade de cortejar, dançar beber e mostrar muitos feitos de força e habilidades nos jogos e esportes.55

                Mais tarde, com a importância da batata se tornando firmemente estabelecida na tradição, essas foram as principais plantações a serem colhidas e então cozidas, assim como as plantações de grãos tinham sido antes. Elas eram invariavelmente maceradas com manteiga e leite, muitas vezes com bastante alho adicionado (um costume que deu origem a um dos nomes do festival – o Domingo do Alho), e cebolas e repolho picado como extras opcionais (para fazer o colcannon). Dependendo dos costumes da família, as batatas poderiam ser acompanhadas por peixe, frango, ganso ou bacon.56

                Em algumas aldeias, a preparação da festa era realizada por toda a comunidade, como MacNeill mostra em um exemplo do Condado de Mayo:

                “Há muito tempo atrás, o povo do distrito, jovens e velhos, se reuniam na maior casa da aldeia onde uma grande festa acontecia. As batatas novas eram desenterradas pela primeira vez e cada família levava algo para a casa selecionada. Cinco ou seis pessoas começavam a descascar as batatas enquanto alguns outros se ocupavam fazendo colheres de madeira. Essas colheres eram feitas com um pedaço de madeira e moldadas com a forma mais ou menos de uma pequena pá. Quando as batatas eram cozidas, outro grupo de pessoas cortava o alho bem fino e o misturava com o ‘cally’ – as batatas amassadas. Todos então se sentavam e partilhavam uma calorosa refeição.”57

                Adicionalmente, acreditava-se que qualquer um que não participasse seria atingido por uma doença no ano seguinte. Mesmo quando as plantações ainda não eram colhidas, uma porção era tirada para fazer o prato principal da refeição celebratória.58

                Uma ideia similar estava ligada ao banho do gado em charcos, lagos ou rios em algumas partes da Irlanda – como uma fonte de 1682 comenta, “eles acreditam que nenhuma besta viverá por todo o ano seguinte a menos que sejam encharcados dessa forma.” Cento e cinquenta anos mais tarde, outra fonte registra uma prática similar com cavalos,59 que também era praticado em partes da Escócia (veja abaixo). Manteiga feita recentemente era frequentemente atirada na água como uma oferenda para a proteção do suprimento de leite nas vacas para o ano vindouro – apesar do Clad Ime (pedaço de manteiga), como era chamado, não precisasse ser muito grande. Spancels (NT: um instrumento de ordenha) e cabrestos também eram atirados na água (no banho dos cavalos).60

                Nerys Patterson sugere que essa prática tenha algo a ver com o desmame de potros, uma vez que o banho dos cavalos podia fazer com que os potros perdessem o cheio de suas mães, e assim, encorajaria um desmame abrupto. Mais adiante, Patterson sugere que, longe de dar apenas entretenimento, as colinas de cavalo que aconteciam ajudavam a estabelecer o valor dos potros, mostrando a qualidade dos seus pais.61 Tal era a importância dessas corridas que as antigas leis irlandesas especificam uma grande multa contra qualquer um que não devolvia o cavalo para seu dono a tempo de prepará-lo para as corridas.62 As brigas de galo e o bull-baiting (NT: um tipo de “esporte”, onde um touro era amarrado para que dois cachorros fossem soltos até ele) também estavam associados com as feiras, apesar de não parecer que estes tinham as mesmas conexões com a antiguidade como as corridas de cavalo tinham. 63

                Junto com os grãos ou com as batatas, as frutas também eram colhidas. Os costumes tardios incoporaram groselhas (NT: Ribes rubrum), morangos e groselhas (NT: Ribes uva-crispa; parece-me ser uma variação da primeira “groselha”, cujo termo em inglês é currant. Seu nome em inglês é gooseberry) sendo colhidos do jardim, junto com as framboesas que geralmente ainda estavam disponíveis nessa época do ano. O costume mais contínuo, no entanto, era a colheita de mirtilo nas colinas ou bosques próximos,64 e o fato delas serem colhidas do meio selvagem talvez seja significante:

                “O povo, presumimos, faziam as oferendas de grãos nas colinas, e em troca, era fornecido a eles outro tipo de primeiras frutas, os pequenos e escuros mirtilo que cresciam selvagemente nas colinas.”65

                Uma festa de comida e bebida era geralmente feita para aqueles que iam colher as frutas – os jovens mostravam suas habilidades através de jogos e esportes, tais como lançamento de peso e hurling (NT: um jogo irlandês, semelhante ao hóquei), enquanto as jovens faziam guirlandas de flores selvagens; bebedeiras e danças aconteciam junto com as comidas ao entardecer.66 Em algumas partes da Irlanda (como Donegal), as flores eram usadas por todos que subiam para as colinas, e uma vez no topo, as flores eram enterradas em um buraco específico para simbolizar que o verão acabou. Pela época do registro, esses costumes eram claramente preservados pelos jovens e solteiros.67

O festival na Escócia

                O conto de Angus e Bride nos diz que quando Beira estava tentando prolongar o inverno sobre a terra e impedir os dois amantes de se encontrarem, ela pegou emprestado três dias de bom tempo do mês de agosto, trocando por três dias de clima frio e úmido de fevereiro.68 Essa ideia foi preservada no seguinte ditado:

                “Trí láithean de’n Iuchar ‘s an Fhaoileach ‘S tri láithean de’n Fhaoileach ‘s na Iuchar.” [Três dias de Iuchar em Fhaoileach, e três dias de Faoileach em Iuchar.]69

                Adicionalmente, MacNeill nota que o período de Iuchar começava 15 dias antes do Lùnastal, e terminava 15 dias após o festival, o que pode estar relacionado a um esquecido calendário lunar que determinava o início do Lùnastal (como mencionado acima).70

                É evidente de que a igreja fez grandes esforços para derrubar as práticas associadas com o Lùnastal – sentidas como sendo completamente pagãs – e em geral, eles parecem terem tido sucesso, uma vez que pouquíssimas coisas que são especificamente associadas com o festival, mesmo em épocas relativamente modernas, sobreviveram. O que nos restou parece ter sido algo bem localizado e não necessariamente específico ao dia primeiro de agosto, mas ao invés disso, específico à data da colheita. Se olharmos para a prática da Moilean Mhoire que era feita no dia 15 de agosto, a Festa de Santa Maria, desde os primeiros grãos colhidos dos campos e secados ao sol para a debulha e o trituramento, que com os quais o bannock era feito, nós podemos ver a evidência do bonnach Lunastain tendo sido mudado (ou duplicado) para uma importante data do calendário da igreja (ou ainda, permanecendo grosseiramente na mesma época que o Lùnastal tinha sido celebrado antes da mudança do calendário juliano para o gregoriano). De acordo com Carmichael, o bonnach Lunastain era acompanhado por bolos individuais – conhecido como Luinean para os homens, e Luineag para as mulheres.71 No sul da Escócia, MacNeill nota que os bolos de aveia (NT: oatcakes) eram preparados diante do fogo, depois eram esmigalhados em uma panela com manteiga e fazia-se um “tipo de sopa” chamada Butter Brughtins72 – era então, presumivelmente, um bom acompanhamento rico e indigesto para o prato principal, se não fosse tudo misturado e cozidos juntos por um tempo.

                Enquanto que a ênfase dos bannocks do festival não é encontrada na Irlanda, os elementos gerais das celebrações permanecem os mesmos entre os dois países – os aspectos sociais e comerciais, a ênfase nos bens da colheita e assim em diante. É notável, no entanto, que um dos costumes mais consistentes e mais difundidos associados com o festival na Irlanda não parece ter sido enfatizado na Escócia. MacNeill, e em todas as outras fontes que consultei, não menciona a colheita de mirtilo na Escócia como parte das festividades, embora a fruta seja colhida a partir de Julho (quando se tornava disponível, dependendo do clima daquela estação e do local), e nas Terras Altas, o mirtilo era frequentemente servido com leite, feitas em conservas ou tartes, e usados em corantes e remédios (especialmente para a diarreia).73

                De outro modo, parece que assim como na Irlanda, os handfasting – casamentos temporários – eram frequentemente feitos nas feiras de Lammas entre os casais que já viviam juntos por um ano e um dia antes de decidirem ou não formalizar essa união com um casamento cristão ou se separarem.

                “Em 1609, os Estatutos de Icolmkill [Iona] anunciou a abolição dos casamentos de handfasting nas Terras Altas, em um esforço de juntar toda a Escócia sob o controle do Parlamento escocês. O costume foi eventualmente apagado com pouco mais de uma pequena ajuda da igreja, ainda que os handfastings fossem mais comuns devido à escassez do clero nas comunidades rurais.”74  

                Na Irlanda, os casamentos eram contratados até o Bealltainn seguinte, no entanto (veja acima).

                Enquanto que as feiras de Lammas e os encontros nos topos das colinas em si parecem ter desaparecido bastante cedo e eram grandemente condenadas pela igreja por promover comportamentos imorais, as condenações nos dão um vislumbre de onde que os encontros aconteciam. O Ministro de Ruthven escreveu sobre um encontro em uma capela e em um poço na paróquia de Dipple, em 1656, e em 1634, o Sínodo de Elgin, “observou o Sínodo onde tinham acontecido quatro diversos sabás onde muitas das pessoas do presbitério, especialmente das paróquias de Aberlour e Inveravon, se reuniam em um poço em Kilmaihly chamado Tapper Donigh, onde não havia nada além do abuso e da profanação do sabá.”75

                Assim como nos outros Dias Trimestrais, resquícios de fogueiras sendo acesas para marcar o dia podiam ser vistas, com a menção do ‘Tannel’, sendo aceso em algumas partes da Escócia. Os preparos para o Tannel eram feitos com antecedência, com os garotos indo ao redor da paróquia com chifres, flautas e danças a fim de conseguir doações de combustível dos membros da paróquia para a fogueira.76

                Um dos únicos encontros certeiros no topo das colinas registrado, de acordo com MacNeill, era realizado em Midlothian, e incluía um dos mais peculiares costumes associados com o dia. Escrevendo em 1792 sobre um costume praticado a apenas seis milhas a oeste de Edimburgo mais de 30 anos antes disso, James Anderson dá um relato do que acontecia a fim de preservá-lo para a posterioridade: Aqui, os bandos passariam semanas se preparando para o festival, construindo grandes torres (conhecidas como torres de Lammas) em locais de encontro perto do centro do distrito. As facções opostas se concentravam em construir suas torres, começando com um mês de antecedência, mas só realmente terminando alguns dias antes da festa. As torres eram feitas de pedras e torrões de terra, e podiam alcançar oito pés de altura – as vezes mais – antes do dia, onde eram decoradas com uma bandeira colocada em seu topo, feita com um pano de mesa decorado com fitas.

                Uma vez que as facções rivais às vezes tentariam sabotar as torres de seus rivais, grande cuidado era tomado para proteger a torre assim que sua construção começasse; a destruição da torre era considerada ser uma grande vergonha e desgraça para o distrito. Em Lùnastal, os bandos do distrito se reuniam em uma torre, e após um café da manhã de pão e queijo, as fações rivais marchariam uma contra a outra (assumindo que o grupo não fosse surpreendido pelos seus rivais no meio do café da manhã...). Eram tocados chifres e flautas, e cores voavam conforme os bandos marchavam, conduzidos por um capitão. Ao se encontrarem, ambos os lados pediriam para o outro abaixar suas cores. A menos que um lado estivesse claramente em menor número, isso normalmente terminava com ambos os lados recusando-se e começando a golpear. Os perdedores marchariam por um tempo atrás dos vitoriosos, e então os dois grupos se separavam e marchariam para a cidade ou para a aldeia principal.

                Ao meio dia, se nenhum ataque parecesse provável, o grupo então abaixariam suas cores e iriam para a cidade ou aldeia mais próxima, onde todos se encontravam para vê-los e jogos aconteciam. Eram feitas corridas com prêmios – fitas, ligas ou uma faca – e eventualmente, tudo terminava antes do crepúsculo.77

                Outra feira no topo da colina é encontrada na Ilha de Mull, que atraía pessoas de todas as Ilhas Ocidentais, das Terras Baixas e até mesmo da Irlanda. A feira durava uma semana e as pessoas acampavam na colina, “onde aventuras engraçadas frequentemente aconteciam.”78

                O Lùnastal geralmente marcava a época na qual o gado era trazido de seus pastos de verão na Escócia, e isso era a causa de uma grande celebração. As mães faziam pequenos queijos para seus filhos – provavelmente um queijo do tipo crowdie com adição de algaravias (como era frequentemente adicionado aos queijos e pães de aveia para ocasiões festivas), então, era um queijo que não duraria muito tempo – pois se supunha que trazia boa sorte. Junto com o queijo (o crowdie feito recentemente, ou em algumas partes, era o queijo guardado desde o Bealltainn), manteiga também era batida para a festa ao entardecer.79  

                Em Inverkeithing, John Simson nos conta que no século XIX, os bandos de meninos se preparavam para o festival deixando um campo de lado por um bom tempo de antecedência, onde as vacas eram então permitidas a pastar na manhã do festival. O campo era chamado de “pedaço de Lammas”, e a abundância de grama significava que as vacas podiam comer mais grama em uma manhã do que normalmente faziam em um dia inteiro.80 Sem dúvidas, isso garantiria um leite extra, e ajudaria a garantir que o trimestre começasse com uma boa abundância de laticínios, que era visto como um bom sinal.

                Os pescadores de Orkney e Shetland se juntavam para celebrar a época de pesca (NT: o termo original é White-fishing, que denota a pesca dos ditos “peixes brancos”, ou White-fish, que são aqueles que vivem próximos ou no solo marinho, como as sardinhas, o eglefim e o badejo) também, antes do trabalho da colheita começar. Assim, uma grande festa – a Festa de Lammas – marcava o foco das festividades, e MacNeill lista scones, bolos de aveia, burstin bronies, manteiga, ovos, presunto defumado e vivda (carne sem sal e secas ao vento), junto com os kroogs alemães como os tipos de comida oferecidas.

                Após as comidas, vinha a bebedeira, a adivinhação feita pela spaewife (NT: uma adivinha, o termo vem de origem nórdica), com brindes sendo feitos para a boa saúde, músicas eram cantadas e enigmas eram feitas por todos presentes. MacNeill nota que um dos brindes era comumente feito tanto pela colheita dos campos como pela colheita do mar, com a bênção: “Gude haad His hand ower da corn, an' open da mooth ‘of da gray fish!” (NT: aparentemente, “Deus coloca sua mão sobre o grão, e abre a boca do peixe cinza!”)81 Dado ao fato de ser um dia trimestral, no entanto, e os trows (NT: uma criatura perversa do folclore de Orkeny e Shetland, provavelmente de origem nórdica) estarem mais atentos nessa época, as danças eram evitadas para não atrair a atenção indesejada.82

                Não é de surpreender que, como um Dia Trimestral, os ritos de purificação (NT: saining) eram grandemente feitos no Lùnastal. Existia a proibição comum em dar ou emprestar qualquer coisa da casa no dia,83 e na véspera, o gado era protegido ao terem suas orelhas e caudas pintados com alcatrão, e uma lã vermelha ou azul era entrelaçados em suas caudas. Encantamentos eram ditos em suas tetas para proteger seu leite, e uma bola de seus pelos (conhecido em gaélico como rolag) era colocado na teta na manhã seguinte – ou mesmo na quinta-feira seguinte – e F. Marian McNeill menciona que pelo menos em um caso: “um homem chamado MacSymon, um nativo de Tiree, costumava dar para todos que iam até ele um saquinho de plantas, costurado, para ser deixado perto do jarro de creme durante o ano seguinte.”84 Adicionalmente, uma chama era usada para rodear os recipientes (crogain) que guardavam a manteiga e o leite, a fim de purificá-los para o trimestre seguinte.85

                As casas e vacarias também eram purificadas com o sop seille – “o feixe de saliva” – um pedaço de palha mergulhada em água que tivesse sido cuspida (ou que tivesse sido transferida do poço para o recipiente através da boca), ou ainda, que tivesse tido contato com prata ou ouro.86

                Parece que os cavalos também eram purificados, através da imersão em água – uma prática também encontrada em partes da Irlanda, como já vimos. John Dalyell escreve: “Em julho de 1647, a sessão da igreja de São Cuthberts resolveu em notificações públicas, ‘que non gae to Leith on lamb-mes-day, nem levar seus cavalos para serem lavados no mar aquele dia’.”87

                Esses ritos de água não eram limitados apenas aos animais, como muitos poços e lagos associados com propriedades de cura – especialmente para a demência – que eram visitados nessa época atestam. A prática de visitar a ilha em Loch Maree já foi mencionada em outros lugares, e apesar de a visita ser feita mais tarde no mês, no dia 25 de agosto, as associações com o Lùnastal parece ser inequívoca. Isso é reforçado pelo fato de que os ritos associados com a visita à ilha envolvia a morte de um touro, seguido por uma volta na direção do sol ao redor da capela.88 A morte do touro é reminiscente do sacrifício de um touro, encontrado em algumas lendas irlandesas associadas com Crom Dubh, como notado acima.

                O Poço de São Fillan, em Strathfillan, e outro poço dedicado ao mesmo santo em Dunfillan, eram visitados no dia primeiro de agosto, com o propósito de se curar a demência. O poço em Dunfillan fica situado na base da colina, com uma rocha situada em seu topo, conhecida como a Cadeira de São Fillan, que podia curar o reumatismo. Essa situação montanhosa pode ser significante, pois certamente é um resquício das assembleias nas bases das colinas na Irlanda, e com aqueles resquícios encontrados na Escócia.89 O poço era visitado também no Bealltainn, e:

                “Aqueles que buscavam a saúde caminhavam ou eram carregados três vezes ao redor da fonte, do leste a oeste, seguindo o curso do sol. A próxima parte do ritual consistia no uso da água para a bebida e lavagem, em atirar uma pedra branca no cairn do santo, próximo à fonte, e em deixar um pedaço de pano como uma oferenda antes de ir embora. Em 1791, não menos que setenta pessoas visitaram o lugar nas datas mencionadas [primeiro de maio e primeiro de agosto].”90

                As águas de Loch Manaar, em Sutherland, também eram consideradas ser bem potentes e frequentemente eram visitadas em uma segunda-feira após os Dias Trimestrais devido as suas propriedades de cura, com os climas mais quentes de Bealltainn e Lùnastal atraindo a maioria dos visitantes. Aqui, o paciente era levado até o meio do lago por um barco, ao pôr do sol, após ter sido amarrado e deixado um pouco faminto durante um dia, em preparo. Eles eram mergulhados no lago, e então, roupas secas eram dadas para eles se trocarem, e depois, o paciente era levado para casa.91

Sumário

                Um antigo nome de Lùnastal, dado por Emer no conto O Cortejo de Emer, é Brón Trogain, que é glosado como “a tristeza da terra no outono”.92 Não está claro o porquê da terra estar triste, mas uma tríade no século IX pode oferecer uma pista:

                “Trí bróin ata ferr fáilti: brón tréoit oc ithe messa, brón guirt apaig, brón feda fo mess.” [Três tristezas que são melhores que a alegria: a tristeza de uma manada de porcos comendo bolotas, a tristeza de um campo colhido, a tristeza de uma árvore com frutos.]93

                Kelly sugere que a tristeza nessa tríade é a impressão dada pelos grãos curvados sobre os campos, pesados e maduros para a colheita, e pelas árvores e arbustos que ficam curvados quando estão pesados com frutas maduras.94 A partir da análise de ossos de porcos encontrados em um contexto ritualístico da Idade do Ferro, sabemos que através da sua idade na época em que foram abatidos, é provável que eles tenham sido mortos em uma época que pode coincidir com o Lùnastal,95 embora o mais provável seja o foco de engordá-los para o Samhainn, e também, a carne de porco continuou a ser um prato central nas celebrações festivais, de acordo com as antigas fontes irlandesas.96 A triste imagem das colheitas e das árvores, e a iminente morte dos porcos, então, ecoava a alegria das celebrações e a expectativa de abundância que viria com a colheita, seguido por uma paisagem sombria e gelada de inverno quando a maior parte do gado não teria mais leite.

                Outra tríade do século IX nos conta:

                “Trí bairr for Érin: bar dés 7 barr scoth 7 barr mesa.” [Três abundâncias na Irlanda: uma abundância de feixes de grãos, uma abundância de flores e uma abundância de frutas.]97

                Todos esses três elementos foram vistos sendo celebrados nos resquícios das festividades do Lùnastal – mais na Irlanda do que na Escócia, apesar de presumivelmente ser porcausa da força dos fatos que sobreviveram na Irlanda comparada ao seu relativo escocês. As flores eram usadas para a decoração ou oferendas, as frutas e vegetais eram colhidos ou desenterrados e forneciam os pratos principais da festa celebratória, junto com mingau, pão ou bannocks que eram feitos dos grãos secos e colhidos recentemente.

                Originalmente, as celebrações eram parte de uma assembleia legalmente sancionada organizada pelo rei e comparecida pelos seus subordinados. Assuntos jurídicos e políticos eram discutidos sob os auspícios de uma sagrada paz, os ancestrais eram comemorados de alguma forma e a colheita era celebrada. Os jogos e corridas aconteciam, e as feiras davam a oportunidade dos vendedores oferecerem suas mercadorias. Os contos e ritos envolvendo o sacrifício (e às vezes, sua subsequente ressureição) de um touro tanto na Irlanda como na Escócia, sugere que isso era feito como parte do rito religioso original da ocasião. Subjacente a tudo isso estava uma afirmação – ou uma reafirmação – da autoridade do rei. Simbolicamente, seu poder era reforçado através da assembleia, uma vez que a paz, a justiça, a generosidade e uma boa colheita para o povo era um sinal do reinado justo e correto do rei.98

                Com a chegada do cristianismo (e depois, os vikings) impulsionando a mudança social, cultura e religiosa, as assembleias foram desaparecendo e seu foco político se perdeu. Ao invés disso, o foco dos encontros se tornou (principalmente) comercial e social, mas depois, até mesmo a maior parte desses focos foi abandonada. Até mesmo sem os encontros nos topos das colinas ou na beira de um lago, outras tradições ainda sobreviveram. O que um dia tinha sido uma questão para a comunidade, se tornou em algo focado na fazenda e no lar – desde o foco no rei e na renovação das promessas de fidelidade a ele, com os subjacentes temas religiosos, o festival se tornou uma feira comercial para a comunidade e para chamar clientes, e depois disso, o foco se tornou a colheita de cada indivíduo. Assim como muitos festivais, muitos dos costumes permaneceram com os jovens, mesmo que um pouco afastados de sua origem.

                Finalmente, como MacNeill escreve tão poeticamente (e dada à sua contribuição para o assunto, é bem apropriado terminar o texto com ela):

                “Geração após geração, o povo de nosso país se encontravam uma vez por ano nesse festival nas colinas, faziam as habituais rondas, colhiam mirtilos e flores selvagens, dançavam e se apaixonavam, competiam e lutavam, competiam em testes de força e agilidade, juntavam-se às lutas de rotina, se encontravam com velhos amigos e trocavam novidades, ouviam antigas histórias de seus anciões e entendiam ainda mais as paisagens. Eles realizaram os costumes, até finalmente se tornarem seus registradores.”99



Referências

1. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p459; Jaski, Early Irish Kingship and Succession, 2000, p50-51.
2. Patterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p142.
3. Evans, Irish Folk Ways, 1957, p255.
4. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p288-289.
5. Patterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p138.
6. Patterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p145.
7. Patterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p145.
8. Fishwick, The Imperial Cult in the Latin West: Studies in the Ruler Cult of the Western Provinces of the Roman Empire, 1987, Vol 1.1, pp97-103; MacNeill, 1962, p418-419; Venceslas Kruta, ‘Celtic Religion’ in Moscati, The Celts, 1991, p502-503.
9. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p1.
10. Kinsella, The Tàin, 1969, p27.
11. Danaher, The Year In Ireland, 1972, p166; Paterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p143; MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962.
12. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p166.
13. MacNeiil, The Festival of Lughnasa, 1962, p22.
14. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p16.
15. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p16; p419.
16. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p419.
17. “Lugnasad .i. násad Loga maic Ethlend .i. aonach nofertha lais im thatite foghmair in gach bliadhain im thoidecht Lugnasad. Cluiche nó aonach, is do’ is ainm násad.” MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p3.
18. Ver Cath Maige Tuired, traduzido por Elizabeth Gray. Talvez seja significativo o fato de que a aparição dos Fomoire no mito irlandês, de acordo com o Lebor Gabala Erren, coincida com a introdução da agricultura na Irlanda, e mitologicamente, dessa forma, os próprios Fomoire podem ser vistos como os sinais do desprazer da terra com os seus habitantes que tentam ‘domá-la’. É apenas quando Lugh ganha a informação vital de Bres da melhor época para arar, semear e colher, e os Fomorianos sendo subsequentemente derrotados, é que eles desaparecem do Ciclo Mitológico. Talvez também seja significativo que os Tuatha De Danann, quando os Filhos de Mil chegaram, que eles inicialmente assumiam similarmente um papel combativo e tentavam expulsar os milesianos fazendo com que suas colheitas e leite falhassem, forçando os milesianos e entrarem em um acordo para que a Irlanda fosse dividida em duas partes – os Tuatha De Danann assumindo tudo o que tinha debaixo da terra (notavelmente, onde as colheitas vinham...) e os milesianos, tudo sobre a terra.
19. Patterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p141.
20. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p28; p409.
21. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p28.
22. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p415.
23. “As lendas folclóricas da origem do festival falam amplamente de um touro que pertencia à um pagão e que, em algumas lendas, era o poder pagão por si mesmo. No último capítulo, foi sugerido que a lenda do touro ressuscitado pode ter sido derivada do costume de sacrificar um touro no festival, com possivelmente uma procissão de uma efígie do touro posteriormente, ou a substituição de um jovem touro para tomar o lugar do touro morto. O importante nessa conexão é o fato de que em três locais principais do real cenário da lenda do touro não ser no topo de uma colina, mas em sua base – por exemplo, Aghagower...” MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p423.
24. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p28.
25. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p409-410.
26. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p410.
27. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p421.
28. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p394.
29. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p416.
30. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p416.
31. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p458.
32. Jaski, Early Irish Kingship and Succession, 2000, p53.
33. Ver Binchy, ‘The Fair of Tailtiu and the Feast of Tara’.
34. Kelly, Early Irish Farming, p459.
35. Binchy, ‘The Fair of Tailtiu and the Feast of Tara,’ p125.
36. Binchy, ‘The Fair of Tailtiu and the Feast of Tara,’ p125.
37. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p458.
38. Teltown.
39. Ver Aitchison, Armagh and the Royal Centres in Early Medieval Ireland: Monuments, Cosmology and the Past, 1994, p62ff.
40. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p458.
41. Sim, o livro inteiro se lê dessa forma (apenas no caso de você estar se perguntando). Aitchison, Armagh and the Royal Centres in Early Medieval Ireland: Monuments, Cosmology and the Past, 1994, p141.
42. Binchy, ‘The Fair of Tailtiu and the Feast of Tara’, p124.
43. Evans, Irish Folk Ways, 1957, p276.
44. Aitchison, Armagh and the Royal Centres in Early Medieval Ireland: Monuments, Cosmology and the Past, 1994, p62.
45. Aitchison, Armagh and the Royal Centres in Early Medieval Ireland: Monuments, Cosmology and the Past, 1994, p64.
46. Rees and Rees, Celtic Heritage, 1961, p143.
47. Carmun.
48. Tailtiu.
49. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p167.
50. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p56.
51. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p167.
52. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p421.
53. Evans, Irish Folk Ways, 1957, p254.
54. Evans, Irish Folk Ways, 1957, p255-256.
55. Evans, Irish Folk Ways, 1957, p257.
56. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p53; p55.
57. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p58.
58. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p167.
59. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p243-244.
60. Evans, Irish Folk Ways, 1957, p275; Wood-Martin, Traces of the Elder Faiths in Ireland, Volume I, 1902, p282; Danaher, The Year in Ireland, 1972, pp142-143.
61. Patterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p144.
62. Patterson, Cattle Lords and Clansmen, 1994, p142.
63. Evans, Irish Folk Ways, 1957, p262.
64. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p168.
65. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p421.
66. Danaher, The Year in Ireland, 1972, p169.
67. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p143.
68. MacKenzie, Wonder Tales from Scottish Myth and Legend.
69. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p357.
70. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p16.
71. Carmichael, Carmina Gadelica Volume I, 1900, p211.
72. McNeill, The Scots Kitchen, 1929, p205.
73. Lightfoot, Flora Scotica, 1777, p201.
74. Bennett, Scottish Customs from the Cradle to the Grave, 1992, p108.
75. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p357.
76. McNeill, The Silver Bough, Volume 2, 1959, p98.
77. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p369-372; MacInlay, Folklore of Scottish Lochs and Springs, 1893, p307-308.
78. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p675. Isso é dado como um adendo à seção das práticas escocesas no livro, onde ela alega que as torres de Lammas em Midlothian são o único exemplo conhecido de um encontro no topo da colina registrado.
79. McNeill, The Silver Bough Volume II, 1959, p98.
80. Simson, Reminiscences of childhood at Inverkeithing, or Life at a lazaretto, 1882.
81. Em outras palavras: “Deus tem sua mão sobre o grão, e abriu a boca do peixe cinza!”, MacNeill The Festival of Lughnasa, 1962, p363.
82. McNeill, The Silver Bough Volume II, 1959, p97.
83. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p356.
84. McNeill, The Silver Bough Volume II, 1959, p97-98.
85. Black, The Gaelic Otherworld, 2000, p557.
86. Black, The Gaelic Otherworld, 2000, p137; p392.
87. Dalyell, The Darker Superstitions of Scotland, 1834, p88. Ver também MacInlay, Folklore of Scottish Lochs and Springs, 1893, p7; McNeill, The Silver Bough Volume II, 1959, p101.
88. Beith, Healing Threads, 1995, p87.
89. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p368.
90. MacInlay, Folklore of Scottish Lochs and Springs, 1893, p81-82.
91. MacInlay, Folklore of Scottish Lochs and Springs, 1893, p250.
92. Kinsella, The Táin, 1969, p27; Hutton, The Pagan Religions of the Ancient British Isles: Their Nature and Legacy, 1991, p176.
93. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p237.
94. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p237.
95. Cunliffe, The Ancient Celts, 1997, p197.
96. “Porcos eram às vezes mortos quando bebês (comlachtaid) para o consumo imediato. Mais comumente, no entanto, eles eram bem engordados antes do abate. Assim, a lupait – aparentemente, uma porca de seis a oito meses – é dita ser regularmente morta em Martinmass, no dia 11 de novembro. O porquinho é definido em um glossário jurídico antigo como banb samna, “jovem porco de novembro”.” Kelly, Early Irish Farming, 1997, p85.
97. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p237.
98. Kelly, Early Irish Farming, 1997, p460.
99. MacNeill, The Festival of Lughnasa, 1962, p428.


Nenhum comentário:

Postar um comentário