quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Divindade e Crenças

Vou falar sobre 'Divindade e Crenças' dos 30 dias druidícos fazendo uma análise do mito 'A Chegada de Aengus e Bride', que você pode ver traduzido clicando aqui . É recomendado ler a história antes de ler esse post. Valendo a pena lembrar, que o que vou dizer aqui é pura GPN, baseado em minhas intuições, e em momento algum, você deve levar isso como uma verdade universal, pois o que funciona para mim, pode não funcionar para muitos.

Começando o texto, a história fala que a rainha Beira mantêm por todo o inverno em cativeiro em seu castelo na montanha uma linda princesa chamada 'Bríde'. Uma análise logo "de cara" seria uma coisa bem óbvia: a rainha do inverno prendendo os poderes da primavera (Bride) para que a primavera chegue tarde (ou nunca) e que ela possa reinar para sempre, ou por mais tempo. A lã marrom que Beira deu para Bride lavar é uma representação da terra seca de inverno, "e lave até ficar branco, disse Beira" , para limpar a terra até que ela fique boa novamente para o plantio, pois a primavera antes de tudo, era o momento do plantio das sementes para uma boa colheita no Lunasá. Bride não consegue limpar ainda a lã marrom, pois ainda sua hora não chegou, e a cachoeira da pedra vermelha pode ser uma alusão clara ao sol vermelho da manhã.

Depois disso, enquanto Bríde está lavando o pano, surge para ela o 'Pai Inverno', a verdadeira personificação do inverno, que consegue limpar a lã com três batidas no pano, e indica a Bride que seu reinado logo logo vai começar, e lhe dá três campanulas e diz à ela para avisar à Beira que elas vieram do prado de abeto e que as flores já estão começando a florescer novamente, mas uma prova, que o reinado da rainha Beira finalmente está acabando. O Pai Inverno aqui se apresente gentil e solidário, ao contrário da rainha Beira que é cruel e terrível, e isso acontece pois tudo na natureza tem duas polaridades: o fogo que aquece sua comida, pode também incendiar tua casa. E assim como toda a natureza, o inverno também teria suas polaridades: o pai inverno representando "a parte gentil" e Beira "a parte terrível". O pai Inverno só apareceria quando o reinado da Rainha Beira estivesse próximo do fim.

Nesse tempo, nas terras da juventude, Aengus sonha com a linda princesa Bride e parte a procura dela (como na história, 'O Sonho de Oengus'). Aengus parte para o Leste da Escócia, fazendo aqui, uma alusão clara do nascer do Sol, Aengus sendo a personificação do mesmo. "Ele estava vem vestes de ouro brilhante, e em seus ombros estava pendurado uma capa vermelha que o vento levantava e espalhava reluzente e em esplendor pelo céu". A capa vermelha representando o céu da alvorada, quando o Sol nasce e pinta o céu com tons de vermelho e rosa. Um bardo olha para o Leste e vê o Sol (Oengus) nascer, cantando uma poesia para ele.

Temos aqui então, 4 figuras centrais da história. Beira, o lado temível e cruel do Inverno, Bríde a rainha da primavera, Aengus, o Sol e Pai Inverno, o lado gentil do inverno, quando o mesmo está perto do fim. Logo, podemos observar que diferentes de algumas outras mitologias, nossos deuses não são deuses de, nossos deuses são as próprias coisas. Logo, Bríde não é a deusa da primavera, e sim A PRIMAVERA. Beira não é a deusa do inverno, ela é o INVERNO, assim como Oengus é a própria personificação do Sol. O mito em si relata a disputa entre o Sol contra o Inverno, e apesar de vermos rivalidade entre Oengus e Beira, temos que observar que ele é filho dela, logo o Sol é o filho do Inverno, similar na Wicca onde a Deusa do Inverno dá à luz ao Jovem Sol, ou como no mito de Eithne e Lugh: Eithne representando o inverno,a noite, o gelo, e Lugh, o Sol, apesar dele ser associado mais ao Sol de Agosto, junto com as tempestades.  A história prossegue com a disputa entre Cailleach e Aengus, e ela expulsando-o muitas vezes para as Ilhas do Oeste com seus ventos terríveis, até Cailleach ficar cansada e partir para as Ilhas do Oeste de onde bebe das águas do Poço da Juventude e fica jovem novamente. Aengus e Bríde, o Sol e a Primavera triunfam sobre o Inverno, e Cailleach adormece até o Outrono (ou fica jovem) até o Outono, e no fim do mesmo, aprisiona Bríde novamente em seu castelo, impedindo que as forças primaveris saiam. E assim, o ciclo é infinito, ele não acaba, como é na própria Natureza.
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Abençoados sejam e demos agora às boas vindas à Rainha Bride.

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