quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Espaços Sagrados

Vou citar aqui nesse post alguns locais sagrados da Irlanda. Mas o que fazem esses locais sagrados? O que os "separa" do "mundo profano"? Os Celtas viam toda a Natureza sendo sagrada, não fazendo distinção entre o sagrado e o "não-sagrado". Hoje em dia, precisamos olhar a nossa volta e lembrar desse antigo conhecimento, e aprender a não jogar lixo nas ruas, não poluir rios, e outras coisas. Se as pessoas percebessem o rio como sendo a própria divindade, eles não os poluiriam. Se as pessoas reconhecessem a Terra como sua mãe, eles não jogariam lixo nela. Você sujaria a sua mãe? Um local passa a se tornar sagrado quando os reconhecemos como sagrados.

O Brugh na Boinne

"2. Veja o monte fada diante de seus olhos:
É a planície para você ver, é a habitação de um rei,
Foi construído pelo rústico Dagda:
Foi um abrigo, foi um forte famoso pela força."

O Brugh na Boinne, conhecido por muitos, é o Palácio de Fadas do Deus Oengus. Há muitas histórias sobre como esse monte foi tomado. Três versões, no total. A primeira verão está no mito 'O Cortejo de Étain', onde primeiramente pertencia à Elcmar, e então, o Dagda pega para Oengus pela estratégia de 'dia e noite'. A segunda versão está no 'A Tomada do Monte Fada', onde Oengus pega o Brugh de seu pai, o Dagda, pela mesma estratégia. Na terçeira versão, contada no mito 'A Nutrição da Casa das Duas Taças de Leite', Oengus com a ajuda de Manannan, toma o Brugh de seu pai de cria, Elcmar, pela mesma estratégia de 'um dia e uma noite'. Muitas histórias, muitos segredos, muitos mistérios se escondem nesse lugar, como a iluminação de suas câmaras pelo sol no dia do Solstício de Inverno, outra clara ligação com o deus Oengus. Acredita-se, ainda hoje, que Oengus ainda está dentro dessas partes, com seu séquito de fadas comendo porcos que se regeneram no dia seguinte e bebendo a cerveja de Goibniu.

Temair (Tara)

Foram tantas coisas que já aconteceram nesse local, que seria quase impossível listar todas elas! Para percebermos a sacralidade deste lugar, vemos até que os Dindsenchas reserva 5 poemas para Tara. A origem de seu nome é incerta, com muitas especulações, sendo a mais aceita, 'Muralha (Plataforma) de Tea', uma das esposas de Erimon. No início, o lugar onde hoje é conhecido como Tara, era uma grande floresta de aveleiras, até ser cortada por Liath, e daí foi conhecida como Druim Liath. No tempo dos Tuatha Dé Danann, era chamada de Cathair Crofhind, em honra à Chrofind, a Casta, filha de Allod. Muitos eventos mitológicos (e reais) já aconteceram aqui, como a luta de Fionn e Allen, que aterrorizava Tara todo Samhain com suas chamas até Fionn o derrotar. Quando os filhos de Míl chegam na Irlanda, Tara é o primeiro lugar onde vão, para encontrar com os três reis da época, Mac Cuill, Mac Cecht e Mac Gréine. Muitas são as histórias que já aconteceram nesse local, e o sítio em sí também tem vários outros "locais", como o Rath Gráinne, a tumba da princesa Grainne, o Monte dos Reféns, entre muitos outros. Tara também era palco dos grandes festivais de fogo, em especial o Samhain, e também, local para muitos banquetes, como o contado na história 'A Divisão das Terras de Tara.' Hoje em dia, Tara está em perigo, sendo ameaçada. Querem construir uma rodovia destruindo Tara. Clique aqui para salvar Tara!

O Rio Boyne

Existia um poço, o Poço de Segais que era protegido por Nechtan e seus três irmãos, Luam, Lám e Flesc. Nechtan tinha advertido à sua esposa Boann os poderes do poço, e mesmo assim, ela vai até lá dizendo que "nada pode destruir sua forma". A deusa das águas gira três vezes em wildernish ao redor da poderosa fonte, e de lá surge três ondas de água que destroem sua perna, seu olho e sua mão (em outros relatos, ela é morta). Tentando fugir daquele perigo, Boann corre todo o percuso, onde hoje o rio corre, tentanto escapar das águas poderosas daquele poço. Nessa disputa, sua cachorra de colo, Dabilla também é ferida, e dá origem ao Cnoc Dabilla. Por fim, Boann cansada, não consegue vencer o rio, e acaba se afogando. E assim foi a origem do rio Boyne.

E esses foram apenas três das centenas de locais que eram considerados pelos irlandeses. Lugares com muitas histórias, palco de muitos eventos, e é claro, locais de muita magia.  




 

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