sábado, 28 de janeiro de 2012

Brigit, deusa dos Tuatha Dé Danann

Extraído de www.brigitsforge.co.uk e traduzido por mim. Todos os direitos reservados à autora.
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Bright, a Deusa dos Tuatha De Danaan
Parar aprender sobre Bright como uma deusa irlandesa, nós precisamos voltar aos textos escritos na Irlanda Cristã. Provavelmente, a primeira menção de Brigit como deusa está no Glossário de Cormac escrito no século IX – um glossário de deuses, deusas, práticas e folclore recolhidos de escrituras e fontes orais. Cormac diz:
“Brigit, isto é, uma poetisa, filha do Dagda. Brigit é a sábia, ou mulher da sabedoria, isto é, Brigit a deusa que os poetas adoram, pois muito grande e muito famosa é sua proteção. É por isso que eles a chamam de deusa dos poetas, pelo seu nome. Suas irmãs eram Brigit, a médica (mulher das artes médicas), Brigit a ferreira (mulher do trabalho de ferraria), desses nomes com todos os irlandeses, uma deusa é chamada de Brigit.”
Uma versão desse glossário também dá uma etimologia para Brigit: “Brigit, então, breo-aigit, breo-shaigit, “uma flecha de fogo”. Estudiosos modernos também mostram que isso é uma etimologia falsa ou folclórica, o nome Brigit na realidade vem do antigo Celta *brigante que por sua vez se deriva do Indo-Europeu *bhrghnti. O Sânscrito tem um cognato exato *brhati que significa ‘a exaltada’. No entanto, a etimologia folclórica – a associação das palavras que soam iguais, e a explicação dos nomes por esse método – faz conexões que não encontram nada associado com poesia e essas conexões algumas vezes se discernem de camadas mais profundas de verdade. De muitas maneiras, “flecha de fogo” é um nome apropriado para Brigit, uma vez que em uma imagem, convém a ideia de uma chama brilhante que é associado com ela, junto com o sentido de sua direção, sua habilidade de ir direto ao ponto e a força de sua energia, onde muitos que trabalham com ela hoje em dia podem reconhecer. Os raios do sol podem também serem descritos como flechas de fogo.

Esse, então, é um dos primeiros vislumbres que temos da deusa Brigit, filha do Dagda, o bom deus, ás vezes, o deus pai dos Tuatha De Danaan. Ela é vista aqui primeiramente como uma deusa tripla, de poesia, ferraria e cura (não como donzela, mãe e anciã), e as três muitas vezes se apresentava para Cormac como Brigid, ou o nome Brigit é na verdade um título, e não um nome por si só. É interessante observar que o que é enfatizado aqui, nessas poucas linhas escritas a milhares de anos atrás, é o quanto ela era amada devido a seu cuidado muito grande – já temos aqui uma imagem de uma deusa que é envolvida ativamente com a humanidade, que é tão carinhoso que ela invoca muito amor.
Outra referência à ela como uma deusa, está no Livro das Invasões da Irlanda do século XII, que dá uma história mitológica da Irlanda. O Livro diz:
“Brigit a poetisa, filha do Dagda, tinha Fe e Men, dois bois reais, de onde Femen é nomeada. Ela tinha Triath, rei de seus javalis, de onde Treithirne é nomeado. Com eles estavam, e ouvimos, os três gritos demoníacos depois da rapinagem na Irlanda, sibilo, choro e lamentação. Ela tinha Cirb, rei dos carneiros, de onde Mag Cirb é nomeado.”
O interessante é que aqui ela é associada com a realeza – ela tinha dois bois reais, um rei de javalis e um rei carneiros. O rei de seus javalis, Triath, é o Twrch Trwyth (uma vez que os nomes são cognatos) que aparece na história de Culwch e Olwen no Mabinogion. O Twrch Trwyth é o javali da Irlanda que Culwch e seus companheiros caçam. Eles tinham que pegar dele um pente e uma tesoura para para desembaraçar a barba do gigante Ysbaddaden, pai de Olwen, que Culwuch deseja se casar. O Twrch Trwyth é o filho do governador Taredd, um rei que foi transformado em um javali por Deus, devido a seus pecados.
O javali é um animal apropriado para Brigid, uma vez que na tradição Celta, ele simboliza agressão que é necessário para os guerreiros e era um ornamento favorito para a chapeleira dos guerreiros. Devido a isso, como já víamos, ela é as vezes descrita como uma protetora tribal e guerreira, em seu aspecto como Brigantia. Evidências de moedas e esculturas Celtas também ligam javalis com deuses e símbolos solares, e acredita-se que a pagã Brigit tenha sido uma deusa do fogo e do sol. Na tradição irlandesa, o Javali Branco de Marvan foi um pastor, um médico, um mensageiro e um músico – atividades conectadas com Brigit, como deusa da poesia e cura.
Brigit, por John Ducan
Um poema de São Broccan sobre a Santa Brigit, descreve sua associação com o javali, (e isso é de novo mencionado na vida por Cogitosus). Há aqui, talvez, uma lembrança de Triath, o rei dos javalis que ficava com a deusa Brigit.
“Um javali selvagem frequentava seu rebanho,
Ao norte ele caçava, o porco selvagem;
Brigit o abençoava com sua vara,
E ele ficava com seu suíno.”
Os outros animais mencionados com ela no Livro das Invasões são animais domésticos – bois e carneiros – apontando sua função como uma deusa da fertilidade e protetora de animais domésticos. Mais tarde, como Santa Brigit, nós podemos ver que ela é particularmente associada com vacas e carneiros, capaz de ordenhar suas vacas três vezes e geralmente criar abundância suficiente para alimentar todos que vinham até ela.
Nós ouvimos falar de Brigit novamente como uma dos Tuatha De Danaan, na história da Batalha de Maigh Tuiredh (do século XII, mas baseado no material do século IX), que conta o conflito entre os Tuatha De e os habitantes da Irlanda, os Fomorianos. Aqui ela é apresentada como uma mediadora (um ser liminar) casada com o rei Fomoriano Bres, embora ela seja a filha do Dagda dos Tuatha De Danaan. Seu filho, Ruadan, fere o ferreiro Goibniu dos Tuatha Dé, e é morto pelo mesmo. Está escrito que:
“Bríg veio e lamentou pelo seu filho. Primeiro ela gritou, e por ultimo ela chorou. Então, essa foi a primeira vez que choros e gritos foram escutados na Irlanda. (Agora, ela é Brig, quem inventou um assobio para ser sinalizado à noite.)
Isso reflete a parte no Livro das Invasões: “Com eles estavam, como escutamos, os três gritos demoníacos depois da rapinagem na Irlanda, assobio, choro e lamentação.” Assim, Brigit não é descrita como uma guerreira como a sombria Morríghan que é associada com o lado destrutivo e sangrento da guerra. Ela dá proteção para quem luta, cuida e lamenta por aqueles que morrem. Ela é a deusa mãe que chora pelo seu filho caído e talvez por que todo guerreiro é filho de alguma mãe, ela não é glorificada ou exultada na guerra.
Possivelmente, há aqui a semente da tardia personificação da Santa Brigit como a Maria dos Gael, mãe adotiva, as vezes até mesmo a mãe de cria de Jesus, outra mulher que chora na morte de seu filho. Ainda, é necessário ter em mente que os textos mencionados acima são na realidade mais tardios que os textos detalhados da vida e milagres da Santa Brigit, e é possível que os autores ou escribas dos textos foram influenciados pela figura tardia da santa.
A Deusa hoje na Irlanda
A cabeça de Corleck
Há um pequeno traço de Brigit, a antiga deusa, na Irlanda hoje, e ela é quase totalmente substituída pela figura da santa. Um local onde ainda temos sua presença, no entanto, é na paróquia de Knockbride no Condadod e Cavan. Há uma colina chamada de Knockbride (Colina de Bride), onde no topo há um velho poço e um forte, e dois pequenos lagos, Lochbride Superior e Inferior. Muitos artefatos foram descobertos nessa área, incluindo a famosa Cabeça Tripla de Corleck, que está agora no National Museum em Dublin e uma cabeça de pedra, que acredita-se ser a de Brigit, que agora está perdida.
Essa imagem mostra o santuário de Knockbride, com a suposta cabeça de Brigit (usando um torc) no topo, a cabeça Corleck diretamente abaixo dela e a cabeça de carneiro, a cabeça barbada, a cabeça de um olho e o cavalo abaixo dela. Apenas a cabeça de Corleck e a barbada sobreviveram, que agora estão no National Museum em Dublin.
A Catedral de St. Brigit, em Kildare.
É certo que Brigit foi cultuada lá no passado, e provavelmente, de alguma forma, até o século XIX. A cabeça de pedra sobreviveu até um padre paroquiano, Owen Reilly (1940-44), a remover. De acordo com a tradição local, mantida de geração a geração, o Padre O’Reilly a levou da parte Leste da paróquia até a parte Oeste, onde uma nova igreja foi construída. Ele alegrou que a cabeça de Brigit pulou da carruagem para o lago de Roosky, onde desapareceu para sempre.

Outra tradição conta que ele pediu ajuda para descarregar uma pedra perto do crepúsculo, no local da nova igreja e que lá ela foi enterrada na fundação da igreja. Seria bom pensar que a igreja não deixou a paróquia, mas está nas águas do lago ou nas profundezas da terra. Certamente, como a Santa Brigit, sua presença é ainda sentida e a nova igreja do Oeste Knockbride tem uma estátua dela, levantada, exaltada, na frente da construção.

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